Questões de Concurso Para agente educacional

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Q3553852 Pedagogia
Para Libânio (1992), a prática escolar consiste na concretização das condições que asseguram a realização do trabalho docente. Tais condições não se reduzem ao estritamente pedagógico, pois a escola realiza funções que lhe são atribuídas pela sociedade que, por sua vez, é constituída por diversas classes sociais que representam interesses dos mais diversos e divergentes. Com isso, a prática escolar tem condicionantes sociopolíticos que configuram diferentes concepções de sociedade.
A respeito do pensamento desse autor, avalie as afirmações.

I - Uma boa parte dos professores baseia sua prática pedagógica em prescrições que viraram senso comum.
II - Não há professores capazes de perceber o sentido mais amplo de sua prática e de explicitar suas convicções.
III - Os cursos de licenciatura nem sempre fazem correspondência de suas práticas com situações concretas de sala de aula.
IV - Os professores não se apegam à última tendência da moda, são cuidadosos em analisar e refletir se a escolha da prática pedagógica trará resultados esperados.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553851 Pedagogia
Paulo Freire (2013) pondera que deve existir uma reflexão crítica sobre a prática, alinhando teoria e prática na formação docente.
A este respeito, avalie as afirmações a seguir.

I - O discente, desde o princípio de sua formação, deve assumir-se como sujeito também de produção do saber.
II - Desde o princípio de sua experiência formadora, deve convencer-se de que ensinar é transferir conhecimento.
III - O discente deve convencer-se de que ensinar é criar as possibilidades para a produção ou a construção do conhecimento.
IV - O formador é o sujeito em relação a quem me considero o objeto; ele é o sujeito que me forma e, eu, o objeto por ele formado.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553850 Pedagogia
A Portaria SEDUC nº 47, de 17 de dezembro de 2024, dispõe sobre a organização e o funcionamento da Rede de Educação de Contagem. Em seu Art. 6º, a carga horária anual na Educação Infantil será de, no mínimo, 800 (oitocentas) horas, distribuídas em 200 (duzentos) dias letivos, sendo a jornada diária de, no mínimo, 4 (quatro) horas para o turno parcial e de 7 (sete) horas para a jornada integral.
A este respeito, avalie as afirmações seguintes.

I - É vedada a dispensa das crianças pela unidade escolar durante o horário regular de desenvolvimento das atividades pedagógicas.
II - A frequência mínima anual das crianças deverá ser de 60% (sessenta por cento) dos dias letivos.
III - O(A) Professor(a) não é o(a) responsável pela apuração diária da frequência das crianças.
IV - O(A) Secretário(a) Escolar não é o(a) responsável pelo monitoramento das faltas.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553849 Pedagogia
Libânio (1992) propõe que o qualificativo dos conteúdos é utilizado como forma de acentuar a função da escola, de transmitir o saber e sua apropriação pelos alunos.
Nesse sentido, avalie o que se afirma sobre a definição de "saber escolar".

I - Conjunto dos conhecimentos selecionados entre os bem culturais disponíveis, enquanto patrimônio coletivo da sociedade.
II - Conjunto de informações a serem depositadas na cabeça do aluno.
III - Conhecimento produzido, historicamente, na relação entre as classes sociais.
IV - Conhecimento produzido nas relações econômicas e políticas.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553848 Pedagogia
A Portaria SEDUC nº 047, de 17 de dezembro de 2024, dispõe sobre a organização e o funcionamento da Rede de Educação de Contagem. O Capítulo I trata da Educação Infantil. Em seu Art. 5º, preconiza que a avaliação na Educação Infantil é um dos elementos do processo educativo e deve estar articulada ao planejamento, à observação e ao registro, constituindo-se um importante processo de trabalho para os profissionais da Educação Infantil.
Indique se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma a respeito da avaliação na Educação Infantil.

