Questões de Concurso
Para técnico em saúde bucal
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“Os números do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) 2017 foram divulgados nesta segunda-feira, 3 (setembro), e colocam o Ceará em posição de destaque no País.” O Povo On Line, 03 de setembro de 2018. Segundo esses dados, as cidades cearenses que lideram o ranking do Ideb de 2017 são:
Cidades cearenses onde se realizam anualmente o Festival de Jazz e Blues:
Em 31 de agosto de 2016, o Plenário do Senado aprovou por 61 votos favoráveis e 20 contrários o impeachment de Dilma Rousseff. Pesaram sobre a presidente afastada as acusações:
Eis a primavera
João saiu do hospital para morrer em casa - e gritou três meses antes de morrer. Para não gastar, a mulher nem uma vez chamou o médico. Não lhe deu a injeção de morfina, a receita azul na gaveta. Ele sonhava com a primavera para sarar do reumatismo, nos dedos amarelos contava os dias.
- Não fosse a umidade do ar ... - gemia para o irmão nas compridas horas da noite.
Já não tinha posição na cama: as costas uma ferida só. Paralisado da cintura para baixo, obrava-se sem querer. A filha tapava o nariz com dois dedos e fugia para o quintal:
- Ai, que fedor ... Meu Deus, que nojo!
Com a desculpa que não podiam vê-lo sofrer, mulher e filha mal entravam no quarto. O irmão Pedro é que o assistia, aliviando as dores com analgésico, aplicando a sonda, trocando o pijama e os lençóis. Afofava o travesseiro, suspendia o corpinho tão leve, sentava-o na cama:
- Assim está melhor?
Chorando no sorriso, a voz trêmula como um ramo de onde o pássaro desferiu voo:
- Agora a dor se mudou ...
Vigiava aflito a janela:
- Quantos dias faltam? Com o sol eu fico bom.
Pele e osso, pescocinho fino, olho queimando de febre lá no fundo. Na evocação do filho morto havia trinta anos:
- Muito engraçado, o camaradinha - e batia fracamente na testa com a mão fechada.
- Com um aninho fazia continência. Até hoje não me conformo.
A saudade do camaradinha acordava-lhe duas grandes lágrimas. No espelho da penteadeira surpreendia o vulto esquivo da filha.
- Essa menina nunca me deu um copo d'água.
Quando o irmão se levantava:
- Fique mais um pouco.
Ali da porta sua querida Maria:
- Um egoísta. Não deixa os outros descansar.
Ao parente que sugeriu uma injeção para os gritos:
- Não sabe que tem aquela doença? Desenganado três vezes. Nada que fazer.
Na ausência do cunhado, esqueciam-no lá no quarto, mulher e filha muito distraídas. Horas depois, quando a dona abria a porta, com o dedo no nariz:
- É que eu me apurei - ele se desculpava, envergonhado.
- Doente não merece viver.
A filha, essa, de longe sempre se abanando:
- Ai, como fede!
Terceiro mês o irmão passou a dormir no quarto. Ao lavar-lhe a dentadura, boquinha murcha, o retrato da mãe defunta? Nem podia sorver o café.
- Só de ruim é que não engole - resmungava a mulher.
Negou-lhe a morfina até o último dia: ele morre, a família fica. Tingiu de preto o vestido mais velho, o enterro seria de terceira.
Ao pé da janela, uma corruíra trinava alegrinha na boca do dia e, na doçura do canto, ele cochilava meia hora bem pequena. Batia a eterna continência, balbuciava no delírio:
- Com quem eu briguei?
- Me conte, meu velho.
- Com Deus - e agitou a mãozinha descarnada. - Tanto não devia judiar de mim.
Fechando os olhos, sentiu a folha que bulia na laranjeira, o pé furtivo do cachorro na calçada, o pingo da torneira no zinco da cozinha - e o alarido no peito de rua barulhenta às seis da tarde. Se a mulher costurava na sala, ele ouvia os furos da agulha no pano.
- Muito acabadinho, o pobre? - lá fora uma vizinha indagava da outra.
Na última noite cochichou ao irmão:
- Depois que eu ... Não deixe que ela me beije!
Ainda uma vez a continência do camaradinha, olho branco em busca da luz perdida, e o irmão enxugava-lhe na testa o suor da agonia.
