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Q3913701 Português
Considere o fragmento a seguir:

“O avanço das tecnologias digitais transformou profundamente as práticas educacionais. As plataformas virtuais ampliaram o acesso ao ensino. Contudo, a formação docente permanece um desafio estrutural. Por isso, o uso indiscriminado de recursos tecnológicos garante a qualidade do processo educativo.”

Com base nos princípios de estrutura e organização do texto, assinale a alternativa que identifica corretamente o problema central do fragmento.
Alternativas
Q3913700 Português
Considere o excerto abaixo:

“Vozes veladas, veludosas vozes,
Volúpias dos violões, vozes veladas,
Vagam nos velhos vórtices velozes
Dos ventos, vivas, vãs, vulcanizadas.”

Fonte: CRUZ E SOUSA. Violões que choram. In: BROCA, Brito (org.). Cruz e Sousa: obra completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1995.

A partir da leitura do fragmento poético, assinale a alternativa que interpreta corretamente o sentido global do texto, considerando os procedimentos expressivos predominantes.
Alternativas
Q3913489 Terapia Ocupacional
De acordo com a figura a seguir, qual reflexo primitivo é objeto de avaliação durante a estimulação precoce em Terapia Ocupacional no período do nascimento até os 12 meses de vida?
Imagem associada para resolução da questão
Alternativas
Q3913488 Terapia Ocupacional
Sobre a inclusão de crianças com Transtorno do Espectro Autista em ambiente escolar, assinale a alternativa que apresenta uma intervenção da Terapia Ocupacional com foco na aprendizagem formal.
Alternativas
Q3913487 Terapia Ocupacional
A Resolução COFFITO nº 429/2013 reconhece e disciplina a especialidade de Terapia Ocupacional em Contextos Hospitalares, define as áreas de atuação e as competências do terapeuta ocupacional especialista em contextos hospitalares e dá outras providências. Assinale a alternativa que indica as três áreas de atuação dessa especialidade que são mencionadas nessa Resolução.
Alternativas
Q3913486 Terapia Ocupacional

As chuvas intensas ocorridas no Rio Grande do Sul evidenciaram que fatores sociais como ocupação irregular, desmatamento, emissão de poluentes, retorno de pessoas afetadas aos locais do desastre e falhas nos sistemas de alerta contribuíram para agravar seus impactos. Ações de abrigamento temporário e reconstrução dos locais afetados se estenderam por meses em muitos municípios. Diante desse cenário, é possível elencar as seguintes contribuições da Terapia Ocupacional Social na atuação nas fases de resposta e recuperação dos desastres: 


I. Promoção da saúde mental de sobreviventes e familiares.

II. Identificação de pessoas com deficiência.

III. Visitas domiciliares.

IV. Adaptação de ambientes.


Quais estão corretas? 

Alternativas
Q3913485 Terapia Ocupacional
Qual dos seguintes instrumentos de avaliação pode ser utilizado pelo profissional de Terapia Ocupacional para ajudar usuários a identificar, priorizar e avaliar sua participação e satisfação nas atividades do cotidiano? 
Alternativas
Q3913484 Terapia Ocupacional
Sobre a assistência aos usuários com transtorno mental na Rede de Atenção Psicossocial no SUS, é correto afirmar que:
Alternativas
Q3913483 Terapia Ocupacional

São atribuições do profissional de Terapia Ocupacional que atua na assistência em saúde do trabalhador:


I. Promover ações individuais e coletivas voltadas à promoção da saúde, prevenção de incapacidades temporárias ou permanentes e reabilitação, no âmbito da Terapia Ocupacional, para trabalhadores acometidos por agravos relacionados ao trabalho que impactem seu desempenho laboral.

II. Identificar, avaliar e observar os fatores ambientais que possam constituir risco à saúde ocupacional do trabalhador.

III. Elaborar laudos técnicos para concessão de benefícios previdenciários apenas para os casos de aposentadoria por tempo de contribuição, considerando aspectos administrativos e legais.

IV. Realizar análise ergonômica da atividade laboral conforme normas vigentes, investigando dimensões do trabalho nos aspectos físicos, cognitivos e organizacionais.

V. Definir políticas públicas voltadas à saúde ocupacional, estabelecendo diretrizes que promovam ambientes de trabalho seguros e saudáveis, além de regulamentar normas de segurança do trabalho em nível estadual, garantindo sua implementação, fiscalização e atualização conforme as necessidades sociais e legais.


