Questões de Concurso Para analista de geoprocessamento

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Q866828 Português

                           A sociedade do medo

O filósofo Vladimir Safatle afirma que o medo se transformou em um elemento de coesão de uma sociedade refém de um discurso de crise permanente


[...]

No seu Quando as Ruas Queimam: Manifesto pela Emergência, você diz que nossa época vai passar para a história como o momento em que a crise virou uma forma de governo. Você está falando do medo que é gerado pela crise?


Sim, como efeito. É importante entender como o discurso da crise se transformou num modo de gestão social. As crises vêm para não passar. Por exemplo, nós vivemos numa crise global há oito anos. Isso do lado socioeconômico. No que diz respeito aos problemas de segurança, vivemos uma situação de emergência há quinze anos, desde 2001. Ou seja, são situações nas quais vários direitos vão sendo flexibilizados, em que os governos vão tendo a possibilidade de intervir na vida privada dos seus cidadãos em nome de sua própria segurança. É muito mais fácil você gerir uma sociedade em crise. Então, a sociedade em crise é uma sociedade, primeiro, amedrontada; segundo, é uma sociedade aberta a toda forma de intervenção do poder soberano, mesmo aqueles que quebram as regras, quebram as normas constitucionais. Como estamos em uma situação excepcional, essas quebras começam a virar coisa normal. Esses discursos a respeito da luta contra a crise são muito claros no sentido de impedir a sociedade de reagir. Não se reage porque “a situação é de crise”.


E aí entra o medo.


Exatamente. Aí entra um pouco essa maneira de transformar o medo num elemento fundamental da gestão social. Ou seja, o medo produzido, em larga medida, potencializado, administrado, gerenciado. É o gerenciamento do medo como única forma de construir coesão hoje em dia. Nós podemos construir coesão a partir da partilha de ideias; só que, quando a sociedade chega no ponto em que ela desconfia dos ideais que lhe foram apresentados como consensuais, quando desconfia das gramáticas sociais que são responsáveis pela mediação dos conflitos, não resta outra coisa a não ser um tipo de coesão negativa. Não coesão por algo que todos afirmam, mas uma coesão através de algo que todos negam. 


Quando você fala da gestão da crise, quem são os agentes? O poder constituído do Estado, os agentes financeiros, o corpo social?


De fato, o discurso da maneira como eu estava colocando pode dar um pouco a impressão de que há uma espécie de grande sujeito por trás. Eu diria que o que acontece é: nós partilhamos de um modo de existência que, por não conseguir realizar as suas próprias promessas, e também por impedir uma abertura em direção a outros modos de existência, começa a funcionar numa chave de conservação. É importante falar de modos de existência porque isso tira um pouco a figura do sujeito que delibera. 

Então temos, sei lá, o poder do Estado, a burocracia que controla o poder do Estado, o capital financeiro. É inegável que haja de fato projetos de grupos nos modos de gestão social, mas para além disso há uma coisa muito mais brutal: uma forma de racionalidade que se transformou para nós em um elemento quase natural, que faz com que todos comecem a pensar dessa maneira. Essa forma de racionalidade, que acaba operando esses processos de dominação, deixa uma situação mais complexa. Não se trata simplesmente de subverter o poder, mas de pensar de outra maneira, o que é muito mais complicado do que pode parecer.


Quais são os instrumentos de que dispomos pra romper com essa racionalidade, com esse circuito baseado no medo? O que fazer?


Tenho duas colocações a fazer. A primeira é: muitos acreditam que a melhor maneira de se contrapor a circuitos de afetos vinculados ao medo seja constituir outros circuitos vinculados aos afetos que seriam o oposto ao medo – por exemplo, a esperança. Só que aí há uma reflexão muito interessante, de toda uma tradição filosófica, de insistir que o medo e a esperança não são afetos contraditórios – são complementares. O que é o medo a não ser a expectativa de um mal que pode ocorrer? O que é a esperança a não ser a expectativa de um bem que pode ocorrer? Quem tem a expectativa de que um mal ocorra, também espera que esse mal não ocorra. Da mesma maneira, quem tem a expectativa de que um bem ocorra, teme que esse bem não ocorra. Então, a reversão contínua de um polo a outro, da esperança ao medo, é uma constante, porque são dois tipos de afetos ligados a um mesmo modo de experiência temporal. São afetos ligados à projeção de um horizonte de expectativas. Nesse sentido, toda forma de pensar o tempo de maneira simétrica vai produzir resultados simétricos. Então, um outro afeto seria necessariamente um afeto que teria uma outra relação com a ideia de acontecimento.

[...]

Freitas, Almir. Disponível em: <https://goo.gl/qggKy8>. Acesso em: 27 set. 2017 [Fragmento adaptado].

