Questões de Vestibular Comentadas sobre filosofia
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[...] portanto, deve-se dizer que a existência de Deus e as outras verdades referentes a Deus, acessíveis à razão natural, como diz o Apóstolo, não são artigos de fé, mas preâmbulos dos artigos. A fé pressupõe o conhecimento natural, como a graça pressupõe a natureza, e a perfeição o que é perfectível. No entanto, nada impede que aquilo que, por si, é demonstrável e compreensível, seja recebido como objeto de fé por aquele que não consegue apreender a demonstração.
TOMÁS DE AQUINO, Suma Teológica. São Paulo: Loyola, 2009, p.165. V.1.
Tomando como referência o excerto acima, assinale a alternativa correta.
SANTO AGOSTINHO, O Livre Arbítrio. São Paulo: Paulus, 1995, p.128.
O acesso perceptivo à realidade exterior e sensível oferece um obstáculo ao conhecimento do que é inteligível, pois o inteligível tem natureza distinta do sensível. Marque a alternativa correta acerca da resposta de Santo Agostinho a esse problema. Para ele, a realidade exterior contém em sua natureza a beleza da criação e, ao ser percebida pela alma, favorece a possibilidade do reconhecimento das verdades inteligíveis
A obra Organon constitui o primeiro estudo amplo da disciplina Lógica, embora falte essa palavra para designá-la. No início de Analíticos, Aristóteles define a disciplina que se prepara para investigar como ciência da demonstração e do saber demonstrativo. Distingue dois tipos de discurso, dialético e demonstrativo: o primeiro parte do problemático e do provável e termina necessariamente no provável; o segundo parte do verdadeiro e termina no verdadeiro.
(Nicola Abbagnano. Dicionário de filosofia, 2007. Adaptado.)
Texto 2
No Livro I, capítulo 1 de sua obra Primeiros Analíticos, Aristóteles define o que é um silogismo perfeito: “Silogismo é um argumento no qual, colocadas certas coisas, outra distinta das estabelecidas decorre necessariamente, porque essas coisas são o caso. Por ‘porque essas coisas são o caso’ quero dizer decorrer em virtude delas; por ‘decorrer em virtude delas’ quero dizer não carecer de nenhum termo externo para que o necessário venha a ser o caso”.
(Mateus R. F. Ferreira. “O que são silogismos perfeitos?”. https://revistas.ufpr.br/doispontos, 2013. Adaptado.)
Nos textos 1 e 2 está apresentada uma das principais contribuições de Aristóteles para a história da filosofia. Tal contribuição refere-se
(Lúcio Lourenço Prado. Filosofia da linguagem, 2012. Adaptado.)
O argumento lockeano mencionado tem implicações no âmbito
Fraser, N. Reconhecimento sem ética?, Lua Nova, São Paulo, 70, p. 103, 2007.
De acordo com Nancy Fraser no artigo “Reconhecimento sem ética?”, políticas de reconhecimento são necessárias para:
Hobbes, T. Leviatã. São Paulo: Abril Cultural, 1988, p. 30. (Coleção Os Pensadores)
De acordo com a passagem apresentada e com a obra de que foi retirada, é correto dizer que, para Thomas Hobbes:
Krenak, A. Ideias para adiar o fim do mundo. São Paulo: Companhia das Letras, 2019. p. 49.
Na obra Ideias para adiar o fim do mundo, Ailton Krenak sustenta que a filosofia indígena se estrutura a partir:
Chaui, M. Cultura e democracia, Crítica y emancipación: Revista latino-americana de Ciencias Sociales, n. 1, 2008, p. 75.
Cultura é um termo polissêmico, assumindo diferentes significados ao longo do tempo. Em “Cultura e democracia”, Marilena Chaui considera que a cultura se democratiza quando:
Wallace, D. F. Pense na lagosta. Uma incursão num mundo de exageros, mau gosto, prazeres e crueldade, Revista Piauí, ed. 72, set. 2012.
