Questões de Concurso Para agente de combate a endemias

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Q3713870 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere a seguinte sentença, retirada do texto: “Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir.” Em relação às categorias gramaticais, as palavras “farsante”, “ela”, “antes” e “de” são, respectivamente:
Alternativas
Q3713869 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere o seguinte excerto, retirado do texto: “Esses dois, se um morrer, o outro se suicida.” Neste contexto, a palavra “se” atua, respectivamente, como:
Alternativas
Q3713868 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere a seguinte sentença, retirada do texto: “O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?” Neste contexto, o emprego da crase em “àquela” ocorre em função da:
Alternativas
Q3713867 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Considere os seguintes excertos, retirados do texto:
I. “Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles.”
II. “Como era mesmo que ele tinha dito?” III. “O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?”

Nas sentenças dadas, a palavra “que” atua de diferentes formas. É conjunção integrante apenas em:
Alternativas
Q3713866 Português
O encontro

Ela o encontrou pensativo em frente aos vinhos importados. Quis virar, mas era tarde, o carrinho dela parou junto ao pé dele. Ele a encarou, primeiro sem expressão, depois com surpresa, depois com embaraço, e no fim os dois sorriram. Tinham estado casados seis anos e separados, um, e aquela era a primeira vez que se encontravam depois da separação. Sorriram, e ele falou antes dela; quase falaram ao mesmo tempo.

― Você está morando por aqui?

― Na casa do papai.

Na casa do papai! Ele sacudiu a cabeça, fingiu que arrumava alguma coisa dentro do seu carrinho ― enlatados, bolachas, muitas garrafas ― tudo para ela não ver que ele estava muito emocionado. Soubera da morte do ex-sogro, mas não se animara a ir ao enterro. Fora logo depois da separação, ele não tivera coragem de ir dar condolências formais à mulher que, uma semana antes, ele chamara de vaca. Como era mesmo que ele tinha dito? “Tu és uma vaca sem coração!” Ela não tinha nada de vaca, era uma mulher esbelta, mas não lhe ocorrera outro insulto. Fora a última palavra que ele lhe dissera. E ela lhe chamara de farsante. Achou melhor não perguntar pela mãe dela.

― E você? ― perguntou ela, ainda sorrindo. Continuava bonita…

― Tenho um apartamento aqui perto.

Fizera bem em não ir ao enterro do velho. Melhor que o primeiro reencontro fosse assim, informal, num supermercado, à noite. O que é que ela estaria fazendo ali àquela hora?

― Você sempre faz compras de madrugada?

Meu Deus, pensou, será que ela vai tomar a pergunta como ironia?

Esse tinha sido um dos problemas do casamento, ele nunca sabia como ela ia interpretar o que ele dizia. Por isso, ele a chamara de vaca, no fim. Vaca não deixava dúvidas de que ele a desprezava. 

― Não, não. É que estou com uns amigos lá em casa, resolvemos fazer alguma coisa para comer e não tinha nada em casa.

― Curioso, eu também tenho gente lá em casa e vim comprar bebidas, patê, essas coisas.

― Gozado.

Ela dissera uns amigos. Seria alguém do seu tempo? A velha turma? Ele nunca mais vira os antigos amigos do casal. Ela sempre fora mais social do que ele. Quem sabe era um amigo? Ela era uma mulher bonita, esbelta, claro que podia ter namorados, a vaca. E ela estava pensando: ele odiava festas, odiava ter gente em casa. Programa, para ele, era ir para casa do papai jogar buraco. Agora tem amigos em casa. Ou será uma amiga? Afinal, ele ainda era moço… Deixara a amiga no apartamento e viera fazer compras. E comprava vinhos importados, o farsante. Ele pensou: ela não sente minha falta. Tem a casa cheia de amigos. E na certa viu que eu fiquei engasgado ao vê-la, pensa que eu sinto falta dela. Mas não vai ter essa satisfação, não senhora.

― Meu estoque de bebidas não dura muito. Tem sempre gente lá em casa ― disse ele.

― Lá em casa também é uma festa atrás da outra.

― Você sempre gostou de festas.

― E você, não.

― A gente muda, né? Muda de hábitos…

― Tou vendo.

― Você não me reconheceria se viesse viver comigo outra vez.

Ela, ainda sorrindo:

― Que Deus me livre.

