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Uma comissão pretende verificar se a regra lógica “se P implica Q e Q implica R, então P implica R” depende dos valores particulares das proposições. Para isso, organizou as oito combinações possíveis de P, Q e R na ordem mostrada na tabela e deixou em aberto a coluna da fórmula composta.

Figura 4 — Tabela-verdade da fórmula composta.
Após completar a última coluna, assinale a alternativa CORRETA.
Em uma amostra de 240 solicitações, 150 foram protocoladas digitalmente, 96 receberam classificação de prioridade e 72 reuniram as duas características. Uma solicitação será escolhida ao acaso entre aquelas que não receberam classificação de prioridade. Além de calcular a probabilidade de ela ter sido protocolada digitalmente, a comissão deseja verificar se os eventos “protocolo digital” e “classificação de prioridade” são independentes na amostra total.
Com base no caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:
Um código temporário de acesso possui cinco posições: duas letras seguidas de três algarismos. As letras são escolhidas entre A, B, C, D e E, sem repetição, e a primeira deve ser uma consoante. Os algarismos são escolhidos entre 0, 1, 2, 3, 4 e 5, admitindo-se repetição, mas o bloco numérico deve conter exatamente um par de algarismos iguais e um terceiro algarismo diferente. A posição do algarismo diferente integra o código.
Considerando todas as restrições simultaneamente, assinale a alternativa CORRETA para o número de códigos possíveis.
Figura 3 — Ponto P no ciclo trigonométrico unitário.
Com base na figura e nas identidades trigonométricas, assinale a alternativa CORRETA:
Para distribuir sensores entre nove pavimentos, uma equipe definiu que as quantidades formariam uma progressão aritmética crescente. O relatório registra duas condições simultâneas: ao todo seriam instalados 315 sensores, e o nono pavimento receberia 32 sensores a mais que o primeiro. Na conferência, é necessário determinar a razão da progressão e os valores extremos sem admitir arredondamentos.
Analise os dados e assinale a alternativa CORRETA:
Durante a migração de um arquivo digital, dois indicadores de carga foram acompanhados após n ciclos completos, com n inteiro e n ≥ 0. O indicador A é dado por A(n) = 5·2ⁿ, enquanto o indicador B é dado por B(n) = 320·2⁻ⁿ. A equipe pretende identificar o ciclo de equilíbrio e comparar o comportamento dos indicadores antes e depois desse ponto.
Com base no modelo exponencial descrito, é CORRETO afirmar que:
Um setor municipal modelou o resultado mensal R, em reais, associado ao processamento de x lotes por meio da função R(x) = −2x² + 120x − 1000, considerando 0 ≤ x ≤ 60. Antes de recomendar uma faixa operacional, a equipe apresentou quatro conclusões fundamentadas no gráfico abaixo.

Figura 2 — Resultado mensal em função da quantidade processada.
Considerando a expressão algébrica e a leitura do gráfico, assinale a alternativa INCORRETA:
Em uma rotina de calibração, um índice real x é considerado administrativamente admissível quando pertence ao intervalo I = [−2, 3). A validação técnica exige, adicionalmente, que o quociente (x + 1)/(x − 2) seja menor ou igual a zero. O valor x = 2 não pertence ao domínio da expressão. A figura destaca o intervalo admissível e os dois pontos que alteram a análise de sinal.