Mais tarde a mulher abriu a janela para arejar o quarto.
- Eis o sol, meu velho - e o irmão bateu as pálpebras, ofuscado.
Era o primeiro dia de primavera.
(De "O Rei da Terra", Rio, Civilização Brasileira, 1972)
Um egoísta. Não deixa os outros descansar. O termo em destaque é um substantivo classificado de comum de dois gêneros, pois apresentam uma só forma para dois gêneros, mas é possível distinguir o masculino do feminino pelo emprego do artigo que os acompanha. Marque a opção cuja classificação do substantivo esteja em desacordo com as normas gramaticais:
Eis a primavera
João saiu do hospital para morrer em casa - e gritou três meses antes de morrer. Para não gastar, a mulher nem uma vez chamou o médico. Não lhe deu a injeção de morfina, a receita azul na gaveta. Ele sonhava com a primavera para sarar do reumatismo, nos dedos amarelos contava os dias.
- Não fosse a umidade do ar ... - gemia para o irmão nas compridas horas da noite.
Já não tinha posição na cama: as costas uma ferida só. Paralisado da cintura para baixo, obrava-se sem querer. A filha tapava o nariz com dois dedos e fugia para o quintal:
- Ai, que fedor ... Meu Deus, que nojo!
Com a desculpa que não podiam vê-lo sofrer, mulher e filha mal entravam no quarto. O irmão Pedro é que o assistia, aliviando as dores com analgésico, aplicando a sonda, trocando o pijama e os lençóis. Afofava o travesseiro, suspendia o corpinho tão leve, sentava-o na cama:
- Assim está melhor?
Chorando no sorriso, a voz trêmula como um ramo de onde o pássaro desferiu voo:
- Agora a dor se mudou ...
Vigiava aflito a janela:
- Quantos dias faltam? Com o sol eu fico bom.
Pele e osso, pescocinho fino, olho queimando de febre lá no fundo. Na evocação do filho morto havia trinta anos:
- Muito engraçado, o camaradinha - e batia fracamente na testa com a mão fechada.
- Com um aninho fazia continência. Até hoje não me conformo.
A saudade do camaradinha acordava-lhe duas grandes lágrimas. No espelho da penteadeira surpreendia o vulto esquivo da filha.
- Essa menina nunca me deu um copo d'água.
Quando o irmão se levantava:
- Fique mais um pouco.
Ali da porta sua querida Maria:
- Um egoísta. Não deixa os outros descansar.
Ao parente que sugeriu uma injeção para os gritos:
- Não sabe que tem aquela doença? Desenganado três vezes. Nada que fazer.
Na ausência do cunhado, esqueciam-no lá no quarto, mulher e filha muito distraídas. Horas depois, quando a dona abria a porta, com o dedo no nariz:
- É que eu me apurei - ele se desculpava, envergonhado.
- Doente não merece viver.
A filha, essa, de longe sempre se abanando:
- Ai, como fede!
Terceiro mês o irmão passou a dormir no quarto. Ao lavar-lhe a dentadura, boquinha murcha, o retrato da mãe defunta? Nem podia sorver o café.
- Só de ruim é que não engole - resmungava a mulher.
Negou-lhe a morfina até o último dia: ele morre, a família fica. Tingiu de preto o vestido mais velho, o enterro seria de terceira.
Ao pé da janela, uma corruíra trinava alegrinha na boca do dia e, na doçura do canto, ele cochilava meia hora bem pequena. Batia a eterna continência, balbuciava no delírio:
- Com quem eu briguei?
- Me conte, meu velho.
- Com Deus - e agitou a mãozinha descarnada. - Tanto não devia judiar de mim.
Fechando os olhos, sentiu a folha que bulia na laranjeira, o pé furtivo do cachorro na calçada, o pingo da torneira no zinco da cozinha - e o alarido no peito de rua barulhenta às seis da tarde. Se a mulher costurava na sala, ele ouvia os furos da agulha no pano.
- Muito acabadinho, o pobre? - lá fora uma vizinha indagava da outra.
Na última noite cochichou ao irmão:
- Depois que eu ... Não deixe que ela me beije!
Ainda uma vez a continência do camaradinha, olho branco em busca da luz perdida, e o irmão enxugava-lhe na testa o suor da agonia.
Mais tarde a mulher abriu a janela para arejar o quarto.