Os dois riram. Era um encontro informal. Durante seis anos, tinham se amado muito. Não podiam viver um sem o outro. Os amigos diziam: Esses dois, se um morrer, o outro se suicida. Os amigos não sabiam que havia sempre uma ameaça de mal-entendido entre eles. Eles se amavam mas não se entendiam. Era como se o amor fosse mais forte, porque substituía o entendimento, tinha função acumulada. Ela interpretava o que ele dizia, ele não queria dizer nada. Passaram juntos pela caixa, ele não ofereceu para pagar, afinal era com a pensão que ele lhe pagava que ela dava festas para uns amigos. Ele pensou em perguntar pela mãe dela, ela pensou em perguntar se ele estava bem, se aquele problema do ácido úrico não voltara, começaram os dois a falar ao mesmo tempo, riram, depois se despediram sem dizer mais nada. Quando ela chegou em casa ainda ouviu a mãe resmungar, da cama, que ela precisava acabar com aquela história de fazer as compras de madrugada, que ela precisava ter amigos, fazer alguma coisa, em vez de ficar lamentando o marido perdido. Ela não disse nada. Guardou as compras antes de ir dormir. Quando ele chegou no apartamento, abriu uma lata de patê, o pacote de bolachas, abriu o vinho português, ficou bebendo e comendo sozinho, até ter sono e aí foi dormir. Aquele farsante, pensou ela, antes de dormir. Aquela vaca, pensou ele, antes de dormir.

Luís Fernando Veríssimo. Ed Mort – todas as histórias. 1ª Ed. São Paulo: Objetiva, 2011.
Na tentativa de passarem uma imagem positiva de si, um ao outro, ambos os personagens fingem uma situação que justifica sua ida ao mercado durante a madrugada. A postura orgulhosa de um deles é evidenciada no trecho:
Alternativas
Q3676393 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Por que é tão boa a sensação de comer chocolate, segundo cientistas 

Cientistas analisaram o processo que ocorre quando comemos chocolate, com foco mais na textura do que no sabor.

Eles afirmam que o local onde a gordura se localiza dentro do chocolate ajuda a torná-lo suave e agradável ao paladar.

O líder do estudo, Siavash Soltanahmadi, espera que as descobertas levem ao desenvolvimento de uma próxima geração de chocolate mais saudável.

Quando o chocolate é colocado na boca, a superfície dele libera uma película gordurosa que dá essa sensação característica.

Mas os pesquisadores afirmam que a gordura mais profunda dentro do chocolate desempenha um papel mais limitado e, portanto, a quantidade ali pode ser reduzida sem que a sensação proporcionada pelo chocolate seja afetada.

A professora Anwesha Sarkar, da Escola de Ciência Alimentar e Nutrição de Leeds, disse que é "a localização da gordura na composição do chocolate que importa em cada estágio da lubrificação, e isso raramente foi pesquisado".

E Soltanahmadi disse: "Nossa pesquisa abre a possibilidade para que os fabricantes possam projetar, de forma inteligente, o chocolate amargo para reduzir o total de gordura".

A equipe usou uma superfície 3D semelhante a uma língua artificial projetada na Universidade de Leeds para realizar o estudo e os pesquisadores esperam que o mesmo equipamento possa ser usado para investigar outros alimentos que mudam de textura, como sorvete, margarina e queijo.

https://www.bbc.com/portuguese/geral-64277147. Adaptado.
Nossa pesquisa abre a possibilidade para que os fabricantes possam projetar, de forma inteligente, o chocolate amargo para reduzir o total de gordura.
Em relação ao número de preposições, existem, na frase, um total de:
Alternativas
Q3676385 Saúde Pública
Sobre a Vigilância Sanitária na área de alimentos, é INCORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3676384 Saúde Pública
O Programa Nacional de Controle da Dengue (PNCD) procura incorporar as lições das experiências nacionais e internacionais de controle da dengue, enfatizando a necessidade de mudança nos modelos anteriores. O PNCD Foi instituído em: 
Alternativas
Q3676383 Saúde Pública
Segundo a Organização Mundial da Saúde, as doenças transmissíveis podem ser definidas como doenças causadas por um agente infeccioso e/ou suas toxinas através da transmissão desse agente ou seus produtos, do reservatório ou de uma pessoa infectada ao hospedeiro suscetível.
Dentre as opções citadas abaixo, assinale a alternativa que corresponde a uma doença transmissível.
Alternativas
Q3676382 Saúde Pública
São objetivos do Programa Nacional de Controle da Dengue, EXCETO:
Alternativas
Q3676381 Saúde Pública
Sobre a Toxoplasmose, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3676380 Saúde Pública
A Hantavirose é uma zoonose viral aguda, cuja infecção em humanos, no Brasil, se apresentam na forma da Síndrome Cardiopulmonar por Hantavírus.
Fonte: https://www.gov.br/saude/pt-br/ assuntos/saude-de-a-a-z/h/hantavirose.
Sobre o Hantavirose, analise as afirmativas abaixo.
I.A infecção humana por hantavirose ocorre mais frequentemente pela inalação de aerossóis, formados a partir da urina, fezes e saliva de roedores infectados.
II.Diversos fatores ambientais estão associados com o aumento no registro de casos de hantavirose, e estão ligados ao aumento da população de roedores silvestres como, o desmatamento desordenado, a expansão das cidades para áreas rurais e as áreas de grande plantio, favorecendo a interação entre homens e roedores silvestres.
III.O período de transmissibilidade do hantavírus no homem é desconhecido. Estudos sugerem que o período de maior viremia seria alguns dias que antecedem o aparecimento dos sinais/sintomas.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3676379 Saúde Pública
Dentre as opções citadas abaixo, é considerado o vetor da transmissão da febre amarela:
Alternativas
Q3676378 Patologia
As hepatites virais são doenças provocadas por diferentes agentes etiológicos, com tropismo primário pelo fígado, que apresentam características epidemiológicas, clínicas e laboratoriais distintas.
Fonte: https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/07_0044_M2.pdf.
No que diz respeito aos tipos de Hepatites, analise as afirmativas abaixo.
I.A Hepatite A é transmitida por água e alimentos contaminados ou de uma pessoa para outra.
II.Os vírus da hepatite tipo B (HBV) e tipo C (HCV) são transmitidos sobretudo por meio do sangue. 
III.Existem ainda, com menor frequência, o vírus da hepatite K e o vírus da hepatite E, que é menos frequente no Brasil, sendo encontrado com maior facilidade na África e na Ásia.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3676377 Saúde Pública
Dentre as opções citadas abaixo, assinale a alternativa que corresponde ao órgão colegiado composto por representantes do governo, prestadores de serviço, profissionais de saúde e usuários, que atua na formulação de estratégias e no controle da execução da política de saúde na instância correspondente, inclusive nos aspectos econômicos e financeiros, cujas decisões serão homologadas pelo chefe do poder legalmente constituído em cada esfera do governo.
Alternativas
Q3676376 Biologia
No que diz respeito ao vetor da dengue, analise as afirmativas abaixo.
I.O mosquito Aedes Aegypti é transmissor da dengue.
II.O ciclo de vida do mosquito Aedes Aegypti é dividido em quatro etapas: ovo, larva, pupa (estágio intermediário entre a larva e o adulto) e adulto.
III.Dois ou três dias após o contato com o líquido, os ovos viram larvas e dias depois chegam na fase da pupa.
É CORRETO o que se afirma em:
Alternativas
Q3676375 Saúde Pública

No que se refere a Lei nº 11.350, de 5 de outubro de 2006, analise as afirmativas abaixo.


I.O Agente de Combate às Endemias tem como atribuição o exercício de atividades de vigilância, prevenção e controle de doenças e promoção da saúde, desenvolvidas em conformidade com as diretrizes do SUS e sob supervisão do gestor de cada ente federado.


II.O Agente Comunitário de Saúde deve residir na área da comunidade em que atuar, desde a data da publicação do edital do processo seletivo público.


III.O Agente de Combate às Endemias não pode participar, da execução, da coordenação ou da supervisão das ações de vigilância epidemiológica e ambiental.


É CORRETO o que se afirma em:

Alternativas
Q3676374 Biologia
O ciclo de vida do parasita da malária envolve dois hospedeiros, são eles: 
Alternativas
Q3676373 Saúde Pública
O conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, limpeza urbana e manejo de resíduos sólidos e drenagem e manejo das águas pluviais urbanas, é denominado:
Alternativas
Q3676372 Saúde Pública
A Leishmaniose Tegumentar é uma doença infecciosa, não contagiosa, que provoca úlceras na pele e mucosas. É causada por:
Alternativas
Respostas
6681: A
6682: B
6683: B
6684: A
6685: B
6686: A
6687: B
6688: A
6689: A
6690: A
6691: D
6692: B
6693: C
6694: D
6695: D
6696: A
6697: B
6698: D
6699: D
6700: B