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Em 1678, representantes portugueses e uma expressiva comitiva de rebeldes enviados por Ganga Zumba reuniram-se em Recife para celebrar o tratado de paz proposto pelas autoridades coloniais. O acordo previa devolver aos agentes da Coroa os escravos fugidos — vale dizer, todos os moradores que não tivessem nascido nos quilombos — e, do ponto de vista luso, tinha o objetivo estratégico de liquidar com os profundos laços de cumplicidade e reconhecimento entre os quilombolas e os cativos. Em troca, Portugal garantia alforria, terras sob a forma de sesmarias e foro de vassalos da Coroa para os naturais de Palmares.
(SCHWARZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Adaptado)
Em relação à história do quilombo de Palmares, o acordo realizado em Recife representou
Em 1835, a grande sublevação escrava eclodiu em Salvador. Dessa vez, o ataque partiu de dentro da cidade, e a população não teve uma noite fácil. Na madrugada de 25 de janeiro, grupos de africanos escravos e libertos, armados com porretes, instrumentos de trabalho e armas brancas, lutaram nas ruas de Salvador, durante mais de três horas, enfrentando soldados e civis. A religião esteve entrelaçada com a revolta: boa parte dos rebeldes saiu para lutar nas ruas com as compridas túnicas rituais brancas — os abadás — usadas pelos adeptos do islamismo. Ainda carregavam junto ao corpo amuletos com mensagens do Alcorão e com orações fortes para proteção.
(SCHWARZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Adaptado)
O texto faz referência
Para a tortura funcionar, é preciso que existam juízes que reconheçam como legais e verossímeis processos absurdos, confissões renegadas, laudos periciais mentirosos. Também é preciso encontrar, em hospitais, gente disposta a fraudar autópsias e autos de corpo de delito e a receber presos marcados pela violência física. É preciso, ainda, descobrir empresários prontos a fornecer dotações extraorçamentárias para que a máquina de repressão política funcione com maior eficácia.
(SCHWARZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015. Adaptado)
Com o texto, as autoras contribuem para a caracterização da tortura como
Foi de longe a maior de todas as revoluções da década de 1970, e que entrará na história como uma das grandes revoluções sociais do século XX. Era a resposta ao programa relâmpago de modernização e industrialização (para não falar de armamentos), com base em sólido apoio dos EUA e na riqueza petrolífera do país, de valor multiplicado após 1973 pela revolução de preços da OPEP. Sem dúvida, além de outros sinais da megalomania habitual entre governantes absolutos com uma formidável e temida polícia secreta, ele esperava tornar-se o poder dominante na região.
(HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Adaptado)
O trecho trata da revolução
Com a revolta de Munique de 1923, Adolf Hitler se viu pela primeira vez nas manchetes. Após a recuperação econômica de 1924, o Partido dos Trabalhadores Nacional-Socialistas foi reduzido a uma rabeira de 2,5 a 3% do eleitorado, conseguindo pouco mais da metade do que o pequeno e civilizado Partido Democrático alemão, pouco mais que um quinto dos comunistas e muito menos de um décimo dos social-democratas nas eleições de 1928.
(HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Adaptado)
Assinale a alternativa que indica o principal motivo que levou a um crescimento eleitoral significativo do Partido Nazista nos anos seguintes.
Ao final da Segunda Guerra Mundial, a força e legitimidade do velho colonialismo haviam sido seriamente solapadas. As possibilidades de liberdade pareciam melhores do que jamais antes. Isso se revelou verdade, mas não sem algumas brutais ações reacionárias dos velhos impérios.
(HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Adaptado)
Entre os exemplos dessas brutais reações, é correto identificar a luta colonialista
Os estilos juvenis difundiam-se através da distribuição mundial de imagens; através dos contatos internacionais do turismo juvenil, que distribuía pequenos, mas crescentes e influentes fluxos de rapazes e moças de jeans por todo o globo; através da rede mundial de universidades, cuja capacidade de rápida comunicação internacional se tornou óbvia na década de 1960. Difundiam-se ainda pela força da moda na sociedade de consumo que agora chegava às massas, ampliada pela pressão dos grupos de seus pares. Passou a existir uma cultura jovem global.
(HOBSBAWM, Eric J. Era dos extremos: o breve século XX: 1914-1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995. Adaptado)
Segundo Hobsbawm, a cultura jovem global surgiu na segunda metade do século XX, associada
A História do Brasil, diante de tal postura, é compreendida como parte menos substantiva e apenas complementar de um mundo capitalista maior e seu estudo visa, sobretudo, entender o papel que o país desempenha como nação emergente e os caminhos que tem percorrido nessa condição sob o impacto do denominado neoliberalismo. Essa tendência fica evidenciada em projetos educacionais recentes, sendo facilmente percebida em determinadas propostas curriculares e está expressa em várias obras didáticas. A História do Brasil aparece como apêndice da História global e sua existência deve-se ao desenvolvimento do capitalismo comercial, com base na expansão marítima europeia. A macro-história é a lógica e a chave para a compreensão da nossa condição de país permanentemente periférico do sistema econômico capitalista.
(BITTENCOURT, Circe. História do Brasil. Em: KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2015. Adaptado)
O texto apresenta a produção didática denominada História
Nas últimas duas décadas do século XX, ainda na França, para se diferenciar da História Contemporânea já estabelecida e fazer jus à voragem do tempo no século XX, surge o conceito de História do Tempo Presente, voltada para o estudo do período simultâneo e posterior à Segunda Guerra Mundial.
(NAPOLITANO, Marcos. História Contemporânea. Em: KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2015. Adaptado)
A História do Tempo Presente pode ser definida
A visão eurocêntrica estereotipada da Antiguidade já não é a única encontrada, ao contrário. Surgida no século XIX europeu, a postura tradicional identificava a História como o estudo do Ocidente, racional e dominador do mundo, que teria surgido, na forma de civilização às beiras do Nilo, Tigre e Eufrates, passado, como se fosse uma tocha, para a Grécia, depois Roma, para ressurgir no mundo moderno. Essa visão tão profundamente elitista e europeia tem cedido passo a concepções menos limitadas no mundo antigo.
(FUNARI, Pedro Paulo. A renovação da História Antiga. Em: KARNAL, Leandro (org.). História na sala de aula: conceitos, práticas e propostas. São Paulo: Contexto, 2015. Adaptado)
Segundo Funari, entre os objetos e abordagens mais diversos, é possível identificar uma Antiguidade
Diz-se algumas vezes: “A história é a ciência do passado.”
(BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. Adaptado)
Marc Bloch discorda dessa afirmação, entendendo que a história é
As características mais visíveis da informação histórica foram muitas vezes descritas. O historiador, por definição, está na impossibilidade de ele próprio constatar os fatos que estuda. Nenhum egiptólogo viu Ramsés; nenhum especialista das guerras napoleônicas ouviu o canhão de Austerlitz. Das eras que nos precederam, só poderíamos falar segundo testemunhas. Estamos, a esse respeito, na situação do investigador que se esforça para reconstruir um crime ao qual não assistiu; do físico, que, retido no quarto pela gripe, só conhecesse os resultados de suas experiências graças aos relatórios de um funcionário de laboratório.
(BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. Adaptado)
Para Bloch, em contraste com o conhecimento do presente, o conhecimento do passado é necessariamente
Por maior que seja a variedade de conhecimentos que se queira proporcionar aos pesquisadores mais bem armados, eles encontrarão sempre, e geralmente muito rápido, seus limites. Nenhum remédio, então, senão substituir a multiplicidade de competências em um mesmo homem por uma aliança de técnicas praticadas por eruditos diferentes, mas todas voltadas para a elucidação de um tema único.
(BLOCH, Marc. Apologia da história ou o ofício do historiador. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002. Adaptado)
O método proposto por Bloch pressupõe
Os itinerários formativos têm como objetivo consolidar e aprofundar conhecimentos, preparar o estudante para os desafios do mundo do trabalho e da cidadania na contemporaneidade e aprimorar a formação ética, além de promover uma postura ativa frente ao conhecimento científico, filosófico e a produção artística e literária.
(SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa ensino médio. São Paulo: SEDUC, 2020.)
Em relação aos itinerários formativos em Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, espera-se que os docentes considerem
A abertura para o mundo digital, no uso cada vez mais frequente de tecnologias, especialmente no cotidiano mediado pela interação entre pessoas e entre pessoas e objetos, além da internet das coisas, requer o uso com critérios deste ferramental.
(SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista: etapa ensino médio. São Paulo: SEDUC, 2020. Adaptado)
De acordo com o Currículo Paulista, no campo das Ciências Humanas e Sociais Aplicadas, é preciso considerar que as inovações tecnológicas devem
É preciso compreender que o trabalho dos professores na contextualização do Currículo é fundamental para a formação integral dos estudantes e requer uma reflexão sobre todo o processo de desenvolvimento da aprendizagem.
(SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista. São Paulo: SEDUC, 2019. Adaptado)
O trabalho de contextualização do Currículo Paulista em História está relacionado
Um dos desafios que se coloca no Ensino Fundamental é a necessidade de estudantes e professores assumirem uma “atitude historiadora”.
(SÃO PAULO (Estado). Secretaria da Educação. Currículo Paulista. São Paulo: SEDUC, 2019. Adaptado)
O termo “atitude historiadora”, no Currículo Paulista, refere-se
O trabalho escravo mantém-se como significante, mas com significado diverso. Trata-se de conceito com conteúdo mutável como são todas as definições jurídicas em geral. Não se trata de conceito neutro, mas algo que tem contornos definidos de acordo com o momento histórico em que se localiza.
(CAVALCANTI, Tiago Muniz. Trabalho escravo contemporâneo: hoje, o mesmo de ontem. Veredas do Direito, Belo Horizonte, Dom Helder, v. 20, 2023. Adaptado)
No texto, o autor defende a
Não são raras as decisões judiciais que naturalizam os elementos caracterizadores do trabalho escravo: alojamentos indignos, ausência ou insuficiência de alimentos, de água potável e de sanitários, entre outras graves violações trabalhistas, tanto em âmbito urbano como em localidades rurais, que são constantemente relativizados pelo sistema de justiça.
(CAVALCANTI, Tiago Muniz. Trabalho escravo contemporâneo: hoje, o mesmo de ontem. Veredas do Direito, Belo Horizonte, Dom Helder, v. 20, 2023. Adaptado)
De acordo com o texto, tal tipo de decisão judicial delimita as formas análogas à escravidão
Foi somente naquele contexto que o então presidente, em pronunciamento à nação transmitido pelo rádio, reconhece formalmente a existência de trabalho escravo contemporâneo no território brasileiro e dá início às primeiras iniciativas de combate a esse ilícito de maneira organizada pelo Estado.
(CAVALCANTI, Tiago Muniz. Trabalho escravo contemporâneo: hoje, o mesmo de ontem. Veredas do Direito, Belo Horizonte, Dom Helder, v. 20, 2023. Adaptado)
O texto refere-se às ações de combate ao trabalho escravo tomadas pelo presidente