Questões de Concurso Para analista judiciário - odontologia

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Q532355 Odontologia
A radiografia de proservação, após 12 meses do tratamento endodôntico do dente 11 de paciente com 29 anos de idade, sexo masculino, mostra o canal radicular bem obturado, porém com extravasamento de cimento obturador e persistência da lesão periapical havendo, portanto, indicação para o retratamento endodôntico por via cirúrgica. Após a remoção do tecido patológico existente na lesão periapical do dente 11, o procedimento cirúrgico sequencial consiste na
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Q532354 Odontologia

Ao exame radiográfico utilizado para um planejamento protético, paciente com 42 anos de idade, sexo feminino, apresenta uma lesão radiolúcida periapical circunscrita, na região do dente 32. O histórico clínico registra um tratamento endodôntico no dente 32, realizado cerca de 2 anos antes. A radiografia periapical mostra que os canais estão adequadamente selados e, adicionalmente, o dente 32 está assintomático.


Em casos semelhantes ao desta paciente, a utilização de técnicas de microbiologia em canais radiculares de dentes obturados com lesões periapicais persistentes tem detectado a presença de Enterococcus faecalis, o que
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Q532353 Odontologia

Ao exame radiográfico utilizado para um planejamento protético, paciente com 42 anos de idade, sexo feminino, apresenta uma lesão radiolúcida periapical circunscrita, na região do dente 32. O histórico clínico registra um tratamento endodôntico no dente 32, realizado cerca de 2 anos antes. A radiografia periapical mostra que os canais estão adequadamente selados e, adicionalmente, o dente 32 está assintomático.


A lesão radiolúcida periapical na região do dente 32 tem características clínicas e radiográficas que
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Q532352 Odontologia

Ao exame radiográfico utilizado para um planejamento protético, paciente com 42 anos de idade, sexo feminino, apresenta uma lesão radiolúcida periapical circunscrita, na região do dente 32. O histórico clínico registra um tratamento endodôntico no dente 32, realizado cerca de 2 anos antes. A radiografia periapical mostra que os canais estão adequadamente selados e, adicionalmente, o dente 32 está assintomático.


Sobre esse caso, considere:


I. As técnicas contemporâneas de preparo, limpeza e preenchimento de canais são suficientes para tornar o sistema de canais radiculares livre de microrganismos.


II. A presença de materiais obturadores extruídos durante o tratamento endodôntico atua como irritante tecidual do periápice e a reação ao corpo estranho produz citocinas inflamatórias e citocinas para reabsorção óssea.


III. A remoção de fatores extra-radiculares, por meio da cirurgia periapical, melhora o prognóstico do tratamento a longo prazo.


IV. O retratamento endodôntico direto erradicará a infecção extra-radicular residual, melhorando o prognóstico do tratamento a médio prazo.


Está correto o que consta APENAS em

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Q532351 Odontologia

Paciente com 18 anos de idade, sexo masculino, teve o dente 21 avulsionado, ao cair da motocicleta, cerca de duas horas antes de chegar ao consultório odontológico. O paciente foi atendido inicialmente em um serviço médico, não apresenta fraturas ósseas e trouxe o dente envolto em um lenço de papel.


No acompanhamento radiográfico do paciente, atenção especial deve ser dada à possível ocorrência de radioluscência evidenciando uma concavidade na raiz do dente 21. Esta característica da imagem, ainda que o contorno do canal radicular mostre aspecto normal e se constate radioluscência no osso adjacente, é um indicativo de
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Q532350 Odontologia

Paciente com 18 anos de idade, sexo masculino, teve o dente 21 avulsionado, ao cair da motocicleta, cerca de duas horas antes de chegar ao consultório odontológico. O paciente foi atendido inicialmente em um serviço médico, não apresenta fraturas ósseas e trouxe o dente envolto em um lenço de papel.


Após o reimplante do dente 21, a contenção semirrígida utilizada por um período de

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Q532349 Odontologia

Paciente com 18 anos de idade, sexo masculino, teve o dente 21 avulsionado, ao cair da motocicleta, cerca de duas horas antes de chegar ao consultório odontológico. O paciente foi atendido inicialmente em um serviço médico, não apresenta fraturas ósseas e trouxe o dente envolto em um lenço de papel.


A conduta clínica de urgência consiste em

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Q532348 Odontologia
Paciente com 63 anos de idade, sexo feminino, relata o uso contínuo de AAS (ácido acetilsalicílico), seguindo prescrição médica, após um acidente vascular encefálico. Diante da indicação de uma cirurgia eletiva para apicectomia no dente 45, e da necessidade de controle da dor no período pós-operatório, NÃO é indicado o uso de
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Q532347 Odontologia

Paciente com 42 anos de idade, sexo feminino, tem histórico clínico de úlcera péptica e relata dor aguda espontânea na região do dente 24, não conseguindo dormir à noite, devido a esta dor. O exame clínico mostra uma restauração fraturada no dente 24, que apresenta a lâmina dura intacta, ao exame radiográfico. Os testes de sensibilidade ao frio e ao calor mostram vitalidade pulpar.


A duração do tratamento farmacológico
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Q532346 Odontologia

Paciente com 42 anos de idade, sexo feminino, tem histórico clínico de úlcera péptica e relata dor aguda espontânea na região do dente 24, não conseguindo dormir à noite, devido a esta dor. O exame clínico mostra uma restauração fraturada no dente 24, que apresenta a lâmina dura intacta, ao exame radiográfico. Os testes de sensibilidade ao frio e ao calor mostram vitalidade pulpar.


Aliado ao procedimento clínico para a remoção da causa desta condição clínica, o controle da dor pós-operatória requer a prescrição de
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Q532345 Odontologia

Paciente com 42 anos de idade, sexo feminino, tem histórico clínico de úlcera péptica e relata dor aguda espontânea na região do dente 24, não conseguindo dormir à noite, devido a esta dor. O exame clínico mostra uma restauração fraturada no dente 24, que apresenta a lâmina dura intacta, ao exame radiográfico. Os testes de sensibilidade ao frio e ao calor mostram vitalidade pulpar.


Este quadro é compatível com o diagnóstico clínico de

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Q532344 Odontologia
O uso de lima endodôntica com pré-encurvamento para alcançar o forame apical do dente 22 de paciente com 48 anos de idade, sexo masculino, requer alguns cuidados, pois, geralmente, instrumentos pré-encurvados.
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Q532343 Odontologia

Durante o preparo do acesso cavitário para tratamento endodôntico do dente 11, de paciente com 26 anos de idade, sexo feminino, a remoção adequada do ombro lingual


I. consiste no desgaste de uma projeção de dentina que se estende do cíngulo ao terço apical do dente 11.


II. permite o acesso direto ao canal.


III. requer um desgaste compensatório por meio de bisel incisal na superfície lingual do dente 11.


IV. evita a deflexão da lima para a parede vestibular, o que pode resultar na deficiência do alargamento e limpeza em porções da parede lingual do canal.


Está correto o que consta APENAS em

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Q532342 Odontologia
Ao efetuar o acesso aos canais do dente 47 de paciente com 29 anos, sexo masculino, o exame do soalho da câmara pulpar mostra dois orifícios, que não estão localizados no centro da raiz e não estão posicionados diretamente na linha mesiodistal, o que sugere a existência de
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Q532341 Odontologia
Paciente com 36 anos de idade, sexo feminino, apresenta uma cavidade no dente 27, com dentina exposta devido à cárie dentária nas superfícies oclusal e mesial. Durante o procedimento de acesso para a realização de pulpectomia no dente 27, observa-se a câmara pulpar
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Q532340 Odontologia
Na biopulpectomia no dente 46 de paciente com 24 anos de idade, sexo masculino, a instrumentação dos canais deve ter por limite apical
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Q532339 Odontologia
Paciente com 27 anos de idade, sexo masculino, tem indicação para a pulpectomia do dente 15, que tem como característica anatômica a presença de
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Q532332 Português

      Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum*, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

      Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

    No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía  a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideia se imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.

      Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

      No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

      − Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...

      − Oh! meu senhô! fico.

      − ...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudocresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quandonasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais altoque eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

      − Artura não qué dizê nada, não, senhô...

      − Pequeno ordenado, repito, uns seis mil réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito  mais que uma galinha. Justamente. Pois seis mil réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

      Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

      Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...]


*Literalmente, “depois do golpe”, “depois do fato”.

                                            (Adaptado de: ASSIS, Machado de. "Bons dias!", Gazeta deNotícias, 19 de maio de 1888)

Com recurso à subordinação das orações, o 5° e o 6° parágrafos estão reescritos corretamente em:
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Q532331 Português

      Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum*, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

      Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

    No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía  a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideia se imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.

      Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

      No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

      − Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...

      − Oh! meu senhô! fico.

      − ...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudocresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quandonasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais altoque eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

      − Artura não qué dizê nada, não, senhô...

