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Q4383242 Português
O emprego da crase está INDEVIDO em: 
Alternativas
Q4383240 Português
Há verbos derivados de outras palavras que são formados pelo acréscimo de “isar” ou “izar”. Assinale a alternativa em que a ortografia está INADEQUADA. 
Alternativas
Q4383239 Português
Assinale a alternativa em que a palavra “você” esteja exercendo função de sujeito. 
Alternativas
Q4383238 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

“E aí mastiga a vida inteira.” Em relação ao termo destacado é CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4383237 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

Observe este trecho:


“Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra da boca por acaso. Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.” 


Que relação se estabelece entre esses sentimentos expressos pela narradora nesse trecho?

Alternativas
Q4383236 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

“Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.” A conjunção destacada PODE ser substituída por outra SEM alteração de sentido por: 
Alternativas
Q4383235 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

Na crônica, a narradora vive um momento de “revelação”: uma experiência banal acaba conduzindo-a à percepção de algo profundo, existencial. Ela deixa subentendido que: 
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Q4383234 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

“Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o “elixir do longo prazer”. A expressão em destaque utilizada no texto assume um tom: 
Alternativas
Q4383233 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

A experiência vivida pela narradora:
Alternativas
Q4383232 Português

Medo da Eternidade


    Jamais esquecerei o meu aflitivo e dramático contato com a eternidade.  


    Quando eu era muito pequena ainda não tinha provado chicles e mesmo em Recife falava-se pouco deles. Eu nem sabia bem de que espécie de bala ou bombom se tratava. Mesmo o dinheiro que eu tinha não dava para comprar: com o mesmo dinheiro eu lucraria não sei quantas balas. 


    Afinal minha irmã juntou dinheiro, comprou e ao sairmos de casa para a escola me explicou: 


    — Tome cuidado para não perder, porque esta bala nunca se acaba. Dura a vida inteira. 


    — Como não acaba? — Parei um instante na rua, perplexa. 


    — Não acaba nunca, e pronto. 


    Eu estava boba: parecia-me ter sido transportada para o reino de histórias de príncipes e fadas. Peguei a pequena pastilha cor-de-rosa que representava o elixir do longo prazer. Examinei-a, quase não podia acreditar no milagre. Eu que, como outras crianças, às vezes tirava da boca uma bala ainda inteira, para chupar depois, só para fazê-la durar mais. E eis-me com aquela coisa cor-de rosa, de aparência tão inocente, tornando possível o mundo impossível do qual já começara a me dar conta. 


    Com delicadeza, terminei afinal pondo o chicle na boca. 


    — E agora que é que eu faço? — Perguntei para não errar no ritual que certamente deveria haver.


    — Agora chupe o chicle para ir gostando do docinho dele, e só depois que passar o gosto você começa a mastigar. E aí mastiga a vida inteira. A menos que você perca, eu já perdi vários.


    Perder a eternidade? Nunca.


    O adocicado do chicle era bonzinho, não podia dizer que era ótimo. E, ainda perplexa, encaminhávamo-nos para a escola. 


    — Acabou-se o docinho. E agora?


    — Agora mastigue para sempre.


    Assustei-me, não saberia dizer por quê. Comecei a mastigar e em breve tinha na boca aquele puxa-puxa cinzento de borracha que não tinha gosto de nada. Mastigava, mastigava. Mas me sentia contrafeita. Na verdade eu não estava gostando do gosto. E a vantagem de ser bala eterna me enchia de uma espécie de medo, como se tem diante da ideia de eternidade ou de infinito. 


    Eu não quis confessar que não estava à altura da eternidade. Que só me dava aflição. Enquanto isso, eu mastigava obedientemente, sem parar.


    Até que não suportei mais, e, atravessando o portão da escola, dei um jeito de o chicle mastigado cair no chão de areia.


    — Olha só o que me aconteceu! — Disse eu em fingidos espanto e tristeza. — Agora não posso mastigar mais! A bala acabou! 


    — Já lhe disse —  repetiu minha irmã —  que ela não acaba nunca. Mas a gente às vezes perde. Até de noite a gente pode ir mastigando, mas para não engolir no sono a gente prega o chicle na cama. Não fique triste, um dia lhe dou outro, e esse você não perderá.


    Eu estava envergonhada diante da bondade de minha irmã, envergonhada da mentira que pregara dizendo que o chicle caíra na boca por acaso. 


    Mas aliviada. Sem o peso da eternidade sobre mim.


