Foram encontradas 2.332.937 questões

Resolva questões gratuitamente!

Junte-se a mais de 4 milhões de concurseiros!

Q4019252 Medicina
A estenose aórtica é a valvopatia mais prevalente em idosos, apresentando um longo período de latência até o surgimento de sintomas que marcam uma alteração drástica no prognóstico. Analise as afirmativas a seguir:
I.A tríade clássica de sintomas da estenose aórtica grave, composta por angina, síncope e dispneia por insuficiência cardíaca, indica uma sobrevida média inferior a cinco anos se não houver intervenção.
II.O desdobramento paradoxal da segunda bulha cardíaca pode ser observado na estenose aórtica importante, ocorrendo devido ao retardo no fechamento da valva aórtica que passa a suceder o fechamento pulmonar.
III.A presença de um pulso arterial do tipo 'celer et altus' (pulso em martelo d'água) é o achado físico característico que confirma o diagnóstico de estenose aórtica calcificada senil com baixo fluxo.
Está CORRETO o que se afirma em: 
Alternativas
Q4019251 Medicina
A doença celíaca é uma enteropatia imuno-mediada desencadeada pela ingestão de glúten em indivíduos geneticamente predispostos, apresentando manifestações variadas. Analise as afirmativas a seguir:
I.O anticorpo antitransglutaminase tecidual da classe Imunoglobulina A é o teste sorológico de escolha para o rastreio inicial devido à sua elevada sensibilidade e especificidade.
II.O diagnóstico definitivo de doença celíaca em adultos exige a realização de biópsias do duodeno, que revelam atrofia vilositária e hiperplasia de criptas conforme a classificação de Marsh. 
III.A dermatite herpetiforme é uma manifestação cutânea patognomônica da sensibilidade ao glúten, caracterizada por vesículas pruriginosas simétricas em superfícies extensoras.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019250 Medicina
A insuficiência cardíaca descompensada pode apresentar-se sob diferentes perfis hemodinâmicos que orientam a terapia imediata na emergência. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O perfil 'B' (quente e úmido) é a apresentação mais comum, caracterizada por sinais de congestão sistêmica ou pulmonar com perfusão periférica preservada.
(__)O uso de inotrópicos positivos, como a dobutamina, é indicado para todos os pacientes com insuficiência cardíaca crônica estável para garantir a manutenção da fração de ejeção.
(__)O perfil 'C' (frio e úmido) representa a forma mais grave de descompensação, exigindo frequentemente o uso de inotrópicos e ajuste cuidadoso da volemia e vasodilatadores.
(__)A dosagem de peptídeos natriuréticos (BNP ou NT-proBNP) possui elevado valor preditivo negativo para afastar a origem cardíaca da dispneia aguda no pronto-socorro.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4019249 Medicina
A Escala de Coma de Glasgow foi recentemente atualizada para incluir a avaliação da reatividade pupilar, resultando no escore Glasgow-P. Analise as afirmativas a seguir:
I.O escore Glasgow-P é calculado subtraindo-se o número de pupilas não reagentes (zero, um ou dois) da soma total obtida na avaliação tradicional de abertura ocular, resposta verbal e motora.
II.Na avaliação da resposta motora, a 'decorticação' (flexão anormal) pontua três pontos, enquanto a 'descerebração' (extensão anormal) pontua dois pontos na escala.
III.A cefaleia em salvas caracteriza-se por episódios de dor unilateral lancinante, de curta duração, associada a sintomas autonômicos ipsilaterais como ptose, miose e lacrimejamento.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019248 Medicina
O aleitamento materno oferece benefícios imunológicos e nutricionais inigualáveis, sendo a composição do leite humano adaptada às necessidades do lactente em crescimento. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019247 Medicina
O câncer gástrico é uma neoplasia com alta taxa de letalidade, cujo prognóstico depende fundamentalmente do diagnóstico em estágios precoces. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019246 Medicina
A avaliação da hematúria em adultos exige a diferenciação entre causas glomerulares e não glomerulares para direcionar a investigação para a nefrologia ou urologia. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A presença de dismorfismo eritrocitário superior a quarenta por cento e de cilindros hemáticos no sedimento urinário sugere fortemente uma origem glomerular para o sangramento.
(__)A hematúria indolor em pacientes tabagistas acima de cinquenta anos deve ser investigada com prioridade para a exclusão de neoplasias do trato urinário, como o carcinoma urotelial.
(__)O teste de urina com fita reagente (dipstick) positiva para sangue na ausência de hemácias ao exame microscópico indica a presença de mioglobinúria ou hemoglobinúria.