- Eis o sol, meu velho - e o irmão bateu as pálpebras, ofuscado.
Era o primeiro dia de primavera.
(De "O Rei da Terra", Rio, Civilização Brasileira, 1972)
Fechando os olhos, sentiu a folha que bulia na laranjeira... A palavra em destaque apresenta a representação de ch com o som de x. Das opções a seguir, marque a que não apresenta erro de grafia:
Eis a primavera
João saiu do hospital para morrer em casa - e gritou três meses antes de morrer. Para não gastar, a mulher nem uma vez chamou o médico. Não lhe deu a injeção de morfina, a receita azul na gaveta. Ele sonhava com a primavera para sarar do reumatismo, nos dedos amarelos contava os dias.
- Não fosse a umidade do ar ... - gemia para o irmão nas compridas horas da noite.
Já não tinha posição na cama: as costas uma ferida só. Paralisado da cintura para baixo, obrava-se sem querer. A filha tapava o nariz com dois dedos e fugia para o quintal:
- Ai, que fedor ... Meu Deus, que nojo!
Com a desculpa que não podiam vê-lo sofrer, mulher e filha mal entravam no quarto. O irmão Pedro é que o assistia, aliviando as dores com analgésico, aplicando a sonda, trocando o pijama e os lençóis. Afofava o travesseiro, suspendia o corpinho tão leve, sentava-o na cama:
- Assim está melhor?
Chorando no sorriso, a voz trêmula como um ramo de onde o pássaro desferiu voo:
- Agora a dor se mudou ...
Vigiava aflito a janela:
- Quantos dias faltam? Com o sol eu fico bom.
Pele e osso, pescocinho fino, olho queimando de febre lá no fundo. Na evocação do filho morto havia trinta anos:
- Muito engraçado, o camaradinha - e batia fracamente na testa com a mão fechada.
- Com um aninho fazia continência. Até hoje não me conformo.
A saudade do camaradinha acordava-lhe duas grandes lágrimas. No espelho da penteadeira surpreendia o vulto esquivo da filha.
- Essa menina nunca me deu um copo d'água.
Quando o irmão se levantava:
- Fique mais um pouco.
Ali da porta sua querida Maria:
- Um egoísta. Não deixa os outros descansar.
Ao parente que sugeriu uma injeção para os gritos:
- Não sabe que tem aquela doença? Desenganado três vezes. Nada que fazer.
Na ausência do cunhado, esqueciam-no lá no quarto, mulher e filha muito distraídas. Horas depois, quando a dona abria a porta, com o dedo no nariz:
- É que eu me apurei - ele se desculpava, envergonhado.
- Doente não merece viver.
A filha, essa, de longe sempre se abanando:
- Ai, como fede!
Terceiro mês o irmão passou a dormir no quarto. Ao lavar-lhe a dentadura, boquinha murcha, o retrato da mãe defunta? Nem podia sorver o café.
- Só de ruim é que não engole - resmungava a mulher.
Negou-lhe a morfina até o último dia: ele morre, a família fica. Tingiu de preto o vestido mais velho, o enterro seria de terceira.
Ao pé da janela, uma corruíra trinava alegrinha na boca do dia e, na doçura do canto, ele cochilava meia hora bem pequena. Batia a eterna continência, balbuciava no delírio:
- Com quem eu briguei?
- Me conte, meu velho.
- Com Deus - e agitou a mãozinha descarnada. - Tanto não devia judiar de mim.
Fechando os olhos, sentiu a folha que bulia na laranjeira, o pé furtivo do cachorro na calçada, o pingo da torneira no zinco da cozinha - e o alarido no peito de rua barulhenta às seis da tarde. Se a mulher costurava na sala, ele ouvia os furos da agulha no pano.
- Muito acabadinho, o pobre? - lá fora uma vizinha indagava da outra.
Na última noite cochichou ao irmão:
- Depois que eu ... Não deixe que ela me beije!
Ainda uma vez a continência do camaradinha, olho branco em busca da luz perdida, e o irmão enxugava-lhe na testa o suor da agonia.
Mais tarde a mulher abriu a janela para arejar o quarto.
- Eis o sol, meu velho - e o irmão bateu as pálpebras, ofuscado.
Era o primeiro dia de primavera.