Figura 1 — Intervalo de admissibilidade e pontos críticos.
A partir da figura e das condições apresentadas, assinale a alternativa CORRETA:
Considere o período:
“Embora se tenham encaminhado à comissão todas as informações de que ela necessitava, ainda havia dúvidas quanto à forma como os dados foram apresentados.”
Analise as afirmativas:
I. A forma verbal “tenham” concorda com “todas as informações”, que funciona como sujeito paciente na construção com o pronome “se”.
II. O sinal indicativo de crase em “à comissão” resulta da combinação da preposição exigida por “encaminhar” com o artigo feminino que determina “comissão”.
III. A preposição empregada em “de que ela necessitava” é exigida pela regência do verbo “necessitar”.
IV. A forma “havia” permanece no singular porque o verbo “haver”, empregado com sentido de existir, é impessoal.
V. A conjunção “embora” introduz uma circunstância concessiva, mas o modo subjuntivo empregado em “tenham encaminhado” impede que o encaminhamento seja compreendido como efetivamente realizado.
Está correto o que se afirma em:
Durante a revisão de um relatório, foram encontradas quatro versões de um registro administrativo. Em três delas, existe apenas um desvio, relacionado à concordância ou à regência; na outra, todas as relações estão adequadas à norma-padrão.
Assinale a alternativa inteiramente correta:
Uma servidora revisou quatro comunicados. Em todos eles, as relações de regência estão adequadamente construídas, exceto por eventuais problemas relacionados ao emprego do sinal indicativo de crase.
Assinale a alternativa em que todas as ocorrências estão corretas.
A chefia de um setor solicitou a revisão de uma comunicação destinada aos usuários. A equipe de tecnologia já identificou a falha, iniciou sua correção e prevê o restabelecimento do sistema às 17 horas do dia 8 de setembro de 2026.
Considerando que a nova versão deve transmitir todas as informações relevantes com clareza, concisão, precisão e formalidade, assinale a alternativa mais adequada.
Observe charge a seguir e responda à questão.

A pergunta “E o formulário para explicar o formulário?” pode ser compreendida literalmente como uma solicitação de informação. No contexto global da charge, entretanto, sua estrutura produz um efeito mais complexo.
É correto afirmar que essa pergunta:
Observe charge a seguir e responda à questão.

Considere uma versão hipotética da charge na qual fossem mantidas as mesmas falas, mas o servidor segurasse apenas uma folha curta e não houvesse a pilha de documentos nem o formulário estendido pelo chão.
Qual seria o efeito mais provável dessa alteração?
Observe charge a seguir e responda à questão.

Na charge, o servidor afirma que o preenchimento do formulário simplificará o atendimento. A dimensão exagerada do documento, a pilha de papéis e a pergunta da cidadã constroem uma crítica que depende da articulação entre elementos verbais e não verbais.
Assinale a alternativa correta:
Texto para a questão.
O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA
Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.
Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.
A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.
Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.
Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.
Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.
Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.
A frase “Não se tratava de elogiar o defeito” previne uma interpretação segundo a qual a pane deveria ser considerada positiva. Entretanto, o narrador também reconhece que o acontecimento produziu uma percepção antes ausente.
Assinale a alternativa que preserva simultaneamente essas duas orientações argumentativas.
Texto para a questão.
O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA
Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.
Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.
A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.
Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.
Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.
Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.
Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.
Observe o período:
“O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.”
Um candidato afirmou que a oração destacada seria restritiva porque estabelece um limite temporal para o defeito. Outro sustentou que seria explicativa porque acrescenta uma informação sobre um referente já determinado pelo contexto.
Considerando conjuntamente sintaxe, pontuação e efeito de sentido, assinale a alternativa correta:
Texto para a questão.
O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA
Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.
Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.
A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.
Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.
Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.
Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.
Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.
Um revisor pretende condensar as ideias do terceiro parágrafo, preservando a relação de contraste entre a correção formal do aviso e sua limitada utilidade comunicativa. Para isso, elaborou quatro versões.
Assinale a alternativa cuja pontuação está inteiramente adequada.
Texto para a questão.
O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA
Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.
Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.
A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.
Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.
Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.
Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.
Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.
No último parágrafo, lê-se:
“Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.”
A interpretação do período exige reconhecer as relações entre seus conectores e o sentido figurado atribuído ao verbo “desaparecer”. Assinale a alternativa correta:
Texto para a questão.
O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA
Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.
Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.
A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.
Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.
Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.
Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.
Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.
Assinale a alternativa correta: