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Q4301571 Raciocínio Lógico

Uma comissão pretende verificar se a regra lógica “se P implica Q e Q implica R, então P implica R” depende dos valores particulares das proposições. Para isso, organizou as oito combinações possíveis de P, Q e R na ordem mostrada na tabela e deixou em aberto a coluna da fórmula composta.


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Figura 4 — Tabela-verdade da fórmula composta.


Após completar a última coluna, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q4301570 Estatística

Em uma amostra de 240 solicitações, 150 foram protocoladas digitalmente, 96 receberam classificação de prioridade e 72 reuniram as duas características. Uma solicitação será escolhida ao acaso entre aquelas que não receberam classificação de prioridade. Além de calcular a probabilidade de ela ter sido protocolada digitalmente, a comissão deseja verificar se os eventos “protocolo digital” e “classificação de prioridade” são independentes na amostra total.


Com base no caso descrito, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas
Q4301569 Matemática

Um código temporário de acesso possui cinco posições: duas letras seguidas de três algarismos. As letras são escolhidas entre A, B, C, D e E, sem repetição, e a primeira deve ser uma consoante. Os algarismos são escolhidos entre 0, 1, 2, 3, 4 e 5, admitindo-se repetição, mas o bloco numérico deve conter exatamente um par de algarismos iguais e um terceiro algarismo diferente. A posição do algarismo diferente integra o código.


Considerando todas as restrições simultaneamente, assinale a alternativa CORRETA para o número de códigos possíveis.

Alternativas
Q4301568 Matemática
O deslocamento angular de um equipamento é representado por um ponto P pertencente ao ciclo trigonométrico unitário. Conforme a figura, P tem coordenadas (−3/5, 4/5), e θ é o ângulo orientado medido a partir do semieixo positivo de x até o raio OP. O relatório técnico precisa registrar tan θ e sen(2θ), preservando os sinais determinados pelo quadrante.
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Figura 3 — Ponto P no ciclo trigonométrico unitário. 
Com base na figura e nas identidades trigonométricas, assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q4301567 Matemática

Para distribuir sensores entre nove pavimentos, uma equipe definiu que as quantidades formariam uma progressão aritmética crescente. O relatório registra duas condições simultâneas: ao todo seriam instalados 315 sensores, e o nono pavimento receberia 32 sensores a mais que o primeiro. Na conferência, é necessário determinar a razão da progressão e os valores extremos sem admitir arredondamentos.


Analise os dados e assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas
Q4301566 Matemática

Durante a migração de um arquivo digital, dois indicadores de carga foram acompanhados após n ciclos completos, com n inteiro e n ≥ 0. O indicador A é dado por A(n) = 5·2ⁿ, enquanto o indicador B é dado por B(n) = 320·2⁻ⁿ. A equipe pretende identificar o ciclo de equilíbrio e comparar o comportamento dos indicadores antes e depois desse ponto.


Com base no modelo exponencial descrito, é CORRETO afirmar que:

Alternativas
Q4301565 Matemática

Um setor municipal modelou o resultado mensal R, em reais, associado ao processamento de x lotes por meio da função R(x) = −2x² + 120x − 1000, considerando 0 ≤ x ≤ 60. Antes de recomendar uma faixa operacional, a equipe apresentou quatro conclusões fundamentadas no gráfico abaixo.


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Figura 2 — Resultado mensal em função da quantidade processada.


Considerando a expressão algébrica e a leitura do gráfico, assinale a alternativa INCORRETA: 

Alternativas
Q4301564 Matemática

Em uma rotina de calibração, um índice real x é considerado administrativamente admissível quando pertence ao intervalo I = [−2, 3). A validação técnica exige, adicionalmente, que o quociente (x + 1)/(x − 2) seja menor ou igual a zero. O valor x = 2 não pertence ao domínio da expressão. A figura destaca o intervalo admissível e os dois pontos que alteram a análise de sinal.


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Figura 1 — Intervalo de admissibilidade e pontos críticos.


