Questões de Concurso
Para cientista social
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No Brasil, a expulsão com que se processa a proletarização do campesinato é a decorrência direta do aprofundamento da divisão local do trabalho. Todavia, é um processo que se dá dentro dos contornos de divisão do trabalho dos movimentos regionalizados de acumulação primitiva, variando no seu formato segundo esse contexto. É assim que no planalto paulista tem um caráter geral de abrangência do colonato, ao passo que no âmbito nordestino tem caráter parcial, atingindo parcela das formas de trabalho egressas da abolição da escravatura e mantendo outra parcela nos termos instituídos, proletarizando e liberando a primeira e contendo e mantendo a segunda dentro das grandes fazendas de lavoura da mata e de gado do sertão.
MOREIRA, R. Formação Espacial Brasileira. Rio de Janeiro: Consequência, 2012, p. 126. Adaptado.
No contexto mencionado, no planalto paulista ocorre o processo de transferência de força de trabalho do campo para a cidade, que provoca a seguinte consequência:
Ao colocar a reflexão da relação do homem com a natureza no plano da fronteira da geografia com a antropologia e a sociologia, Ratzel praticamente inaugura uma tradição de ver o homem em sua relação com a natureza pela mediação do espaço político do Estado. Nisso difere dos demais criadores das geografias setoriais, que elaboraram uma geografia física pura ou uma geografia humana pura. Daí a forte impressão que dá a sua obra de uma grande virada, e, assim, um novo momento paradigmático na história do pensamento geográfico.
MOREIRA, R. Para Onde vai o Pensamento Geográfico? São Paulo: Contexto, 2006, p. 30. Adaptado.
Na geografia de Ratzel, identifica-se uma distinção dentro do pensamento geográfico em grande medida decorrente de sua referência ao:
A fragmentação e a fragilização que atingiram o campo do trabalho e da produção nas últimas décadas podem ser consideradas componentes essenciais para configurar aquilo que a maioria dos autores denomina como processos de desterritorialização. Em relação ao tema da globalização muitos autores o associam, direta ou indiretamente, a processos de desterritorialização. Nesse sentido, podemos identificar a perspectiva sob a qual, numa interpretação um pouco mais restrita, a ênfase é dada a um dos momentos do processo de globalização – ou ao mais típico -, aquele chamado capitalismo pós-fordista ou capitalismo de acumulação flexível, flexibilidade esta que seria responsável pelo enfraquecimento das bases territoriais ou, mais amplamente, espaciais, em especial na lógica locacional das empresas e no âmbito das relações de trabalho (precarização dos vínculos entre trabalhador e empresa, por exemplo).
HAESBAERT, R. O Mito da Desterritorialização. Bertrand Brasil, 2004, p. 173. Adaptado.
No texto, o processo de desterritorialização é abordado especificamente na perspectiva:
No longo e infindável processo de organização do espaço, o Homem estabeleceu um conjunto de práticas através das quais são criadas, mantidas, desfeitas e refeitas as formas e as interações espaciais. São as práticas espaciais, isto é, um conjunto de ações espacialmente localizadas que impactam diretamente sobre o espaço, alterando-o no todo, em parte ou preservando-o em suas formas e interações espaciais. (...) As práticas são ações que contribuem para garantir os diversos projetos. São meios efetivos através dos quais objetiva-se a gestão do território. (...) Há uma prática espacial por meio da qual o Homem decide sobre um determinado lugar segundo este apresente atributos julgados de interesse ou em condições favoráveis, de acordo com os diversos projetos estabelecidos. A fertilidade do solo, um sítio defensivo, a proximidade da matéria-prima, o acesso ao mercado consumidor ou a presença de um porto, de uma força de trabalho não qualificada e sindicalmente pouco ativa, são alguns exemplos de atributos que podem levar a localizações específicas, definindo essa prática espacial.
CORRÊA, R. Espaço, um conceito-chave da Geografia. In. CASTRO, I. et al. (Org.). Geografia: Conceitos e Temas. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1995, p. 36. Adaptado.
A prática espacial acima mencionada é a:
Trata-se de uma geografia que utiliza a teoria marxista como fundamental para a análise científica. Com ela, pretende-se construir uma sociedade mais equitativa, sem pobreza nem sofrimento, trabalhar para a mudança social e criar uma organização, com uma ação efetiva, dentro da geografia acadêmica. Esta geografia analisa principalmente as relações estruturais dos problemas sociais. Uma das noções básicas é a de que o espaço não pode ser percebido independentemente do objeto de estudo. A geografia quantitativa, pelo contrário, considerava o espaço como uma variável explicativa. Teoricamente o maior contributo deve-se a David Harvey, que recusa igualmente o idealismo, o positivismo e a fenomenologia, porque essas teorias ou se centram sobre o indivíduo, não considerando as limitações à liberdade individual por parte das estruturas sociais, ou esquecem o papel das elites na manipulação das estruturas sociais.
FERREIRA, C.; SIMÕES, N. A Evolução do Pensamento Geográfico. Lisboa: Gradiva, 1986, p. 100. Adaptado.
No texto, são apresentadas as características próprias da Geografia:
I. A ação racional com relação a fins ocorre quando os meios são escolhidos em função de objetivos específicos.
II. A ação racional com relação a valores reflete um compromisso com normas e princípios éticos.
III. A ação tradicional baseia-se na repetição de costumes e práticas consolidadas.
IV. A ação afetiva é guiada pela emoção e pelos estados sentimentais do agente.
Estão corretas as afirmativas:
I. As desigualdades econômicas são reforçadas por disparidades educacionais e de acesso à saúde.
II. A questão racial é uma dimensão fundamental para a compreensão das desigualdades no país.
III. As desigualdades regionais, sobretudo entre Norte e Sul, têm raízes históricas e estruturais.
IV. A mobilidade social no Brasil apresenta altos índices, diminuindo significativamente as desigualdades.
Estão corretas as afirmativas: