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Pode-se dizer que a informação trazida pela oração adjetiva explicativa na piada é relevante para que o leitor signifique adequadamente:
No documento “Orientações curriculares para o ensino médio: linguagem, código e suas tecnologias” (2006), aborda-se a piada a seguir, de forma a permitir uma reflexão sobre os diferentes fatores e conhecimentos implicados no processo de produção de sentido.
TEXTO XX
Chegando à fazenda dos avós, para visitá-los, o neto se dirige ao avô, que está na sala:
– Firme, vô?
– Não, fio, Sírvio Santos.
Disponível em: http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/book_volume_01_internet.pdf. Acesso em: 2 fev. 2018.
Assinale a alternativa que apresenta consideração INADEQUADA sobre a piada, tendo em vista o
processo de compreensão.
Atente para os excertos da BNCC e, na sequência, uma charge, a fim de responder à questão
TEXTO XVII
Competência específica de Língua Portuguesa para o Ensino Fundamental:
1. Compreender a língua como fenômeno cultural, histórico, social, variável, heterogêneo e sensível aos contextos de uso, reconhecendo-a como meio de construção de identidades de seus usuários e da comunidade a que pertencem.
(BNCC. Conteúdo em Discussão no CNE. Texto em Revisão. 2017, p. 83)
TEXTO XVIII
O Eixo da Análise Linguística / Semiótica envolve os procedimentos e estratégias (meta)cognitivas de análise e avaliação consciente, durante os processos de leitura e de produção de textos (orais, escritos e multissemióticos), das materialidades dos textos, responsáveis por seus efeitos de sentido, seja no que se refere às formas de composição dos textos, determinadas pelos gêneros (orais, escritos e multissemióticos) e pela situação de produção, seja no que se refere aos estilos adotados nos textos, com forte impacto nos efeitos de sentido.
(BNCC. Conteúdo em Discussão no CNE. Texto em Revisão. 2017, p.67)

Atente para as afirmativas feitas:
I. Os alunos, para entendimento dessa charge, devem analisar os elementos da materialização textual escolhida, bem como os elementos paralinguísticos e cinésicos. Quanto ao estilo, é preciso analisar as escolhas lexicais, a variedade linguística, os mecanismos morfossintáticos, constatando se há (in)congruência com a situação de produção, a forma e o gênero em questão.
II. Com relação a um dos mecanismos sintáticos e morfológicos presentes, constata-se que o enunciador utiliza "pegá-las-emos", no início da sentença. Trata-se de uma forma incorreta de utilização dos pronomes oblíquos. Assim, o professor deve sinalizar isso, explicar as possibilidades de colocação pronominal e, junto com os alunos, encontrar uma forma substitutiva para essa construção.
III. Na encenação do diálogo, o uso do vocativo "meu caro amigo" destoa do ambiente e gera estranhamento; diferentemente, a escolha do advérbio "tardiamente" se mostra como uma opção lexical adequada ao registro adotado.
IV. Na charge, o personagem constrói sua identidade por meio do seu enunciado, mostrando-se alguém cuja fala é incoerente e carente de elementos coesivos apropriados.
Está CORRETO apenas o que se afirma em:
Atente para os textos XV e XVI para responder à questão.
TEXTO XV
Os conhecimentos grafofônicos, ortográficos, lexicais, morfológicos, sintáticos, textuais, discursivos, sociolinguísticos e semióticos que operam nas análises linguísticas e semióticas necessárias à compreensão e à produção de linguagens estarão, concomitantemente, sendo construídos durante o Ensino Fundamental. Assim, as práticas de leitura / escuta e de produção de textos orais, escritos e multissemióticos oportunizam situações de reflexão sobre a língua e as linguagens de uma forma geral, em que essas descrições, conceitos e regras operam e nas quais serão concomitantemente construídos: comparação entre definições que permitam observar diferenças de recortes e ênfases na formulação de conceitos e regras; comparação de diferentes formas de dizer “a mesma coisa” e aná- lise dos efeitos de sentido que essas formas podem trazer / suscitar; exploração dos modos de significar dos diferentes sistemas semióticos etc.
Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 19 fev. 2018
TEXTO XVI
Atente para a tirinha a seguir, em que Mafalda e Felipe, personagens de Quino, dialogam sobre algo comum ao universo escolar:

Assinale a opção que completa adequadamente o enunciado:
O professor de língua portuguesa do ensino fundamental, com o intuito de atender ao preconizado na BNCC, ao trabalhar com esse exemplar do gênero tirinha, deverá
Atente para o excerto da BNCC referente ao trabalho com o Eixo da Leitura e a tirinha de Bill Waterson, na sequência:
TEXTO XIII
A demanda cognitiva das atividades de leitura deve aumentar progressivamente desde os anos iniciais do Ensino Fundamental até o Ensino Médio. Esta complexidade se expressa pela articulação: da diversidade dos gêneros textuais escolhidos e das práticas consideradas em cada campo; da complexidade textual que se concretiza pela temática, estruturação sintática, vocabulário, recursos estilísticos utilizados, orquestração de vozes e linguagens presentes no texto; do uso de habilidades de leitura que exigem processos mentais necessários e progressivamente mais demandantes, passando de processos de recuperação de informação (identificação, reconhecimento, organização) a processos de compreensão (comparação, distinção, estabelecimento de relações e inferência) e de reflexão sobre o texto (justificação, análise, articulação, apreciação e valorações estéticas, éticas, políticas e ideológicas); da consideração da cultura digital e das TDIC; da consideração da diversidade cultural, de maneira a abranger produções e formas de expressão diversas, a literatura infantil e juvenil, o cânone, o culto, o popular, a cultura de massa, a cultura das mídias, as culturas juvenis etc., de forma a garantir ampliação de repertório, além de interação e trato com o diferente.
(Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 19 fev. 2018)

Leia a letra da música “Gramática”, a respeito da qual serão feitas a questão.
TEXTO XII
Gramática
Sandra Peres e Luiz Tatti
O substantivo
É o substituto do conteúdo
O adjetivo
É a nossa impressão sobre quase tudo
O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo
O imperativo
É o que aperta os outros e deixa mudo
Um homem de letras
Dizendo ideias
Sempre se inflama
Um homem de ideias
Nem usa letras
Faz ideograma
Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama
Mas se mostro o nome
Com poucas letras
É um telegrama
Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto
E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto
No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto
Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto
Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu
O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu
Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu
Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil
(Composição: Sandra Peres e Luiz Tatti Palavra Cantada. Álbum: Canções Curiosas, 1998. Disponível em: https://www.letras.mus.br
› Infantil › Palavra Cantada › Gramática. Acesso em: 15 jan. 2018)
Uma das competências específicas do Ensino de Língua Portuguesa preconizadas pela BNCC a ser desenvolvida na Educação Básica foi transcrita abaixo:
4. Compreender o fenômeno da variação linguística, demonstrando atitude respeitosa diante de variedades linguísticas e rejeitando preconceitos linguísticos.
Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 19 fev. 2018
Um dos grandes desafios aos docentes na contemporaneidade é lidar (e ensinar a lidar) com a diversidade e pluralidade, em todas as suas manifestações – uma delas é a variabilidade linguística.
Analise a metalinguagem adotada pelos compositores (Sandra Peres e Luiz Tatti) e o que destacam os verbetes a seguir, no dicionário:
I - “Já o idiotismo / É tudo que a língua / Não traduziu”
II - “Mas tem idiotismo / Também na fala / De um imbecil”
Idiotismo
Substantivo masculino 1. m.q. IDIOTICE. 1.2 – ling. traço ou construção peculiar a uma determinada língua, que não se encontra na maioria dos outros idiomas (p.ex., o infinitivo pessoal do português, ou a resposta afirmativa com o próprio verbo da pergunta, como: -́Você vai? - Vou ); idiomatismo. - locução própria de uma língua, cuja tradução literal não faz sentido numa outra língua de estrutura análoga, ger. por ter um significado não dedutível da simples combinação dos significados dos elementos que a constituem (p.ex., [estar] com a cachorra '[estar] irado, de mau humor'); modismo.
III - “Todo barbarismo / É o português / Que se repeliu”
Barbarismo
substantivo masculino - 1.1 – estado ou condição de povo bárbaro; barbárie; 1.2. ato de grande crueldade; barbaria, barbaridade; 1.3. gram uso de formas vocabulares contrárias à norma culta da língua, seja do ponto de vista ortoépico (p.ex., rúbrica no de rubrica ), ortográfico (p.ex., excessão por exceção ), gramatical (p.ex., a construção quando eu ver por quando eu vir; menas palavras por ... menos palavras ), ou semântico (p.ex., o uso da loc. ir de encontro a ['chocar-se com'] no lugar de ir ao encontro de ['estar conforme']).
IV – “O neologismo / É uma palavra / Que não se ouviu”
Neologismo
Substantivo masculino. Ling. 1.1 emprego de palavras novas, derivadas ou formadas de outras já existentes, na mesma língua ou não; 1.2. atribuição de novos sentidos a palavras já existentes na língua; 1. 3. unidade léxica criada por esses processos.
Ainda que poeticamente, os autores espelham a existência de uma acepção negativa, preconceituosa,
no que se refere:
Leia a letra da música “Gramática”, a respeito da qual serão feitas a questão.
TEXTO XII
Gramática
Sandra Peres e Luiz Tatti
O substantivo
É o substituto do conteúdo
O adjetivo
É a nossa impressão sobre quase tudo
O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo
O imperativo
É o que aperta os outros e deixa mudo
Um homem de letras
Dizendo ideias
Sempre se inflama
Um homem de ideias
Nem usa letras
Faz ideograma
Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama
Mas se mostro o nome
Com poucas letras
É um telegrama
Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto
E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto
No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto
Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto
Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu
O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu
Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu
Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil
(Composição: Sandra Peres e Luiz Tatti Palavra Cantada. Álbum: Canções Curiosas, 1998. Disponível em: https://www.letras.mus.br
› Infantil › Palavra Cantada › Gramática. Acesso em: 15 jan. 2018)
Leia a letra da música “Gramática”, a respeito da qual serão feitas a questão.
TEXTO XII
Gramática
Sandra Peres e Luiz Tatti
O substantivo
É o substituto do conteúdo
O adjetivo
É a nossa impressão sobre quase tudo
O diminutivo
É o que aperta o mundo
E deixa miúdo
O imperativo
É o que aperta os outros e deixa mudo
Um homem de letras
Dizendo ideias
Sempre se inflama
Um homem de ideias
Nem usa letras
Faz ideograma
Se altera as letras
E esconde o nome
Faz anagrama
Mas se mostro o nome
Com poucas letras
É um telegrama
Nosso verbo ser
É uma identidade
Mas sem projeto
E se temos verbo
Com objeto
É bem mais direto
No entanto falta
Ter um sujeito
Pra ter afeto
Mas se é um sujeito
Que se sujeita
Ainda é objeto
Todo barbarismo
É o português
Que se repeliu
O neologismo
É uma palavra
Que não se ouviu
Já o idiotismo
É tudo que a língua
Não traduziu
Mas tem idiotismo
Também na fala
De um imbecil
(Composição: Sandra Peres e Luiz Tatti Palavra Cantada. Álbum: Canções Curiosas, 1998. Disponível em: https://www.letras.mus.br
› Infantil › Palavra Cantada › Gramática. Acesso em: 15 jan. 2018)
A seguir, são trazidas conceituações da gramática tradicional para as categorias linguísticas abordadas na música:
I - “O substantivo: É o substituto do conteúdo.”
