Questões de Vestibular
Comentadas sobre gênero lírico em literatura
Foram encontradas 21 questões
Nuvens telhados ramagens e Dezembro
Apaixonada estou dentro do tempo
Que me abriga com canto e com imagens
Tão abrigada estou dentro da hora
Que nem lamento já a tarde antiga
Tudo se torna presente e se demora
Será que o dia me pede que eu o diga?
ANDRESEN, S. de M. B. Coral e outros poemas. São Paulo: Companhia das Letras, 2018. p. 185.
No poema Dia, o sujeito poético de Sophia de Mello Breyner Andresen
ALVORADA
Alvorada lá no morro, que beleza, Ninguém chora, não há tristeza, Ninguém sente dissabor. O sol colorindo é tão lindo, é tão lindo. E a natureza sorrindo, tingindo, tingindo. Você também me lembra a alvorada Quando chega iluminando Meus caminhos tão sem vida. E o que me resta é bem pouco, quase nada, do que ir assim vagando numa estrada perdida.
(CARTOLA. Alvorada. In: Cartola. Rio de Janeiro: Marcus Pereira Discos, 1974.)
Texto 1
Aos óculos
Só fingem que põem o mundo ao alcance dos meus olhos míopes.
Na verdade, me exilam dele com filtrar-lhe a menor imagem.
Já não vejo as coisas como são: vejo-as como eles querem que as veja.
Logo, são eles que veem, não eu que, mesmo cônscio do logro, lhes sou grato
por anteciparem em mim o Édipo curioso de suas próprias trevas.
(PAES, J. P. Prosas seguidas de Odes mínimas. São Paulo: Companhia das Letras, p. 63, 1992.)
Texto 2
“Do grego odé e do latim ōde (ou ōda), a ode era, na antiguidade clássica, um poema destinado a ser cantado, ou um canto alegre, triste ou lírico. Era um poema de alguma extensão, de elevado assunto ou nobre, expressando sentimentos ilustres, em homenagem a algo ou a alguém. Apresentava também a elaboração estrófica, bem como estilo formal nobre e cerimonioso”.
(Adaptado do verbete “Ode”, elaborado por Ana Ladeira. In: CEIA, C. E-Dicionário de termos literários (projeto abrigado pela Universidade Nova de Lisboa). Disponível em [https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode](https://edtl.fcsh.unl.pt/encyclopedia/ode). Acesso em 31/05/2025.)
É correto afirmar que a ode mínima de José Paulo Paes reelabora a definição clássica de “ode” ao
( ) A primeira estrofe do poema de Freitas relaciona-se intertextualmente com as estrofes da canção de Alves e Lago, sobretudo no que se refere à similar condição feminina dos dois excertos.
( ) A “mulher de verdade” de Alves e de Lago é resignada e submissa, se comparada à outra mulher, altiva e exigente, a quem o eu-lírico se refere e se relaciona no presente.
( ) A amélia no poema de Freitas desconstrói, no segundo verso, a imagem da Amélia da canção, revelando uma relação homoafetiva.
( ) Freitas aborda a condição feminina, apresentando amplo panorama de mulheres que problematizam as desigualdades de gênero.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.
1 - Construção 2 - Cotidiano 3 - Deus lhe pague 4 - Samba de Orly 5 - Valsinha
( ) Todo dia ela faz tudo sempre igual Me sacode às seis horas da manhã Me sorri um sorriso pontual E me beija com a boca de hortelã.
( ) Um dia ele chegou tão diferente Do seu jeito de sempre chegar Olhou-a de um jeito muito mais quente Do que sempre costumava olhar E não maldisse a vida tanto Quanto era seu jeito de sempre falar E nem deixou-a só num canto Pra seu grande espanto, convidou-a pra rodar.
( ) Pede perdão Pela duração dessa temporada Mas não diga nada Que me viu chorando E pros da pesada Diz que eu vou levando Vê como é que anda Aquela vida à toa E se puder me manda Uma notícia boa
( ) Amou daquela vez como se fosse a última Beijou sua mulher como se fosse a última E cada filho seu como se fosse o único E atravessou a rua com seu passo tímido
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
( ) A representação feminina, no poema de Andresen, aponta mulheres historicamente valorizadas pelos homens, colocando-as ao lado deles no processo de construção igualitária entre os universos feminino e masculino.
( ) O eu-lírico, nos versos de Freitas, dirige-se aos pais em tom de correspondência, como se lhes escrevesse uma pequena carta, para contar, além de pequenos detalhes da viagem a outro país, a mudança de sexo.
( ) O tom irônico, reflexivo e provocativo, presente em muitos dos poemas de Freitas, desafia o senso comum, o que permite aos leitores questionar imposições sociais às mulheres.
( ) A problematização e o questionamento da condição feminina caracterizam o eixo temático da poética de Andresen, mas descrições e sensações ligadas ao mar, ao jardim, às mãos, à noite, à luz, à mitologia grega são temas ignorados pela poeta.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Ingrina
O grito da cigarra ergue a tarde a seu cimo e o perfume do orégão invade a felicidade. [...]
Eu me perdi
[...]
Eu me busquei no vento e me encontrei no mar
E nunca
Um navio da costa se afastou
Sem me levar
Da transparência
Senhor libertai-nos do jogo perigoso da transparência
No fundo do mar da nossa alma não há corais nem búzios
Mas sufocado sonho
[...]
