Questões de Concurso Sobre regência em português

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Q2168769 Português
TEXTO II

Por que a educação na primeira infância é uma etapa fundamental

Investir na formação dos brasileiros desde o nascimento é uma prioridade que deve mobilizar o governo, o terceiro setor, as famílias e toda a sociedade 


 Assinale a afirmativa incorreta quanto à regência verbal: 
Alternativas
Q2168593 Português
Texto I
'Ser bom ou mau é escolha': confira entrevista com o filósofo e professor Mario Sergio Cortella

Por Patrícia Santos Dumont - Em 05/12/2019

Quem é você? Justo, generoso ou intolerante e ganancioso? Tem mais vícios ou virtudes? Costuma ser bom o tempo todo ou às vezes se pega fazendo pequenas maldades? Já parou para refletir sobre os próprios comportamentos e o que o levou a tê-los: circunstâncias da vida ou escolhas que fez? Sobre isso e as possibilidades de sermos “anjos ou demônios” bati um papo – descontraído, apesar do tema – com o filósofo, professor e escritor Mario Sergio Cortella.

Patrícia - Como se deu a concepção de “Nem Anjos Nem Demônios”, seu livro com a Monja Coen?
Cortella - Tenho outros livros, nessa coleção, sobre ética, política, sobre moral, esperança. Mas nunca tinha colocado num diálogo mais direto alguém com a marca da filosofia ocidental, da religiosidade ocidental, como eu, e alguém ligado à concepção oriental asiática, caso da Monja. Juntamos essas duas formas mais usuais de entendimento sobre essa temática para trazer um debate mais forte sobre o que acontece no cotidiano, a necessidade de pensar a vida como escolha. A noção do bem e do mal como resultado de decisões e não como fatalidades.

Ser bom ou ser mau, portanto, não tem a ver com as circunstâncias da vida? Não somos o que somos levados a ser? São escolhas? Essa ideia de que as escolhas feitas são sem alternativa não é uma percepção que a gente possa ter. A ideia de liberdade de escolha que temos é o que se chama de livre arbítrio. Quando alguém é movido por circunstâncias opressivas e tem uma reação a isso, até o campo da legislação criminal ou penal admite como sendo um atenuante. Mas, no conjunto das vezes, não é a circunstância que gere. Para mim, não é a ocasião que faz o ladrão. A ocasião apenas o revela. A decisão de ser ladrão ou não é anterior à ocasião. Há milhares de pessoas que encontram ocasião todos os dias, de desviar, de ter uma conduta negativa, e não o são. Portanto, a ocasião apenas permite que a pessoa se mostre naquilo que decidiu ser.

Patrícia - Na primeira página do livro, vocês falam sobre vícios e virtudes, que seriam qualidades negativas e positivas, certo? Podemos, então, dizer que tudo bem ter vícios, já que também são qualidades?
Cortella - Sim. Eles existem na sua contraposição. Nós não elogiamos os vícios, apenas admitimos a existência deles. O fato de a gente ter doenças não significa que isso se sobreponha à nossa forma desejada de saúde. Por isso, a constatação da existência dos vícios apenas nos deixa em estado de alerta. Apenas sei que eles existem e que são possíveis em outras pessoas e também em mim. Neste sentido, admitir a presença de vícios é saber que nossa humanidade conta com essa condição, mas que não podemos, em nome da ideia de que errar é humano, justificar qualquer erro porque uma parte grande deles são escolhas. Não está tudo bem, então, em ser “mau” de vez em quando? Isso não nos ajudaria a levar a vida com mais leveza, mantendo um certo equilíbrio?

Não, não está tudo bem. É preciso não se acomodar com a ideia porque quando se diz nem anjos nem demônios não se está dizendo tanto faz, está se fazendo um alerta. O alerta é: nós podemos ser angelicais ou demoníacos. Cuidado! Ser angelical, isto é, ser alguém que se move pela bondade, é algo desejável. Ser alguém que se move pela maldade é uma possibilidade também. Ser anjo ou demônio é uma escolha.

Mas não traria mais leveza para nossa existência se a gente tivesse a permissão, talvez, de em alguns momentos tender mais para um do que para outro extremo?

Olha, poderia até tornar a vida mais emocionada, mas não há necessidade disso. Nós, humanos, temos uma coisa, até um sinal de inteligência nas espécies, que são os jogos, nossa capacidade lúdica. Quando você vê uma partida de futebol, uma disputa dentro de quadra, quando você tem um grupo jogando truco, existe ali a possibilidade de vencer o outro, de brincar com ele. O jogo é exatamente essa possibilidade do exercício eventual de algumas coisas que não são só angelicais. Eu, por exemplo, sou jogador de truco, um jogo que tem por finalidade brincar com o adversário, tripudiar, fingir que se tem uma carta. Na vida, eu não faria isso. Mas no truco eu posso. Então, sim, há momentos em que essa permissão vem à tona. Onde pode? No teatro, no cinema, na música, no jogo. A gente sabe que a brincadeira é séria, mas é brincadeira.

Nem todo mundo é bom ou mau o tempo todo. Mas muitos de nós buscam ser mais bons do que maus. É da natureza humana?

Em grande medida, nós desejamos primeiro a ideia de bondade que supere a maldade. Quando ninguém escapa de fazê-lo e quando a pessoa não é alguém marcada por algum tipo de desvio psiquiátrico, em grande medida preferimos a bondade à maldade porque ela nos faz ser aceitos, há uma solidariedade maior em relação à convivência. Isso também nos leva a receber de volta mais situações de bondade. Há pessoas que caminham numa trajetória da maldade como sendo sua escolha mais expressiva, mas são as que consideramos moralmente adoentadas, com algum tipo de desvio psiquiátrico ou com uma perspectiva de existência em que só consegue se glorificar na maldade. Ainda assim, o número de pessoas que têm essa perspectiva é muito reduzido, do contrário, nossa vida em comunidade já teria se rompido há muito tempo. O que não significa que a gente não tem em nós essa postura angelical como sendo uma escolha, e também a demoníaca como possibilidade. (...)

Disponível em https://www.hojeemdia.com.br/plural/ser-bom-ou-mau-%C3%A9-escolha-confira-com-o-fil%C3%B3sofo-e-professor-mario-sergio-cortella-1.760617. 
No exemplo “A decisão de ser ladrão ou não é anterior à ocasião”, o sinal indicativo da crase foi usado corretamente devido às regras da regência nominal. Assinale a alternativa que apresente um exemplo de uso correto da crase pelo mesmo motivo em destaque. 
Alternativas
Q2154889 Português

Imagem associada para resolução da questão
A personagem em foco na tirinha de Laerte chama atenção para o fato de que o enunciado de seu interlocutor apresenta um problema de 
Alternativas
Q2135059 Português

TEXTO 1 


MANIFESTO DA ÁRVORE

Jurandir Ferreira

     No fim de setembro as árvores ganham mais a atenção da gente e se tornam o assunto do mês, pois entra a primavera em cena e dificilmente se pensaria em uma primavera bem montada e bem aparelhada a não ser com dose certa de árvores. Pode-se pedir à mais capacitada imaginação um quadro de primavera no Himalaia ou no Saara, mas não se terá nada que preste. Esses lugares não dão primavera. Não são lugares dionisíacos onde se encontre o sorriso dos deuses aberto em folhagem, são lugares que não conhecem o milagre subterrâneo chamado raiz, nem o milagre aéreo chamado clorofila. Se todos amam, desejam e dão graças à primavera, que é a mais bela página da história natural, devem ter na maior conta e respeito as árvores, que são as heroínas e dão continuidade, substância e sentido a essa história.

     Falar em tais coisas seria de uma arquibocejante e esplendorosa chatice não fora o fato de estarmos trabalhando, no tronco de cada árvore cortada, para espicharmos sobre o mundo os Saaras e os Himalaias. E trabalhamos nisso desimpedidos, irresponsáveis, alegrões e até mesmo pensando fazer um serviço benemérito: Devia existir nos estatutos jurídicos um capítulo que tratasse especificamente dos crimes contra o mundo vegetal, das violências e agressões árvore corno agressões e violências indiretas à pessoa humana. Como não existe esse código civil ou esse código penal da árvore e ela por si mesma não trata de defender-se, imaginei sugerir a fundação de uma Sociedade Protetora da Arvore. Não se vai a ponto de considerar às árvores como os bois e os macacos sagrados da Índia, seres tabus e intocáveis. Está claro também que não se chega à ingenuidade de colocar na árvore a solução de todas as crises ambientais no mundo de hoje. Entretanto a resposta é óbvia quando o Terceiro informe ao Clube de Roma para uma Nova Ordem Internacional pergunta "de que modo o desflorestamento maciço causado pela necessidade de lenha, pelo excesso de pastagens, pela organização e pela exploração comercial da madeira irá afetar o nosso ambiente terrestre e finalmente a atmosfera e o clima de nosso planeta?". É necessário definir quando e como se estabelece o direito de violar a integridade delas.