No texto “Pense na lagosta”, David Foster Wallace defende que:
[...] Ao criticar a democracia e ao historiar o surgimento do tirano, Platão implicitamente propõe a seguinte questão: E se for vontade do povo, não que ele próprio governe, e sim um tirano em seu lugar? O homem livre, sugere Platão, pode exercer sua absoluta liberdade a princípio desafiando as leis e, em última análise, desafiando sua própria liberdade e clamando por um tirano. Isto não é apenas uma possibilidade remota; tem acontecido numerosas vezes; e, de cada vez que aconteceu, colocou em desesperada posição intelectual todos aqueles democratas que adotam, como base final de seu credo político, o princípio do governo da maioria ou forma semelhante do princípio de soberania [...]
POPPER, Karl Raimund. A sociedade aberta a seus inimigos. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 1974. p. 138-139.
No trecho da obra A sociedade aberta a seus inimigos, o filósofo Karl Popper propõe o conceito do “paradoxo da tolerância”. De acordo com o autor,
ADORNO, Theodor. Teoria estética. Trad. Artur Morão. Lisboa: Edições 70, 1988, p. 232. – Adaptado.
Segundo diz o filósofo alemão T. Adorno na passagem acima, o baixo nível artístico-cultural da época dominada pela indústria cultural, deve-se
Mateus Nogueira – Estou eu imaginando todas as almas dos homens serem umas e todas de uma mesma matéria, feitas à imagem e semelhança de Deus, e todas capazes da glória e criadas para ela. Diante de Deus, têm a mesma natureza a alma do papa e a alma de um indígena da capitania do Espírito Santo.
Gonçalo Álvares – Os indígenas têm alma como nós?
Mateus Nogueira – É claro! Afinal, a alma tem três potências: entendimento, vontade e memória, que todos têm. [...] Você teve tão ruim entendimento para entender o que eu queria lhe dizer como os nativos para entender as coisas de nossa fé. [...]
NÓBREGA, M. Obra completa. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio; São Paulo: Loyola, 2017, p. 213-214. – Adaptado.
A discussão sobre a existência da alma possuindo entendimento e vontade, sendo independente do corpo e suas sensações, e comum a todos os homens, foi depois tema central em uma corrente da filosofia europeia moderna, qual seja:
FRANCO, A. A. M. O índio brasileiro e a revolução francesa: As origens brasileiras da teoria da bondade natural. – 2ª ed. Rio de Janeiro: J. Olympio; Brasília: INL, 1976, p. 19-20. – Adaptado.
Segundo Afonso Arinos de Melo Franco, as descrições dos habitantes originários do litoral brasileiro dos séculos XVI e XVII, nos relatos de viagem de europeus ao Brasil, influenciaram a elaboração, na Europa, das modernas teorias do Estado como resultado de uma saída do estado de natureza através de um contrato (ou pacto) social. Segundo a citação acima, esses relatos ajudaram os filósofos europeus a pensar sobre
“A democracia que conhecemos instituiu-se por vias selvagens, sob o efeito de reivindicações que se mostraram indomesticáveis. E todo aquele que tenha os olhos voltados para a luta de classes, [...], deveria convir que ela foi uma luta pela conquista de direitos — exatamente aqueles que se mostram hoje constitutivos da democracia [...]. Poderoso agente da revolução democrática, o movimento operário talvez tenha, por seu turno, se atolado na lama das burocracias, nascidas da necessidade de sua organização. Acontece, no entanto, para além dos choques de interesses particulares nos quais a democracia corre o risco de se deteriorar, que os conflitos que atravessam a sociedade em todos os níveis sempre deixam visível uma oposição geral, que é sua mola-mestra, entre dominação e servidão”.
LEFORT, Claude. A invenção democrática: os limites do totalitarismo. São Paulo: Brasiliense, 1983. p. 26.
Tomando por base o trecho acima apresentado, é correto afirmar que
REIS, Diego dos Santos. Lélia Gonzalez, Por uma Filosofia Amefricana. Anais do IV Congresso de Pesquisadores/as Negros/as, 2023.
Segundo Diego dos Santos Reis, para a filósofa Lélia González,
NOGUEIRA, Francisco Alcântara. Farias Brito e a Filosofia do Espírito. Rio de Janeiro: Livraria Freitas Bastos S/A, 1962., p. 45.
Com base na apresentação de Alcântara Nogueira, é correto afirmar que a compreensão de Farias Brito sobre Deus é uma espécie de