Clarice Lispector  

Pode-se AFIRMAR que o episódio a que se refere a narradora: 
Alternativas
Q4382885 Meio Ambiente
O Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública executa serviços de conservação no cemiterio público. Considerando isso, analise as assertivas abaixo e julgue-as em Verdadeiras (V) ou Falsas (F):

( ) Floreiras, vasos e canaletas sobre os túmulos devem ser limpos e fiscalizados com frequência para não acumularem água parada.
( ) Os caixões utilizados nos sepultamentos devem ser íntegros e de formato que impeça o vazamento de líquidos do cadáver.
( ) O plantio de árvores sobre os jazigos particulares deve ser estimulado para somar à área verde exigida do lote do cemitério.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acíma?
Alternativas
Q4382884 Segurança e Transporte
Ao fim da jornada diária de trabalho, o Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública ajuda a encher totalmente o tanque de combustível dos veículos da Prefeitura antes de guardá-los na garagem. Esse cuidado simples serve para:
Alternativas
Q4382883 Química
No pátio da oficina municipal, o Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública precisa Íazer a limpeza de mangueiras e juntas feitas de borracha macia. Para evitar que essas peças de borracha fiquem moles, inchadas ou estragadas, qual produto de limpeza ele deve usar?
Alternativas
Q4382882 Engenharia Agronômica (Agronomia)
O Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública está limpando um canteiro municipal e precisa retirar uma espécie de mato muito insistente chamada tiririca. Para garantir que esse mato NÃO retorne e se espalhe novamente em poucos dias, qual é a forma CORRETA de realizar sua remoção?
Alternativas
Q4382881 Edificações
O Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública utiliza diversas ferramentas de trabalhos manuais em suas atividades cotidianas. Diante disso, relacione corretamente cada uma das ferramentas da Coluna 1 às suas respectivas funções, dispostas na Coluna 2:

Coluna 1:
1. Carrinho de mão.
2. Alavanca de ferro
3. Picareta.

Coluna 2:
( ) Usada para escavar e quebrar terrenos muito duros e compactados.
( ) Usado para transportar terra, entulho de calçadas e materiais diversos pela obra.
( ) Usada para ajudar a erguer ou mover objetos pesados e abrir tampas de bueiros duras.

Qual alternativa preenche, CORRETAMENTE, de cima para baixo, os parênteses acima?
Alternativas
Q4382880 Segurança e Saúde no Trabalho
Antes de iniciar a limpeza ou a preparação de chás e cafes na Prefeitura, o Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública deve realizar a higienização completa de suas mãos com água e sabonete líquido. Para garantir que a limpeza remova todos os germes de forma eÍicaz, o servidor deve retirar previamente todos os seus: 
Alternativas
Q4382879 Engenharia Agronômica (Agronomia)
Para aguar pequenos canteiros de flores recém-plantadas nas praças, sem machucar as mudas sensíveis com jatos fortes de água, o equipamento da imagem abaixo é o mais recomendado.

Captura_de tela 2026-10-16 065958.png (302×160)

Qual equipamento a imagem acima representa? 
Alternativas
Q4382877 Meio Ambiente
No pátio da Prefeitura, há latas de lixo coloridas para o descarte correto de materiais recicláveis secos. Seguindo o padrão de cores da coleta seletiva, o Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública deve orientar os cidadãos a descartarem as latas de refrigerante (metal) na lixeira de cor: 
Alternativas
Q4382874 Segurança e Saúde no Trabalho
O Auxiliar de Limpeza e Ordem Públlca está organizando os saneantes químicos no almoxarifado de limpeza. Diante desse caso, analise as partes que seguem:

(1ª parte): Cada produto de limpeza possui uma finalidade específica, devendo ser utilizado com cuidado e na díluíção indicada pelo fabricante.
(2ª parte): O trabalhador pode misturar cloro (água sanitária) com álcool ou amônia no mesmo balde de água para criar uma fórmula caseira de desínfecção muito mais forte.

Pode-se afirmar que:
Alternativas
Q4382873 Segurança e Saúde no Trabalho
O uso de Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) é obrigatorio para a segurança do Auxiliar de Limpeza e Ordem Pública. Diante disso, analise a imagem abaixo:

Captura_de tela 2026-10-16 065627.png (295×157)

Após a análise da ilustração acima, os itens apresentados protegem, CORRETA e respectivamente, quais partes do corpo?
Alternativas
Respostas
3921: D
3922: D
3923: A
3924: D
3925: A
3926: C
3927: B
3928: A
3929: C
3930: C
3931: A
3932: B
3933: C
3934: B
3935: C
3936: C
3937: C
3938: D
3939: C
3940: B