De acordo com o texto, não se pode afirmar:
Alternativas
Q866827 Português

                           A sociedade do medo

O filósofo Vladimir Safatle afirma que o medo se transformou em um elemento de coesão de uma sociedade refém de um discurso de crise permanente


[...]

No seu Quando as Ruas Queimam: Manifesto pela Emergência, você diz que nossa época vai passar para a história como o momento em que a crise virou uma forma de governo. Você está falando do medo que é gerado pela crise?


Sim, como efeito. É importante entender como o discurso da crise se transformou num modo de gestão social. As crises vêm para não passar. Por exemplo, nós vivemos numa crise global há oito anos. Isso do lado socioeconômico. No que diz respeito aos problemas de segurança, vivemos uma situação de emergência há quinze anos, desde 2001. Ou seja, são situações nas quais vários direitos vão sendo flexibilizados, em que os governos vão tendo a possibilidade de intervir na vida privada dos seus cidadãos em nome de sua própria segurança. É muito mais fácil você gerir uma sociedade em crise. Então, a sociedade em crise é uma sociedade, primeiro, amedrontada; segundo, é uma sociedade aberta a toda forma de intervenção do poder soberano, mesmo aqueles que quebram as regras, quebram as normas constitucionais. Como estamos em uma situação excepcional, essas quebras começam a virar coisa normal. Esses discursos a respeito da luta contra a crise são muito claros no sentido de impedir a sociedade de reagir. Não se reage porque “a situação é de crise”.


E aí entra o medo.


Exatamente. Aí entra um pouco essa maneira de transformar o medo num elemento fundamental da gestão social. Ou seja, o medo produzido, em larga medida, potencializado, administrado, gerenciado. É o gerenciamento do medo como única forma de construir coesão hoje em dia. Nós podemos construir coesão a partir da partilha de ideias; só que, quando a sociedade chega no ponto em que ela desconfia dos ideais que lhe foram apresentados como consensuais, quando desconfia das gramáticas sociais que são responsáveis pela mediação dos conflitos, não resta outra coisa a não ser um tipo de coesão negativa. Não coesão por algo que todos afirmam, mas uma coesão através de algo que todos negam. 


Quando você fala da gestão da crise, quem são os agentes? O poder constituído do Estado, os agentes financeiros, o corpo social?


De fato, o discurso da maneira como eu estava colocando pode dar um pouco a impressão de que há uma espécie de grande sujeito por trás. Eu diria que o que acontece é: nós partilhamos de um modo de existência que, por não conseguir realizar as suas próprias promessas, e também por impedir uma abertura em direção a outros modos de existência, começa a funcionar numa chave de conservação. É importante falar de modos de existência porque isso tira um pouco a figura do sujeito que delibera. 

Então temos, sei lá, o poder do Estado, a burocracia que controla o poder do Estado, o capital financeiro. É inegável que haja de fato projetos de grupos nos modos de gestão social, mas para além disso há uma coisa muito mais brutal: uma forma de racionalidade que se transformou para nós em um elemento quase natural, que faz com que todos comecem a pensar dessa maneira. Essa forma de racionalidade, que acaba operando esses processos de dominação, deixa uma situação mais complexa. Não se trata simplesmente de subverter o poder, mas de pensar de outra maneira, o que é muito mais complicado do que pode parecer.


Quais são os instrumentos de que dispomos pra romper com essa racionalidade, com esse circuito baseado no medo? O que fazer?


Tenho duas colocações a fazer. A primeira é: muitos acreditam que a melhor maneira de se contrapor a circuitos de afetos vinculados ao medo seja constituir outros circuitos vinculados aos afetos que seriam o oposto ao medo – por exemplo, a esperança. Só que aí há uma reflexão muito interessante, de toda uma tradição filosófica, de insistir que o medo e a esperança não são afetos contraditórios – são complementares. O que é o medo a não ser a expectativa de um mal que pode ocorrer? O que é a esperança a não ser a expectativa de um bem que pode ocorrer? Quem tem a expectativa de que um mal ocorra, também espera que esse mal não ocorra. Da mesma maneira, quem tem a expectativa de que um bem ocorra, teme que esse bem não ocorra. Então, a reversão contínua de um polo a outro, da esperança ao medo, é uma constante, porque são dois tipos de afetos ligados a um mesmo modo de experiência temporal. São afetos ligados à projeção de um horizonte de expectativas. Nesse sentido, toda forma de pensar o tempo de maneira simétrica vai produzir resultados simétricos. Então, um outro afeto seria necessariamente um afeto que teria uma outra relação com a ideia de acontecimento.

[...]