     Proteger a árvore é proteger o homem. Este é um enunciado que deveria ser lido na camiseta dos jovens, no vidro dos automóveis e na bandeira nacional de todos os países. Ao inventar um sítio onde nossos dois avós viveriam uma vida perfeita, veio Deus com o Éden, que era cheio de árvores. Lembrete arcaico, mas em relação ao comportamento humano a palavra bíblica ainda alerta e ainda acerta. E, sem apelar para nenhuma outra sabedoria senão aquela ensinada pelo que acontece diante dos nossos olhos a cada hora, apressemo-nos em lutar pela árvore. A árvore é a mais perfeita obra de arte da natureza e o mais prodigioso aparelho vivo, depois do homem. Sem árvore não haverá água e sem H2O não existe vida.

     Uma cronista escreveu há alguns dias que um seu amigo falava num projeto de clube da árvore e o que o amigo falava era exatamente isso que ar está como o "Manifesto da Arvore", pronto a reunir-se a outros esforços no mesmo sentido. O problema da árvore não é um problema de aldeia, desta ou daquela aldeia, mas um problema do mundo, um problema implicado na sobrevivência e salvação da espécie. Fora ele de aldeia e não diria eu uma palavra, porque os problemas de aldeia já têm um grupo de sábios aldeões que deles cuidam com exclusividade e incomparável competência.

Fonte: FERREIRA, Jurandir. Da quieta substância dos dias. Rio de Janeiro: Instituto Moreira Salles, 1991. (Texto adaptado)

Leia com atenção os fragmentos que se seguem no que diz respeito ao acento indicativo de crase e à sua justificativa nos termos sublinhados.
I- "[ ... ] devem ter na maior conta e respeito as árvores, que são as heroínas e dão continuidade, substância e sentido a essa história." (§1) - A ausência de acento grave se justifica por se tratar de crase facultativa.
lI- "Se todos amam, desejam e dão graças à primavera, que é a mais bela página da história natural [ ... ]" (§1) - O acento indicativo de crase se justifica em razão de regência nominal.
IlI- "[ ... ] que tratasse especificamente dos crimes contra o mundo vegetal, das violências e agressões à árvore como agressões e violências indiretas à pessoa humana." (§2) - O uso do acento grave se justifica em virtude de uma situação de regência nominal.
IV- "Está claro também que não se chega à ingenuidade de colocar na árvore a solução de todas as crises ambientais no mundo de hoje." (§2) - O uso do acento grave se justifica por uma situação de regência verbal. 
Assinale â opção correta.
Alternativas
Q2122108 Português
Texto 10A1-I

    A discussão sobre um gênero neutro na linguagem deriva do uso do gênero gramatical masculino para denotar homens e mulheres (Todos nessa sala de aula devem entregar o trabalho.) e do feminino específico (Clarice Lispector é incluída pela crítica especializada entre os principais autores brasileiros do século 20.).
     Na gramática, o uso do masculino genérico é visto como gênero não marcado, ou seja, usá-lo não dá a entender que todos os sujeitos sejam homens ou mulheres — ele é inespecífico. Por ser algo cotidiano, é difícil pensar nas implicações políticas de empregar o masculino genérico, mas o tema foi amplamente discutido por especialistas como uma forma de marcar a hierarquização de gêneros na sociedade, priorizando o homem e invisibilizando a mulher. O masculino genérico é chamado, inclusive, de falso neutro.
    Entretanto, essa abordagem não é unânime no campo da linguística. Para muitos estudiosos, a interpretação sexista do masculino genérico ignora as origens latinas da língua portuguesa.
     No latim havia três designações: feminina, masculina e neutra. As formas neutras de adjetivos e substantivos no latim acabaram absorvidas por palavras de gênero masculino. A única marcação de gênero no português é o feminino. O neutro estaria, portanto, junto ao masculino.
    O Brasil não é o único país onde a linguagem neutra é discutida. Alguns setores acadêmicos, instituições de ensino e ativistas estadunidenses já consideram usar pronome neutro para se referir a todos, em vez de recorrer à demarcação de gênero binário.
    Especialistas avaliam que a modificação gramatical em línguas latinas pode ser muito mais complexa e custosa do que no inglês ou no alemão, em que já está em uso o gênero neutro, porque as línguas anglo-saxônicas em si já oferecem essa opção.
     Segundo especialistas, esse tipo de inovação é mais fácil de ocorrer no inglês, em que, com exceção daquelas palavras herdadas do latim, como actor (ator) e actress (atriz), a flexão de gênero não altera os substantivos e adjetivos. No caso do português, essa transformação não depende apenas da alteração de um pronome, porque a flexão de gênero afeta todo o sintagma nominal. Assim, a flexão de gênero é demarcada pela vogal temática a ou o (como em pesquisadoras brasileiras) e(ou) por meio do artigo a ou o (como em a intérprete).
     Mesmo com os desafios morfológicos, linguistas afirmam que não é impossível pensar em proposições mais inclusivas, e que isso não necessariamente significa que haja uma tentativa de destruição do português. Segundo explicam esses especialistas, a história de uma língua sempre conta muito sobre a história de seus falantes, de modo que as coisas que falamos hoje em dia não brotaram da terra nem vieram prontas, mas dependem da nossa história como humanidade. Nesse sentido, as propostas já existentes seriam os primeiros passos nesse movimento, e não uma forma final a ser imposta a todos os falantes.  

