Questões de Concurso
Para prefeitura de pinhalzinho - sc
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Texto 4
Os romanos, quando ocupavam uma nova província conquistada, garantiam que os postos administrativos, burocráticos e militares fossem preenchidos, na medida do possível, por cidadãos da classe “urbana”. Mas o imenso contingente de agricultores, comerciantes de ninharias e de bens fundamentais, artesãos, prostitutas, cozinheiros etc., que passavam, afinal, a constituir a massa da nova população romana no local era indubitavelmente composto por pessoas sem educação, com poucos meios. Gente das camadas populares, que falava latim vulgar. (…) Eram os trabalhadores braçais que construíam os famosos aquedutos e estradas dos romanos, e não os engenheiros que os projetavam, os que levavam para os cantos mais remotos do Império o latim de verdade.
Linguisticamente, somos todos filhos das camadas mais humildes dos falantes de latim, língua que é rica e complexa exatamente por ter todo esse repertório de formas, níveis, estilos e recursos. Como qualquer grande idioma de uma sociedade complexa, o latim era muitos latins; e o latim da maioria não era exatamente o dos gramáticos.
GALINDO, Caetano W. – Latim em pó – Um passeio pela formação do nosso português, Cia da Letras, S. Paulo, 2022, p. 81.
Identifique abaixo as afirmativas verdadeiras ( V ) e as falsas ( F ) em relação aos textos 3 e 4.
( ) Os dois textos valorizam as variantes linguísticas. O primeiro, no entanto, aborda a situação do educador; o segundo, por sua feita, analisa o ponto de vista histórico.
( ) O texto 4 divide a língua entre a falada pelas pessoas comuns e a língua dos gramáticos. O texto 3 traz a língua essencial como referência e a única que deve ser ensinada nas escolas.
( ) O autor do texto 4, ao afirmar que o latim era muitos latins, está se referindo às variedades linguísticas.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta, de cima para baixo.
Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da reflexão linguística a partir de certa fase do percurso escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil (Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais) ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre situado num passado remoto e nebuloso, enquanto a situação contemporânea de suposta “decadência” é sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o professor que quiser contribuir para desconstruí-la deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do que provado que, do ponto de vista exclusivamente científico, não existe erro em língua, o que existe é variação e mudança, e a variação e a mudança não são “acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são constitutivas da natureza mesma de todas as língua humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna, letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
Analise as afirmativas abaixo sobre o texto 3.
1. O texto é argumentativo, porque o autor busca mostrar seu ponto de vista a fim de convencer o leitor ao empregar argumentos.
2. O texto é totalmente expositivo, à medida que busca mostrar a situação da educação linguística com o objetivo de deixar o leitor tomar livremente uma posição.
3. O texto é um artigo científico, extremamente técnico, voltado a um público específico.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da reflexão linguística a partir de certa fase do percurso escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil (Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais) ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre situado num passado remoto e nebuloso, enquanto a situação contemporânea de suposta “decadência” é sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o professor que quiser contribuir para desconstruí-la deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do que provado que, do ponto de vista exclusivamente científico, não existe erro em língua, o que existe é variação e mudança, e a variação e a mudança não são “acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são constitutivas da natureza mesma de todas as língua humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna, letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
Analise as afirmativas abaixo sobre o texto 3.
1. O autor afirma que a língua é usada com frequência para a prática do preconceito, da discriminação. No entanto, não aponta atitudes para combater esse problema.
2. Segundo o autor, não há erro em língua, mas variações linguísticas do ponto de vista estritamente científico.
3. Além do ponto de vista científico, há outro, que considera a existência de uma língua “essencial”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
Texto 3
Além do já mencionado estímulo ininterrupto à elevação do grau de letramento dos alunos e da prática da reflexão linguística a partir de certa fase do percurso escolar, cabe também ao professor de língua apresentar os valores sociais atribuídos a cada variedade linguística. Como cada um de nós sabe muito bem, a língua é frequentemente usada na prática da discriminação, da exclusão social. O preconceito linguístico vivo e atuante é uma realidade inegável no Brasil (Bagno, 1999; 2000). Explicitar, explicar e combater esse preconceito é uma das tarefas incontornáveis da educação linguística.
Talvez possamos atribuir parte do preconceito linguístico (que existe em todas as culturas ocidentais) ao vigor da já mencionada crença (de inspiração platônica) na existência de uma língua “essencial”, que vive num mundo apenas inteligível, imaterial, fora do alcance dos nossos sentidos. (…)
No caso específico da língua, esse ideal é sempre situado num passado remoto e nebuloso, enquanto a situação contemporânea de suposta “decadência” é sempre analisada com pessimismo. (…)
Uma vez consciente dessa situação problemática, o professor que quiser contribuir para desconstruí-la deverá tentar se apoderar dos resultados oferecidos pela pesquisa sociolinguística e pelas teorias linguísticas de inspiração não essencialista. Já está mais do que provado que, do ponto de vista exclusivamente científico, não existe erro em língua, o que existe é variação e mudança, e a variação e a mudança não são “acidentes de percurso”, muito pelo contrário, elas são constitutivas da natureza mesma de todas as língua humanas vivas.
BAGNO, Marcos; STUBBS, Michael; GAGNÉ, Gilles – Língua Materna, letramento, variação & ensino, ed. Parábola, São Paulo, 2002, p. 73.
Texto 2
Há mais coisas em comum no reino paulista do que imagina nossa vã filosofia. A semana foi prova dessa verdade. Entrevistados pelo gordo Jô Soares, os também gordos Sérgio Motta, vulgo Serjão, e Delfim Netto provaram que têm algo em parceria além dos dois tt.
Ambos contribuem para o enriquecimento da língua portuguesa. O dono das telecomunicações lembrou- -se do verbo malufar, “que significa roubar”, rimou. O outro não deixou por menos. Criou o neologismo mottar (com dois tt, prestem atenção). Quer dizer vazar informações no mercado e depois dizer que se enganou. É o caso das tarifas telefônicas. O ministro falou em alta. Provocou especulações na bolsa. “Muita gente ganhou dinheiro”, jura Delfim.
No dia seguinte, Jô comentava a elegância criativa dos dois. (…)
SQUARISI, DAD - Português com humor, 2001, ed. Correio Braziliense, p. 81.
Texto 1
A Kombi, se o leitor não sabe devo adverti-lo, pertence à história pessoal de cada jornalista esportivo. Há dois tipos de jornalistas: os que viajam e os que não viajam. Os esportivos pertencem ao primeiro tipo. A Kombi já define a viagem: ela será lenta, intestinal, suada, poeirenta e muito sonora. Imaginei que não haveria mais Kombi na minha vida. A última eu mesmo a aluguei e saí a dirigi-la como um rolador de tonel. Mas Campos fica a quatro horas do rio e o Almir é um excelente motorista de Kombi: acomodamos tudo atrás, sentamos um ao lado do outro, bem-humorados, dispostos e ressequidos por uma cerveja que tardava. E viajamos 30 minutos.
A Kombi andou de um lado para o outro, fomos para o acostamento. Fazia quarenta graus, o sol estava em cima, o pó embaixo do pneu furado. No borracheiro, dois quilômetros adiante, se podia ver a câmara enrugada, com duas bolas, saindo de dentro do pneu novo. Bebemos a cerveja, mas foi preciso afastar com a palma da mão o lençol de moscas que recobria o balcão. O próximo pneu seria à noite, num lançante da serra: desciam caminhões em banguela (em ponto morto), lá estávamos nós, estômago na mão, no acostamento da contramão que era o único existente. Campos apareceu aos poucos, já de madrugada escondida entre canaviais e o cheiro forte da cana cortada e deixada no chão apodrecendo. É um cheiro doce por vezes, mas dolorosamente azedo quase sempre.
Ruy Carlos Ostermann, Correio do Povo, 08/11/1977
Texto 1
A Kombi, se o leitor não sabe devo adverti-lo, pertence à história pessoal de cada jornalista esportivo. Há dois tipos de jornalistas: os que viajam e os que não viajam. Os esportivos pertencem ao primeiro tipo. A Kombi já define a viagem: ela será lenta, intestinal, suada, poeirenta e muito sonora. Imaginei que não haveria mais Kombi na minha vida. A última eu mesmo a aluguei e saí a dirigi-la como um rolador de tonel. Mas Campos fica a quatro horas do rio e o Almir é um excelente motorista de Kombi: acomodamos tudo atrás, sentamos um ao lado do outro, bem-humorados, dispostos e ressequidos por uma cerveja que tardava. E viajamos 30 minutos.
A Kombi andou de um lado para o outro, fomos para o acostamento. Fazia quarenta graus, o sol estava em cima, o pó embaixo do pneu furado. No borracheiro, dois quilômetros adiante, se podia ver a câmara enrugada, com duas bolas, saindo de dentro do pneu novo. Bebemos a cerveja, mas foi preciso afastar com a palma da mão o lençol de moscas que recobria o balcão. O próximo pneu seria à noite, num lançante da serra: desciam caminhões em banguela (em ponto morto), lá estávamos nós, estômago na mão, no acostamento da contramão que era o único existente. Campos apareceu aos poucos, já de madrugada escondida entre canaviais e o cheiro forte da cana cortada e deixada no chão apodrecendo. É um cheiro doce por vezes, mas dolorosamente azedo quase sempre.
Ruy Carlos Ostermann, Correio do Povo, 08/11/1977
Observe as alterações propostas nos trechos retirados do texto 1.
1. Em “(…) pertence à história pessoal de cada jornalista esportivo”, se substituíssemos o verbo pertencer pelo verbo abrigar, estariam igualmente postas as condições para a manutenção do sinal indicativo de crase.
2. Na seguinte construção: “(…) se podia ver a câmara enrugada”, se substituíssemos a palavra câmara por câmaras, o verbo poder, obrigatoriamente, deveria ser flexionado na terceira pessoa do plural.
3. Na construção a seguir, o sinal indicativo de crase ocorre por ser expressão adverbial feminina: “O próximo pneu seria à noite (…)”.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.