Freitas, Almir. Disponível em: <https://goo.gl/qggKy8>. Acesso em: 27 set. 2017 [Fragmento adaptado].

Considere as afirmativas a seguir.


I. Existe a possibilidade da coesão pela aceitação e pela discordância de ideias.

II. Os discursos contra crise visam conformar as pessoas às atitudes tomadas pelo governo.

III. Medo e esperança, sob uma perspectiva filosófica, são sentimentos iguais.


De acordo com o texto, estão corretas as afirmativas:

Alternativas
Q1702219 Geografia

A área do terreno formado pelos vértices A, B, C e D é de:


Vértice       X (m)        Y (m)

    A           15000      15000

    B           20000      10000

  C           12000      7000

    D           10000      12000

Alternativas
Q1702218 Geografia
Qual é o rumo equivalente à orientação de 127º53’ azimute?
Alternativas
Q1702217 Geografia
Para geração de um Mapa de Fragilidade Ambiental em um SIG, quais planos de informações geralmente são utilizados?
Alternativas
Q1702216 Noções de Informática
Para adicionar um campo de informações na tabela de atributos de um Layer no software ArcGIS (versão 10.3), quais são os procedimentos?
Alternativas
Q1702215 Noções de Informática
Para a classificação de imagens orientada a objetos no software Envi (versão 5.2), qual opção deve ser selecionada em “Toolbox”?
Alternativas
Q1702214 Geografia
Para se alterar a representação em tela da composição colorida de uma imagem multiespectral no software Erdas (versão 2014), deve-se
Alternativas
Q1702213 Geografia
Assinale a alternativa que apresenta o procedimento válido para realizar uma classificação automática supervisionada de uso do solo em imagens do sensor MUX do satélite CBERS 4 por meio do software ArcGIS (versão 10.3).
Alternativas
Q1702212 Geografia
Para um mapeamento cadastral de novos imóveis em um município, quais são os procedimentos adequados?
Alternativas
Q1702211 Geografia
A transformação por componentes principais é uma técnica utilizada normalmente para
Alternativas
Q1702210 Geografia
A qual tipo de filtro a máscara apresentada a seguir se refere? Qual é a ação da aplicação do filtro?
–1 –1 –1 –1 +8 –1 –1 –1 –1
Alternativas
Q1702209 Geografia
Por meio de um nível óptico posicionado entre os pontos A e B, fez-se a leitura do fio-médio obtendo-se os valores de Ré (A) = 1,45 e Vante (B) = 3,02. Sabe-se que a cota altimétrica do terreno no ponto A é de 210,05 m e a distância entre os pontos A e B é de 25,07 m. Qual é a cota altimétrica do terreno no ponto B?
Alternativas
Q1702208 Geografia
Na elaboração de um plano de manejo, deverá ser criada uma zona de amortecimento em uma faixa de 10 km no entorno da unidade de conservação. Considerando-se que o limite da unidade de conservação foi vetorizado em um SIG, quais são, respectivamente, o nome da operação mais indicada para delimitar a zona de amortecimento e o nome do comando para executá-la no software AutoCAD (versão 2015)?
Alternativas
Q1702207 Geografia
Quanto maior a resolução radiométrica de imagens obtidas por meio de sensoriamento remoto, maior é a capacidade de o sensor
Alternativas
Q1702206 Geografia
Os veículos aéreos não tripulados (VANT) são plataformas de sensoriamento remoto que, voando em altitudes de 100 m e equipadas com câmeras digitais convencionais de pequeno formato, comparadas às plataformas orbitais de resolução espacial alta, apresentam
Alternativas
Q1702203 Geografia
Qual comprimento de onda é mais indicado para diferenciar a grama sadia da grama sintética?
Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q1702202 Geografia
Atualmente é possível a realização de mapeamentos com veículo aéreo não tripulado (VANT) embarcando câmeras digitais de pequeno formato e não calibradas, utilizando-se de estereoscopia para mosaicagem e geração de MDS. Para a obtenção de imagens nesses casos, quais são, respectivamente, os recobrimentos longitudinais e entre faixas de voo das fotografias aéreas mais adequados?
Alternativas
Q1702201 Geografia
Quais elementos da imagem são normalmente utilizados para distinguir, por meio de fotointerpretação em uma fotografia aérea, estágios de regeneração da vegetação dentro de um fragmento de vegetação de mata atlântica?
Alternativas
Q1702200 Geografia
É correto afirmar que o método de posicionamento por GPS denominado RTK
Alternativas
Respostas
81: B
82: A
83: C
84: B
85: D
86: C
87: E
88: A
89: A
90: E
91: B
92: B
93: D
94: A
95: D
96: E
97: E
98: D
99: B
100: C