Substantivo é classe de palavras com que se denominam os seres, animados ou inanimados, concretos ou abstratos, os estados, as qualidades, as ações. Classe que nomeia ou categoriza tudo que existe.
II - “O adjetivo / É a nossa impressão sobre quase tudo”
Adjetivo é vocábulo que serve para modificar um substantivo, acrescentando uma qualidade, uma extensão ou uma quantidade àquilo que ele nomeia; diz-se de palavra, locução, oração, pronome. Pode ser atributivo (objetivo) ou interpretativo (subjetivo).
III - “O diminutivo / É o que aperta o mundo / E deixa miúdo.”
Diminutivo: diz-se do grau do substantivo; trata-se de morfema (sufixo) que, unindo-se à base de um substantivo, indica o grau diminutivo; designa o ser diminuído em relação ao normal, ou com a significação atenuada ou valorizada afetivamente.
IV - “O imperativo / É o que aperta os outros e deixa mudo.”
Imperativo: modo verbal que indica ordem, pedido, exortação
etc.; determinação de autoridade; ordem, mando, imposição;
adjetivo que acentua o caráter de mando, de autoridade, ou que
exprime uma ordem; autoritário.
Os autores embasaram-se na dimensão referencial para definirem poeticamente, por meio de pará-frase, as categorias constantes em:
Atente para os textos X e XI, excerto da BNCC e da obra de Travaglia (2003), para responder à questão.
TEXTO X
A linguagem é “uma forma de ação interindividual orientada para uma finalidade específica; um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes numa sociedade, nos distintos momentos de sua história” (BRASIL, 1998, p. 20).
Tal proposta assume a centralidade do texto como unidade de trabalho e as perspectivas enunciativo-discursivas na abordagem, de forma a sempre relacionar os textos a seus contextos de produção e o desenvolvimento de habilidades ao uso significativo da linguagem em atividades de leitura, escuta e produção de textos em várias mídias e semioses. Na esteira do que foi proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais, o texto ganha centralidade na definição dos conteúdos, habilidades e objetivos, considerado a partir de seu pertencimento a um gênero discursivo que circula em diferentes esferas / campos sociais de atividade / comunicação / uso da linguagem. Os conhecimentos sobre os gêneros, sobre os textos, sobre a língua, sobre a norma-padrão, sobre as diferentes linguagens (semioses) devem ser mobilizados em favor do desenvolvimento das capacidades de leitura, produção e tratamento das linguagens, que, por sua vez, devem estar a serviço da ampliação das possibilidades de participação em práticas de diferentes esferas / campos de atividades humanas.
Ao componente Língua Portuguesa cabe, então, proporcionar aos estudantes experiências que contribuam para a ampliação dos letramentos, de forma a possibilitar a participação significativa e nas diversas práticas sociais permeadas / constituídas pela oralidade, pela escrita e por outras linguagens.
(Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 19 fev. 2018)
TEXTO XI
A sistematização do ensino de gramática
O trabalho com atividades de ensino de gramática dos tipos “gramática de uso”, “gramática reflexiva” e “gramática normativa” na proposta de Travaglia (1996) seria utilizado essencialmente para o desenvolvimento da competência comunicativa, ou seja, para conseguir que o aluno, como usuário da língua, seja capaz de usar cada vez um maior número de recursos da língua de maneira adequada à produção do(s) efeito(s) de sentido desejado(s) em situações específicas de interação comunicativa, o que inclui o uso das diferentes variedades linguísticas em termos de dialetos e registros e variedades de modo (oral e escrito). Já o trabalho com atividades do tipo “gramática teórica” seria utilizado para: a) atendendo certas posturas da sociedade sobre o domínio de conhecimentos, fornecer ao aluno informação cultural sobre a língua; b) instrumentalizar o aluno com um meio auxiliar aos demais tipos de atividades de ensino de gramática, dando ao aluno uma metalinguagem básica que serviria para facilitar a referência aos elementos da língua. Este objetivo faria parte de outro maior que seria a instrumentalização com recursos para aplicações práticas imediatas; c) desenvolver o raciocínio, para ensinar a pensar de forma organizada na produção de conhecimento sobre um fato, enfim, para ensinar a fazer ciência.
(TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática – Ensino Plural. São Paulo: Cortez, 2003. p. 58-59)
Considere as afirmativas feitas a seguir:
I. Uma boa atividade de ensino gramatical reside no consagrado tripé de exposição (ou explicitação) do conceito em estudo, correta exemplificação (preferivelmente retirados de boas obras literárias ou gêneros mais monitorados da linguagem jornalística) e exercitação exaustiva, a fim de que o aprendiz possa compreender bem o tópico enfocado.
II. Para Travaglia, o ensino de gramática teórica tem grande relevância social, pois há uma aplicação imediata de praticamente todos os tópicos enfocados, que possibilitam ao aprendiz ter melhores resultados no ensino de Ciências.