( ) Deve ser mediadora e acolhedora, possibilitando a criação de novas estratégias que garantam o desenvolvimento integral das crianças.
( ) Não pode assumir, em hipótese alguma, o caráter de julgar, reprovar, selecionar, promover ou classificar a criança.
( ) Não pode subsidiar-se de instrumentos de registros a partir das pautas de observação e do relato do trabalho desenvolvido com a turma.
( ) O relatório individual e os recursos que permitam a reflexão não oferecem base para subsidiar o desenvolvimento de cada criança.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
Alternativas
Q3553847 Pedagogia
Conforme Libânio (1992), as tendências pedagógicas têm-se firmado nas escolas pela prática dos professores. É necessário lembrar que as tendências não aparecem em sua forma pura e nem sempre são exclusivas. O autor utiliza a classificação das tendências como instrumentos de análise para explicitar a prática docente em sala de aula, sendo classificadas em Pedagogia Liberal e Pedagogia Progressista.
Associe corretamente a coluna dos tipos de Pedagogia à coluna das tendências pedagógicas.

TIPOS DE PEDAGOGIA
1 - Liberal
2 - Progressista

TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS
( ) Tradicional
( ) Libertadora
( ) Renovada Progressivista
( ) Renovada não diretiva
( ) Libertária
( ) Crítico social dos conteúdos
( ) Tecnicista

A sequência correta dessa associação é:
Alternativas
Q3553846 Pedagogia
Avalie as afirmações, inclusive as de Luckesi (2011), para diferenciar o termo “avaliação” do termo “verificação”.

I - A avaliação, diferentemente da verificação, envolve um ato que ultrapassa a obtenção da configuração do objeto, exigindo decisão do que fazer ante ou com ele.
II - Os professores mostram-se mais preocupados em atribuir notas ao desempenho dos alunos, como se, à medida que expressam os resultados, isso fosse o mais importante aspecto da avaliação em vez de seu significado e, principalmente, sua função.
III - A verificação é uma ação que congela o objeto; a avaliação, direciona o objeto numa trilha dinâmica de ação.
IV - A escola brasileira opera com a avaliação da aprendizagem e não com verificação.
V - A verificação envolve um ato que ultrapassa a configuração, a obtenção do objeto e exige uma decisão do que fazer.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553845 Pedagogia
Segundo Freire (2013, p.24-25), “[...] o formador é o sujeito em relação a quem me considero o objeto, que ele é o sujeito que me forma e eu, o objeto por ele formado, me considero como um paciente que recebe os conhecimentos” [...] “nesta forma de compreender e de viver o processo formador, eu objeto agora, terei a possibilidade, amanhã de me tornar o falso sujeito da formação do futuro objeto de meu ato formador”.
A este respeito, avalie os enunciados a seguir.

I - Desde o início do processo de aprendizagem, não fica cada vez mais nítido que, embora sejam pessoas diferentes, quem forma também se forma e (re) forma ao formar.
II - Quem é formado, forma-se e forma ao ser formado.
III - Formar é a ação pela qual um sujeito criador dá forma, estilo ou alma a um corpo indeciso e acomodado.
IV - Não há docência sem discência, as duas se explicam e seus sujeitos, apesar das diferenças que os conotam, não se reduzem a condição de objeto um do outro.

Está correto, apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553844 Pedagogia
Conforme Libânio (1992), a democratização da escola tem sido abordada de diferentes formas. Embora os órgãos oficiais favoreçam o acesso das camadas mais desfavorecidas da população à escola, na prática não dão condições mínimas que garantam a qualidade do ensino. Na verdade, não é suficiente a democratização do processo de tomada de decisão.
Nesse sentido, avalie as afirmações sobre o processo de democratização da escola.

I - A democratização do ensino é não ajudar os alunos na formação de sua personalidade social e sim na sua organização individual.
II - É preciso democratizar o conhecimento, buscar adequação pedagógica à clientela que frequenta a escola pública.
III - Não é preciso buscar contribuição para a educação escolar, pois a democratização da sociedade cumpre a sua função básica, que é o ensino.
IV - Democratizar o ensino é ajudar os alunos a se expressarem bem, a se comunicarem de diversas formas, a desenvolverem o gosto pelo estudo e a dominarem o saber escolar.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553843 Pedagogia
Luckesi (2011), ao falar a respeito de avaliação, reflete e substitui a especificação dada pelo dicionário que define avaliação como um ajuizamento de valor por “juízo de qualidade”, que ultrapassa os limites instrumentais e quantitativos que a avaliação da aprendizagem representa. Vale lembrar que esse autor pondera a respeito do aspecto quantitativo que a terminologia “valor” sugere, traduzindo o erro ou o acerto dos alunos em determinadas questões de qualquer atividade avaliativa.
A este respeito, avalie o que se afirma.

