Leia o texto para responder à questão.
O homem na lua: um marco na história das 'fake
news'
Celebrações do 50º aniversário da missão do
foguete Apollo 11 são cercadas de produção de
informações de que o homem não pisou na Lua.
Milhões de pessoas no mundo estão
convencidas de que o homem não pisou na Lua em
1969 e de que as imagens da Nasa foram gravadas
em um estúdio de Hollywood. Um boato que perdura
e que antecede e é um marco na história das "fake
news". Bastam alguns cliques para encontrar milhares
de sites na internet que questionam a realidade da
missão de Apolo 11. A missão completa 50 anos
neste sábado (19).
Se recorre a argumentos variados para justificar
este postulado: a Nasa é incapaz dessa façanha
tecnológica, a missão não tinha seres humanos,
nenhum homem teria sobrevivido às radiações
durante a viagem, e mesmo ideias mais
extravagantes como a de que as autoridades
deveriam dissimular a descoberta de uma civilização
lunar. Todas essas ideias se baseiam no mesmo:
supostas anomalias detectadas nas fotos e nos
vídeos da Nasa.
A luz e as sombras das imagens? Suspeitas. A
ausência de estrelas? Prova de manipulação. Assim
como a bandeira fincada por Neil Armstrong que
parece ondular, apesar de somente haver atmosfera
na Lua. Embora a comunidade científica tenha
refutado com provas todas essas teorias, inclusive
com imagens do local de pouso tomadas em 2009, o
mito de uma grande mentira continua vivo, e 'in
crescendo'.
[...]
Anestesiando a reflexão
Por que essa façanha atrai tantos céticos?
Devido à sua importância, explica à AFP Didier
Desormeaux, coautor de um livro sobre teorias do
complô ("Le complotisme, décrypter et agir"). "Este
episódio da conquista espacial é um dos maiores
marcos da humanidade, questioná-lo faz tremer os
fundamentos da ciência e do domínio do homem
sobre a natureza", argumenta.
Diferente de outros eventos históricos que
também são objeto de teorias da conspiração, como
o assassinato do presidente John Fitzgerald Kennedy
em 1963 - cujo fato ninguém discute, mas, sim, suas
circunstâncias-, a chegada à Lua se questiona em sua
totalidade. Com Apolo 11, "se trata da primeira teoria
complotista que se constrói completamente mediante uma reinterpretação visual de um fato da atualidade:
se denuncia uma encenação", segundo Desormeaux.
Há outras: como as matanças em escolas
americanas ou o atentado contra o semanário satírico
Charlie Hebdo em Paris em 2015, taxadas de ficções
com atores, acrescenta. "A imagem anestesia a
capacidade de reflexão", defende este especialista
para explicar este tipo de raciocínio.
Fonte: https://www.folhape.com.br/noticias/homem-na-lua-ummarco-na-historia-das-fake-news/2019/07/19/.