III. O ensino da vasta metalinguagem constitutiva das prescrições normativas sobre os tópicos que constam do plano curricular de Língua Portuguesa de cada ano / ciclo da educação básica é crucial para o aprendiz, a fim de que este possa ampliar sua desenvoltura nas práticas leitura e escrita.
IV. Ao afirmar que é preciso fornecer “informação cultural sobre a língua”, Travaglia remete-nos ao fato de que conhecer a história da língua (seu percurso de mudanças diacrônicas) é tão importante quanto saber utilizar adequadamente as estruturas consideradas válidas no estágio sincrônico atual, se o que se deseja é melhorar a proficiência linguística do aprendiz.
Verifica-se que estão INCORRETAS as afirmativas:
Atente para os textos X e XI, excerto da BNCC e da obra de Travaglia (2003), para responder à questão.
TEXTO X
A linguagem é “uma forma de ação interindividual orientada para uma finalidade específica; um processo de interlocução que se realiza nas práticas sociais existentes numa sociedade, nos distintos momentos de sua história” (BRASIL, 1998, p. 20).
Tal proposta assume a centralidade do texto como unidade de trabalho e as perspectivas enunciativo-discursivas na abordagem, de forma a sempre relacionar os textos a seus contextos de produção e o desenvolvimento de habilidades ao uso significativo da linguagem em atividades de leitura, escuta e produção de textos em várias mídias e semioses. Na esteira do que foi proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais, o texto ganha centralidade na definição dos conteúdos, habilidades e objetivos, considerado a partir de seu pertencimento a um gênero discursivo que circula em diferentes esferas / campos sociais de atividade / comunicação / uso da linguagem. Os conhecimentos sobre os gêneros, sobre os textos, sobre a língua, sobre a norma-padrão, sobre as diferentes linguagens (semioses) devem ser mobilizados em favor do desenvolvimento das capacidades de leitura, produção e tratamento das linguagens, que, por sua vez, devem estar a serviço da ampliação das possibilidades de participação em práticas de diferentes esferas / campos de atividades humanas.
Ao componente Língua Portuguesa cabe, então, proporcionar aos estudantes experiências que contribuam para a ampliação dos letramentos, de forma a possibilitar a participação significativa e nas diversas práticas sociais permeadas / constituídas pela oralidade, pela escrita e por outras linguagens.
(Disponível em: http://basenacionalcomum.mec.gov.br/images/BNCC_20dez_site.pdf. Acesso em: 19 fev. 2018)
TEXTO XI
A sistematização do ensino de gramática
O trabalho com atividades de ensino de gramática dos tipos “gramática de uso”, “gramática reflexiva” e “gramática normativa” na proposta de Travaglia (1996) seria utilizado essencialmente para o desenvolvimento da competência comunicativa, ou seja, para conseguir que o aluno, como usuário da língua, seja capaz de usar cada vez um maior número de recursos da língua de maneira adequada à produção do(s) efeito(s) de sentido desejado(s) em situações específicas de interação comunicativa, o que inclui o uso das diferentes variedades linguísticas em termos de dialetos e registros e variedades de modo (oral e escrito). Já o trabalho com atividades do tipo “gramática teórica” seria utilizado para: a) atendendo certas posturas da sociedade sobre o domínio de conhecimentos, fornecer ao aluno informação cultural sobre a língua; b) instrumentalizar o aluno com um meio auxiliar aos demais tipos de atividades de ensino de gramática, dando ao aluno uma metalinguagem básica que serviria para facilitar a referência aos elementos da língua. Este objetivo faria parte de outro maior que seria a instrumentalização com recursos para aplicações práticas imediatas; c) desenvolver o raciocínio, para ensinar a pensar de forma organizada na produção de conhecimento sobre um fato, enfim, para ensinar a fazer ciência.
(TRAVAGLIA, Luiz Carlos. Gramática – Ensino Plural. São Paulo: Cortez, 2003. p. 58-59)
Os textos VIII e IX, motivadores, o(a) auxiliarão a responder à questão.
TEXTO VIII
Na busca por definir critérios para fixar uma escrita convencionalizada, observamos que as muitas línguas com notação alfabética enfrentaram, desde a Antiguidade, uma disputa entre opções (cf. BLANCHE-BENVENISTE; CHERVEL, 1974). Por um lado, desde a Roma e a Grécia antigas, já existia tendência de buscar respeitar o princípio fonográfico, segundo o qual a ortografia deveria estar o mais próxima possível da pronúncia das palavras. Apesar das boas intenções, isso envolvia um problema sem solução perfeita: se diferentes falantes de uma mesma língua – pertencentes a regiões, grupos socioculturais e épocas diferentes – pronunciam de forma distinta as mesmas palavras, a busca de uma correspondência “limpa” entre formas de falar e escrever teria sempre que partir de uma pronúncia idealizada, tomada como padrão. Por outro lado, encontramos há muitos séculos a defesa de um princípio etimológico, segundo o qual as palavras provenientes de outra língua deveriam preservar as grafias que tinham nas línguas de origem. Assim, no caso de línguas como português, francês e espanhol, as formas latinas e gregas seriam candidatas especiais à manutenção de suas notações originais (e a uma desobediência do princípio fonográfico).
Finalmente, nessa disputa entre perspectivas diferentes, a história de evolução das normas ortográficas das línguas aqui mencionadas revela que não só tendeu-se a fazer um “casamento” dos dois princípios (fonográfico e etimológico) já citados, como a incorporar formas escritas que surgiram por mera tradição de uso.
Tudo em ortografia precisa ser visto, consequentemente, como fruto de uma convenção arbitrada / negociada ao longo da História. Mesmo a separação das palavras no texto, com espaços em branco, é uma invenção recente, bem como o emprego sistemático de sinais de pontuação. Até o século XVIII, quando predominava a leitura em voz alta, muitos textos eram notados com as palavras “pegadas”. Como também tinham poucos sinais de pontuação, cabia ao leitor, ao “preparar” sua leitura, definir como iria segmentar o texto. Numa língua como o português, vemos hoje que a norma ortográfica envolve não só a definição das letras autorizadas para escrever-se cada palavra, como também a segmentação destas no texto e o emprego da acentuação.
Diferentemente da pontuação – que permite opções / variações conforme o estilo ou interesse de quem escreve –, no caso da ortografia as convenções estabelecidas são avaliadas taxativamente: a grafia de uma palavra ou está certa ou errada, não se julgando sua qualidade em termos de “aproximação” do esperado (MORAIS, 1998; SILVA, 2004).
(MORAIS, Arthur Gomes. A norma ortográfica do português: o que é? para que serve? como está organizada? In: SILVA, Alexsandro; MORAIS, Arthur G.; MELO, Kátia L. R. Ortografia na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. Disponível em: http://www.serdigital.com.br/gerenciador/clientes/ceel/arquivos/25.pdf. Acesso em: 5 jan. 2018).
TEXTO IX
Nosso objeto de estudo, a linguagem, mostra-se diferente aos olhos do observador, conforme ele a investigue. Por exemplo, como representação do pensamento, e este como representação do mundo. Entretanto, sabemos que, no uso cotidiano da língua, não pensamos conscientemente em formas para traduzir conteúdos, nem em conteúdos preexistentes que buscam formas. Forma e pensamento nascem juntos; nossos pensamentos e representações são feitos de palavras e se constroem, ou na interação contextualizada com o outro ou no diálogo interno com outros discursos também feitos de palavras. A referência à decodificação, presente nos PCN+, não pode nos induzir também ao engano de reduzir as línguas naturais — em particular, a língua portuguesa — a um sistema de sinais, por meio do qual um emissor comunica a um recebedor determinada mensagem.
A partir dessa concepção, aprender e ensinar língua seria dominar o código, e a compreensão e a produção de textos se reduziriam ao processo de decodificação e codificação: para cada sinal ou combinação de sinais corresponderia um sentido. Sabemos que os enunciados produzidos nas línguas naturais têm uma parte material - os sons, no caso da língua oral, e as formas, no caso da escrita -, mas têm também uma parte subentendida, essencial para a produção de sentido na interação. Essa parte subentendida, digamos, “invisível”, está no contexto de produção do enunciado, em sua enunciação e co-enunciação, nos conhecimentos de mundo e nos valores partilhados pelos interlocutores.
(SEE MG. Currículo Básico Comum. Proposta Curricular. Língua Portuguesa - Ensinos Fundamental e Médio. 2005, p. 11-
12)
Os textos VIII e IX, motivadores, o(a) auxiliarão a responder à questão.
TEXTO VIII
Na busca por definir critérios para fixar uma escrita convencionalizada, observamos que as muitas línguas com notação alfabética enfrentaram, desde a Antiguidade, uma disputa entre opções (cf. BLANCHE-BENVENISTE; CHERVEL, 1974). Por um lado, desde a Roma e a Grécia antigas, já existia tendência de buscar respeitar o princípio fonográfico, segundo o qual a ortografia deveria estar o mais próxima possível da pronúncia das palavras. Apesar das boas intenções, isso envolvia um problema sem solução perfeita: se diferentes falantes de uma mesma língua – pertencentes a regiões, grupos socioculturais e épocas diferentes – pronunciam de forma distinta as mesmas palavras, a busca de uma correspondência “limpa” entre formas de falar e escrever teria sempre que partir de uma pronúncia idealizada, tomada como padrão. Por outro lado, encontramos há muitos séculos a defesa de um princípio etimológico, segundo o qual as palavras provenientes de outra língua deveriam preservar as grafias que tinham nas línguas de origem. Assim, no caso de línguas como português, francês e espanhol, as formas latinas e gregas seriam candidatas especiais à manutenção de suas notações originais (e a uma desobediência do princípio fonográfico).
Finalmente, nessa disputa entre perspectivas diferentes, a história de evolução das normas ortográficas das línguas aqui mencionadas revela que não só tendeu-se a fazer um “casamento” dos dois princípios (fonográfico e etimológico) já citados, como a incorporar formas escritas que surgiram por mera tradição de uso.
Tudo em ortografia precisa ser visto, consequentemente, como fruto de uma convenção arbitrada / negociada ao longo da História. Mesmo a separação das palavras no texto, com espaços em branco, é uma invenção recente, bem como o emprego sistemático de sinais de pontuação. Até o século XVIII, quando predominava a leitura em voz alta, muitos textos eram notados com as palavras “pegadas”. Como também tinham poucos sinais de pontuação, cabia ao leitor, ao “preparar” sua leitura, definir como iria segmentar o texto. Numa língua como o português, vemos hoje que a norma ortográfica envolve não só a definição das letras autorizadas para escrever-se cada palavra, como também a segmentação destas no texto e o emprego da acentuação.
Diferentemente da pontuação – que permite opções / variações conforme o estilo ou interesse de quem escreve –, no caso da ortografia as convenções estabelecidas são avaliadas taxativamente: a grafia de uma palavra ou está certa ou errada, não se julgando sua qualidade em termos de “aproximação” do esperado (MORAIS, 1998; SILVA, 2004).