I - Demo (1988), Luckesi (1996 e 2000), Giné (1998), Melchior (1999), Perrenoud (1999), Hoffmann (1999 e 2001), Fonseca ( 1999), Hadji (2001), dentre outros, vêm criticar práticas com ajuizamento de valor, pois compreendem a avaliação como parte integrante do projeto pedagógico da escola.
II - A avaliação dentro do projeto pedagógico é um procedimento simplesmente técnico.
III - Avaliação não significa que se tenha que desprezar ou abolir as práticas avaliativas quantitativas.
IV - Sob a ótica de juízo de valor, a avaliação não tem sido utilizada como aferição, como julgamento do aluno, atribuindo-se “valores” que, supostamente, “medem” o que ele aprendeu, ou não, e que o promovem ou que o reprovam.

Na perspectiva de Luckesi, está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Q3553842 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Leia os textos a seguir.

TEXTO I
“Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde.”

TEXTO II

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://pigarts.blogspot.com/2014/11/turma-do-xaxado-antonio-cedraz.html

Informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma acerca da concordância e da regência verbais.
( ) No último quadrinho da tira, os verbos “abrir” e “virar” apresentam a mesma regência.
( ) No Texto I, o verbo “frequentar” deve ficar no plural para concordar com “pesadelos e lanches”.
( ) No segundo quadrinho da tira, há desvio da norma-padrão no uso da regência do verbo “estocar”.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
Alternativas
Q3553841 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
No trecho “Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.”, a colocação do pronome oblíquo átono “o” é
Alternativas
Q3553840 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
A linguagem coloquial, também chamada de linguagem informal ou linguagem popular, só NÃO está presente na frase
Alternativas
Q3553839 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Leia a seguinte passagem transcrita do texto para analisar o emprego dos sinais de pontuação.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.
Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo.
Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Nesse sentido, é correto afirmar que
Alternativas
Q3553838 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Nos fragmentos transcritos do texto, observa-se a presença de recursos linguístico-gramaticais que auxiliam na construção e na manutenção da coesão e da coerência textuais.
A respeito desses recursos, avalie as informações a seguir.

I – O substantivo “frase” é o referente do termo destacado na passagem textual “... eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina.”.
II – O uso do acento indicativo de crase no trecho “que apaziguariam a criança angustiada que fui...” é de rigor, pois o verbo “apaziguar”, no sentido de “acalmar”, é regido pela preposição “a”.
III – A coesão textual na frase “E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus ‘chambinhos’ e ‘danoninhos’ existenciais.” é construída por palavras no diminutivo que indicam progressividade.

Está correto apenas o que se afirma em 
Alternativas
Q3553837 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Com base nos dois textos seguintes, informe se é verdadeiro (V) ou falso (F) o que se afirma sobre a análise sintática dos elementos das frases.

TEXTO I
“Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.”

TEXTO II

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://www.facebook.com/photo.php?fbid=915884696562582&id=100044231809470&set=a.575462900604765. +
( ) Em “... uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos” (Texto I), o sujeito é composto.
( ) No primeiro quadrinho do Texto II, o período é composto por coordenação devido à presença das conjunções “que” e “e”.
( ) No Texto I, a oração “que estava desenhada com uniforme de operária.”, introduzida pelo pronome relativo “que”, é chamada de adjetiva.
( ) No período “A cigarra é uma artista.” (Texto II), o adjetivo “artista” exemplifica um predicativo, pois exprime um atributo do termo “cigarra”.

De acordo com as afirmações, a sequência correta é:
Alternativas
Q3553836 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Em um dos parágrafos do texto, a autora indaga os parentes de sua época se não poderia ser uma “cigarra-formiga”.

A frase transcrita do texto que sintetiza a ideia projetada na criação do termo mesclado em destaque é:
Alternativas
Q3553835 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Preencha corretamente as lacunas do texto.

O primeiro parágrafo do texto apresenta uma construção textual pertencente ao tipo __________, no qual predomina a função __________ da linguagem, entre outros aspectos pelo uso de verbos em primeira pessoa. Com ele, um dos propósitos da autora é o de iniciar seu relato com um/uma __________ que fará acerca de conhecido e famoso clássico da literatura infantil, citando, inclusive, seu autor.

A sequência que preenche corretamente as lacunas do texto é:
Alternativas
Q3553834 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Acerca do texto e da figura que o encabeça, é correto afirmar que o ilustrador, Marcelo Martinez,
Alternativas
Q3553833 Português
A QUESTÃO SE REFERE AO TEXTO SEGUINTE.

Tão cigarra quanto formiga


Ilustração de Marcelo Martinez - Marcelo Martinez/Folhapress. Adaptado.


Era um conjunto de prato e cumbuca, feito de uma melamina tão rígida quanto os valores da época. A mais dura – e plástica – fábula de Esopo, pronta para servir à mesa um verdadeiro tesouro moral para a juventude. Comprado na Mesbla (antiga loja de departamentos) por alguma tia de espírito nobre, me foi presenteado assim que aprendi a ler. E mais do que aparelho de jantar mirim, serviu de aparato ideológico para almoços e jantares de tantos pirralhos enjoados para comer.

Alegre, livre e tocando viola no alto de um cogumelo, uma cigarra com cabelo de astro da jovem guarda ilustrava o mais raso dos pratos. Durante todas as refeições da minha infância, recebeu olhares de reprovação por parte de uma formiga seríssima que estava desenhada com uniforme de operária.

Saboreando letras e legumes com avidez inversamente proporcional, eu catava a frase que só reaparecia quando eu já havia comido tudo, feito uma boa menina. Meu feijão com arroz emocional: "A cigarra só cantava, e a formiga trabalhava".

Na cumbuca de sobremesa, feito a cereja dessa lição de caráter e força de vontade, uma imagem que frequentou pesadelos e lanches da tarde. Humilhada, passando perrengue e sobretudo recibo de vida louca, a cigarra diante da casa da formiga, mas debaixo de outra sentença condenatória. O "eu te disse, eu te disse" das parábolas infantis: "quem canta todo verão no inverno fica sem pão".

Apavorada pelas consequências terríveis da boemia fanfarrona da cigarra, azucrinei todos os parentes tentando descobrir que tipo de inseto eu poderia ser quando crescesse. "Não existe cigarra-formiga?" E chorava lágrimas grossas, que inundavam meus "chambinhos" e "danoninhos" existenciais.

De lá para cá, uma existência inteira fazendo planos e pés-de-meia. Tentando equilibrar novos pratinhos – prazer, dever, culpa, família, horas extras e pernas para cima – com alguma sanidade, igual a qualquer adulto.

Até que numa madrugada insone, fazendo higiene mental em sites de leilão online, tive meu maior insight "psicocacarequeiro": achei o conjunto completo. Contendo as peças que faltavam e que eu nunca soube que sequer existiam.

Entre elas, o Santo Graal dos copinhos. Aquele que poderia ter contido todos os bálsamos e "Fantas uva" que apaziguariam a criança angustiada que fui, justamente por conter também as duas personagens abraçadinhas. E os dizeres: "uma hora para brincar e outra para trabalhar".

Esse fim da história nós, cigarras-formigas com louvor, sempre o merecemos.

Braune, Bia. Tão cigarra quanto formiga. Folha de São Paulo, Opinião, 25.ago.2024. 
Considere o texto e o posicionamento da autora e avalie as seguintes afirmações.

I – Reafirma-se, nessa reescritura de “A cigarra e a formiga”, ainda que com palavras diferentes, uma reaproximação fiel da obra original do fabulista Esopo.
II – Busca-se dar uma nova forma ao texto original, revivendo e recriando a fábula da tradição oral e fazendo emergir dela um novo olhar e um novo sentido.
III – Percebe-se, desde o título, uma tentativa de atualização do texto-fonte, com um reforço da moral da história clássica, repetindo-se o ensinamento transmitido ao leitor daquela época.
IV – Observa-se o deslocamento da ideia central da fábula, com a inversão de sentido, introduzindo-se uma leitura crítico-reflexiva feita pelo narrador em primeira pessoa.

Está correto apenas o que se afirma em
Alternativas
Respostas
581: C
582: B
583: B
584: B
585: B
586: A
587: A
588: D
589: D
590: C
591: B
592: A
593: D
594: A
595: A
596: C
597: B
598: C
599: D
600: D