(De "O Rei da Terra", Rio, Civilização Brasileira, 1972)
Negou-lhe a morfina até o último dia... Pertence à mesma regra de acentuação gráfica da palavra em destaque:
Eis a primavera
João saiu do hospital para morrer em casa - e gritou três meses antes de morrer. Para não gastar, a mulher nem uma vez chamou o médico. Não lhe deu a injeção de morfina, a receita azul na gaveta. Ele sonhava com a primavera para sarar do reumatismo, nos dedos amarelos contava os dias.
- Não fosse a umidade do ar ... - gemia para o irmão nas compridas horas da noite.
Já não tinha posição na cama: as costas uma ferida só. Paralisado da cintura para baixo, obrava-se sem querer. A filha tapava o nariz com dois dedos e fugia para o quintal:
- Ai, que fedor ... Meu Deus, que nojo!
Com a desculpa que não podiam vê-lo sofrer, mulher e filha mal entravam no quarto. O irmão Pedro é que o assistia, aliviando as dores com analgésico, aplicando a sonda, trocando o pijama e os lençóis. Afofava o travesseiro, suspendia o corpinho tão leve, sentava-o na cama:
- Assim está melhor?
Chorando no sorriso, a voz trêmula como um ramo de onde o pássaro desferiu voo:
- Agora a dor se mudou ...
Vigiava aflito a janela:
- Quantos dias faltam? Com o sol eu fico bom.
Pele e osso, pescocinho fino, olho queimando de febre lá no fundo. Na evocação do filho morto havia trinta anos:
- Muito engraçado, o camaradinha - e batia fracamente na testa com a mão fechada.
- Com um aninho fazia continência. Até hoje não me conformo.
A saudade do camaradinha acordava-lhe duas grandes lágrimas. No espelho da penteadeira surpreendia o vulto esquivo da filha.
- Essa menina nunca me deu um copo d'água.
Quando o irmão se levantava:
- Fique mais um pouco.
Ali da porta sua querida Maria:
- Um egoísta. Não deixa os outros descansar.
Ao parente que sugeriu uma injeção para os gritos:
- Não sabe que tem aquela doença? Desenganado três vezes. Nada que fazer.
Na ausência do cunhado, esqueciam-no lá no quarto, mulher e filha muito distraídas. Horas depois, quando a dona abria a porta, com o dedo no nariz:
- É que eu me apurei - ele se desculpava, envergonhado.
- Doente não merece viver.
A filha, essa, de longe sempre se abanando:
- Ai, como fede!
Terceiro mês o irmão passou a dormir no quarto. Ao lavar-lhe a dentadura, boquinha murcha, o retrato da mãe defunta? Nem podia sorver o café.
- Só de ruim é que não engole - resmungava a mulher.
Negou-lhe a morfina até o último dia: ele morre, a família fica. Tingiu de preto o vestido mais velho, o enterro seria de terceira.
Ao pé da janela, uma corruíra trinava alegrinha na boca do dia e, na doçura do canto, ele cochilava meia hora bem pequena. Batia a eterna continência, balbuciava no delírio:
- Com quem eu briguei?
- Me conte, meu velho.
- Com Deus - e agitou a mãozinha descarnada. - Tanto não devia judiar de mim.
Fechando os olhos, sentiu a folha que bulia na laranjeira, o pé furtivo do cachorro na calçada, o pingo da torneira no zinco da cozinha - e o alarido no peito de rua barulhenta às seis da tarde. Se a mulher costurava na sala, ele ouvia os furos da agulha no pano.
- Muito acabadinho, o pobre? - lá fora uma vizinha indagava da outra.
Na última noite cochichou ao irmão:
- Depois que eu ... Não deixe que ela me beije!
Ainda uma vez a continência do camaradinha, olho branco em busca da luz perdida, e o irmão enxugava-lhe na testa o suor da agonia.
Mais tarde a mulher abriu a janela para arejar o quarto.
- Eis o sol, meu velho - e o irmão bateu as pálpebras, ofuscado.
Era o primeiro dia de primavera.
(De "O Rei da Terra", Rio, Civilização Brasileira, 1972)
Na ausência do cunhado, esqueciam-no lá no quarto... O termo em destaque funciona como elemento de conexão entre as informações, pois se refere a um termo anteriormente citado. Tal referência é ao:
Eis a primavera
João saiu do hospital para morrer em casa - e gritou três meses antes de morrer. Para não gastar, a mulher nem uma vez chamou o médico. Não lhe deu a injeção de morfina, a receita azul na gaveta. Ele sonhava com a primavera para sarar do reumatismo, nos dedos amarelos contava os dias.
