Questões de Concurso Para prefeitura de potirendaba - sp

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Q4315990 Noções de Informática
Considere que um agente administrativo de determinada prefeitura recebeu um e-mail fraudulento que simulava uma comunicação do Tribunal de Justiça, solicitando o acesso a um link para visualizar uma suposta intimação. Após clicar no link, um programa malicioso foi instalado silenciosamente no computador. Dias depois, o servidor percebeu que as teclas digitadas (incluindo senhas bancárias e credenciais de acesso aos sistemas da prefeitura) estavam sendo registradas e enviadas a terceiros. Diante do exposto, é correto afirmar que o tipo específico de malware que operou nesse ataque denomina-se: 
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Q4315989 Redes de Computadores
Considere que uma servidora de determinada prefeitura precisa acessar o sistema interno de gestão de pessoal, disponível apenas para computadores conectados à rede da instituição. Ao tentar acessar o sistema remotamente em sua residência, ela percebe que o endereço não está disponível na Internet pública. Nesse contexto, o ambiente de rede utilizado para disponibilizar esse sistema interno denomina-se:
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Q4315988 Sistemas Operacionais
No sistema operacional Windows 10 Pro, a administração do ambiente de trabalho exige o domínio de conceitos fundamentais de organização e de gerenciamento de informações, arquivos, pastas e programas. Em relação a tais conceitos no ambiente Windows, analise as afirmativas a seguir.

I. O Windows utiliza uma estrutura hierárquica de diretórios, permitindo que arquivos e subpastas sejam organizados de forma lógica para facilitar sua localização e acesso.
II. O sistema de arquivos de Windows estabelece um limite fixo para a quantidade de níveis de subpastas que podem ser criados dentro de uma mesma estrutura de diretórios.
III. O Windows não permite que dois arquivos com o mesmo nome e a mesma extensão sejam armazenados dentro de uma mesma pasta, sendo necessário utilizar nomes diferentes ou armazená-los em locais distintos.

Está correto o que se afirma em
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Q4315987 Noções de Informática
No Microsoft Word (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil) integrado ao Microsoft 365, um usuário precisa aplicar uma formatação específica que garanta que determinado parágrafo nunca seja separado, ficando com metade em uma página e a outra metade na página seguinte. Para resolver a tarefa sem a necessidade de inserir quebras de página manuais que possam desconfigurar o documento posteriormente, o usuário deverá acessar as propriedades de Parágrafo e, na guia “Quebras de linha e de página”, selecionar a opção:
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Q4315986 Noções de Informática
Durante uma auditoria interna, a Controladoria de determinada prefeitura está analisando a quantidade de empenhos emitidos para cada credor ao longo do primeiro semestre. Para identificar os credores que receberam mais de cinco empenhos, o auditor organizou os dados na seguinte planilha do Microsoft Excel (Configuração Padrão – Idioma Português-Brasil): 

Imagem associada para resolução da questão




Para obter a quantidade de credores que possuem mais de cinco empenhos emitidos, a fórmula a ser utilizada é: 
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Q4315985 Raciocínio Lógico
Considere que a assessoria de comunicação de determinada prefeitura precisa criar senhas temporárias de acesso ao novo portal do servidor municipal. Cada senha deve ser formada por um anagrama da palavra MUNICIPIO, composta por 9 letras, sendo apenas a letra I repetida três vezes. Por exigência da equipe de segurança da informação, a letra M não pode ocupar a primeira nem a última posição da senha. Nessas condições, o número total de senhas distintas que podem ser geradas é: 
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Q4315984 Raciocínio Lógico
Na lógica proposicional, duas proposições são logicamente equivalentes quando apresentam o mesmo valor lógico para toda atribuição possível de valores lógicos às suas proposições simples. Nesse contexto, considere a seguinte proposição: “Se o servidor público age com improbidade, então sofre sanções administrativas”. Diante do exposto, é correto afirmar que uma proposição logicamente equivalente à apresentada é:
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Q4315983 Matemática
Para a implantação de um parque comunitário, a prefeitura de determinado município dispõe de 120 metros de cerca para delimitar uma área retangular destinada a um campo de futebol de areia. Os engenheiros definiram que o comprimento do retângulo deve ser 10 metros maior que a largura. Nessas condições, a área total do terreno destinado ao campo, em metros quadrados, é:
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Q4315982 Matemática
Durante o planejamento da implantação de duas estações de monitoramento ambiental, a equipe técnica de determinada prefeitura utilizou um sistema cartesiano para representar suas localizações. As estações foram posicionadas nos pontos A (–2,5) e B (6, –1). Para a instalação de um cabo de comunicação entre essas estações, é necessário determinar a equação da reta que passa por esses dois pontos. A equação reduzida da reta que passa pelos pontos A e B é: 
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Q4315981 Matemática
Considere o polinômio:

P(x) = 2x3 – 5x2 + kx – 8,



em que k é uma constante real. Pelo Teorema do Resto, um polinômio P(x) é divisível por um binômio da forma x – a se, e somente se, P(a) = 0 . Sabendo que P(x) é divisível por x – 2, o valor de k é:
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Q4315980 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
A pontuação organiza as relações sintáticas entre os constituintes da oração e do período, podendo também produzir efeitos de ritmo e destaque. Nesse contexto, considere as propostas de inserção, supressão ou substituição de sinais de pontuação em trechos do texto e assinale a alternativa em que a alteração preserva a correção gramatical e as relações sintáticas do período, de acordo com a norma-padrão. 
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Q4315979 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Os pronomes relativos exercem papel fundamental na coesão textual, retomando um termo antecedente e desempenhando função sintática na oração subordinada que introduzem. Considerando os trechos destacados do texto, à luz da norma- -padrão, assinale a alternativa cuja análise está integralmente correta.
Alternativas
Q4315978 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
A autora recorre a diferentes tempos e modos verbais para articular fatos presentes, lembranças, hipóteses e projeções ao longo do texto. Considerando a correlação entre as formas verbais empregadas e os efeitos de sentido que produzem em seus respectivos contextos, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4315977 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considerando os trechos destacados do texto, à luz das regras de concordância verbal da norma-padrão da língua portuguesa, assinale a única alternativa cuja análise está correta.
Alternativas
Q4315976 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No trecho do 8º§: “Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.”, a locução conjuntiva “desde que” introduz uma oração que estabelece uma relação lógico-semântica com a oração anterior. Considerando o funcionamento desse conector no contexto textual, assinale a afirmativa correta.
Alternativas
Q4315975 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No 4º§, a autora menciona “uma toalha puidinha”. Considerando o sentido contextual do adjetivo destacado e sua contribuição para a construção da argumentação do texto, assinale a alternativa em que a substituição proposta e a respectiva justificativa preservam mais adequadamente o efeito de sentido produzido no texto.
Alternativas
Q4315974 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
No 11º§, a autora emprega uma sequência de perguntas retóricas, como em “Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada?”. Considerando a função desse recurso na progressão argumentativa do texto, essas perguntas contribuem para reforçar a tese de que:
Alternativas
Q4315973 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considere o emprego do vocábulo “monotonia” no seguinte fragmento do 10º§: “É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem.”. Nesse contexto, a escolha da palavra “monotonia” contribui para caracterizar a dinâmica associada aos algoritmos, sugerindo que eles tendem a: 
Alternativas
Q4315972 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considere a seguinte passagem do 6º§: “Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.”. No trecho, a autora emprega o verbo “dessalgamos” em sentido figurado. Esse recurso expressivo tem como principal efeito: 
Alternativas
Q4315971 Português
À mesa não se envelhece nem se enrijece


    Estou em uma mesa de oito lugares onde se apinham doze pessoas. Todos conversam sem prestar atenção no meu silêncio repentino, nos meus olhos que descem pela toalha manchada de vinho, pelos pratos de cores diferentes, cada um de um jogo que foi se quebrando, pela comida que ficou levemente sem gosto, pelos copos que tivemos que usar no lugar das taças que se quebraram na mudança.

    Os quadros ainda não foram pregados nas paredes da sala. Não possuo as flores frescas que as influenciadoras dizem ser fundamentais para deixar a casa bonita. Não fiz o pudim ensinado por milhares de tutoriais porque sujaria ainda mais louça – comeremos os quindins que comprei na padaria.

    Se fosse há cinco ou seis anos, eu não teria promovido esse almoço. Eu teria me fiado pela sociedade da performance, que exige que tudo, até um almoço entre amigos, seja um evento perfeito. Instagramável. E, portanto, com pouca chance de acontecer.

    Ainda sentada à mesa, lembro das minhas avós, das velhas matriarcas de outras famílias. Não marcavam nada. Aos domingos, abriam as portas para quem chegasse. Sobre a mesa coberta com uma toalha puidinha, a garrafa térmica e o bolo. Ou a macarronada que se repetia por anos, sem que ninguém se constrangesse em servir aquele eterno prato único. E tudo bem, porque o intuito dos encontros não era oferecer uma experiência gastronômica, mas promover uma comunhão que pairava acima do estômago.

    “A tavola non si invecchia” meu pai sempre dizia, ditado italiano que afirma que à mesa não se envelhece.

    Vou além: à mesa também não se enrijece, porque é no encontro que dessalgamos certezas excessivas.

     Comendo de meus pratos coloridos e lascados, há amigos de esquerda, meu primo de direita e meu novo vizinho, que ainda não conheço bem e de quem desconheço totalmente a orientação ideológica. Um é vegetariano, outro entusiasta da proteína animal. Um é ateu, outro acredita em tudo, e mais um pouco.

    Que discordem no que tiverem que discordar, penso, desde que não lancem garfos sobre a minha cabeça.

    Como avançar se não conversando?

    É no diálogo – e não na monotonia temática do algoritmo – que as trocas mais produtivas acontecem. Que as mudanças de voto acontecem. Que as pequenas revoluções acontecem (não à toa, regimes autoritários adoravam investir na distância e na desconfiança entre vizinhos). Que as fofocas acontecem. Que mesmo as separações acontecem – onde uma mulher irá contar que vem sendo agredida pelo marido, senão em um em encontro íntimo, cercada de gente de sua confiança?

    Enquanto sirvo os quindins, escuto os papos. Lembro que meus amigos conhecem meu primo aqui desta mesa. Que se tornaram parceiros de pedalada a partir de um almoço servido aqui nesta mesa. Quantas conexões eu deixaria de ter feito se ficasse esperando pela louça adequada? Quantos conselhos eu perderia se ficasse na dependência de uma sobremesa instagramável? Quantas gargalhadas deixaria de dar se ficasse esperando cozinhar como um chef?

    Saúde, sugiro, levantando meu copo bico de jaca. Os outros levantam os seus, e celebro intimamente esse território de oito lugares em que apertando cabem doze, quem sabe até quatorze e para onde sei que sempre podemos voltar.


(Por: Giovana Madalosso. À mesa não se envelhece nem se enrijece. Jornal Folha de S. Paulo, 2026. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: julho de 2026.)
Considerando sua organização, a articulação entre narração e reflexão e a finalidade predominante da autora, o gênero textual a que pertence o texto é:
Alternativas
Respostas
81: C
82: A
83: D
84: B
85: B
86: B
87: D
88: C
89: A
90: B
91: C
92: D
93: D
94: C
95: D
96: C
97: C
98: B
99: D
100: D