Quais estão corretas? 

Alternativas
Q3913482 Terapia Ocupacional

A Lei da Reforma Psiquiátrica, Lei nº 10.216/2001, dispõe sobre os direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo assistencial em saúde mental no Brasil, um marco importante para a Rede de Atenção Psicossocial no SUS. Relacione a Coluna 1 à Coluna 2, associando as modalidades de internação em saúde mental às suas respectivas definições.


Coluna 1

1. Internação voluntária.

2. Internação involuntária.

3. Internação compulsória.


Coluna 2

( ) É determinada pelo juiz competente de acordo com a legislação vigente e levará em conta as condições de segurança do estabelecimento.

( ) O paciente deve assinar, no momento da admissão, uma declaração de que optou por esse regime de tratamento e o seu término dar-se-á por solicitação escrita do paciente ou por determinação do médico assistente.

( ) Deverá, no prazo de 72 horas, ser comunicada ao Ministério Público Estadual pelo responsável técnico do estabelecimento no qual tenha ocorrido, devendo esse mesmo procedimento ser adotado quando da respectiva alta.


A ordem correta do preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q3913481 Terapia Ocupacional
A Lei nº 14.231/2021, que dispõe sobre a inclusão dos profissionais fisioterapeutas e terapeutas ocupacionais na Estratégia Saúde da Família (ESF), representou um marco para o fortalecimento da Atenção Primária à Saúde (APS) nos territórios. Essa medida ampliou a oferta de serviços, aumentou a resolubilidade, a abrangência e o escopo das ações, além de posicionar ambas as categorias como profissionais de primeiro contato. Considerando as diretrizes da APS, assinale a alternativa INCORRETA sobre as atividades desenvolvidas por profissionais de Terapia Ocupacional nesse nível de atenção.
Alternativas
Q3913480 Terapia Ocupacional
Acidentes por quedas impactam na qualidade de vida, autonomia e independência da pessoa idosa, gerando consequências físicas, funcionais e psicossociais, as quais podem levar à dependência funcional, à incapacidade, à hospitalização, à institucionalização e até mesmo ao óbito (Schuartz et al., 2023). Sobre as ações de profissionais de Terapia Ocupacional na prevenção de quedas da pessoa idosa no domicílio, analise as assertivas abaixo e assinale V, se verdadeiras, ou F, se falsas.
( ) A análise das barreiras arquitetônicas deve considerar não apenas a estrutura física, mas também a acessibilidade funcional do idoso no espaço.
( ) A escolha de tecnologias assistivas para prevenção de quedas deve priorizar dispositivos que aumentem a independência, mesmo que exijam treinamento para o uso seguro.
( ) A avaliação do risco de quedas é baseada em fatores ambientais, pois aspectos cognitivos têm impacto reduzido na ocorrência de acidentes domésticos.
( ) Estratégias educativas voltadas à família podem reduzir a reincidência de quedas, pois favorecem a adesão às modificações propostas no ambiente.
( ) Intervenções preventivas devem considerar a interação entre fatores intrínsecos (como força muscular e equilíbrio) e extrínsecos (como iluminação e disposição dos móveis).

A ordem correta de preenchimento dos parênteses, de cima para baixo, é: 
Alternativas
Q3912221 Direito Administrativo
No Estatuto dos Servidores Públicos do Município de Eusébio (CE), os dispositivos que tratam de regime disciplinar e penalidades estabelecem normas sobre a aplicação das sanções funcionais. De acordo com esses dispositivos, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3912217 Direito Constitucional
A Lei Orgânica do Município de Eusébio (CE) constitui o principal diploma normativo local, estabelecendo princípios, competências e organização dos Poderes Municipais. De acordo com a Lei Orgânica, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3912216 Raciocínio Lógico
Dado o sistema linear  Q15.png (205×65)de x + y + z é:
Alternativas
Q3912213 Redes de Computadores
Em uma rede corporativa composta por múltiplas sub-redes interligadas por roteadores, um host precisa se comunicar com outro host localizado em uma rede distinta.

Conforme os conceitos de endereçamento IP e roteamento, analise as sentenças a seguir:

I- O endereço IP identifica logicamente um host ou interface de rede e é utilizado como base para o encaminhamento de pacotes entre redes distintas.
II- A escolha do melhor caminho entre a origem e o destino é realizada pelos roteadores com base em suas tabelas de roteamento, considerando o o endereço IP de origem.
III- Protocolos de roteamento utilizam informações de endereçamento IP para construir e atualizar tabelas de roteamento, permitindo decisões dinâmicas de encaminhamento.

