Questões de Vestibular
Comentadas sobre gênero épico ou narrativo em literatura
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Considere as seguintes afirmações sobre os romances brasileiros mencionados.
I - Em Dom Casmurro, de Machado de Assis, o narrador Bento Santiago rememora seu namoro e casamento com Capitu, a quem acusa de tê-lo traído com Escobar, seu melhor amigo, embora se reconcilie com a esposa e perdoe o amigo.
II - Em O cortiço, de Aluísio Azevedo, reconstrói-se o cotidiano de uma habitação coletiva na cidade do Rio de Janeiro, cujo proprietário, João Romão, explora os moradores, gente pobre que se aglomera e luta para sobreviver como pode.
III- Em O Ateneu, de Raul Pompeia, o narrador Sergio, já maduro, repassa sua experiência de interno no colégio, sob o domínio do vaidoso e autoritário diretor Aristarco; as ambivalências sexuais e a sensibilidade infantojuvenil são cruciais no livro.
Quais estão corretas?
Considere as seguintes afirmações sobre Papéis avulsos, de Machado de Assis.
I - Em “O alienista”, Simão Bacamarte, um estudioso de renome, cria um manicômio e dispõe-se a ali recolher quem não se enquadra nos seus critérios científicos de normalidade, do que resulta um encarceramento generalizado.
II - Em “O espelho”, Jacobina toma a palavra durante uma reunião noturna entre amigos e expõe uma experiência pela qual passou na juventude, quando enfrentou uma rebelião de escravos na cidade do Rio de Janeiro.
III- “O segredo do Bonzo” é atribuído a Fernão Mendes Pinto, e narra as aventuras do bonzo Pomada, que se destacava por recusar o conhecimento da época e praticar charlatanismo na cura de doenças transmissíveis.
Quais estão corretas?
“Ele escondeu o objeto no oco de suas mãos. Era um objeto maravilhoso por sua própria estranheza: como um fragmento de escultura grega, encontrado no leito seco de um rio.
É uma “cápsula do tempo”, pensa Pedro, um outro universo está condensado nessa concha, e ele não estava longe de pensar que o mar noturno que lhe guardava o sono, se livrara da antiga concha, num dia em que ele havia, descuidadamente, quebrado uma de suas cápsulas.”
Por suas marcas, esse texto pode ser classificado como
Com base no seguinte excerto de Vidas Secas, assinale a alternativa correta.
[...]
Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para lá, devagar, sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás.
Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.
[...]
RAMOS, Graciliano. Vidas Secas. 144ª ed. Rio de Janeiro: Record,
2020.
I. Nos contos de O carnaval dos animais, de Moacyr Scliar, o cotidiano é frequentemente atravessado por acontecimentos e personagens insólitos.
II. O experimentalismo linguístico, o tom intimista e as referências à cultura pop são características das narrativas de Caio Fernando Abreu em O cego e a dançarina.
III. O universo fronteiriço, os dramas da infância e da adolescência e a inadaptação ao mundo urbano são os temas predominantes de Dançar tango em Porto Alegre, de Sergio Faraco.
Estão corretas as afirmativas
Considere os dois excertos que seguem.
I
E disse: “Ó gente ousada, mais que quantas
No mundo cometeram grandes cousas,
Tu, que por guerras cruas, tais e tantas,
E por trabalhos vãos nunca repousas (...)”
II Aqui ao leme sou mais do que eu: Sou um povo que quer o mar que é teu; E mais que o mostrengo, que me a alma teme E roda nas trevas do fim do mundo, Manda a vontade, que me ata ao leme, De El-Rei D. João Segundo!
(Mensagem, de Fernando Pessoa, 2.ª parte)
Em I, o Gigante Adamastor fala aos navegantes portugueses que queriam, pioneiramente, atravessar o Cabo das Tormentas a caminho das Índias; em II, o timoneiro fala ao mostrengo o porquê de a embarcação lusitana estar enfrentando os perigos do mar. A partir dos excertos e dos comentários, assinale a afirmação que esteja incorreta.
1. Proposição. 2. Invocação. 3. Narração. 4. Conclusão.
( ) Definição do tema e do herói do poema. ( ) Ocorre após o relato dos feitos gloriosos que marcaram a trajetória do herói. ( ) Refere-se à apresentação da sequência cronológica dos fatos que envolvem as aventuras do herói. ( ) Pedido do poeta à Musa para que lhe inspire, para que desenvolva perfeitamente o tema de seu poema.
Está correta a sequência em
( ) Hamlet e incitado pelo espectro do pai a vingar sua morte e busca descobrir por quem o pai foi assassinado. ( ) Rei Claudio oferece recompensa a quem descobrir o assassino do irmão. ( ) Hamlet finge-se de louco como forma de vingar a morte do pai. ( ) Ofélia aceita o conselho de Hamlet e vai para um convento.