A partir da figura e das condições apresentadas, assinale a alternativa CORRETA:

Alternativas
Q4301563 Português

Considere o período:


“Embora se tenham encaminhado à comissão todas as informações de que ela necessitava, ainda havia dúvidas quanto à forma como os dados foram apresentados.”


Analise as afirmativas:



I. A forma verbal “tenham” concorda com “todas as informações”, que funciona como sujeito paciente na construção com o pronome “se”.


II. O sinal indicativo de crase em “à comissão” resulta da combinação da preposição exigida por “encaminhar” com o artigo feminino que determina “comissão”.


III. A preposição empregada em “de que ela necessitava” é exigida pela regência do verbo “necessitar”.


IV. A forma “havia” permanece no singular porque o verbo “haver”, empregado com sentido de existir, é impessoal.


V. A conjunção “embora” introduz uma circunstância concessiva, mas o modo subjuntivo empregado em “tenham encaminhado” impede que o encaminhamento seja compreendido como efetivamente realizado.



Está correto o que se afirma em:

Alternativas
Q4301562 Português

Durante a revisão de um relatório, foram encontradas quatro versões de um registro administrativo. Em três delas, existe apenas um desvio, relacionado à concordância ou à regência; na outra, todas as relações estão adequadas à norma-padrão.


Assinale a alternativa inteiramente correta: 

Alternativas
Q4301561 Português

Uma servidora revisou quatro comunicados. Em todos eles, as relações de regência estão adequadamente construídas, exceto por eventuais problemas relacionados ao emprego do sinal indicativo de crase.


Assinale a alternativa em que todas as ocorrências estão corretas.

Alternativas
Q4301560 Redação Oficial

A chefia de um setor solicitou a revisão de uma comunicação destinada aos usuários. A equipe de tecnologia já identificou a falha, iniciou sua correção e prevê o restabelecimento do sistema às 17 horas do dia 8 de setembro de 2026.


Considerando que a nova versão deve transmitir todas as informações relevantes com clareza, concisão, precisão e formalidade, assinale a alternativa mais adequada.

Alternativas
Q4301559 Português

Observe charge a seguir e responda à questão.


A pergunta “E o formulário para explicar o formulário?” pode ser compreendida literalmente como uma solicitação de informação. No contexto global da charge, entretanto, sua estrutura produz um efeito mais complexo.


É correto afirmar que essa pergunta: 

Alternativas
Q4301558 Português

Observe charge a seguir e responda à questão.


Considere uma versão hipotética da charge na qual fossem mantidas as mesmas falas, mas o servidor segurasse apenas uma folha curta e não houvesse a pilha de documentos nem o formulário estendido pelo chão.


Qual seria o efeito mais provável dessa alteração?

Alternativas
Q4301557 Português

Observe charge a seguir e responda à questão.


Na charge, o servidor afirma que o preenchimento do formulário simplificará o atendimento. A dimensão exagerada do documento, a pilha de papéis e a pergunta da cidadã constroem uma crítica que depende da articulação entre elementos verbais e não verbais.


Assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q4301556 Português

Texto para a questão.


O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA


Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.

Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.

A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.

Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.

Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.

Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.


Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.

A frase “Não se tratava de elogiar o defeito” previne uma interpretação segundo a qual a pane deveria ser considerada positiva. Entretanto, o narrador também reconhece que o acontecimento produziu uma percepção antes ausente.


Assinale a alternativa que preserva simultaneamente essas duas orientações argumentativas.

Alternativas
Q4301555 Português

Texto para a questão.


O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA


Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.

Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.

A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.

Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.

Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.

Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.


Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.

Observe o período:


“O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.”


Um candidato afirmou que a oração destacada seria restritiva porque estabelece um limite temporal para o defeito. Outro sustentou que seria explicativa porque acrescenta uma informação sobre um referente já determinado pelo contexto.


Considerando conjuntamente sintaxe, pontuação e efeito de sentido, assinale a alternativa correta: 

Alternativas
Q4301554 Português

Texto para a questão.