(__)A biópsia renal é indicada obrigatoriamente para todos os pacientes que apresentam hematúria microscópica isolada, sem proteinúria ou alteração da função renal, para triagem de gota.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4019245 Medicina
A púrpura trombocitopênica trombótica é uma microangiopatia trombótica considerada uma emergência médica devido ao risco de isquemia multiorgânica e óbito. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)A fisiopatologia da púrpura trombocitopênica trombótica envolve a deficiência severa da enzima ADAMTS13, resultando no acúmulo de multímeros ultra-grandes do fator de von Willebrand.
(__)O achado de esquizócitos no esfregaço de sangue periférico é essencial para o diagnóstico, indicando a fragmentação mecânica das hemácias na microcirculação obstruída.
(__)A pentade clássica de sintomas inclui febre, anemia hemolítica microangiopática, trombocitopenia, alterações neurológicas e disfunção renal.
(__)A transfusão de plaquetas é o tratamento de primeira escolha recomendado para todos os pacientes com púrpura trombocitopênica trombótica para evitar a hemorragia cerebral imediata.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4019244 Medicina
A pneumonia adquirida na comunidade é uma causa importante de internação, sendo a estratificação de risco essencial para a decisão sobre o local de tratamento. Assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4019243 Medicina
A Doença de Parkinson é uma desordem neurodegenerativa caracterizada pela perda de neurônios dopaminérgicos na substância negra pars compacta. Analise as afirmativas a seguir:
I.A bradicinesia é o critério motor para o diagnóstico clínico da Doença de Parkinson, associada ao tremor de repouso, à rigidez em 'roda dentada' ou à instabilidade postural.
II.O fenômeno de 'on-off' e as discinesias são complicações motoras frequentes em pacientes submetidos ao tratamento crônico com levodopa por longos períodos.
III.O uso de inibidores da colinesterase é contraindicado para o tratamento da demência associada à Doença de Parkinson devido ao risco de agravamento da insuficiência renal anúrica.
Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019242 Medicina
O angioedema hereditário é uma desordem genética rara que resulta em episódios recorrentes de edema de tecidos moles, podendo causar obstrução fatal das vias aéreas superiores. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019241 Medicina
A nefropatia diabética é uma das principais causas de doença renal terminal, apresentando uma evolução característica que pode ser retardada pelo controle rigoroso da glicemia e pressão arterial. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O primeiro marcador clínico de lesão renal no diabetes mellitus é a presença de microalbuminúria (excreção urinária de albumina entre trinta e trezentos miligramas em vinte e quatro horas).
(__)O uso de inibidores da enzima conversora de angiotensina apresenta efeito nefroprotetor além do controle pressórico, reduzindo a pressão intraglomerular por vasodilatação da arteríola eferente.
(__)A hemodiálise de urgência está indicada em casos de insuficiência renal aguda associada a hipercalemia refratária, sobrecarga volêmica com edema agudo de pulmão ou acidose metabólica grave.
(__)O estágio 5 da doença renal crônica é definido quando a taxa de filtração glomerular estimada encontra-se entre sessenta e oitenta e nove mililitros por minuto por superfície corporal.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo: 
Alternativas
Q4019240 Medicina
O feocromocitoma é um tumor produtor de catecolaminas que pode manifestar-se por crises hipertensivas paroxísticas de difícil controle medicamentoso. Acerca do assunto, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:
(__)O diagnóstico laboratorial fundamenta-se na dosagem de metanefrinas livres no plasma ou metanefrinas fracionadas em urina de vinte e quatro horas.
(__)O preparo pré-operatório para a exérese do tumor exige obrigatoriamente o bloqueio alfa-adrenérgico antes do início do bloqueio beta-adrenérgico para evitar crise hipertensiva.
(__)A localização mais frequente do feocromocitoma é a região cortical da glândula adrenal, sendo noventa por cento dos tumores classificados como malignos e metastáticos.
(__)A tríade clássica de sintomas é composta por cefaleia paroxística, sudorese profusa e palpitações, associada a níveis tensionais elevados.
Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q4019239 Medicina
O manejo da síndrome de abstinência alcoólica exige vigilância rigorosa para prevenir complicações potencialmente fatais como as convulsões e o delirium tremens. Assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q4019238 Medicina