Considere as seguintes afirmações sobre os versos no contexto dos poemas.
I - A poesia de Sophia está profundamente marcada pelo contato com a natureza, muito especialmente com o mar.
II - Sophia recupera fatos históricos e míticos, através de longos poemas épicos, repletos de elogios às figuras célebres.
III- O olhar do sujeito lírico revela dupla dimensão, que parte das pequenas coisas, passa pela paisagem e se une ao todo, revelando a importância da existência.
Quais estão corretas?
Antes do nome
Não me importa a palavra, esta corriqueira.
Quero é o esplêndido caos de onde emerge a sintaxe,
[...]
Quem entender a linguagem entende Deus
cujo filho é Verbo. Morre quem entender.
A invenção de um modo
[...]
Porque tudo que invento já foi dito
nos dois livros que eu li:
as escrituras de Deus,
as escrituras de João.
Tudo é Bíblias. Tudo é Grande Sertão.
Guia
A poesia me salvará.
[...]
No entanto, repito, a poesia me salvará.
Por ela entendo a paixão
que Ele teve por nós, morrendo na cruz.
Considere as seguintes afirmações sobre os poemas.
I - A fé é uma musa poderosa, e o sujeito lírico sente-se inferior à palavra, tanto das escrituras quanto do cotidiano.
II - O fazer poético é, para o sujeito lírico, ao mesmo tempo, sagrado e profano, corpo e espírito.
III- A metapoesia é uma temática importante na lírica de Adélia Prado.
Quais estão corretas?
Seiscentos e sessenta e seis
A vida é uns deveres que nós trouxemos para fazer em casa.
Quando se vê, já são 6 horas: há tempo...
Quando se vê, já é 6ª feira...
Quando se vê, passaram 60 anos...
Agora, é tarde demais para ser reprovado...
E se me dessem – um dia – uma outra oportunidade,
Eu nem olhava o relógio
Seguia sempre, sempre em frente...
E iria jogando pelo caminho a casca dourada e inútil das horas.
Assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações sobre o poema.
( ) O sujeito lírico busca a definição da vida a partir da metáfora com o universo escolar e a passagem do tempo.
( ) A sucessão “6 horas, 6ª feira, 60 anos” aponta para a finitude, isto é, fim do dia útil, fim da semana útil, consequentemente, fim da vida útil.
( ) O sujeito lírico encerra o poema com um tom melancólico, porque a realidade não corresponde às suas expectativas.
( ) O sujeito lírico encerra o poema com um tom melancólico, porque se dá conta da importância da aprovação na escola.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos.
A vida inteira que podia ter sido e que não foi.
Tosse, tosse, tosse.
Mandou chamar o médico:
— Diga trinta e três.
— Trinta e três… trinta e três… trinta e três…
— Respire.
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— O senhor tem uma escavação no pulmão esquerdo e o [pulmão direito infiltrado.
— Então, doutor, não é possível tentar o pneumotórax?
— Não. A única coisa a fazer é tocar um tango argentino.
(Manuel Bandeira. Estrela da vida inteira, 1993.)
No poema, o poeta aborda,
BANANÉRE, Juó. “Migna terra”. La Divina Increnca. São Paulo: Irmãos Marrano Editora, 1924.
Assinale a alternativa que melhor expressa as relações entre o poema e a inserção social de imigrantes italianos no Brasil.
( ) Hamlet e incitado pelo espectro do pai a vingar sua morte e busca descobrir por quem o pai foi assassinado. ( ) Rei Claudio oferece recompensa a quem descobrir o assassino do irmão. ( ) Hamlet finge-se de louco como forma de vingar a morte do pai. ( ) Ofélia aceita o conselho de Hamlet e vai para um convento.
A sequencia correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, e
“Há metafísica bastante em não pensar em nada.
O que penso eu do mundo? Sei lá o que penso do mundo! Se eu adoecesse pensaria nisso.”
pertencem a
I – O gênero lírico, através de poesias, expressa o mundo interior, explorando certa musicalidade nas palavras.
II – O gênero épico, através de seus poemas, apresenta um narrador que ressalta a figura do herói.
III – O gênero dramático expõe o conflito do homem em seu mundo. Os textos deste gênero foram feitos para serem encenados.
Analise tais afirmações, e assinale a alternativa correta:
Senhora, partem tam tristes meus olhos por vós, meu bem, que nunca tam tristes vistes outros nenhuns por ninguém.
Tam tristes, tam saudosos, tam doentes da partida, tam cansados, tam chorosos, da morte mais desejosos cem mil vezes que da vida. Partem tam tristes os tristes, Tam fora d’esperar bem, que nunca tam tristes vistes outros nenhuns por ninguém.
(João Reis de Castelo-Branco. In: Antologia da poesia portuguesa)
Sobre o texto acima, pertencente ao Trovadorismo Português, é correto afirmar que:
Em geral, a lírica é vista como o gênero que se caracteriza por expressar sentimentos e ideias íntimas de um sujeito poético. A poesia lírica seria, então, marcada sobretudo pela subjetividade, privilegiando o mundo interior em face ao mundo exterior.
Assinale a alternativa em que o fragmento do poema NÃO apresenta um eu-lírico correspondente ao que foi descrito acima.