(MORAIS, Arthur Gomes. A norma ortográfica do português: o que é? para que serve? como está organizada? In: SILVA, Alexsandro; MORAIS, Arthur G.; MELO, Kátia L. R. Ortografia na sala de aula. Belo Horizonte: Autêntica, 2005. Disponível em: http://www.serdigital.com.br/gerenciador/clientes/ceel/arquivos/25.pdf. Acesso em: 5 jan. 2018).
TEXTO IX
Nosso objeto de estudo, a linguagem, mostra-se diferente aos olhos do observador, conforme ele a investigue. Por exemplo, como representação do pensamento, e este como representação do mundo. Entretanto, sabemos que, no uso cotidiano da língua, não pensamos conscientemente em formas para traduzir conteúdos, nem em conteúdos preexistentes que buscam formas. Forma e pensamento nascem juntos; nossos pensamentos e representações são feitos de palavras e se constroem, ou na interação contextualizada com o outro ou no diálogo interno com outros discursos também feitos de palavras. A referência à decodificação, presente nos PCN+, não pode nos induzir também ao engano de reduzir as línguas naturais — em particular, a língua portuguesa — a um sistema de sinais, por meio do qual um emissor comunica a um recebedor determinada mensagem.
A partir dessa concepção, aprender e ensinar língua seria dominar o código, e a compreensão e a produção de textos se reduziriam ao processo de decodificação e codificação: para cada sinal ou combinação de sinais corresponderia um sentido. Sabemos que os enunciados produzidos nas línguas naturais têm uma parte material - os sons, no caso da língua oral, e as formas, no caso da escrita -, mas têm também uma parte subentendida, essencial para a produção de sentido na interação. Essa parte subentendida, digamos, “invisível”, está no contexto de produção do enunciado, em sua enunciação e co-enunciação, nos conhecimentos de mundo e nos valores partilhados pelos interlocutores.
(SEE MG. Currículo Básico Comum. Proposta Curricular. Língua Portuguesa - Ensinos Fundamental e Médio. 2005, p. 11-
12)
TEXTO VII
Discreta e formosíssima Maria
Gregório de Matos Guerra
Discreta e formosíssima Maria,
Enquanto estamos vendo a qualquer hora
Em tuas faces a rosada Aurora,
Em teus olhos, e boca o Sol, e o dia:
Enquanto com gentil descortesia
O ar, que fresco Adônis te namora,
Te espalha a rica trança voadora,
Quando vem passear-te pela fria:
Goza, goza da flor da mocidade,
Que o tempo trota a toda ligeireza,
E imprime em toda a flor sua pisada.
Oh não aguardes, que a madura idade
Te converta em flor, essa beleza
Em terra, em cinza, em pó, em sombra, em nada
O poema de Gregório de Matos salienta
TEXTO VI
A terra é nossa
A terra é um bem comum
Que pertence a cada um
Com o seu poder além,
Deus fez a grande natura
Mas não passou escritura
Da terra para ninguém
Se a terra foi Deus quem fez
Se é obra da criação
Deve cada camponês
Ter uma faixa de chão.
Sei que o latifundiário
Egoísta e usuário
Da terra toda se apossa,
Causando crises fatais
Porém nas leis naturais
Sabemos que a terra é nossa.
Quando um agricultor solta
O seu grito de revolta
Tem razão de reclamar,
Não há maior padecer
Do que um camponês viver
Sem terra pra trabalhar.
(Disponível em: http://patativadoassare.com/a-terra-e-nossa/. Acesso em: 5 jan. 2018)
Considere a seguinte declaração de Patativa do Assaré e as afirmativas abaixo:
“Não é, então, o papel do poeta um papel neutro, de simples observador. O poeta nasceu não só com o dom da poesia, como também com o da verdade e o da justiça. O poeta comenta, critica, ensina...”.
I. A rigidez da métrica configura a rigidez ideológica que perpassa a composição das estrofes.
II. Busca pela igualdade social, injustiça social e crítica política são temas encadeados presentes nas estrofes.
III. A presença de discurso religioso contribui para a proposição da justiça defendida nos versos.
IV. O sujeito poético fala sobre o sofrimento de um homem que, sendo da terra, vê-se alijado de seu direito.
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Ilustra(m) a declaração de Patativa do Assaré, apenas:
TEXTO V
De Sinal de menos
perdido entre signos
decifro devoro
persigo persigno
redecifroredevoro
entre signos perdido
devoro decifro
sigo poesigno
redevororedecifro
entreperdido paraíso
voraz cifro
desenho & desígnio
(ÁVILA, Carlos. Sinal de menos. Ouro Preto / MG: Tipografia do Fundo de Ouro Preto, 1989)
A leitura do poema de Carlos Ávila sugere que a criação literária se dá
TEXTO IV
Encostei meu ombro naquele céu curvo e terno
No lago as estrelas molhavam-se
Sussurravam que meu abraço
Contivera a terra inteira e os ares
ALVIM, Francisco. In: HOLLANDA, Heloísa Buarque de. 26 poetas hoje. Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007. p. 23
No poema de Francisco Alvim, o lirismo se dá por meio da
Leia atentamente os textos II e III. A questão refere-se a eles.
TEXTO II
Peão morre após ser pisoteado por touro em festa de Alvorada
Vítima participava de montaria quando caiu no chão e foi atingida pelas
patas do animal. Homem não usava capacete de segurança.
Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central
Globo.com 25/06/2017 17h03 Atualizado 25/06/2017 17h39
Um peão de 24 anos morreu neste fim de semana após ser pisoteado por um touro, durante uma montaria no distrito de Terra Boa em Alvorada do Oeste (RO), a 460 quilômetros de Porto Velho. Conforme informações do registro policial, o rapaz participava da montaria em uma festa, quando caiu e acabou sendo atingido pelas patas do animal.