Analisadas as sentenças, está(ão) CORRETA(S) apenas:
Alternativas
Q3912212 Engenharia de Software
Uma equipe de desenvolvimento utiliza Git com múltiplas branches para permitir o desenvolvimento paralelo, integração contínua e a manutenção de versões em produção. O projeto adota versionamento semântico e possui histórico extenso de commits.

Com base nas boas práticas de controle de versões e no funcionamento do Git, analise as sentenças a seguir:

I- Commits pequenos e frequentes facilitam a identificação de regressões e a auditoria de mudanças, especialmente quando integrados a pipelines de CI/CD.
II- A utilização de rebase em branches compartilhadas é recomendada, pois preserva o histórico completo de commits e reduz o risco de inconsistências no repositório remoto.
III- O uso de tags associadas a commits específicos permite identificar releases estáveis e recuperar versões exatas do código implantado em produção.

Analisadas as sentenças, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3912209 Português
TEXTO


CLIMA EXTREMO DESAFIA INFRAESTRUTURA DO BRASIL


    Quando os radares da Defesa Civil captaram a possibilidade de temporal sobre Santa Catarina em dezembro de 2025, o governo do estado tomou uma decisão drástica: suspender as aulas. Foi a primeira vez que mais de 520 mil alunos de escolas estaduais foram orientados a ficar em casa naquele 9 de dezembro como medida de prevenção a desastres. Estudantes da rede municipal em diversas cidades e universidades também cancelaram as atividades.

    A chuva e os ventos fortes eram trazidos por um ciclone extratropical que já ganhava o selo de atípico. Ele se formou no Paraguai, atravessou o Rio Grande do Sul e se intensificou na costa entre esse estado e Santa Catarina, detalha Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    Um dia depois, as mesmas rajadas sopraram na cidade de São Paulo. Os ventos chegaram a 100 km/h, afetaram transformadores de energia, cancelaram voos, derrubaram placas de trânsito e paralisaram a vida em pelo menos dois milhões de imóveis. A estimativa mais recente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo calcula perdas de pelo menos R$ 2,1 bilhões no comércio e no setor de serviços. 

    Um mês antes, outro ciclone extratropical formado sobre o Sul do país foi o estopim para uma calamidade no Paraná. Nuvens pesadas ajudaram a formar três tornados que atingiram 11 cidades e arremessaram carros, derrubaram prédios, tombaram caminhões. O fenômeno destruiu 80% de Rio Bonito do Iguaçu e deixou seus 14 mil moradores em choque.

     “Nós não estamos preparados para isso. Nós não estamos adaptados para enfrentar esses eventos climáticos extremos”, avalia José Marengo, coordenador-geral de pesquisa do Cemaden. Os ciclones extratropicais são um fenômeno conhecido na meteorologia. Na América do Sul, eles se formam próximo ao Sul do Brasil até o sul da Argentina e precisam de um ingrediente-chave: o calor que vem do Equador encontrando o frio que sai do polo.

    O Instituto Nacional de Meteorologia não tem um banco de dados que contabilize os ciclones extratropicais ocorridos no Brasil, informou o órgão. Mas a pesquisa feita por Rosmeri Porfírio da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, revela que de três a quatro ciclones se formam nesta região, em média, por mês e “saem” para o Atlântico.

    Os ciclones, explica a cientista, têm um papel fundamental de auxiliar no transporte de calor do Equador para o polo e do frio no caminho contrário. “E quando fazem isso, geram ação, rotação, formam nuvem, tempestade, a pressão muda muito no espaço, os ventos se aceleram”, cita Rocha. A diferença do caso mais recente foi que ele se intensificou dentro do continente - e não no mar, como costuma ser. No monitoramento feito por Seluchi, o sistema chegou a 2 mil km de extensão e gerou efeitos desde a Argentina até o Rio de Janeiro.

    Em Florianópolis, estado exposto a este evento climático por sua posição geográfica, Regina Rodrigues vivenciou três ciclones em 2025 no quintal de sua casa. Professora na Universidade Federal de Santa Catarina, ela é uma das brasileiras de um grupo internacional que investiga a conexão de eventos climáticos extremos com as mudanças climáticas.

     “A força motriz dos ciclones é a diferença de temperatura. Quanto maior for esta diferença, mais violento ele fica. Está ficando pior porque a parte subtropical e tropical do Brasil está ficando mais quente”, afirma Rodrigues. No estado onde vive, considerado uma zona de “encontros” dessas massas, os ventos já chegaram a 109 km/h. Sem energia elétrica e internet em casa, Rodrigues viu pela janela telhados e toldos voando.

    O despreparo para enfrentar ciclones mais fortes e outros eventos climáticos extremos é visível até na metrópole mais rica do país. Para moradores, comércios e indústrias na Grande São Paulo, ventanias e tempestades têm sido sinônimo de dias sem eletricidade. “Isso mostra toda a vulnerabilidade do sistema elétrico, com postes e fios aéreos — e que estão perto das árvores”, comenta Marengo.

    A Empresa de Pesquisa Energética reconhece as lacunas do setor e a necessidade de adaptação diante das mudanças climáticas. Um estudo publicado no ano passado lista os potenciais impactos de tempestades, ventos fortes e enchentes na infraestrutura e no fornecimento de energia. Mas, até agora, as concessionárias não são cobradas por órgãos reguladores para aumentar a resiliência.

    Na capital paulista, o aterramento dos fios anda a passos lentos: a prefeitura afirma ter implantado 88 km de fiação subterrânea. Isso equivale a 0,02% dos 44 mil km sob concessão da Enel no estado, empresa distribuidora que atende 8 milhões de unidades consumidoras na região metropolitana.

    Os impactos afetam outros setores da economia. O de seguros, em geral, é um dos primeiros justamente por lidar diretamente com a materialização dos riscos. “Observa-se um aumento gigantesco no número de sinistros, o que torna o impacto das mudanças climáticas mais evidente”, comenta Luciane Moessa, advogada e diretora da ONG Soluções Inclusivas Sustentáveis.

    As seguradoras, afirma Moessa, têm buscado projetar novos cenários e rever suas metodologias de cálculo para enfrentarem os novos tempos. Mesmo que esse setor se adapte, não há garantias de um desfecho positivo: ao recalcular os riscos com base no aumento da frequência e da intensidade dos sinistros, os prêmios podem se tornar muito mais elevados do que são hoje.

    “E as pessoas podem deixar de contratar seguros simplesmente porque não terão condições de arcar com os custos”, complementa Moessa, citando o exemplo do seguro agropecuário. Em nível nacional, o país acaba de aprovar o Plano Clima Adaptação. A política pública envolve 26 ministérios e busca aumentar a resiliência de estados e municípios diante de eventos extremos e, sobretudo, evitar mortes.

     O desafio será implementar as diretrizes nos estados e cidades — onde os impactos das mudanças climáticas se manifestam. Em outra frente, o Ministério do Meio Ambiente vai ajudar municípios a desenvolverem seus próprios planos com foco na proteção de vidas, infraestrutura, transporte, saúde e outros serviços essenciais.

    “Um plano de adaptação ideal parte, antes de tudo, do conhecimento profundo sobre onde o território é vulnerável. Por isso, o planejamento precisa ser participativo, envolvendo não apenas o poder público, mas também a sociedade civil e o setor privado”, afirma Lincoln Muniz Alves, coordenadorgeral do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, referindo-se ao AdaptaCidade. 

    Não há uma receita de bolo a ser seguida: a ideia é que cada município, a partir de sua realidade específica, defina suas prioridades. Em muitos casos, os problemas estão associados tanto ao excesso quanto à falta de água, cita como exemplo Alves. Nesta fase inicial, 581 cidades distribuídas por todos os estados participam desse esforço.

    Para colocar o plano em prática, o acesso ao financiamento pode ser uma barreira, já que muitos municípios estão endividados ou têm pouca capacidade técnica para elaborar projetos robustos. “Embora existam recursos disponíveis, a burocracia também é um obstáculo significativo. É necessário que as próprias agências financiadoras reconheçam essas limitações e adaptem seus mecanismos”, comenta Alves sobre outra necessidade de adequação. (...)


Disponível em:<https://www.dw.com/pt-br/eventosclimáticos-extremos-desafiam-infraestrutura-brasileira/a75216590>. . Adaptado. Acesso em: 06 de fevereiro de 2026.
Assinale a alternativa que classifica CORRETAMENTE o termo destacado no trecho a seguir: “Um plano de adaptação ideal parte, antes de tudo, do conhecimento profundo sobre onde o território é vulnerável.”
Alternativas
Q3912205 Português
TEXTO


CLIMA EXTREMO DESAFIA INFRAESTRUTURA DO BRASIL


    Quando os radares da Defesa Civil captaram a possibilidade de temporal sobre Santa Catarina em dezembro de 2025, o governo do estado tomou uma decisão drástica: suspender as aulas. Foi a primeira vez que mais de 520 mil alunos de escolas estaduais foram orientados a ficar em casa naquele 9 de dezembro como medida de prevenção a desastres. Estudantes da rede municipal em diversas cidades e universidades também cancelaram as atividades.

    A chuva e os ventos fortes eram trazidos por um ciclone extratropical que já ganhava o selo de atípico. Ele se formou no Paraguai, atravessou o Rio Grande do Sul e se intensificou na costa entre esse estado e Santa Catarina, detalha Marcelo Seluchi, do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).

    Um dia depois, as mesmas rajadas sopraram na cidade de São Paulo. Os ventos chegaram a 100 km/h, afetaram transformadores de energia, cancelaram voos, derrubaram placas de trânsito e paralisaram a vida em pelo menos dois milhões de imóveis. A estimativa mais recente da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo calcula perdas de pelo menos R$ 2,1 bilhões no comércio e no setor de serviços. 

    Um mês antes, outro ciclone extratropical formado sobre o Sul do país foi o estopim para uma calamidade no Paraná. Nuvens pesadas ajudaram a formar três tornados que atingiram 11 cidades e arremessaram carros, derrubaram prédios, tombaram caminhões. O fenômeno destruiu 80% de Rio Bonito do Iguaçu e deixou seus 14 mil moradores em choque.

     “Nós não estamos preparados para isso. Nós não estamos adaptados para enfrentar esses eventos climáticos extremos”, avalia José Marengo, coordenador-geral de pesquisa do Cemaden. Os ciclones extratropicais são um fenômeno conhecido na meteorologia. Na América do Sul, eles se formam próximo ao Sul do Brasil até o sul da Argentina e precisam de um ingrediente-chave: o calor que vem do Equador encontrando o frio que sai do polo.

    O Instituto Nacional de Meteorologia não tem um banco de dados que contabilize os ciclones extratropicais ocorridos no Brasil, informou o órgão. Mas a pesquisa feita por Rosmeri Porfírio da Rocha, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da Universidade de São Paulo, revela que de três a quatro ciclones se formam nesta região, em média, por mês e “saem” para o Atlântico.

    Os ciclones, explica a cientista, têm um papel fundamental de auxiliar no transporte de calor do Equador para o polo e do frio no caminho contrário. “E quando fazem isso, geram ação, rotação, formam nuvem, tempestade, a pressão muda muito no espaço, os ventos se aceleram”, cita Rocha. A diferença do caso mais recente foi que ele se intensificou dentro do continente - e não no mar, como costuma ser. No monitoramento feito por Seluchi, o sistema chegou a 2 mil km de extensão e gerou efeitos desde a Argentina até o Rio de Janeiro.

    Em Florianópolis, estado exposto a este evento climático por sua posição geográfica, Regina Rodrigues vivenciou três ciclones em 2025 no quintal de sua casa. Professora na Universidade Federal de Santa Catarina, ela é uma das brasileiras de um grupo internacional que investiga a conexão de eventos climáticos extremos com as mudanças climáticas.

     “A força motriz dos ciclones é a diferença de temperatura. Quanto maior for esta diferença, mais violento ele fica. Está ficando pior porque a parte subtropical e tropical do Brasil está ficando mais quente”, afirma Rodrigues. No estado onde vive, considerado uma zona de “encontros” dessas massas, os ventos já chegaram a 109 km/h. Sem energia elétrica e internet em casa, Rodrigues viu pela janela telhados e toldos voando.

    O despreparo para enfrentar ciclones mais fortes e outros eventos climáticos extremos é visível até na metrópole mais rica do país. Para moradores, comércios e indústrias na Grande São Paulo, ventanias e tempestades têm sido sinônimo de dias sem eletricidade. “Isso mostra toda a vulnerabilidade do sistema elétrico, com postes e fios aéreos — e que estão perto das árvores”, comenta Marengo.

    A Empresa de Pesquisa Energética reconhece as lacunas do setor e a necessidade de adaptação diante das mudanças climáticas. Um estudo publicado no ano passado lista os potenciais impactos de tempestades, ventos fortes e enchentes na infraestrutura e no fornecimento de energia. Mas, até agora, as concessionárias não são cobradas por órgãos reguladores para aumentar a resiliência.

    Na capital paulista, o aterramento dos fios anda a passos lentos: a prefeitura afirma ter implantado 88 km de fiação subterrânea. Isso equivale a 0,02% dos 44 mil km sob concessão da Enel no estado, empresa distribuidora que atende 8 milhões de unidades consumidoras na região metropolitana.

    Os impactos afetam outros setores da economia. O de seguros, em geral, é um dos primeiros justamente por lidar diretamente com a materialização dos riscos. “Observa-se um aumento gigantesco no número de sinistros, o que torna o impacto das mudanças climáticas mais evidente”, comenta Luciane Moessa, advogada e diretora da ONG Soluções Inclusivas Sustentáveis.

    As seguradoras, afirma Moessa, têm buscado projetar novos cenários e rever suas metodologias de cálculo para enfrentarem os novos tempos. Mesmo que esse setor se adapte, não há garantias de um desfecho positivo: ao recalcular os riscos com base no aumento da frequência e da intensidade dos sinistros, os prêmios podem se tornar muito mais elevados do que são hoje.

    “E as pessoas podem deixar de contratar seguros simplesmente porque não terão condições de arcar com os custos”, complementa Moessa, citando o exemplo do seguro agropecuário. Em nível nacional, o país acaba de aprovar o Plano Clima Adaptação. A política pública envolve 26 ministérios e busca aumentar a resiliência de estados e municípios diante de eventos extremos e, sobretudo, evitar mortes.

     O desafio será implementar as diretrizes nos estados e cidades — onde os impactos das mudanças climáticas se manifestam. Em outra frente, o Ministério do Meio Ambiente vai ajudar municípios a desenvolverem seus próprios planos com foco na proteção de vidas, infraestrutura, transporte, saúde e outros serviços essenciais.

    “Um plano de adaptação ideal parte, antes de tudo, do conhecimento profundo sobre onde o território é vulnerável. Por isso, o planejamento precisa ser participativo, envolvendo não apenas o poder público, mas também a sociedade civil e o setor privado”, afirma Lincoln Muniz Alves, coordenadorgeral do Departamento de Políticas para Adaptação e Resiliência à Mudança do Clima do MMA, referindo-se ao AdaptaCidade. 

    Não há uma receita de bolo a ser seguida: a ideia é que cada município, a partir de sua realidade específica, defina suas prioridades. Em muitos casos, os problemas estão associados tanto ao excesso quanto à falta de água, cita como exemplo Alves. Nesta fase inicial, 581 cidades distribuídas por todos os estados participam desse esforço.

    Para colocar o plano em prática, o acesso ao financiamento pode ser uma barreira, já que muitos municípios estão endividados ou têm pouca capacidade técnica para elaborar projetos robustos. “Embora existam recursos disponíveis, a burocracia também é um obstáculo significativo. É necessário que as próprias agências financiadoras reconheçam essas limitações e adaptem seus mecanismos”, comenta Alves sobre outra necessidade de adequação. (...)


Disponível em:<https://www.dw.com/pt-br/eventosclimáticos-extremos-desafiam-infraestrutura-brasileira/a75216590>. . Adaptado. Acesso em: 06 de fevereiro de 2026.
Ao avaliar a capacidade de enfrentamento dos eventos descritos, o especialista citado no texto sustenta uma crítica centrada na:
Alternativas
Q3908606 Terapia Ocupacional
A praxia fina envolve a coordenação de pequenos grupos musculares, especialmente das mãos, sendo indispensável para atividades como a escrita e o manuseio de ferramentas precisas. Em crianças com transtornos do desenvolvimento, essas habilidades costumam estar prejudicadas, demandando treino psicomotor estruturado pelo terapeuta ocupacional. Sobre a avaliação da praxia fina, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Respostas
1521: B
1522: B
1523: C
1524: A
1525: E
1526: E
1527: D
1528: B
1529: C
1530: D
1531: B
1532: A
1533: A
1534: D
1535: A
1536: C
1537: C
1538: A
1539: B
1540: C