A Doença de Paget óssea caracteriza-se por um remodelamento ósseo desordenado e excessivo, levando a deformidades e risco de complicações neurológicas. Analise as afirmativas a seguir:


I.A elevação isolada da fosfatase alcalina sérica em um paciente idoso assintomático, com níveis normais de cálcio e fósforo, sugere o diagnóstico de Doença de Paget.


II.A cintilografia óssea é o exame mais sensível para identificar a extensão das lesões ósseas, apresentando áreas de hipercaptação intensa nos sítios acometidos.


III.O uso de bisfosfonatos potentes, como o ácido zoledrônico, é o tratamento de escolha para reduzir o turnover ósseo e controlar a atividade da doença.


Está CORRETO o que se afirma em: 

Alternativas
Q4019237 Raciocínio Lógico
Uma agência de fiscalização vai formar um código de acesso com 4 algarismos distintos escolhidos entre 1, 2, 3, 4, 5 e 6. Um analista elaborou quatro afirmações sobre esse processo para validar o sistema. Examine as assertivas abaixo e responda ao que se pede.

I.O número total de códigos possíveis é 350.
II.A quantidade de códigos que começam por número par é 180.
III.O total de códigos que terminam em 5 é 60.
IV.A quantidade de códigos em que os algarismos 1 e 2 aparecem adjacentes, nessa ordem, é 36.

Está CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q4019236 Matemática
Na seleção interna de uma fundação pública, a nota final de Helena resulta de duas etapas: prova objetiva com peso 3 e prova discursiva com peso 2. Helena obteve 78 pontos na objetiva e 90 pontos na discursiva. Um servidor também calculou a média aritmética simples dessas duas notas para fins comparativos. Qual é a sequência correta sobre os valores obtidos a partir desses dados? Analise as assertivas e classifique como verdadeira (V) ou falsa (F).

(__)A média aritmética simples das duas notas é 84.
(__)A média ponderada das duas etapas é 82,8.
(__)A diferença entre a média simples e a média ponderada é 1,0.
(__)Se a prova discursiva tivesse peso 3, a média ponderada passaria a ser 84.

A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:  
Alternativas
Q4019232 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
Estudos indicam que "o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social".
Em relação à análise sintática da oração destacada, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q4019231 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.

A neurociência "explica" por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador.


Em relação à regência verbal do verbo destacado no período, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q4019230 Português
O que acontece no cérebro quando ouvimos opiniões diferentes — e como treinar nossa capacidade de escuta


Ouvir uma opinião contrária à nossa quase sempre provoca alguma reação. Embora muitas vezes atribuamos essa dificuldade a fatores culturais ou pessoais, a ciência mostra que ela também está relacionada ao funcionamento do cérebro.

A neurociência explica por que ouvir ideias diferentes é tão desafiador. A discordância ativa sistemas cerebrais responsáveis por detectar conflitos e preservar a coerência interna do pensamento. Por isso, quando nos deparamos com ideias que entram em choque com nossas crenças, tendemos a reagir rapidamente e, muitas vezes, de forma defensiva.

Quando somos expostos a uma opinião que contradiz a nossa forma de pensar, o cérebro não começa avaliando argumentos de maneira racional. Antes disso, ele identifica que existe um conflito. Uma das regiões envolvidas nesse processo é o córtex cingulado anterior (CCA). Essa estrutura atua como um sistema de monitoramento responsável por detectar inconsistências entre expectativas e realidade, além de conflitos entre respostas ou entre crenças.

