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Q3925412 Português
Leia o texto para responder a questão.

Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024

    Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.

    A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.

    Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.

‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’

    Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.

    Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.

    Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.

    Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.

    Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
    [...]

Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9376nq11lwo
De acordo com o texto, qual é o significado atribuído à palavra “caçula” no contexto da família brasileira? 
Alternativas
Q3925411 Português
Leia o texto para responder a questão.

Caçula, babá, cafuné: como mulheres negras escravizadas ajudaram a criar o português brasileiro
Julia Braun
Da BBC Brasil em Londres
20 novembro 2024

    Caçula, babá, moleque, dengo, cafuné. Algumas palavras que usamos no nosso dia a dia escondem traços e fonemas de uma herança africana que está profundamente ligada às mulheres e ao trabalho doméstico exercido pelas negras escravizadas no Brasil dos séculos 16 a 19. Estima-se que cerca de 4 a 5 milhões de africanos foram traficados para o país durante o período. Destes, cerca de 75% eram bantos, um grupo que se espalhou por uma vasta área ao sul da Linha do Equador na África.

    A característica mais evidente que une esses povos é justamente o fato de eles falarem línguas da família linguística banto — de onde emprestamos algumas palavras que seguem até hoje em nosso vocabulário. A maioria dos que foram enviados à força ao Brasil tinha origem em Angola e República Democrática do Congo, e posteriormente, Moçambique. No ambiente da família colonial, esses escravizados aprenderam o português na convivência diária com seus senhores — e também imprimiram em seu falar hábitos e características de suas próprias línguas.

    Ao mesmo tempo, os colonizadores portugueses foram se apropriando pouco a pouco de termos africanos, que passaram a ser usados principalmente para designar os objetos e atividades do dia a dia. Nesse contexto, as mulheres africanas tiveram um papel especial, seja por meio do cuidado com as crianças, do seu trabalho na cozinha ou como amas de companhia e curandeiras.

‘Grande mãe ancestral dos brasileiros’

    Autora de diversos livros e artigos sobre o tema, a etnolinguista baiana Yeda Pessoa de Castro vê no passado brasileiro um processo que invisibilizou a força de trabalho da mulher negra escravizada na historiografia. Mas para a pesquisadora, que se dedica ao estudo das línguas africanas e sua influência no Brasil, essas mulheres tiverem um protagonismo na família e vida diária do colonizador que foi muito além do serviço doméstico prestado.

    Em seu livro Camões com Dendé, Castro descreve como as mulheres africanas influenciaram as famílias brasileiras por meio da contação de histórias do seu universo fantástico afrorreligioso, do compartilhamento de seu conhecimento nato de folhas e ervas medicinais, como cozinheiras introduzindo elementos de sua dieta nativa na comida diária da casa e como amas de companhia das jovens solteiras e cuidadoras das crianças.

    Na função “da mãe preta e babá”, reconta a linguista, essas mulheres amamentaram e criaram os filhos do colonizador “e, à maneira de pedagoga, os ensinou a balbuciar as primeiras palavras, também na sua língua nativa, no embalo do seu canto de acalento” que os fazia dormir. A própria palavra babá é uma das muitas marcas deixadas por esse importante trabalho: pesquisadores rastreiam a sua origem no quimbundo, uma das línguas bantas faladas em Angola.

    Da mesma forma, várias outras palavras ligadas ao cuidado e à maternidade também foram inseridas no contexto brasileiro por esse meio. “No campo afetivo, a mãe negra nos deixou o xodó, o cafuné, o cochilo, o dengo, e nos falou que ‘o caçula é o dengo da família’, o irmão mais jovem, sempre tratado com muito mimo por todas da casa”, diz Yeda Pessoa de Castro.

    Enquanto dengo vem do quicongo, falada no norte de Angola e no baixo Congo, caçula tem origem no quimbundo. Não há no Brasil outra palavra para se referir ao filho mais novo. No português europeu diz-se benjamin, que para o falante brasileiro, além de nome próprio, é um adaptador multiplicador de tomada elétrica. “Diante de tantas evidências apontadas pelo vocabulário, entre muitas outras ainda encobertas por falta de pesquisas mais detalhadas nesse domínio, a mulher angolana, entre tantas outras mulheres negras de igual valor, é projetada historicamente como a figura emblemática da grande mãe ancestral dos brasileiros. Não é em vão que Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, é apresentada como uma santa negra.”
    [...]