      − Pequeno ordenado, repito, uns seis mil réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito  mais que uma galinha. Justamente. Pois seis mil réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

      Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

      Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...]


*Literalmente, “depois do golpe”, “depois do fato”.

                                            (Adaptado de: ASSIS, Machado de. "Bons dias!", Gazeta deNotícias, 19 de maio de 1888)

Sobre a pontuação do texto, considere:


I. Mantém-se a correção alterando-se a pontuação da frase Oh! meu senhô! fico. (7° parágrafo) para Oh, meu senhô, fico!


II. O ponto e vírgula, no segmento ... por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade... (11° parágrafo), pode ser substituído por dois-pontos.


III. No segmento Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio... (1° parágrafo), pode-se acrescentar uma vírgula imediatamente após juro.


Está correto o que consta em

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Q532330 Português

      Eu pertenço a uma família de profetas après coup, post factum*, depois do gato morto, ou como melhor nome tenha em holandês. Por isso digo, e juro se necessário for, que toda a história desta lei de 13 de maio estava por mim prevista, tanto que na segunda-feira, antes mesmo dos debates, tratei de alforriar um molecote que tinha, pessoa de seus dezoito anos, mais ou menos. Alforriá-lo era nada; entendi que, perdido por mil, perdido por mil e quinhentos, e dei um jantar.

      Neste jantar, a que meus amigos deram o nome de banquete, em falta de outro melhor, reuni umas cinco pessoas, conquanto as notícias dissessem trinta e três (anos de Cristo), no intuito de lhe dar um aspecto simbólico.

    No golpe do meio (coup du milieu, mas eu prefiro falar a minha língua), levantei-me eu com a taça de champanha e declarei que acompanhando as ideias pregadas por Cristo, há dezoito séculos, restituía  a liberdade ao meu escravo Pancrácio; que entendia que a nação inteira devia acompanhar as mesmas ideia se imitar o meu exemplo; finalmente, que a liberdade era um dom de Deus, que os homens não podiam roubar sem pecado.

      Pancrácio, que estava à espreita, entrou na sala, como um furacão, e veio abraçar-me os pés. Um dos meus amigos (creio que é ainda meu sobrinho) pegou de outra taça, e pediu à ilustre assembleia que correspondesse ao ato que acabava de publicar, brindando ao primeiro dos cariocas. Ouvi cabisbaixo; fiz outro discurso agradecendo, e entreguei a carta ao molecote. Todos os lenços comovidos apanharam as lágrimas de admiração. Caí na cadeira e não vi mais nada. De noite, recebi muitos cartões. Creio que estão pintando o meu retrato, e suponho que a óleo.

      No dia seguinte, chamei o Pancrácio e disse-lhe com rara franqueza:

      − Tu és livre, podes ir para onde quiseres. Aqui tens casa amiga, já conhecida e tens mais um ordenado, um ordenado que...

      − Oh! meu senhô! fico.

      − ...Um ordenado pequeno, mas que há de crescer. Tudocresce neste mundo; tu cresceste imensamente. Quandonasceste, eras um pirralho deste tamanho; hoje estás mais altoque eu. Deixa ver; olha, és mais alto quatro dedos...

      − Artura não qué dizê nada, não, senhô...

      − Pequeno ordenado, repito, uns seis mil réis; mas é de grão em grão que a galinha enche o seu papo. Tu vales muito  mais que uma galinha. Justamente. Pois seis mil réis. No fim de um ano, se andares bem, conta com oito. Oito ou sete.

      Pancrácio aceitou tudo; aceitou até um peteleco que lhe dei no dia seguinte, por me não escovar bem as botas; efeitos da liberdade. Mas eu expliquei-lhe que o peteleco, sendo um impulso natural, não podia anular o direito civil adquirido por um título que lhe dei. Ele continuava livre, eu de mau humor; eram dois estados naturais, quase divinos.

      Tudo compreendeu o meu bom Pancrácio; daí pra cá, tenho-lhe despedido alguns pontapés, um ou outro puxão de orelhas, e chamo-lhe besta quando lhe não chamo filho do diabo; cousas todas que ele recebe humildemente, e (Deus me perdoe!) creio que até alegre. [...]


*Literalmente, “depois do golpe”, “depois do fato”.

                                            (Adaptado de: ASSIS, Machado de. "Bons dias!", Gazeta deNotícias, 19 de maio de 1888)

No segmento
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998: B
999: A
1000: D