Estudos indicam que o córtex cingulado anterior participa de circuitos ligados tanto ao controle cognitivo quanto ao processamento da dor física e social. Por essa razão, uma opinião contrária pode ser percebida pelo cérebro como algo desconfortável ou potencialmente ameaçador, mesmo quando não há confronto direto entre as pessoas.

Outras regiões cerebrais também entram em atividade nesse processo. A amígdala está relacionada às respostas a ameaças, enquanto a ínsula participa da percepção de estados corporais de mal-estar. O resultado dessas ativações é familiar para muitas pessoas: tensão no corpo, sensação de desconforto e tendência a se defender ou a encerrar rapidamente a conversa.

Posteriormente, entra em ação o córtex pré-frontal dorsolateral, região associada a funções cognitivas superiores, como planejamento, inibição de impulsos e tomada de decisões. Essa área contribui para regular as reações emocionais e possibilita uma avaliação mais refletida da situação.

Aceitar um ponto de vista diferente do nosso exige esforço mental. O cérebro precisa manter simultaneamente dois modelos mentais incompatíveis: aquilo em que acreditamos e aquilo que o outro afirma. Em seguida, é necessário comparar essas representações e avaliar se alguma delas deve ser modificada.

Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade. Em muitas situações, esse desconforto leva as pessoas a reforçar as crenças que já possuem, em vez de considerar seriamente o ponto de vista contrário.

Além disso, diversas crenças estão ligadas ao sentimento de pertencimento a determinados grupos sociais. Alterar uma perspectiva pode ser vivido, ainda que de forma inconsciente, como um risco social, como sentir constrangimento, perder status ou ser excluído. O cérebro social tende a evitar esse tipo de ameaça.

Outro elemento importante nesse processo é o estresse. Quando os níveis de estresse são elevados ou prolongados, o sistema nervoso entra em estado de alerta. Nessa condição, diminui a capacidade do córtex pré-frontal de regular as emoções e de lidar com divergências de forma equilibrada. Assim, ouvir com calma e refletir sobre argumentos diferentes torna-se mais difícil.

Apesar dessas dificuldades, há um aspecto positivo: os sistemas cerebrais envolvidos na regulação emocional e no controle cognitivo são maleáveis e se modificam com a experiência.

A dificuldade de ouvir opiniões divergentes aparece com frequência no debate social contemporâneo, especialmente em contextos nos quais decisões coletivas precisam ser tomadas, como equipes de trabalho, instituições ou espaços de liderança. Quando um desacordo não é bem conduzido, ele gera conflitos interpessoais, falhas de comunicação e deterioração do clima emocional.

Felizmente, é possível treinar a capacidade de escuta. Estudos desenvolvidos pelo grupo Neurociência do Bem-estar da Universidade de Sevilha mostram que o treinamento da regulação fisiológica e emocional está associado a uma maior capacidade de pensar antes de responder, ouvir com menor reatividade e conduzir conversas difíceis com mais clareza.

Assim, o objetivo não é evitar o desconforto provocado pela discordância, mas aprender a regulá-lo. Ouvir não significa concordar nem abandonar os próprios valores. Significa sustentar o desconforto pelo tempo necessário para ampliar a compreensão da situação.

Em um mundo cada vez mais polarizado, a capacidade de escutar opiniões é compreendida como uma habilidade a ser desenvolvida. Entender como o cérebro reage às divergências é um passo importante para substituir reações automáticas por respostas mais calmas, claras e conscientes.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/crm83ke7d4ro.adaptado.
O texto apresenta uma explicação sobre reações humanas diante de opiniões divergentes, articulando conceitos e exemplos por meio de retomadas referenciais e conexões entre frases que garantem a continuidade temática.

Considere o trecho do texto-base:
Esse processo envolve também a chamada dissonância cognitiva, isto é, o mal-estar psicológico que surge quando uma informação ameaça a coerência da nossa visão de mundo ou da nossa identidade.

De acordo com o trecho apresentado, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Respostas
15881: D
15882: D
15883: C
15884: B
15885: C
15886: A
15887: B
15888: C
15889: D
15890: C
15891: A
15892: A
15893: B
15894: C
15895: D
15896: D
15897: D
15898: C
15899: A
15900: B