 Internet: <https://tab.uol.com.br> (com adaptações).

Acerca de aspectos linguísticos do texto 10A1-I, julgue o item que se segue.


Dadas as possibilidades de interpretação e de regência do verbo “pensar” (segundo período do segundo parágrafo), a coerência e a correção gramatical do texto seriam mantidas caso se retirasse a preposição em da contração “nas”, deixando-se, portanto, só o artigo definido feminino plural nesse caso.  


Alternativas
Ano: 2022 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2022 - UNESP - Bibliotecário |
Q2120831 Português
Leia o texto para responder a questão.

Adultos incapazes de se orientar

        Professores de uma escola de elite me contaram algo espantoso. Perguntaram aos alunos o que aconteceria se caminhassem sempre em frente, pela calçada diante da escola, sem atravessar a rua. Pouquíssimos deles sabiam que voltariam à frente do colégio. Como sempre se deslocavam pela cidade de carro, não sabiam que a calçada de um quarteirão forma um quadrado, e que, se você segui-la, volta ao mesmo lugar.
           O ser humano nasce com enorme capacidade de se orientar no ambiente em que vive. Prova disso é que indígenas, em florestas tropicais densas, são capazes de caminhar dias de uma aldeia a outra sem se perder. Mas isso depende de treino e prática, como mostra claramente o exemplo dos alunos dessa escola.
      A novidade é que os cientistas conseguiram demonstrar que adultos têm diferentes capacidades de orientação dependendo de onde passaram a infância. Qual seria a capacidade de alguém que cresceu no campo? E como ela se compara com a de quem cresceu em cidades organizadas ou em cidades que parecem um labirinto?
        Para conseguir medir objetivamente a capacidade de orientação de milhares de adultos que cresceram em diferentes ambientes, os cientistas usaram o jogo de computador Sea Hero Quest (SHQ), desenvolvido para pacientes com Alzheimer. O jogador tem de se orientar em um labirinto de canais ou ruas para sair de um ponto e chegar a outro. Em cada nível, o desafio fica mais complexo, e já foi demonstrado que o sucesso nesse jogo mede muito bem a capacidade de orientação de pessoas saudáveis no mundo real.
        Os cientistas usaram dados de 3,9 milhões de jogadores de SHQ e pediram para eles preencherem um questionário sobre onde passaram a infância. Analisaram-se os mapas das cidades em que os 397.162 exitosos no desafio haviam crescido. Constatou-se que o sucesso no jogo é maior quanto maior é a complexidade do ambiente onde a pessoa cresceu.
        Quem teve poucos desafios na infância tem menos vantagens no jogo e menor capacidade de se orientar. É uma lição importante: nas cidades de baixa complexidade, privamos crianças de desenvolverem a capacidade de orientação. Mas tudo bem, existe o Waze para sanar essa deficiência educacional...

(Fernando Reinach. https://ciencia.estadao.com.br.
Publicado em 26.08.2022. Adaptado)
Considere a frase reescrita do segundo parágrafo.
A capacidade de se orientar no ambiente _____________________ vive é ____________________ ser humano desde o nascimento.
Em conformidade com a norma-padrão de regência, as lacunas dessa frase devem ser preenchidas, respectivamente, por:
Alternativas
Q2118499 Português
Leia a crônica de Rubem Braga para responder a questão.

Cafezinho

        Leio a reclamação de um repórter irritado que precisava falar com um delegado e lhe disseram que o homem havia ido tomar um cafezinho. Ele esperou longamente, e chegou à conclusão de que o funcionário passou o dia inteiro tomando café.

        Tinha razão o rapaz de ficar zangado. Mas com um pouco de imaginação e bom humor podemos pensar que uma das delícias do gênio carioca é exatamente esta frase:

        – Ele foi tomar café.

        A vida é triste e complicada. Diariamente é preciso falar com um número excessivo de pessoas. O remédio é ir tomar um “cafezinho”. Para quem espera nervosamente, esse “cafezinho” é qualquer coisa infinita e torturante.