A sequencia correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, e
I. ele confere dois atributos aos olhos da cigana. II. a construção contrapõe-se a outra do narrador Bentinho, qual seja: “olhos de ressaca”. III. a capacidade de sedução de Capitu é sugerida por “olhos de ressaca”.
Está/Estão correta(s) apenas a(s) afirmativa(s)
I – O gênero lírico, através de poesias, expressa o mundo interior, explorando certa musicalidade nas palavras.
II – O gênero épico, através de seus poemas, apresenta um narrador que ressalta a figura do herói.
III – O gênero dramático expõe o conflito do homem em seu mundo. Os textos deste gênero foram feitos para serem encenados.
Analise tais afirmações, e assinale a alternativa correta:
TEXTO 1
Irás a divertir-te na floresta,
Sustentada, Marília, no meu braço,
Aqui descansarei a quente sesta
Dormindo um leve sono em teu regaço;
Enquanto a luta jogam os pastores,
e emparelhados correm nas campinas,
toucarei teus cabelos de boninas,
nos troncos gravarei os teus louvores
Graças, Marília bela,
graças à minha estrela!
(Tomás Antônio Gonzaga)
TEXTO 2
UM SONETO PARA MARÍLIA
À maneira de Dirceu
Eis que um dia na mata se banhava
Enquanto o deus as costas lhe voltava.
Cupido... e estava nu, inteiramente,
Pois que deixara à margem da corrente
O arco terrível e a repleta aljava.
Só aguardava ocasião... E, de repente
As armas furta sorrateiramente,
Surgem então as fauces escarninhas
Dos silvanos e sátiros astutos.
Põem-se a vaiar o Amor, sem mais cautelas
Marília que, às ocultas, o espreitava
—Ah! Temíeis as frechas quando minhas!
(E o deus sorri) Vereis agora, ó brutos,
O que Marília há de fazer com elas!
(MARIO QUINTANA)
A respeito dos dois textos, observe os seguintes comentários:
I. Quanto ao gênero literário, o TEXTO 1 revela, encoberto na cena descritiva, um lirismo confessional, através do qual o eu poético expressa o seu amor, sua paixão.
II. O TEXTO 2 se constitui como paráfrase do TEXTO I, ao reproduzir as mesmas ideias deste.
III. O TEXTO 2 mostra um locutor mais distanciado dos sentimentos e do confessionalismo amoroso; quanto ao gênero literário, este texto traz uma tendência dominante do gênero narrativo.
IV. O TEXTO 2 contém insinuações humorísticas e sensuais que ‘desconstroem’ o clima lírico e confessional, presente na cena do TEXTO 1.
V. O TEXTO 2 centraliza seu foco de atenção à personagem Marília, numa tentativa de recuperar o confessionalismo amoroso escamoteado no TEXTO 1
VI. O TEXTO 2 desconstrói e dessacraliza a cena e o sentimento amoroso do TEXTO 1, constituindo-se como paródia deste.
Está CORRETO o que se afirmou
CITONHO Doutor Noêmio, desculpe a indiscrição. Andaram me falando de uma coisa, mas eu não quis de maneira nenhuma acreditar. Me disseram que o senhor é de uma raça que só come folha. DR. NOÊMIO Pois pode acreditar. Sou vegetariano e tenho muito orgulho disto. CITONHO Mas a gente vê umas neste mundo! Não está vendo que tomate e chuchu não dão sustança a ninguém?! Agora: feijão, farinha e carne, sim, isso é que é comida. Olhe aqui eu. Estou com mais de oitenta anos, só não como carne na Sexta-feira da Paixão – e olhe lá... Resultado: uma saúde de ferro: estou tinindo. DR. NOÊMIO Isso é o que o senhor pensa. Seu corpo está envenenado, meu velho, com toxinas até na ponta dos cabelos. Até na sombra.
[...]
FREDERICO Eu só rezo pra defunto. Interessa? Liás, cabra safado não serve pra morrer, só serve pra apanhar. E apanhar entre os bicos dos peitos e o caroço do imbigo, que é pra não deixar marcas da surra. Ah!, nós três num deserto: eu, você e um cacete de quixaba! Porque quixaba é o chá melhor que existe no mundo pra pancada. Assim, pra ganhar tempo, a gente dá logo a pisa com quixaba, porque está dando o castigo e o remédio. Mas já gastei muita cera com você. [...]
(LINS, Osman. Lisbela e o prisioneiro. São Paulo: Planeta, 2003. p. 22 e 25.)
Considerando a obra citada no texto 01, assinale a alternativa correta: