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Q3691719 Português
Analise as sentenças a seguir e assinale a alternativa em que há o emprego correto da expressão em destaque.
Alternativas
Q3691718 Português
Analise as sentenças a seguir em relação às expressões em destaque:

I. Eles não puderam ir à peça de teatro, porquanto tiveram de viajar às pressas.
II. Podemos remarcar a reunião, caso você não possa comparecer neste dia.
III. Ouve música enquanto dirige.
IV. Ele explicou tudo tão detalhadamente, de sorte que não restaram dúvidas.
V. Fez o tratamento consoante lhe instruíram no hospital.

As expressões destacadas podem ser classificadas quanto ao significado que exprimem, respectivamente, em:
Alternativas
Q3691717 Português
Identifique em qual das sentenças a seguir ocorre numeral multiplicativo.
Alternativas
Q3691716 Português
Há uma oração introduzida por uma locução concessiva em:
Alternativas
Q3691715 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
A palavra que tem exatamente o mesmo número de sílabas que “embaraçada”, que ocorre no texto, é: 
Alternativas
Q3691714 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
O verbo em “— Eu comprei um vaso.” está conjugado:
Alternativas
Q3691713 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Os vocábulos “sem” e “sequer”, que ocorrem no trecho “[...] sem sequer me dar conta do que fazia.”, pertencem, respectivamente, às classes gramaticais:
Alternativas
Q3691712 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Identifique o único excerto a seguir em que o vocábulo “o” é empregado como pronome demonstrativo.
Alternativas
Q3691711 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
A figura de linguagem presente no trecho “— Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa...” é a de:
Alternativas
Q3691710 Português
Quem sabe Deus está ouvindo


          Outro dia eu estava distraído, chupando um caju na varanda, e fiquei com a castanha na mão, sem saber onde botar. Perto de mim havia um vaso de antúrio; pus a castanha ali, calcandoa um pouco para entrar na terra, sem sequer me dar conta do que fazia.

           Na semana seguinte a empregada me chamou a atenção: a castanha estava brotando. Alguma coisa verde saía da terra, em forma de concha. Dois ou três dias depois acordei cedo, e vi que durante a noite aquela coisa verde lançara para o ar um caule com pequenas folhas. É impressionante a rapidez com que essa plantinha cresce e vai abrindo folhas novas. Notei que a empregada regava com especial carinho a planta, e caçoei dela:

           — Você vai criar um cajueiro aí?

           Embaraçada, ela confessou: tinha de arrancar a mudinha, naturalmente; mas estava com pena.

          — Mas é melhor arrancar logo, não é? Fiquei em silêncio. Seria exagero dizer: silêncio criminoso — mas confesso que havia nele um certo remorso. Um silêncio covarde. Não tenho terra onde plantar um cajueiro, e seria uma tolice permitir que ele crescesse ali mais alguns centímetros, sem nenhum futuro. Eu fora o culpado, com meu gesto leviano de enterrar a castanha, mas isto a empregada não sabe: ela pensa que tudo foi obra do acaso. Arrancar a plantinha com a minha mão — disso eu não seria capaz; nem mesmo dar ordem para que ela o fizesse. Se ela o fizer, darei de ombros e não pensarei mais no caso; mas que o faça com sua mão, por sua iniciativa. Para a castanha e sua linda plantinha seremos dois deuses contrários, mas igualmente ignaros: eu, o deus da Vida; ela, o da Morte.

           Hoje pela manhã ela começou a me dizer alguma coisa — “seu Rubem, o cajueiro…” — mas o telefone tocou, fui atender, e a frase não se completou. Agora mesmo ela voltou da feira; trouxe um pequeno vaso com terra e transplantou para ele a mudinha. Veio me mostrar: 

         — Eu comprei um vaso.
       
         — Ahn...
         
          Depois de um silêncio, eu disse:
 
         — Cajueiro sente muito a mudança, morre à toa... Ela olhou a plantinha e disse com convicção: — Esse aqui não vai morrer, não senhor.

          Eu devia lhe perguntar o que ela vai fazer com aquilo, daqui a uma, duas semanas. Ela espera, talvez, que eu o leve para o quintal de algum amigo; ela mesma não tem onde plantá-lo. Senti que ela tivera medo de que eu a censurasse pela compra do vaso e ficara aliviada com minha indiferença. Antes de me sentar para escrever, eu disse, sorrindo, uma frase profética, dita apenas por dizer:

         — Ainda vou chupar muito caju desse cajueiro!

          Ela riu muito, depois ficou séria, levou o vaso para a varanda, e, ao passar por mim na sala, disse baixo, com certa gravidade:

          — É capaz mesmo, seu Rubem; quem sabe Deus está ouvindo o que o senhor está dizendo...

        Mas eu acho, sem falsa modéstia, que Deus deve andar muito ocupado com as bombas de hidrogênio e outros assuntos maiores.



BRAGA, R. Ai de ti, Copacabana! Rio de Janeiro, 1960. Disponível em < https://cronicabrasileira.org.br/cronicas/12044/quemsabe-deus-esta-ouvindo>. 
Pela última fala da empregada, conclui-se que, para ela:
Alternativas
Q3691179 Terapia Ocupacional
Vários modelos e abordagens guiam as práticas dos terapeutas ocupacionais e cabe ao profissional definir quais melhor direcionam as demandas de sua prática.

É CORRETO afirmar sobre modelos e abordagens utilizados na Terapia Ocupacional:
Alternativas
Q3691178 Terapia Ocupacional
As Atividades de Vida Diária (AVD’s), na infância, são fundamentais por possibilitarem as primeiras formas de exploração do ambiente e o contato próximo entre a criança e o cuidador.

Para o terapeuta ocupacional que atua na infância e adolescência, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Q3691177 Terapia Ocupacional
A Terapia Ocupacional atua mantendo ou capacitando o alcance do desempenho funcional e adaptativo satisfatório na população idosa. No que tange à atuação do terapeuta ocupacional com a pessoa idosa no SUS, é CORRETO afirmar: 
Alternativas
Q3691176 Saúde Pública
A Rede de Cuidados da Pessoa com Deficiência visa garantir que pessoas com deficiência temporária ou permanente; progressiva, regressiva ou estável; intermitente ou contínua sejam assistidas no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS).

Sobre essa rede, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO
Alternativas
Q3691175 Terapia Ocupacional
A Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) cria, amplia e articula os pontos de atenção à saúde para pessoas com sofrimento mental e com necessidades decorrentes do uso de álcool e outras drogas no Sistema Único de Saúde (SUS). Sobre a atuação do terapeuta ocupacional na RAPS, é CORRETO afirmar:
Alternativas
Q3691174 Terapia Ocupacional
A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou que os determinantes sociais da saúde são os maiores responsáveis pelas injustiças na saúde, nos países e entre os países.

Diante o tema, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Q3691173 Terapia Ocupacional
A Classificação Internacional de Funcionalidade (CIF) pode contribuir com a prática do terapeuta ocupacional porque analisa os fatores internos do cliente, os fatores externos e como e em quais atividades o cliente se envolve no seu cotidiano.

Sobre a CIF e o seu uso por terapeuta ocupacional, assinale a afirmativa CORRETA
Alternativas
Q3691172 Terapia Ocupacional
A Atenção Básica conta com o Núcleo Ampliado de Saúde da Família (NASF) desde 2008 para ampliar a abrangência e o escopo das ações bem como sua resolubilidade.

Sobre o NASF e a atuação do terapeuta ocupacional nesse dispositivo, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Q3691171 Terapia Ocupacional
Compete aos Conselhos Regionais de Fisioterapia e de Terapia Ocupacional zelar pela observância dos princípios e diretrizes do Código de Ética e Deontologia dos terapeutas ocupacionais, e funcionar como órgão julgador em primeira instância.

Configura uma ação dentro do que é previsto no Código de Ética do terapeuta ocupacional:
Alternativas
Q3691170 Terapia Ocupacional
Os terapeutas ocupacionais utilizam o seu conhecimento da relação transacional entre o cliente, o envolvimento do cliente em ocupações significativas e o contexto, para conceber planos de intervenção baseados na ocupação.

Considerando o escopo de atuação da Terapia Ocupacional, todas as afirmativas estão corretas, EXCETO:
Alternativas
Respostas
3041: C
3042: D
3043: B
3044: C
3045: D
3046: C
3047: E
3048: B
3049: D
3050: B
3051: D
3052: C
3053: D
3054: B
3055: C
3056: C
3057: D
3058: B
3059: B
3060: D