O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA


Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.

Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.

A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.

Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.

Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.

Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.


Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.

Um revisor pretende condensar as ideias do terceiro parágrafo, preservando a relação de contraste entre a correção formal do aviso e sua limitada utilidade comunicativa. Para isso, elaborou quatro versões.


Assinale a alternativa cuja pontuação está inteiramente adequada.

Alternativas
Q4301553 Português

Texto para a questão.


O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA


Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.

Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.

A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.

Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.

Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.

Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.


Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.

No último parágrafo, lê-se:


“Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.”


A interpretação do período exige reconhecer as relações entre seus conectores e o sentido figurado atribuído ao verbo “desaparecer”. Assinale a alternativa correta:

Alternativas
Q4301552 Português

Texto para a questão.


O RELÓGIO QUE INTERROMPEU A PRAÇA


Às 14h17 de uma terça-feira, o relógio da praça parou. Nenhum estrondo anunciou o defeito, nenhuma engrenagem caiu sobre os bancos e ninguém pareceu perceber o silêncio dos ponteiros. Na manhã seguinte, porém, moradores que habitualmente atravessavam o lugar sem levantar os olhos passaram a consultar o mostrador imóvel. Era como se esperassem que o relógio confirmasse, por conta própria, a notícia de sua inutilidade.

Durante anos, ele fora obedecido sem ser propriamente observado. Indicava a hora das lojas, apressava estudantes e advertia os atrasados, mas permanecia tão integrado à paisagem quanto as árvores e o calçamento. Bastou que deixasse de funcionar para adquirir biografia: alguns se lembraram de quando fora instalado; outros discutiram se já atrasava antes da pane. O defeito, que duraria quatro dias, transformou um mecanismo discreto em assunto coletivo.

A prefeitura afixou no pedestal um aviso: “Informamos que o equipamento se encontra temporariamente indisponível para a marcação das horas.” A frase não continha erro e descrevia com precisão o estado do relógio; ainda assim, parecia incapaz de responder à pergunta que todos realmente faziam: quando ele voltaria a funcionar? Esse descompasso entre correção formal e utilidade comunicativa fez do aviso uma segunda atração da praça.

Um comerciante reclamou que, sem o relógio, os clientes demoravam mais diante das vitrines. Uma criança perguntou se o tempo também havia parado nas ruas vizinhas. Já o homem encarregado do conserto limitou-se a dizer que uma peça precisaria ser substituída. Cada pessoa explicava a pane com os instrumentos de que dispunha: o comerciante calculava seus efeitos, a criança ampliava suas possibilidades e o técnico delimitava suas causas.

Na sexta-feira, os ponteiros voltaram a avançar. Não houve cerimônia, mas algumas pessoas permaneceram diante do relógio até que o primeiro minuto se completasse. O conserto devolveu movimento ao mecanismo; não devolveu, porém, à praça a antiga indiferença. Por alguns dias, quem passava por ali olhava simultaneamente para a hora e para os demais observadores.

Não se tratava de elogiar o defeito. Serviços públicos existem para funcionar, e a eficiência não precisa do espetáculo da falha para ser reconhecida. O episódio apenas revelou algo menos evidente: certos objetos organizam silenciosamente a vida comum. Embora quase desapareçam quando cumprem bem sua finalidade, tornam-se visíveis quando falham — e, às vezes, também tornam visível a comunidade que se formou ao redor deles.


Texto autoral, elaborado especialmente para esta prova.

Os mecanismos de referenciação garantem a continuidade do texto ao permitirem que informações anteriores sejam retomadas por pronomes, expressões nominais ou elementos elípticos. A identificação do referente depende da compatibilidade gramatical e da coerência produzida no contexto.
Assinale a alternativa correta:
Alternativas
Respostas
61: B
62: B
63: D
64: D
65: D
66: C
67: A
68: A
69: C
70: D
71: B
72: A
73: C
74: D
75: B
76: C
77: D
78: A
79: B
80: C