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Q485369 Português
                              Eu Sei, Mas Não Devia
                                                                        Clarice Lispector

Eu sei, mas não devia. Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo, porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. 

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz [...]. 

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “Hoje não posso ir". A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que se paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar muito mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 

A gente se acostuma à poluição. A luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. 

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado. 

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.


“A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer.”

Assinale a alternativa que NÃO explica a expressão acima.
Alternativas
Q485368 Português
                              Eu Sei, Mas Não Devia
                                                                        Clarice Lispector

Eu sei, mas não devia. Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo, porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. 

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz [...]. 

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “Hoje não posso ir". A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que se paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar muito mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 

A gente se acostuma à poluição. A luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. 

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado. 

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.


Aceitamos as coisas sem questioná-las porque
Alternativas
Q485367 Português
                              Eu Sei, Mas Não Devia
                                                                        Clarice Lispector

Eu sei, mas não devia. Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia. A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão. 

A gente se acostuma a acordar de manhã, sobressaltado porque está na hora. A tomar café correndo, porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo de viagem. A comer sanduíches porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia. 

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz [...]. 

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: “Hoje não posso ir". A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisa tanto ser visto.
A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o que necessita. A lutar para ganhar o dinheiro com que se paga. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar muito mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagará mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra. 

A gente se acostuma a andar nas ruas e ver cartazes. A abrir revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos. 

A gente se acostuma à poluição. A luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias de água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinhos, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta. 

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente se senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só o pé e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer, a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre o sono atrasado. 

A gente se acostuma para não ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se da faca e da baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que de tanto se acostumar, se perde de si mesma.


De acordo com o texto, analise as seguintes afirmativas sobre o texto “Eu sei, mas não devia” e assinale com V as verdadeiras e com F as falsas.

( ) Todas as situações expostas no texto são verdadeiras, mas não fazemos nada para mudar.
( ) Poderíamos agir de forma diferente e fazemos de tudo para dar certo.
( ) Saber o que devíamos fazer, mas não fazemos.
( ) Devíamos ter mais cuidado com nossas ações.
( ) Saber apenas não é suficiente.

Assinale a alternativa que apresenta a sequência CORRETA.
Alternativas
Q455582 Enfermagem
Em situações de emergência, a intubação endotraqueal é um meio de fornecer ventilação mecânica para indivíduos que não podem manter uma via aérea adequada por si próprios.

Considerando os cuidados ao paciente com tubo endotraqueal, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455581 Enfermagem
A tinea do corpo é uma infecção cutânea fúngica, em que um animal de estimação infectado pode ser a fonte.

Considerando os cuidados de enfermagem em pacientes com tinea do corpo, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455580 Enfermagem
As convulsões são episódios de atividade motora, sensorial, autonômica ou psíquica anormais que decorrem de uma descarga súbita e excessiva de neurônios cerebrais.

Considerando os cuidados de enfermagem durante uma crise convulsiva, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455579 Enfermagem
A maioria das lesões por queimadura ocorrem em casa e sua prevalência é bastante elevada entre crianças.

Considerando os cuidados para a prevenção da queimadura em crianças, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455578 Enfermagem
Diabetes Melitus é uma doença crônica em que o autocuidado é fundamental para o tratamento e a prevenção de complicações ao longo prazo.

Considerando as orientações ao paciente diabético quanto à autoadministração da insulina, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455577 Enfermagem
A faringite aguda é uma inflamação súbita da faringe, ocorrendo com mais frequência em adolescentes e adultos jovens.

Considerando os cuidados em casos de faringite aguda, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455576 Enfermagem
No que tange às relações com os trabalhadores de enfermagem, saúde e outros, é direito dos profissionais de enfermagem participar da prática multiprofissional e interdisciplinar com responsabilidade, autonomia e liberdade.

Tendo em vista os direitos, as responsabilidades, os deveres e as proibições dos profissionais de enfermagem, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455575 Enfermagem
A parada cardíaca ocorre quando o coração para de produzir um impulso elétrico e de circular o sangue. Tendo em vista os cuidados ao paciente na reanimação cardiopulmonar, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455574 Enfermagem
O paciente com uma lesão cranioencefálica está em risco de complicações como, por exemplo, o aumento da pressão intracraniana.

Considerando os cuidados para o controle da pressão intracraniana em pacientes com lesões cerebrais graves, assinale a alternativa INCORRETA
Alternativas
Q455573 Enfermagem
A equipe de enfermagem frequentemente assiste pacientes com mobilidade dependente. Quando a condição do paciente se estabiliza, ele é assistido para ficar em pé.

Considerando a técnica para assistir o paciente a ficar em pé, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455572 Enfermagem
Os cuidados com a saúde nas afecções cardiovasculares variam desde ações preventivas, curativas e até paliativas em todas as faixas etárias.

Tendo em vista cuidados de enfermagem nas afecções cardiovasculares, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455571 Enfermagem
A rotina diária do técnico de enfermagem deve ser pautada em normas e legislações que regem a profissão.

Tendo em vista o exercício legal da profissão, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455570 Enfermagem
O sistema urinário é responsável por proporcionar a via para a drenagem da urina formada pelos rins.

Considerando os cuidados de enfermagem a pacientes com distúrbios urinários, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455569 Enfermagem
A sondagem gástrica é um procedimento comum em diversas situações clínicas de pacientes internados.

Considerando esse procedimento, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455568 Enfermagem
A assistência de enfermagem por vezes é determinada conforme o sistema acometido.

Tendo em vista os cuidados de enfermagem a pacientes com distúrbios gastrointestinais, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455567 Enfermagem
A administração de medicamentos, em geral, faz parte do trabalho diário da equipe de enfermagem. A administração por via intravenosa é muito utilizada quando se pretende repor líquidos, administrar medicamentos e fornecer nutrientes.

Considerando essa técnica básica da enfermagem, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q455566 Enfermagem
Os cuidados de enfermagem a pacientes com afecções respiratórias envolvem conhecimentos de anatomia, fisiologia e terapêuticas não invasivas.

Tendo em vista esse tema, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Respostas
2841: C
2842: B
2843: D
2844: B
2845: A
2846: D
2847: B
2848: D
2849: A
2850: C
2851: A
2852: B
2853: C
2854: C
2855: C
2856: C
2857: B
2858: C
2859: B
2860: D