Questões de Vestibular
Comentadas sobre desigualdades de raça, classe e gênero em sociologia
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Disponível em: https://tinyurl.com/25j5ntyn. Acesso em: 4 mar. 2026.
O texto evidencia
Internet: <https://www.tce.ba.gov.br/>.
Refletindo sobre o papel dos povos indígenas e africanos na formação da identidade nacional e temas correlatos, assinale a alternativa correta.
“Em recente encontro feminista [...] tínhamos observado uma sucessão de falas [...], que colocavam uma série de exigências quanto à luta contra a exploração da mulher, do operariado etc. A unanimidade das participantes quanto a essa denúncia era absoluta. Mas no momento em que começamos a falar do racismo e suas práticas em termos de mulher negra, já não houve mais unanimidade. Nossa fala foi acusada de emocional por umas e até mesmo de revanchismo por outras [...]”
GONZALEZ, Lélia. Por um feminismo afro-latino-americano: ensaios, intervenções e diálogos. Org.: Flavia Rios e Márcia Lima. Rio de Janeiro: Zahar, 2020, p. 61.
Com base no pensamento da autora e no texto, sobre o modo como a filósofa aborda a questão da mulher, assinale a opção correta.
(Alexandre Barbosa. “O que é decolonialismo?”. www.eca.usp.br, 07.05.2024. Adaptado.)
De acordo com o excerto, o decolonialismo
O preconceito racial criou nos americanos uma atitude ambivalente para com a Espanha. Os peninsulares (espanhóis) eram sem dúvida brancos puros, mesmo que fossem imigrantes pobres. Os americanos eram mais ou menos brancos e mesmo os mais ricos tinham consciência da mistura de raças e estavam ansiosos para provar que eram brancos, se necessário por ação judicial. Mas o fator raça se tornou mais complexo devido a interesses sociais, econômicos e culturais, e a supremacia branca não era incontestável; para além de suas defesas havia uma massa de índios, mestiços, negros livres, mulatos e escravos.
(John Lynch. “As origens da independência da América espanhola”. In: Leslie Bethell (org.). História da América Latina: da independência a 1870, 2004. Adaptado.)
De acordo com o excerto, a sociedade colonial, na América espanhola,
https://www.gazetadopovo.com.br/opiniao/artigos/mito-da-democracia-r acial-no-brasil-e-suas-consequencias/
O mito da democracia racial, defendido na obra de Gilberto Freire, contribuiu para:
Fanon, F. Racismo e cultura. Brasil: Terra sem Amos, 2022. p. 16.
Considerando o fragmento fornecido, é correto afirmar, a respeito do racismo, que:
VIANNA, Luís Werneck. Apresentação do livro de CARVALHO, Maria Alice Rezende de. O quinto século: André Rebouças e a construção do Brasil. Rio de janeiro: Revan, 1998. Adaptado.
Com base na apresentação da posição filosófica de André Rebouças (1838-1898), é correto afirmar que
A MÃO DA LIMPEZA
O branco inventou que o negro Quando não suja na entrada Vai sujar na saída, ê Imagina só Vai sujar na saída, ê Imagina só Que mentira danada, ê
Na verdade a mão escrava Passava a vida limpando O que o branco sujava, ê Imagina só O que o branco sujava, ê Imagina só O que o negro penava, ê
Mesmo depois de abolida a escravidão Negra é a mão De quem faz a limpeza Lavando a roupa encardida, esfregando o chão Negra é a mão É a mão da pureza
Negra é a vida consumida ao pé do fogão Negra é a mão Nos preparando a mesa Limpando as manchas do mundo com água e sabão Negra é a mão De imaculada nobreza
Na verdade a mão escrava Passava a vida limpando O que o branco sujava, ê Imagina só O que o branco sujava, ê Imagina só Eta branco sujão
A canção A mão da limpeza foi lançada em 1984, por Gilberto Gil, no álbum Raça Humana. A canção aborda a questão da presença da população negra brasileira no emprego doméstico, realidade cujas raízes estão relacionadas ao contexto histórico da escravidão.
Com relação ao tema, considere as afirmações abaixo.
I - Em 2013, foi aprovada a Emenda Constitucional 72, conhecida como PEC das domésticas, que, pela primeira vez na história do Brasil, equiparou os direitos das trabalhadoras domésticas aos demais trabalhadores urbanos e rurais.
II - Na atualidade, a prevalência da população negra brasileira nos empregos domésticos, especialmente das mulheres negras, evidencia a persistência de hierarquias sociais, raciais e de gênero como fatores que incidem na limitação de oportunidades de estudo, trabalho e mobilidade social.
III- Ao longo da história do século XX, a defesa dos direitos das trabalhadoras domésticas foi uma pauta que mobilizou a categoria, com destaque para Laudelina de Campos Melo, mulher negra, que, na década de 1930, fundou a primeira Associação de Empregadas Domésticas do país.
Quais estão corretas?
Na última segunda-feira, o jovem imigrante congolês Moïse Kabamgabe, de 24 anos, foi brutalmente assassinado no Rio de Janeiro. Moïse chegou ainda criança ao Brasil junto com sua mãe e seus irmãos. Era um refugiado que buscava reconstruir a vida longe dos conflitos étnicos na República Democrática do Congo que já tinham ceifado a vida de seu pai e de outros parentes. […] A hostilidade contra africanos tem longa história no Brasil. Nunca é demais lembrar que a história do Brasil é fundada na escravidão. O tráfico transatlântico de africanos escravizados trouxe somente para o Brasil mais de cinco milhões de homens, mulheres e crianças, segundo dados de uma plataforma digital que quantifica os números do comércio negreiro. No século 19, depois da Revolta dos Malês — um movimento de resistência na Bahia protagonizado por africanos de origem iorubá, da África Ocidental —, o governo local estabeleceu uma política de deportação para a África daqueles envolvidos no episódio ou mesmo que representassem algum perigo na cabeça das autoridades brasileiras. […] Com o final do tráfico de africanos escravizados, uma outra política de imigração se estabeleceu no país. Imigrantes europeus, como os italianos, que formavam uma comunidade importante em São Paulo, eram cada vez mais numerosos no Brasil depois de 1850. Os africanos e seus descendentes, por sua vez, foram empurrados cada vez mais para a subalternidade, que se arrasta até os nossos dias.
PINTO, Ana Flavia [et al]. Assassinato de jovem congolês destrói imagem de país cordial e hospitaleiro. UOL, 02 fev. 2022. Disponível em: <https://noticias.uol.com.br/opiniao/coluna/2022/02/02/assassinato-de-jovemcongoles-destroi-imagem-de-pais-cordial-e-hospitaleiro.htm>. Acesso em: 08 out. 2022.
Considerando a história das relações étnico-raciais no Brasil, a principal ideia contida no segmento é que
[...] As pretas não eram sérias, as pretas tinham a cona larga, as pretas gemiam alto, porque as cadelas gostavam daquilo. Não valiam nada.
As brancas eram mulheres sérias. Que ameaça constituía para elas uma negra? Que diferença havia entre uma negra e uma coelha? Que branco perfilhava filhos a uma negra? Como é que uma negra descalça, de teta pendurada, vinda do caniço a saber dizer, sim, patrão, certo, patrão, dinheiro, patrão, sem bilhete de identidade, sem caderneta de assimilada, poderia provar que o patrão era o pai da criança? [...]
Os brancos entravam no caniço e pagavam cerveja, tabaco ou capulana a metro à negra que lhes apetecesse. A bem ou mal. Depois abotoavam a braguilha e desapareciam para as suas honestas casas de família.
Considere as seguintes afirmações sobre o excerto.
I - As personagens pretas são sexualmente objetificadas e se constituem como uma grave ameaça às tradicionais famílias brancas.
II - A primeira atitude do colonizador era reconhecer os filhos gerados com suas escravas.
III- A mulher preta é usada como objeto sexual, enquanto a mulher branca é a dona de casa, a esposa e a mãe imaculada.
Quais estão corretas?
Considerando essa perspectiva de Mills, avalie as seguintes proposições sociológicas:
I. As elites são compostas por pessoas cujas posições de classe social lhes permitem influenciar e tomar decisões que afetam toda a sociedade.
II. As elites do poder não são solitárias e necessitam de conselheiros, políticos e formadores de opinião para capitanearem seus interesses e escolhas.
III. O status social das elites tem uma íntima relação com a posição na estrutura social e com o reconhecimento de que são uma classe superior na sociedade.
IV. Os estratos sociais dominantes conseguem se manter como elite do poder porque buscam uniões matrimoniais com todas as outras classes sociais.
É correto o que se afirma em
Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNADC) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), na última década (2012-2022), a grande maioria das mulheres negras tiveram trajetórias duradouras nas ocupações de menos prestígio social, com baixos salários e de más condições de trabalho, como o emprego doméstico e o de serviços gerais. Além disso, a PNADC aponta que 22,1% das mulheres negras, em idade ativa para o trabalho, estavam desempregadas no 1º trimestre de 2021 – o dobro da registrada entre homens brancos (10,0%) e muito distante da reportada pelas mulheres brancas e homens negros (13,8%). E no primeiro trimestre de 2022, 43,3% das mulheres negras ocupadas estavam em postos de trabalho informais, taxa maior que a de homens brancos (34,8%) e a das mulheres brancas (32,7%), abaixo apenas da dos homens negros (46,6%).
Considerando esses dados da PNADC/IBGE, é correto concluir-se que
A concepção de uma “nacionalidade mestiça” brasileira, de modo geral, considera que o povo aqui surgiu historicamente do cruzamento de três raças (o europeu, o índio e o africano), mas, depois desse momento inicial, os brasileiros já não são mais portugueses/europeus, nem africanos e nem índios, mas um “povo novo”, resultado desse cadinho de raças diferentes do passado colonial. Porém, esta concepção de que o povo brasileiro é mestiço carrega consigo, por outro lado, um discurso ideológico que estabelece a ideia de unidade nacional e esconde o racismo e as contradições étnico-raciais historicamente constituídas e ainda presentes na sociedade atual, além de amenizar a pauta pública nacional sobre as reivindicações dos povos e populações tradicionais no país.