Um vídeo gravado por espectadores do rodeio da festa mostra o momento em que o jovem, que era peão profissional, monta no touro e a porteira é aberta.
Poucos segundos depois o peão se desequilibrou, caiu do animal e foi pisoteado. Os palhaços então tentam afastar o touro do jovem, que ficou caído no meio da arena.
Na sequência o boi volta na direção dos palhaços e rodopia novamente sobre a vítima. Assustado, o público da arquibancada começa a gritar e o locutor pede ajuda médica.
TEXTO III
Ezequiel voou parafusado. Quando estava de boca pro céu, as estrelas e as luzes da arena formaram um telegrama manchado nos seus olhos. Bateu chapado no chão. Ouvido apitando. Deu até vontade de rir... Mas não é que o touro desceu com uma pisada tão forte que as costelas se esmigalharam por cima do coração?! Foi menos que suspiro e mais que dolorido. Ele ainda levantou o chapéu e batendo a poeira das calças! Ezequiel, esse insistente... Os braços valeram pra isso. Mas também só pra isso, porque ao cair de novo já foi de cara... e completamente morto. (Barretos – Brasil – 1996)
(BONASSI, Fernando. Passaporte. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2001)
Leia atentamente os textos II e III. A questão refere-se a eles.
TEXTO II
Peão morre após ser pisoteado por touro em festa de Alvorada
Vítima participava de montaria quando caiu no chão e foi atingida pelas
patas do animal. Homem não usava capacete de segurança.
Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central
Globo.com 25/06/2017 17h03 Atualizado 25/06/2017 17h39
Um peão de 24 anos morreu neste fim de semana após ser pisoteado por um touro, durante uma montaria no distrito de Terra Boa em Alvorada do Oeste (RO), a 460 quilômetros de Porto Velho. Conforme informações do registro policial, o rapaz participava da montaria em uma festa, quando caiu e acabou sendo atingido pelas patas do animal.
Um vídeo gravado por espectadores do rodeio da festa mostra o momento em que o jovem, que era peão profissional, monta no touro e a porteira é aberta.
Poucos segundos depois o peão se desequilibrou, caiu do animal e foi pisoteado. Os palhaços então tentam afastar o touro do jovem, que ficou caído no meio da arena.
Na sequência o boi volta na direção dos palhaços e rodopia novamente sobre a vítima. Assustado, o público da arquibancada começa a gritar e o locutor pede ajuda médica.
TEXTO III
Ezequiel voou parafusado. Quando estava de boca pro céu, as estrelas e as luzes da arena formaram um telegrama manchado nos seus olhos. Bateu chapado no chão. Ouvido apitando. Deu até vontade de rir... Mas não é que o touro desceu com uma pisada tão forte que as costelas se esmigalharam por cima do coração?! Foi menos que suspiro e mais que dolorido. Ele ainda levantou o chapéu e batendo a poeira das calças! Ezequiel, esse insistente... Os braços valeram pra isso. Mas também só pra isso, porque ao cair de novo já foi de cara... e completamente morto. (Barretos – Brasil – 1996)
(BONASSI, Fernando. Passaporte. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2001)
I. O narrador de rodeio é testemunha ocular do fato narrado, conforme indica a frase “Deu até vontade de rir...”.
II. O narrador de rodeio retrata a cena cruelmente, sem demonstrar constrangimento quanto a essa perspectiva, segundo a ironia presente em “Ezequiel, esse insistente...”.
III. A voz narrativa de rodeio banaliza a atuação do peão, demonstrando seu engajamento com relação à causa em favor de animais.
O texto III é um conto, parte da obra Passaporte, de Fernando Bonassi, publicado pela editora Cosac & Naify. Quanto à posição do narrador em relação ao fato narrado, é CORRETO o que se afirma apenas em:
Leia atentamente os textos II e III. A questão refere-se a eles.
TEXTO II
Peão morre após ser pisoteado por touro em festa de Alvorada
Vítima participava de montaria quando caiu no chão e foi atingida pelas
patas do animal. Homem não usava capacete de segurança.
Por Pâmela Fernandes, G1 Ji-Paraná e Região Central
Globo.com 25/06/2017 17h03 Atualizado 25/06/2017 17h39
Um peão de 24 anos morreu neste fim de semana após ser pisoteado por um touro, durante uma montaria no distrito de Terra Boa em Alvorada do Oeste (RO), a 460 quilômetros de Porto Velho. Conforme informações do registro policial, o rapaz participava da montaria em uma festa, quando caiu e acabou sendo atingido pelas patas do animal.
Um vídeo gravado por espectadores do rodeio da festa mostra o momento em que o jovem, que era peão profissional, monta no touro e a porteira é aberta.
Poucos segundos depois o peão se desequilibrou, caiu do animal e foi pisoteado. Os palhaços então tentam afastar o touro do jovem, que ficou caído no meio da arena.
Na sequência o boi volta na direção dos palhaços e rodopia novamente sobre a vítima. Assustado, o público da arquibancada começa a gritar e o locutor pede ajuda médica.