        Depois de esperar duas ou três horas dá vontade de dizer:

        – Bem, cavaleiro, eu me retiro. Naturalmente o Sr. Bonifácio morreu afogado no cafezinho.

        Ah, sim, mergulhemos de corpo e alma no cafezinho. Sim, deixemos em todos os lugares este recado simples e vago:

        – Ele saiu para tomar um café e disse que volta já.

        Quando a bem-amada vier com seus olhos tristes e perguntar:

        – Ele está?

        – Alguém dará o nosso recado sem endereço.

        Quando vier o amigo e quando vier o credor, e quando vier o parente, e quando vier a tristeza, e quando a morte vier, o recado será o mesmo:

        – Ele disse que ia tomar um cafezinho...

        Podemos, ainda, deixar o chapéu. Devemos até comprar um chapéu especialmente para deixá-lo. Assim dirão:

        – Ele foi tomar um café. Com certeza volta logo. O chapéu dele está aí...

        Ah! fujamos assim, sem drama, sem tristeza, fujamos assim. A vida é complicada demais. Gastamos muito pensamento, muito sentimento, muita palavra. O melhor é não estar.

       Quando vier a grande hora de nosso destino, nós teremos saído há uns cinco minutos para tomar um café. Vamos, vamos tomar um cafezinho.

(Rubem Braga.https://www.culturagenial.com/ cronicas-famosas-comentadas/Acesso: 18.11.2021)
A frase formulada a partir do texto obedece à norma padrão da regência na alternativa:
Alternativas
Q2118251 Português
Leia o texto para responder a questão.

        Voltei da Europa em junho me sentindo doente. Febres, suores, perda de peso, manchas na pele. Procurei um médico e, à revelia dele, fiz O Teste. Aquele. Depois de uma semana de espera agoniada, o resultado: HIV positivo. O médico viajara para Yokohama, no Japão. O teste na mão, fiquei três dias bem natural, comunicando à família, aos amigos. Na terceira noite, amigos em casa, me sentindo seguro – enlouqueci. Não sei detalhes. Por autoproteção, talvez, não lembro. Fui levado para o pronto-socorro do Hospital Emílio Ribas com a suspeita de um tumor no cérebro. No dia seguinte, acordei de um sono drogado num leito de enfermaria de infectologia, com minha irmã entrando no quarto. Depois, foram 27 dias habitados por sustos e anjos – médicos, enfermeiras, amigos, família, sem falar nos próprios – e uma corrente tão forte de amor e energia que amor e energia brotaram de dentro de mim até tornarem-se uma coisa só. O de dentro e o de fora unidos em pura fé.

        A vida me dava pena, e eu não sabia que o corpo podia ser tão frágil e sentir tanta dor. Certas manhãs chorei, olhando através da janela os muros brancos do cemitério no outro lado da rua. Mas à noite, quando os neons acendiam, de certo ângulo a Dr. Arnaldo parecia o Boulevard Voltaire, em Paris, onde vive um anjo que vela por mim. Tudo parecia em ordem, então. Sem rancor nem revolta, só aquela imensa pena de Coisa Vida dentro e fora das janelas, bela e fugaz feito as borboletas que duram só um dia depois do casulo. Pois há um casulo rompendo-se lento, casca sendo abandonada. Após, o voo de Ícaro perseguindo Apolo. E a queda?

(“Última carta para além dos muros”. Caio Fernando Abreu, Pequenas epifanias: 2014. [Publicado originalmente em 1994]. Adaptado)
Assinale a alternativa em que os enunciados atendem à norma-padrão de regência.
Alternativas
Q2117756 Português
Leia o texto para responder à questão.

Redes sem lei

   A esta altura estão mapeados os dissabores trazidos pelas redes sociais ao cotidiano social e político das nações. Se a dominância dessas plataformas digitais impulsionou e adensou as interações entre as pessoas em escala planetária, de outro lado acarretou oligopolização, manipulação dos fatos, fraudes e assédio também em profusão.
   Testemunha e vítima dessa faceta ameaçadora das mídias sociais, perseguida pelo governo autoritário de Rodrigo Duterte nas Filipinas, a jornalista Maria Ressa, Nobel da Paz de 2021, descreveu-as em entrevista à Folha como “uma bomba atômica que explodiu em nosso ecossistema de informação”.
    O mecanismo de reiterações labirínticas empregado pelos algoritmos, ao premiar os discursos ofensivos e as elucubrações fantásticas e mentirosas, estaria minando as bases da própria democracia, como os sistemas de pesos e contrapesos, de acordo com Ressa.
      Ilegalidades que não se praticavam na mesma extensão e profundidade antes da hegemonia das redes sociais tornaram-se lugar-comum. As autoridades incumbidas de fazer cumprir a lei onde quer que seja ainda comem poeira quando se trata dessas plataformas.
     Corresponsabilizá-las pelos crimes cometidos por meio dos seus serviços é providência básica para limpar o terreno bárbaro. Também é elementar evitar que seu enorme poderio de mercado seja usado para esterilizar a competição, pela qual poderão florescer opções de melhor qualidade informativa.
      Não há dúvida de que o combate ao turbilhão de falsificações oportunistas que jorra nas redes passa pelo exercício do jornalismo profissional, que questiona os poderosos com base na apuração e na publicação de fatos objetivamente verificáveis e se exerce em praça pública, não nos escaninhos ensimesmados das aldeias digitais.
        A sociedade aos poucos vai percebendo que não se substitui jornalista por influencer sem dano ao patrimônio comum da civilização.
(Editorial. Folha de S.Paulo, 25.06.2022. Adaptado)
Os ecossistemas de informações estão suscetíveis______  disseminação de informações falsas, o que é prejudicial______  democracia social. Portanto, o combate ______ falsificações oportunistas cabe______  todos os cidadãos desejosos______  justiça e paz social.
Em conformidade com a norma-padrão, as lacunas do enunciado devem ser preenchidas, respectivamente, com: 
Alternativas
Q2117751 Português

Leia a tira.


Imagem associada para resolução da questão

(Bob Thaves, “Frank & Ernest”. Em: https://cultura.estadao.com.br, 03.09.2022)




Na fala do personagem, o verbo “esquecer” aparece duas vezes. Porém, para estar em conformidade com a norma-padrão, deve-se substituir

Alternativas
Q2117710 Português
Assinale a alternativa que completa, correta e respectivamente, as lacunas da frase a seguir, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa.
Pesquisadores finlandeses interessados ________________ problema da insônia a ________________ para determinar o quanto uma noite bem dormida é _______________ para manter a saúde mental. 
Alternativas
Q2117451 Português
Assinale a alternativa INCORRETA, de acordo com a norma-padrão, quanto à regência nominal.
Alternativas
Q2117447 Português
Assinale a alternativa em que ocorre exatamente o mesmo tipo de regência verbal presente no trecho em relação ao verbo “implicar”: “O acusado implicou-se, durante o seu depoimento, na ação criminosa.”
Alternativas
Q2117442 Português
Identifique, entre as alternativas abaixo, aquela que contraria a norma culta da língua portuguesa.
Alternativas
Q2116958 Português

Leia o texto, para responder à questão.


    Nas últimas semanas, o cenário no TikTok mudou. Entre dancinhas, piadas, dicas de moda e receitas improváveis, estão tiros, tanques e bombas. Com forte apelo visual, aura de consumo instantâneo e algoritmo de recomendações afiado, o app chinês de vídeos curtos virou uma das mais importantes fontes de imagens da guerra na Ucrânia. Em uma batalha travada também no meio digital, a plataforma passou a moldar e a influenciar o conflito de maneira tão veloz quanto zapear pelo aplicativo.

     Em 24 de fevereiro, quando o país foi invadido, perfis de cidadãos nativos transmitiram ao vivo o ataque. Fileiras de tanques, colunas de fumaça e explosões se infiltraram na plataforma – e as visualizações pularam para os milhões com o crescimento da apreensão global. Inevitavelmente, as imagens se espalharam por outras redes sociais, com ângulos exclusivos que nenhum veículo de mídia do mundo pode oferecer.

     Com a ascensão do TikTok, os recursos como texto e fotos perdem o protagonismo para os vídeos curtos feitos rapidamente com o celular. O poder da imagem durante uma guerra sempre foi decisivo para a mobilização popular: de corpos de soldados americanos no Vietnã a até as explosões captadas pela CNN na Guerra do Golfo.

    No TikTok, a comoção acontece também porque os vídeos revelam a rotina de cidadãos tentando viver em meio ao conflito. É uma janela para lembrar que, por trás da decisão de líderes políticos, existem pessoas normais – a identificação entre quem vê os vídeos e quem produz os vídeos é imediata.

(Bruna Arimathea, Bruno Romani, Guilherme Guerra, TikTok molda a narrativa da guerra na Ucrânia. O Estado de S.Paulo, 06-03-22. Adaptado)

     Para responder a esta questão, considere os trechos destacados nas seguintes passagens.