Disponível em https://www.bbc.com/portuguese/articles/c9376nq11lwo
A palavra “babá”, que tem origem no quimbundo, é classificada quanto ao seu número de sílabas como 
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Q3923560 Pedagogia
O dever do Estado com a educação escolar pública é efetivado mediante a garantia de educação básica obrigatória e gratuita. Segundo a legislação vigente, a obrigatoriedade de matrícula e oferta gratuita inicia-se na idade exata de:
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Q3923559 Pedagogia
A verificação do rendimento escolar deve observar critérios de avaliação contínua e cumulativa, com prevalência dos aspectos qualitativos sobre os quantitativos. A lei determina expressamente que os resultados obtidos ao longo do período prevaleçam sobre os de eventuais: 
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Q3923558 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
O ECA assegura a todas as crianças e adolescentes o acesso aos direitos fundamentais inerentes à pessoa humana. O estatuto estabelece punição, na forma da lei, para qualquer atentado, por ação ou omissão, aos seus direitos fundamentais, classificando tal ato como: 
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Q3923557 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
O Conselho Tutelar é definido como órgão permanente e autônomo, não jurisdicional, encarregado pela sociedade de zelar pelo cumprimento dos direitos da criança e do adolescente. A lei estabelece que cada município deverá ter, no mínimo, um Conselho Tutelar composto por um número exato de membros de: 
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Q3923556 Psicologia
A adolescência caracteriza-se por transformações psicológicas significativas na construção identitária. Um inspetor nota que adolescente de 14 anos, anteriormente comunicativo, apresenta isolamento social, recusa em participar de atividades coletivas e comportamento arredio. Esse padrão sugere possível quadro de: 
Alternativas
Q3923555 Psicologia
O desenvolvimento psicológico infantil apresenta marcos comportamentais característicos em cada faixa etária. Um inspetor observa criança de 7 anos que, ao ser contrariada pela professora, afirma categoricamente que a docente "é má e nunca gostou dela". Esse padrão de pensamento dicotômico é típico do raciocínio: 
Alternativas
Q3923554 Pedagogia
O Soroban, instrumento de cálculo reconhecido como recurso pedagógico de tecnologia assistiva, é utilizado principalmente para: 
Alternativas
Q3923553 Pedagogia
No contexto da inclusão escolar, o termo "barreiras tecnológicas" refere-se primordialmente a/à: 
Alternativas
Q3923552 Pedagogia
O Desenho Universal para a Aprendizagem (DUA), enquanto referencial pedagógico essencial na educação especial, tem como premissa central: 
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Q3923551 Noções de Primeiros Socorros
Na cantina, um aluno sofre queimadura por líquido quente no antebraço, com eritema e dor local. Indique a medida imediata mais adequada:
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Q3923550 Noções de Primeiros Socorros
Durante atividade, um aluno inicia crise convulsiva generalizada, com queda ao solo e movimentos involuntários. Indique a ação prioritária durante o episódio: 
Alternativas
Q3923549 Noções de Primeiros Socorros
Em queda no pátio, um aluno apresenta dor intensa, deformidade aparente no antebraço e recusa mover o membro. Indique a conduta inicial mais adequada:
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Q3923548 Direito da Criança e do Adolescente - Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) - Lei nº 8.069 de 1990
A ética profissional estabelece limites de atuação no ambiente escolar. Um inspetor observa indícios de maus-tratos em criança, relatados por ela própria durante conversa informal. A conduta obrigatória é realizar: 
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Q3923547 Ética na Administração Pública
O comportamento profissional no trato com público externo requer imparcialidade. Um inspetor identifica que filho de colega de trabalho cometeu infração disciplinar grave juntamente com outros alunos. O tratamento adequado para todos os envolvidos deve ser:
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Q3923546 Pedagogia
As relações interpessoais no ambiente escolar envolvem interação com diferentes hierarquias profissionais. Durante conflito entre dois alunos, um inspetor recebe orientação contraditória da coordenação pedagógica e da direção. O procedimento correto é seguir: 
Alternativas
Q3923545 Ética na Administração Pública
A ética no serviço público exige postura adequada no tratamento de informações institucionais. Um inspetor presencia conversa entre professores sobre situação familiar delicada de um aluno e, posteriormente, é questionado por pais de outros estudantes sobre o ocorrido. A conduta ética adequada é manter: 
Alternativas
Q3923544 Pedagogia
O controle de fluxo de saída visa impedir que alunos deixem a escola em horários impróprios ou sem a devida segurança. No caso de necessidade de saída antecipada de um menor de idade, a liberação pelo inspetor ou portaria fica condicionada estritamente à presença do:
Alternativas
Q3923543 Pedagogia
A preservação do patrimônio público escolar é dever de todos e objeto de fiscalização constante por parte da equipe de inspeção. Ao flagrar um aluno causando dano intencional a um bebedouro ou carteira, o inspetor deve encaminhar o estudante diretamente à: 
Alternativas
Respostas
13201: C
13202: B
13203: E
13204: E
13205: D
13206: B
13207: C
13208: E
13209: A
13210: D
13211: B
13212: C
13213: E
13214: B
13215: D
13216: C
13217: A
13218: B
13219: E
13220: C