Questões de Concurso Para professor - ciências

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Q3827359 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.

 

MAR

 

A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.


Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…


Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.


Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…


Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…

 

Vocabulário

■ caravela: espécie de água-viva

■ maratimbas: do interior do Espírito Santo

■ catambá: dança popular do Espírito Santo

■ embicar: atravessar com a embarcação

■ batelão: canoa, barcaça

■ arrieiro: correnteza marítima

A última frase do terceiro parágrafo “Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer” mostra:
Alternativas
Q3827358 Português

Leia a crônica de Rubem Braga.

 

MAR

 

A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.


Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…


Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.


Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…


Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…

 

Vocabulário

■ caravela: espécie de água-viva

■ maratimbas: do interior do Espírito Santo

■ catambá: dança popular do Espírito Santo

■ embicar: atravessar com a embarcação

■ batelão: canoa, barcaça

■ arrieiro: correnteza marítima

Assinale a alternativa correta, considerando o texto.
Alternativas
Q4258346 Ciências
Um professor de Ciências apresenta aos seus alunos o funcionamento de uma calculadora que opera por meio de energia solar. Ele explica que a calculadora possui uma pequena célula fotovoltaica que capta a luz do ambiente. Essa luz é convertida em energia que alimenta os circuitos eletrônicos, permitindo que a calculadora realize suas funções. Com base no funcionamento da calculadora solar, é correto afirmar que   
Alternativas
Q4258345 Biologia
O registro fóssil é uma das principais evidências da evolução. Em uma linhagem de mamíferos, uma sequência de fósseis mostra um aumento gradual no tamanho do corpo e uma modificação nos dentes ao longo de milhões de anos. Os fósseis mais antigos são encontrados nas camadas rochosas mais profundas, enquanto os mais recentes estão nas camadas superficiais. Com base nos princípios da hereditariedade e da evolução, sabe-se que  
Alternativas
Q4258344 Engenharia Agronômica (Agronomia)
Um agricultor está planejando o plantio de hortaliças em duas áreas distintas de sua propriedade. Ele observa que a primeira área (Área A) possui um solo com grande quantidade de argila, o que o torna pegajoso quando molhado e com pouca aeração. A segunda área (Área B) tem um solo com alta proporção de areia, que é muito permeável e não retém água por muito tempo. Com base nas propriedades desses dois tipos de solo e a prática agrícola mais adequada para melhorar suas condições de cultivo, é correto afirmar: 
Alternativas
Q4258343 Biologia

Em uma área de mata atlântica, uma equipe de biólogos estuda as relações ecológicas de um ecossistema. Eles observam que a base da cadeia alimentar é composta por produtores (plantas), que servem de alimento para herbívoros, os quais, por sua vez, são predados por carnívoros. Ao longo de todo esse processo, a energia flui de forma unidirecional, enquanto a matéria é continuamente reciclada por organismos decompositores. A equipe identifica a importância da biodiversidade para a estabilidade do ecossistema e para a manutenção de seu equilíbrio. Eles alertam que a introdução de uma espécie exótica e invasora, que se alimenta de um predador de topo de cadeia, pode causar um desequilíbrio significativo. 


Com base no cenário e nos princípios da Ecologia, as consequências da introdução dessa espécie invasora é: 

Alternativas
Q4258342 Biologia
Durante uma aula sobre programa de saúde foi apresentado o seguinte caso clínico: um paciente apresenta uma infecção na pele com lesões esbranquiçadas e coceira intensa, causada por um microrganismo que se alimenta de matéria orgânica em decomposição. Com base nas informações desse caso e no conhecimento sobre os microrganismos, o grupo de patógeno responsável é 
Alternativas
Q4258341 Biologia
A falha de um órgão, no corpo humano, pode afetar a homeostase de todo o organismo. Por exemplo, uma deficiência na absorção de nutrientes no sistema digestório pode ter um impacto direto no fornecimento de energia para o corpo. Considerando a integração funcional entre os sistemas digestório, circulatório e respiratório para a obtenção de energia a partir dos alimentos, é correto afirmar: 
Alternativas
Q4258340 Biologia
Em uma aula sobre o desenvolvimento pós-embrionário no Reino Animalia, um professor usa a borboleta e a barata como exemplos. A borboleta apresenta as fases de ovo, larva (lagarta), pupa (crisálida) e adulto, enquanto a barata tem as fases de ovo, ninfa e adulto. Considerando o tipo de desenvolvimento de cada animal, pode-se afirmar que
Alternativas
Q4258339 Biologia
Em Botânica, a alternância de gerações descreve o ciclo de vida das plantas, no qual há uma alternância entre uma fase haploide (gametófito) e uma fase diploide (esporófito). A dominância de uma dessas fases varia entre os diferentes grupos de plantas. Com base nessa variação, é correto afirmar que
Alternativas
Q4258338 Biologia
Ao classificar um organismo microscópico com base em suas características estruturais e metabólicas, observou-se que o organismo é uma célula eucariótica unicelular, geralmente aquática, que se move por cílios ou flagelos e pode ser de vida livre ou parasita. Com base nessas observações, o grupo a que esse organismo pertence denomina-se 
Alternativas
Q4258337 Biologia
Uma pesquisadora compara uma célula muscular, com alta demanda energética, com uma célula de epiderme, com função principal de proteção e renovação. Ela observa que a célula muscular possui uma grande quantidade de uma organela, enquanto a célula da epiderme apresenta um volume maior de outra organela, relacionada ao empacotamento de proteínas para renovação da barreira cutânea. Com base na função das organelas e nos tipos celulares mencionados, é correto afirmar:
Alternativas
Q4258336 Biologia
Um estudante de Ciências, ao estudar as células de um pâncreas, escreveu em seu relatório: trata-se de um órgão com intensa atividade de síntese e secreção de enzimas digestivas. Além disso, anotou que essas células possuem um retículo endoplasmático rugoso (RER) e um complexo Golgiense (CG), ambos muito desenvolvidos. Com base nessas informações e nas funções das organelas, a ordem correta dos eventos que ocorrem na síntese e secreção de uma enzima proteica por essa célula é: 
Alternativas
Q4258335 Biologia
Durante uma maratona, um atleta utiliza géis energéticos e bebidas isotônicas para repor energia de forma rápida, manter a hidratação e auxiliar na recuperação muscular. Com base na função dos principais compostos orgânicos e inorgânicos na dieta, os componentes desses produtos com suas respectivas funções no organismo do atleta são: 
Alternativas
Q4258334 Medicina
Um radiologista explica as aplicações da radiação na medicina, discutindo as diferenças entre exames de imagem e tratamentos oncológicos. Ele explica que, para um diagnóstico, como em uma radiografia de tórax, a dose de radiação é baixa e controlada. Em contrapartida, na radioterapia, para combater um tumor, a dose é consideravelmente maior e direcionada. A principal razão para essa diferença de dosagem e aplicação é que 
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Q4258333 Química
Um técnico de saneamento básico explica as etapas do tratamento de água para um grupo de estudantes. Ele descreve o processo de purificação, que inclui: sedimentação e filtração (remoção de impurezas sólidas em suspensão) e a cloração e fluoretação (adição de cloro e flúor para eliminar micro-organismos e prevenir cáries). Considerando os conceitos de transformações físicas e químicas, sabe-se que 
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Q4258332 Química
Um professor de Ciências, ao preparar uma aula sobre a relação entre a estrutura da matéria e suas propriedades, utiliza o diamante e a grafite como exemplos. Ele destaca que, embora ambos sejam compostos exclusivamente por átomos de carbono, suas propriedades são muito diferentes: o diamante é um dos materiais mais duros do mundo e um isolante elétrico, enquanto a grafite é macia e um bom condutor de eletricidade. Para explicar essa diferença fundamental, o conceito adequado é a 
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Q4258321 Pedagogia
As metodologias, voltadas para a aprendizagem, consistem em uma série de técnicas, procedimentos e processos utilizados pelos professores durante as aulas, com objetivos de auxiliar o aprendizado dos estudantes. No contexto das metodologias ativas, a abordagem da sala de aula invertida  
Alternativas
Q4258320 Pedagogia
No planejamento pedagógico, as técnicas de ensino representam os procedimentos específicos que o professor utiliza para facilitar a aprendizagem, tornando os conteúdos acessíveis e significativos para os alunos. Entre as técnicas de ensino, destacam-se aquelas que promovem a participação ativa dos estudantes, a construção do conhecimento e a aplicação prática do conteúdo aprendido. Considerando essa perspectiva, é possível afirmar que  
Alternativas
Q4258319 Pedagogia
De acordo com Luckesi (2005), avaliar a aprendizagem vai além de atribuir notas. Trata-se de um processo contínuo de acompanhamento e ajuste das ações pedagógicas. Nesse contexto, no exercício da docência, a avaliação deve ser entendida como 
Alternativas
Respostas
2701: D
2702: B
2703: D
2704: D
2705: D
2706: D
2707: B
2708: C
2709: A
2710: C
2711: D
2712: A
2713: C
2714: A
2715: A
2716: B
2717: B
2718: A
2719: A
2720: D