    ... o app chinês de vídeos curtos virou uma das mais importantes fontes de imagens da guerra na Ucrânia.

       as visualizações pularam para os milhões com o crescimento da apreensão global.

        a identificação entre quem vê os vídeos e quem produz os vídeos é imediata.

Assinale a alternativa que substitui, correta e respectivamente, os trechos destacados, de acordo com a norma- -padrão de regência.
Alternativas
Q2116906 Português
    Após dois anos letivos comprometidos pela pandemia de covid-19, as escolas brasileiras começaram 2022 com o desafio de recuperar o tempo perdido. Como já se esperava, não está sendo fácil. A questão, portanto, é o que fazer para acelerar a recuperação da aprendizagem e evitar que a formação escolar da atual geração de estudantes fique comprometida.
    Por óbvio, não existe resposta simples a essa pergunta. Mas é evidente que não basta repetir a fórmula dos anos anteriores à pandemia, até porque, como se sabe, a educação brasileira convive com problemas históricos que se agravaram com a suspensão das aulas presenciais em 2020 e 2021. O deficit de aprendizagem é exemplo disso: antes da pandemia, a maioria dos alunos já não aprendia os conteúdos previstos. O que era grave ficou ainda pior.
    A recuperação da aprendizagem requer agora um esforço muito maior, na medida em que as escolas deverão não apenas preencher as lacunas do ensino remoto e abrir horizontes para novas aprendizagens, mas fazer isso com mais qualidade do que no passado – e partindo de uma realidade abalada pela pandemia. No atual cenário, a tarefa fica ainda mais pesada.
    Eis o tamanho do desafio enfrentado diariamente nos milhares de estabelecimentos de ensino do País. Nesse contexto, fica evidente o descompasso entre a dimensão e a urgência do que precisa ser feito, considerando a relevância da educação para o desenvolvimento nacional e o insuficiente debate público sobre o tema na atual campanha eleitoral. Daí a importância de pesquisas como a realizada pelo Instituto Península: ao dar voz aos professores, o levantamento Retratos da educação pós-pandemia: uma visão dos professores aponta soluções do ponto de vista de quem está dentro das escolas. Fariam bem os gestores das redes de ensino, assim como os candidatos, se prestassem atenção ao que estão dizendo os profissionais da educação.

(O Estado de S.Paulo, 11 de setembro de 2022. Adaptado) 

Considere os trechos do texto.
    … a educação brasileira convive com problemas históricos que se agravaram com a suspensão das aulas presenciais em 2020 e 2021. (2º parágrafo)     Fariam bem os gestores das redes de ensino, assim como os candidatos, se prestassem atenção ao que estão dizendo os profissionais da educação. (4º parágrafo)
Em conformidade com a norma-padrão da regência verbal e nominal, os trechos destacados podem ser substituídos, respectivamente, por:
Alternativas
Q2114299 Português
    Aprecio no mais alto grau a resposta daquele jovem soldado, a quem Ciro perguntava quanto queria pelo cavalo com o qual acabara de ganhar uma corrida, e se o trocaria por um reino: “Seguramente não, senhor, e no entanto eu o daria de bom grado se com isso obtivesse a amizade de um homem que eu considerasse digno de ser meu amigo”. E estava certo ao dizer “se”, pois se encontramos facilmente homens aptos a travar conosco relações superficiais, o mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade sem reservas. Nesse caso, é preciso que tudo seja límpido e ofereça completa segurança.

(Montaigne, Da amizade. Adaptado)
As expressões em destaque no trecho − se encontramos facilmente homens aptos a travar conosco relações superficiais, o mesmo não acontece quando procuramos uma intimidade sem reservas – podem ser substituídas, respectivamente, de acordo com a norma-padrão de regência verbal e nominal, por:
Alternativas
Q2109575 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Escravo da razão

      O grande pensador Montaigne (1533-1592) foi um conservador, mas nada teve de rígido ou estreito, muito menos de dogmático. Por temperamento e razão foi bem o contrário de um revolucionário; certamente faltaram-lhe a fé e a energia de um homem de ação, o idealismo e a vontade. Seu conservadorismo pode ser visto, sob certos aspectos, como o que no século XIX viria a ser chamado de liberalismo. Em sua concepção política o indivíduo é deixado livre dentro do quadro das leis e procura tornar tão leve quanto possível a autoridade do Estado.
          Para Montaigne, o melhor governo seria o que menos se faz sentir e assegura a ordem pública sem pôr em perigo a vida privada, e sem pretender orientar os espíritos. Um tal tipo de governo é o que convém a homens esclarecidos, conscientes de seus direitos e deveres, obedientes às leis, homens que agem não por temor, mas por vontade própria.
           Escravo da razão, Montaigne transmitiu essa servidão à filosofia que lhe sucedeu e marcou uma linha de desenvolvimento do pensamento ocidental. Com ela, destruiu verdades dogmáticas e mostrou que todas se contradizem, mas deixou aberta a possibilidade de se concluir que a própria contradição possa encerrar uma verdade.