Considerando o enunciado acima, atente para o que se afirma a seguir e assinale com V o que for verdadeiro e com F o que for falso.
( ) Pensar que no Brasil de hoje todos somos mestiços resulta em um pensamento que exclui da história as matrizes étnico-raciais indígena e negra na formação da nação, considerando apenas os portugueses.
( ) A principal consequência da ideia da mestiçagem é a de comprovar que, no Brasil, há de fato uma democracia racial que promove uma sociedade sem falsas contradições uma vez que todos são brasileiros.
( ) A concepção de uma “mestiçagem brasileira” pode esconder as lutas políticas por direitos e ações afirmativas das pessoas negras, das comunidades quilombolas e dos povos tradicionais indígenas.
( ) Imaginar que o brasileiro é mestiço e não mais branco, negro ou índio prejudica o reconhecimento de que a sociedade brasileira é composta pela diversidade étnico-racial e pelo multiculturalismo.
A sequência correta, de cima para baixo, é:
Para Nancy Fraser, cientista social norte-americana, as reivindicações dos movimentos sociais por justiça social, a partir do final do século XX, passaram a dividir-se em dois tipos: as reivindicações redistributivas e as de reconhecimento. O primeiro tipo de reivindicações pretende buscar uma distribuição mais justa de recursos materiais e riquezas dentro de uma sociedade. As reivindicações do tipo reconhecimento traçam metas, no geral, que visam, dentre outros fins, a uma sociedade onde se acolha amistosamente as diferenças sociais e culturais.
Considerando esses tipos de reivindicações dos movimentos sociais, avalie as proposições a seguir:
I. O Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e o Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST), no Brasil, fazem parte do tipo de reivindicações redistributivas.
II. O Occupy Wall Street, de 2011, produziu uma reivindicação do tipo reconhecimento nesse distrito financeiro dos EUA, pois lutava contra a disparidade socioeconômica.
III. As organizações dos movimentos negro, feminista e LGBTQIAP + produzem reivindicações redistributivas uma vez que lutam contra discriminações e por igualdade de direitos.
IV. As reivindicações das pessoas com deficiência são do tipo reconhecimento considerando-se que buscam pela inclusão social e por tratamento justo em ambientes como empresas e escolas.
É correto o que se afirma somente em
(CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade. A construção do outro como não ser como fundamento do ser. São Paulo: Zahar, p. 91, 2023.)
Escolha a alternativa que apresenta crítica semelhante à de Sueli Carneiro.
(Adaptado de: HILL COLLINS, P.; BILGE, S. Interseccionalidades. São Paulo: Boitempo, p. 32-33, 2016.)
A partir do texto, é correto afirmar que
(Djamila Ribeiro. O que é: lugar de fala?, 2017. Adaptado.)
O excerto aborda um conceito que propõe uma nova perspectiva de análise filosófica, sobretudo em relação
Elas entraram para o movimento feminista apagando e negando a diferença, sem pensar em raça e gênero juntos, mas eliminando raça do cenário.
(bell hooks. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras, 2018. Adaptado.)
Ao abordar aspectos do Movimento pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da década de 1960, o excerto
Leia o seguinte segmento apresentado, em 2010, ao Supremo Tribunal Federal pelo historiador Luiz Felipe de Alencastro, em audiência pública a respeito das cotas universitárias.
[...] boa parte das duas últimas gerações de indivíduos escravizados no Brasil não era escrava. Moralmente ilegítima, a escravidão do Império era ainda – primeiro e sobretudo – ilegal [...]. Tenho para mim que este pacto dos sequestradores constitui o pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira. [...] Pelos motivos apontados acima, os ensinamentos do passado ajudam a situar o atual julgamento sobre cotas universitárias na perspectiva da construção da nação e do sistema político de nosso país. [...] Trata-se, sobretudo, de inscrever a discussão sobre a política afirmativa no aperfeiçoamento da democracia, no vir a ser da nação.
ALENCASTRO, L. F. O pecado original da sociedade e da ordem jurídica brasileira. Novos Estudos, n. 87, 2010, p. 7-9.
Considerando a posição do historiador e o conhecimento histórico sobre a sociedade brasileira, assinale com V (verdadeiro) ou F (falso) as seguintes afirmações.
( ) O Estado e parte considerável da sociedade, ao longo da história do Império brasileiro, aceitaram manter uma estrutura econômica e social fundada na ilegalidade da escravização de indivíduos que deveriam ser considerados livres.
( ) A escravidão, durante o período imperial, era encarada pelo conjunto da sociedade como ilegítima, uma vez que feria os princípios da moralidade cristã e do liberalismo econômico, fomentados a partir do Segundo Reinado.
( ) A implementação de políticas de ações afirmativas para a redução das desigualdades sociais no presente pode ser justificada a partir da compreensão dos processos históricos que possibilitaram e deram continuidade a tais desigualdades.
( ) O estudo do passado pela história é um instrumento importante para a definição de um sistema político mais justo, para a construção de uma sociedade mais democrática e para elaborar projetos de futuro para a nação.
A sequência correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é