- Não fosse a umidade do ar ... - gemia para o irmão nas compridas horas da noite.
Já não tinha posição na cama: as costas uma ferida só. Paralisado da cintura para baixo, obrava-se sem querer. A filha tapava o nariz com dois dedos e fugia para o quintal:
- Ai, que fedor ... Meu Deus, que nojo!
Com a desculpa que não podiam vê-lo sofrer, mulher e filha mal entravam no quarto. O irmão Pedro é que o assistia, aliviando as dores com analgésico, aplicando a sonda, trocando o pijama e os lençóis. Afofava o travesseiro, suspendia o corpinho tão leve, sentava-o na cama:
- Assim está melhor?
Chorando no sorriso, a voz trêmula como um ramo de onde o pássaro desferiu voo:
- Agora a dor se mudou ...
Vigiava aflito a janela:
- Quantos dias faltam? Com o sol eu fico bom.
Pele e osso, pescocinho fino, olho queimando de febre lá no fundo. Na evocação do filho morto havia trinta anos:
- Muito engraçado, o camaradinha - e batia fracamente na testa com a mão fechada.
- Com um aninho fazia continência. Até hoje não me conformo.
A saudade do camaradinha acordava-lhe duas grandes lágrimas. No espelho da penteadeira surpreendia o vulto esquivo da filha.
- Essa menina nunca me deu um copo d'água.
Quando o irmão se levantava:
- Fique mais um pouco.
Ali da porta sua querida Maria:
- Um egoísta. Não deixa os outros descansar.
Ao parente que sugeriu uma injeção para os gritos:
- Não sabe que tem aquela doença? Desenganado três vezes. Nada que fazer.
Na ausência do cunhado, esqueciam-no lá no quarto, mulher e filha muito distraídas. Horas depois, quando a dona abria a porta, com o dedo no nariz:
- É que eu me apurei - ele se desculpava, envergonhado.
- Doente não merece viver.
A filha, essa, de longe sempre se abanando:
- Ai, como fede!
Terceiro mês o irmão passou a dormir no quarto. Ao lavar-lhe a dentadura, boquinha murcha, o retrato da mãe defunta? Nem podia sorver o café.
- Só de ruim é que não engole - resmungava a mulher.
Negou-lhe a morfina até o último dia: ele morre, a família fica. Tingiu de preto o vestido mais velho, o enterro seria de terceira.
Ao pé da janela, uma corruíra trinava alegrinha na boca do dia e, na doçura do canto, ele cochilava meia hora bem pequena. Batia a eterna continência, balbuciava no delírio:
- Com quem eu briguei?
- Me conte, meu velho.
- Com Deus - e agitou a mãozinha descarnada. - Tanto não devia judiar de mim.
Fechando os olhos, sentiu a folha que bulia na laranjeira, o pé furtivo do cachorro na calçada, o pingo da torneira no zinco da cozinha - e o alarido no peito de rua barulhenta às seis da tarde. Se a mulher costurava na sala, ele ouvia os furos da agulha no pano.
- Muito acabadinho, o pobre? - lá fora uma vizinha indagava da outra.
Na última noite cochichou ao irmão:
- Depois que eu ... Não deixe que ela me beije!
Ainda uma vez a continência do camaradinha, olho branco em busca da luz perdida, e o irmão enxugava-lhe na testa o suor da agonia.
Mais tarde a mulher abriu a janela para arejar o quarto.
- Eis o sol, meu velho - e o irmão bateu as pálpebras, ofuscado.
Era o primeiro dia de primavera.
(De "O Rei da Terra", Rio, Civilização Brasileira, 1972)
O texto: Eis a primavera, de Dalton Trevisan, reflete:
COLUNA 1 I. Canino permanente inferior esquerdo. II. Segundo molar permanente superior direito. III. Segundo molar decíduo superior direito. IV. Primeiro molar permanente inferior esquerdo. V. Primeiro molar decíduo inferior esquerdo. VI. Segundo pré-molar superior direito.
COLUNA 2 A. 17 B. 55 C. 15 D. 33 E. 36 F. 74