(Extraído do encarte sem indicação autoral do volume MONTAIGNE, da coleção Os Pensadores. Porto Alegre: Globo, 1972, p. 223)
Um tal tipo de governo é o que convém a homens esclarecidos, conscientes de seus direitos e deveres e obedientes às leis.
A frase acima seguirá gramaticalmente correta caso se substituam os elementos sublinhados, na ordem dada, por
Alternativas
Q2109431 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Romantismo e consumismo

      O romantismo nos diz que para aproveitar ao máximo nosso potencial humano devemos ter tantas experiências diferentes quanto possível. Devemos nos abrir a um amplo leque de emoções; experimentar vários tipos de relacionamento; provar culinárias diferentes; aprender a apreciar diferentes estilos de música. Uma das melhores maneiras de fazer tudo isso é escapar da nossa rotina diária, deixar para trás nosso cenário familiar e viajar para terras distantes, onde podemos “vivenciar” a cultura, os aromas, os sabores e as normas de outros povos. Ouvimos repetidas vezes os mitos românticos sobre “como uma nova experiência abriu meus olhos e mudou minha vida”.
     O consumismo nos diz que para sermos felizes precisamos consumir tantos produtos e serviços quanto possível. Se sentimos que algo está faltando ou fora de lugar, provavelmente precisamos comprar um produto (um carro, roupas novas, comida orgânica) ou um serviço (limpeza doméstica, terapia de casais, aulas de yoga). Todo comercial de televisão é mais uma pequena lenda sobre a certeza de que consumir algum produto ou serviço tornará a vida melhor.
       O romantismo, que encoraja a variedade, casa perfeitamente com o consumismo. Esse casamento deu à luz o infinito “mercado de experiências” sobre o qual se ergueu a indústria de turismo moderna. A indústria de turismo não vende passagens aéreas e quartos de hotel; vende experiências. Paris não é uma cidade, nem a Índia é um país – são ambos experiências cuja realização supostamente expande nossos horizontes, satisfaz nosso potencial humano e nos torna mais felizes.

(Adaptado de HARARI, Yuval Noah. Sapiens – Uma breve história da humanidade. Trad. Janaína Marcoantonio. Porto Alegre: L&PM, 2018, p. 123-124) 
É inteiramente adequado o emprego do elemento sublinhado na frase:
Alternativas
Q2108845 Português
Atenção: Para responder à questão, baseie-se no texto abaixo.

Estamos todos nos fanatizando?

    O que separa alguém de convicções firmes de um fanático? A resposta não é fácil e pode mesmo ser impossível, ou antes subjetiva, dependente de crenças tão enraizadas em cada um de nós que mergulham no visceral, no irracional. Em resumo, fanatismo é a convicção firme dos que discordam de mim e portanto estão errados; convicção firme é o fanatismo de quem pensa como eu, logo está certo. As palavras não são inocentes.
    Mas será só isso? Estaremos condenados a esse estranho oxímoro, o relativismo absoluto, e à morte do diálogo? Ou haverá um modo menos cínico de lidar com visões de mundo divergentes? Em outras palavras, será possível recuperar um solo comum em que adversários negociem, firmem pactos em torno de certos – talvez poucos, mas cruciais – objetivos compartilhados? A palavra fanatismo tem duas acepções no Houaiss. A primeira é “zelo religioso obsessivo que pode levar a extremos de intolerância”. A segunda, derivada daquela por extensão, “facciosismo partidário; adesão cega a um sistema ou doutrina; dedicação excessiva a alguém ou algo; paixão”.
      A palavra passou ao português (em fins do século 18) como versão importada do adjetivo latino derivado de “fanum”, lugar sagrado, campo santo. O “fanaticus” tinha conotações positivas a princípio – era o inspirado pela chama divina –, mas não demorou a ganhar acepções como furioso, louco e delirante.

(Adaptado de: RODRIGUES, Sérgio. Folha de S. Paulo. 24.nov.2021)
É inteiramente regular o emprego do elemento sublinhado na frase: 
Alternativas
Respostas
1381: E
1382: C
1383: B
1384: C
1385: C
1386: B
1387: A
1388: D
1389: E
1390: C
1391: A
1392: B
1393: B
1394: A
1395: A
1396: A
1397: A
1398: A
1399: B
1400: D