TEXTO III
Ezequiel voou parafusado. Quando estava de boca pro céu, as estrelas e as luzes da arena formaram um telegrama manchado nos seus olhos. Bateu chapado no chão. Ouvido apitando. Deu até vontade de rir... Mas não é que o touro desceu com uma pisada tão forte que as costelas se esmigalharam por cima do coração?! Foi menos que suspiro e mais que dolorido. Ele ainda levantou o chapéu e batendo a poeira das calças! Ezequiel, esse insistente... Os braços valeram pra isso. Mas também só pra isso, porque ao cair de novo já foi de cara... e completamente morto. (Barretos – Brasil – 1996)
(BONASSI, Fernando. Passaporte. São Paulo: Cosac & Naify Edições, 2001)
I. É possível que a jornalista Pâmela Fernandes não tenha presenciado o fato por ela noticiado, embora demonstre conhecer a vítima, conforme indica a informação “que era peão profissional”.
II. A jornalista Pâmela Fernandes narra com certo distanciamento a partir de informações colhidas de um registro policial no qual a situação fora narrada como algo já acontecido, conforme indicam os verbos no pretérito imperfeito.
III. Pâmela Fernandes narra a partir de imagens de um vídeo feito por espectadores, transpostas com verbos no presente do indicativo, como se houvesse simultaneidade entre o que vídeo mostra e o relato feito pela jornalista.
O texto II é uma notícia publicada em um site de grande circulação e apresenta um fato acontecido em Roraima. Quanto à posição da jornalista em relação ao fato narrado, é CORRETO o que se afirma apenas em:
TEXTO I:
Nossa Senhora dos Destoantes
Luís Fernando Veríssimo
A pequena Capela de Nossa Senhora do Rosário do Padre Faria é uma das tantas joias arquitetônicas de Ouro Preto. O exterior despojado não prepara o visitante para a opulência barroca do interior. O campanário fica afastado do corpo da igreja, como a “casinha” numa morada sem banheiro, e nada tem de imponente. Os sinos da Capela de Padre Faria badalam em concerto com os outros sinos da região, cantando as horas e os eventos, e não soam nem melhor nem pior do que os outros. Mas os sinos da Capela do Padre Faria têm uma história diferente dos outros.
Quando Tiradentes foi enforcado e esquartejado no Rio de Janeiro todos os outros sinos celebraram a notícia. Afinal, tratava-se da execução de um traidor, de um inimigo da sociedade. Os sinos de Ouro Preto festejaram o castigo exemplar de um réprobo e o triunfo da legalidade sobre a rebeldia. Mesmo que o toque festivo não tivesse sido recomendado pela Coroa, a celebração se justificaria. Mas os sinos da Capela do Padre Faria dobraram Finados. Pela primeira e única vez na história, talvez, os sinos da Capela do Padre Faria destoaram do concerto. Tocaram, sozinhos, uma batida fúnebre pelo martírio de Tiradentes.
Não conheço bem a história e não sei o que motivou as badaladas subversivas. Um pedido de secretos simpatizantes da Inconfidência? Apenas uma manifestação de piedade cristã? Um sineiro bêbado? Não sei. Minha tese preferida é que alguém responsável pelos sinos teve um vislumbre histórico. Teve a presciência que ninguém mais teve e ordenou o toque plangente, em homenagem precoce ao futuro herói e pelo ocaso do poder colonial que seu sacrifício desencadearia.
Nossa Senhora do Rosário serviria como padroeira, não necessariamente de quem consegue adivinhar a História, mas de quem entende o momento que está vivendo ou destoa da maioria, com ou sem razão. Destoantes deveriam ir regularmente em romaria à pequena capela e pedir a bênção dessa Nossa Senhora do Contexto Maior, para melhor poder enfrentar a maioria que badala o que não tem importância e o fato errado e menospreza qualquer batida diferente.
Os outros sineiros de Ouro Preto não tinham como saber que estavam festejando a morte de um herói. Faltava-lhes a perspectiva histórica para entender o momento e só cumpriram o que se esperava deles. Estão perdoados. Mas que nos sirvam de lição.
(Disponível em https://jornalggn.com.br/noticia/nossa-senhora-dos-destoantes-por-luis-fernando-verissimo. Acesso em: 9 fev. 2018)
“O contexto maior não absolve, exatamente, o contexto imediato, a triste realidade de revelações e escândalos de todos os dias, mas consola. Nossa inspiração deve ser o historiador francês Fernand Braudel, que — principalmente no seu monumental estudo sobre as civilizações do Mediterrâneo — ensinou que, para se entender a História, é preciso concentrar-se no que ele chamava de lalonguedurée, que é outro nome para o contexto maior. Braudel partia do particular e do individual para o social e daí para o nacional e o generacional, se é que existe a palavra, e na sua história da região, o indivíduo e seu cotidiano eram reduzidos a “poeira” (palavra dele também, que incluía até papas e reis) em contraste com a longuedurée, o longo prazo da história verdadeira. Assim na sua obra se encontram as minúcias da vida diária nos países do Mediterrâneo mas compreendidas sub specieaeternitatis, do ponto de vista da eternidade, que é o contexto maior pedante.”
(Disponível em https://jornalggn.com.br/noticia/o-contexto-maior-por-luis-fernando-verissimo. Acesso em 09 fev. 2018).
O segmento em destaque também foi produzido por Luís Fernando Veríssimo, em sua crônica, de fevereiro de 2015, O contexto maior, título retomado no trecho da crônica Nossa Senhora dos Destoantes, publicada em 09 de fevereiro de 2018 em: “Destoantes deveriam ir regularmente em romaria à pequena capela e pedir a bênção dessa Nossa Senhora do Contexto Maior, para melhor poder enfrentar a maioria que badala o que não tem importância e o fato errado e menospreza qualquer batida diferente”.
Sobre essa referência de O contexto maior em Nossa Senhora dos Destoantes, pode-se afirmar que