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Q4338284 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

No trecho “A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.”, a palavra destacada em negrito pode ser substituída sem perda de sentido e mantendo-se a estrutura da língua portuguesa padrão em sua modalidade escrita por:
Alternativas
Q4338283 Português

Leia atentamente o texto a seguir para responder à questão


As bibliotecas devem recusar obras produzidas por inteligência artificial?

Por Leonardo Assis, pesquisador do Laboratório de Cultura, Informação e Sociedade da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP


    Nos últimos anos, a inteligência artificial generativa deixou de ser apenas uma curiosidade tecnológica para ocupar um papel crescente na produção da informação. O primeiro impacto desse fenômeno foi percebido no campo da comunicação científica. A partir de 2022, artigos, resumos, revisões de literatura e diferentes tipos de textos passaram a ser produzidos com auxílio desses sistemas, inaugurando um novo momento na história da produção do conhecimento.


    Agora, essa mesma discussão chega a outro espaço. Ela sai do ambiente predominantemente digital da produção informacional e alcança uma dimensão concreta e pública: os acervos das bibliotecas.


    Recentemente, um estudo realizado nos Estados Unidos com cerca de 700 bibliotecas públicas procurou compreender como essas instituições estão lidando com materiais produzidos por inteligência artificial. Os resultados revelaram um cenário de incertezas. Algumas bibliotecas declararam não aceitar esse tipo de material em seus acervos. Outras ainda tentam entender como identificar, avaliar e organizar essas produções.


    A questão parece simples: obras produzidas por inteligência artificial devem ou não fazer parte dos acervos das bibliotecas? Mas talvez essa não seja a pergunta mais interessante.


    A simples exclusão pouco acrescenta ao debate. É compreensível que bibliotecas estejam preocupadas com a qualidade da informação, a confiabilidade dos conteúdos e os critérios utilizados para selecionar aquilo que será preservado e disponibilizado ao público. No entanto, a recusa não responde a uma questão mais profunda: o que torna uma obra digna de ser preservada?


    Se olharmos para a história das bibliotecas, perceberemos que a autoria nunca foi o único critério utilizado para legitimar uma obra. Diversos textos filosóficos chegaram até nós com autoria incerta ou contestada. O mesmo pode ser dito de obras religiosas que atravessaram séculos sendo traduzidas, reinterpretadas e transmitidas por diferentes grupos sociais. Ainda assim, continuam presentes em bibliotecas do mundo inteiro.


    O que garantiu a permanência desses documentos não foi apenas a certeza sobre quem os escreveu. Foi o significado que adquiriram ao longo do tempo. Talvez a pergunta não seja “quem escreveu esta obra?”, mas “por que esta obra é significativa para uma comunidade?”. Essa mudança de perspectiva desloca o debate da tecnologia para a cultura.


    Ao longo da história, inúmeras obras foram preservadas porque determinados grupos sociais lhes atribuíram relevância intelectual, religiosa, política, científica ou simbólica. Bibliotecas não preservam apenas autores. Bibliotecas preservam significados.


    Também é importante reconhecer que a produção intelectual contemporânea já ocorre em ambientes profundamente mediados por tecnologias. Editores de texto corrigem frases automaticamente.


    Softwares sugerem estruturas narrativas. Programas editam imagens. Algoritmos organizam conteúdos e influenciam processos criativos. A inteligência artificial não inaugura essa mediação tecnológica da cultura. Ela amplia sua escala e sua capacidade de intervenção.


    Isso não significa ignorar os riscos. Obras produzidas por inteligência artificial exigem mecanismos de avaliação, transparência e contextualização. Bibliotecas precisam desenvolver formas de identificar esses materiais, compreender seus processos de produção e estabelecer critérios adequados para sua seleção e organização. Trata-se de uma preocupação legítima e necessária. Mas a simples recusa talvez seja insuficiente.


    Se determinadas produções passarem a influenciar comunidades, formar opiniões, registrar experiências, expressar identidades ou representar momentos históricos específicos, elas inevitavelmente se tornarão objetos de interesse para bibliotecas, pesquisadores e instituições de memória. Nesse ponto, a discussão deixa de ser apenas tecnológica. O que está em jogo é a própria construção do valor cultural.


    Uma obra não se torna relevante apenas porque foi produzida por um ser humano. Ela se torna relevante quando uma sociedade passa a reconhecê-la como importante para compreender o mundo, transmitir conhecimentos, construir identidades ou preservar memórias. Por essa razão, a questão central não parece repousar na aceitação ou rejeição desses materiais. A questão central está em compreender quais deles serão capazes de adquirir significado social ao longo do tempo.


    Bibliotecas sempre preservaram aquilo que diferentes sociedades consideraram relevante para sua memória e para sua produção simbólica. O desafio colocado pela inteligência artificial é decidir se algumas dessas novas produções também serão reconhecidas dessa forma.


    No fundo, essa não é apenas uma discussão do campo dos Estudos da Informação. É uma discussão da própria sociedade sobre confiança, legitimidade, memória e cultura. O que estamos debatendo não é apenas a presença da inteligência artificial nas bibliotecas, mas quais produções serão consideradas significativas para nossa experiência coletiva e, consequentemente, dignas de serem preservadas para as próximas gerações.


 

    Talvez o verdadeiro desafio não seja descobrir se uma inteligência artificial pode produzir uma obra. O desafio talvez seja compreender quais produções geradas por inteligência artificial a sociedade decidirá transformar em patrimônio cultural.



Fonte: https://jornal.usp.br/artigos/as-bibliotecas-devem-recusar-obras-produzidas-por-inteligencia-artificial/ Acesso em 15 ago. 2026. (Adaptado)

O texto lido é:
Alternativas
Q4337910 Saúde Pública
As ações e serviços públicos de saúde organizam-se em:
Alternativas
Q4337909 Saúde Pública

Associe os itens da Coluna I aos respectivos objetivos da Coluna II.



Coluna I


1. Trabalho em equipe.


2. Integralidade.


3. Ações compartilhadas.



Coluna II


( ) Desenvolvimento conjunto das atividades assistenciais.


( ) Atendimento das diversas necessidades de saúde.


( ) Cooperação entre profissionais.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

Alternativas
Q4337908 Enfermagem

Analise as afirmativas.


I. A hanseníase é causada pelo Mycobacterium leprae.


II. O diagnóstico precoce auxilia na prevenção de incapacidades.


III. A hanseníase é uma doença hereditária.


Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q4337907 Enfermagem
A principal forma de transmissão da tuberculose ocorre por:
Alternativas
Q4337906 Saúde Pública

Complete a lacuna.


____________________ constitui uma diretriz da Política Nacional de Humanização e visa qualificar a escuta e o atendimento dos usuários.

Alternativas
Q4337905 Saúde Pública

Analise as assertivas.


I. A vigilância epidemiológica auxilia na identificação de mudanças relacionadas ao processo saúde-doença.


PORQUE


II. A vigilância epidemiológica fornece informações que subsidiam medidas de prevenção e controle.

Alternativas
Q4337904 Saúde Pública

Associe os itens da Coluna I aos respectivos objetivos da Coluna II.



Coluna I


1. Educação em saúde.


2. Participação social.


3. Promoção da saúde.



Coluna II


( ) Envolvimento da comunidade nas ações de saúde.


( ) Ampliação da autonomia dos indivíduos.


( ) Melhoria das condições de vida e saúde.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

Alternativas
Q4337903 Enfermagem
A assistência pré-natal deve ser iniciada:
Alternativas
Q4337902 Enfermagem

Analise as afirmativas.


I. A puericultura acompanha o crescimento infantil.


II. A puericultura contribui para identificação precoce de alterações do desenvolvimento.


III. A puericultura deve ocorrer apenas em crianças doentes.


Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q4337901 Enfermagem
O cuidado à pessoa idosa na Atenção Primária deve buscar prioritariamente:
Alternativas
Q4337900 Enfermagem

Analise as afirmativas.


I. A humanização envolve acolhimento e respeito aos usuários.


II. A comunicação adequada contribui para assistência humanizada.


III. A humanização limita-se ao ambiente hospitalar.


Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q4337899 Enfermagem

Associe os itens da Coluna I aos respectivos objetivos da Coluna II.


Coluna I


1. Alimentação saudável.


2. Atividade física.


3. Acompanhamento regular.



Coluna II


( ) Auxilia na detecção precoce de alterações.


( ) Contribui para hábitos saudáveis.


( ) Favorece o controle metabólico.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

Alternativas
Q4337898 Saúde Pública

Analise as assertivas.


I. A vigilância em saúde contribui para identificação de agravos.


PORQUE


II. As informações produzidas subsidiam ações de prevenção e controle.

Alternativas
Q4337897 Enfermagem

Associe os itens da Coluna I aos respectivos conceitos da Coluna II.



Coluna I


1. Dengue.


2. Tuberculose.


3. Hanseníase.



Coluna II


( ) Doença transmitida principalmente por via respiratória.


( ) Doença causada por arbovírus.


( ) Doença infecciosa causada pelo Mycobacterium leprae.



Assinale a alternativa que apresenta a sequência correta.

Alternativas
Q4337896 Enfermagem
A educação em saúde busca:
Alternativas
Q4337895 Saúde Pública

Analise as afirmativas.


I. O acompanhamento do crescimento auxilia na identificação precoce de alterações do desenvolvimento.


II. O acompanhamento do crescimento deve ocorrer apenas quando a criança estiver doente.


III. A puericultura contribui para a promoção da saúde infantil.


Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q4337894 Enfermagem
O exame utilizado para rastreamento do câncer do colo do útero é:
Alternativas
Q4337893 Enfermagem

Analise as afirmativas.


I. A visita domiciliar permite conhecer o contexto familiar.


II. A visita domiciliar auxilia na identificação de necessidades de saúde.


III. A visita domiciliar deve ocorrer apenas quando houver doença instalada.


Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Respostas
7561: C
7562: A
7563: A
7564: A
7565: A
7566: C
7567: B
7568: E
7569: B
7570: C
7571: C
7572: B
7573: D
7574: B
7575: E
7576: B
7577: B
7578: B
7579: C
7580: A