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Q3828577 Enfermagem
As bacterioses são doenças causadas por bactérias patogênicas e representam importante problema de saúde pública, podendo ser transmitidas por diferentes vias e exigir medidas específicas de prevenção e controle. O Técnico em Enfermagem atua no reconhecimento de sinais, na orientação aos pacientes e no apoio às ações de prevenção. Considerando as bacterioses, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3828576 Enfermagem
A Enfermagem em urgência e emergência envolve a prestação de cuidados imediatos a pacientes em situação de risco iminente de vida, exigindo atuação rápida, organizada e baseada em protocolos assistenciais. O Técnico em Enfermagem integra a equipe de atendimento, executando cuidados compatíveis com sua formação e atribuições. Analise as afirmativas abaixo.

I. O Técnico em Enfermagem pode atuar no monitoramento dos sinais vitais e na observação contínua do paciente em situação de urgência.

II. O apoio aos procedimentos de estabilização do paciente faz parte da atuação do Técnico em Enfermagem em urgência e emergência.

III. A comunicação imediata de alterações clínicas à equipe de saúde é uma atribuição do Técnico em Enfermagem nesse contexto.

IV. O Técnico em Enfermagem pode prescrever condutas terapêuticas e definir o plano de atendimento em situações de emergência.


Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3828575 Enfermagem
A Enfermagem em centro cirúrgico envolve a organização do ambiente, a aplicação de técnicas assépticas, a conferência de materiais e equipamentos e a adoção de medidas que garantam a segurança do paciente e a prevenção de infecções durante os procedimentos cirúrgicos. A Enfermagem em centro cirúrgico exige do Técnico em Enfermagem o cumprimento rigoroso de normas técnicas e protocolos institucionais relacionados à organização do ambiente, à segurança do paciente e à prevenção de infecções. Considerando a Enfermagem em centro cirúrgico, analise as afirmativas a seguir.

(__) O preparo adequado da sala cirúrgica contribui para a segurança do paciente e para a prevenção de infecções.
(__) A manutenção da técnica asséptica é fundamental durante todas as fases do procedimento cirúrgico.
(__) O Técnico em Enfermagem pode transitar livremente entre áreas limpas e contaminadas do centro cirúrgico sem comprometer a assepsia.
(__) A conferência de materiais e equipamentos deve ser realizada antes do início do procedimento cirúrgico.


Assinale a alternativa CORRETA, indicando as afirmativas VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F), "de cima para baixo". 
Alternativas
Q3828574 Enfermagem
A Enfermagem em ginecologia e obstetrícia compreende cuidados à saúde da mulher nos diferentes ciclos da vida, incluindo o acompanhamento do pré-natal, a assistência ao parto e os cuidados no puerpério, além de ações de prevenção, promoção da saúde e vigilância de sinais que indiquem possíveis intercorrências. A Enfermagem em ginecologia e obstetrícia envolve cuidados à saúde da mulher nos diferentes ciclos da vida, incluindo o período gestacional, o parto e o puerpério, bem como ações de prevenção e promoção da saúde. O Técnico em Enfermagem atua no apoio à assistência, seguindo protocolos e orientações da equipe de saúde. Considerando a Enfermagem em ginecologia e obstetrícia, analise as afirmativas abaixo.

(__) Os cuidados no acompanhamento do pré-natal incluem a observação de sinais e sintomas que indiquem possíveis intercorrências gestacionais.

(__) O Técnico em Enfermagem pode realizar procedimentos obstétricos invasivos de forma autônoma, sem supervisão profissional.

(__) A orientação à gestante sobre sinais de alerta durante a gravidez contribui para a prevenção de complicações.

(__) Os cuidados no puerpério incluem a observação de sangramentos, sinais de infecção e das condições gerais da puérpera.

Assinale a alternativa CORRETA, indicando as afirmativas VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F), "de cima para baixo".
Alternativas
Q3828573 Enfermagem
O Programa Nacional de Imunizações − PNI é responsável pela organização, coordenação e execução das ações de imunização no Brasil, visando ao controle, à eliminação e à erradicação de doenças imunopreveníveis. O Técnico em Enfermagem atua diretamente nas atividades de imunização, seguindo normas e protocolos oficiais. Analise as afirmativas abaixo.

I. A manutenção da cadeia de frio é essencial para garantir a eficácia e a segurança dos imunobiológicos.
II. O registro adequado das vacinas aplicadas contribui para o acompanhamento do esquema vacinal e para a vigilância em saúde.
III. O Técnico em Enfermagem pode aplicar vacinas sem observar o prazo de validade, desde que o frasco esteja lacrado.
IV. As ações do Programa Nacional de Imunizações incluem atividades de vacinação de rotina e campanhas de imunização. 


Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3828572 Enfermagem
A Enfermagem em saúde do idoso envolve cuidados voltados à promoção da autonomia, à prevenção de agravos, ao acompanhamento de doenças crônicas e à manutenção da qualidade de vida. O Técnico em Enfermagem atua na assistência direta, na observação clínica e na orientação ao idoso e à família, respeitando as especificidades do processo de envelhecimento. A Enfermagem em saúde do idoso envolve cuidados direcionados à promoção da autonomia, à prevenção de agravos e à manutenção da qualidade de vida dessa população. O Técnico em Enfermagem atua na assistência direta, na observação clínica e na orientação ao idoso e à família. Considerando a Enfermagem em saúde do idoso, analise as afirmativas abaixo.

(__) A avaliação do risco de quedas é uma medida importante na prevenção de acidentes entre idosos.
(__) O envelhecimento é um processo natural que pode estar associado a alterações fisiológicas e funcionais.
(__) O cuidado ao idoso limita-se ao tratamento de doenças agudas, não incluindo ações de promoção da saúde.
(__) A orientação ao idoso sobre o uso correto de medicamentos contribui para a segurança do tratamento.


Assinale a alternativa CORRETA, indicando as afirmativas VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F), "de cima para baixo".
Alternativas
Q3828571 Enfermagem
O Atendimento Pré-hospitalar − APH compreende o conjunto de ações realizadas fora do ambiente hospitalar com o objetivo de prestar assistência imediata à vítima, reduzir agravos e preservar a vida até a chegada ao serviço de saúde. O Técnico em Enfermagem pode atuar nesse contexto, respeitando protocolos e limites de atuação profissional. Considerando o Atendimento Pré-hospitalar − APH, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3828570 Enfermagem
A Enfermagem em clínica cirúrgica compreende os cuidados prestados ao paciente nos períodos pré e pós-operatório, envolvendo observação clínica, execução de procedimentos, orientação ao paciente e ações voltadas à prevenção de complicações e à segurança do cuidado, em articulação com a equipe de saúde. A Enfermagem em clínica cirúrgica envolve cuidados prestados ao paciente nos períodos pré e pós-operatório, com foco na recuperação, na prevenção de complicações e na segurança do cuidado. O Técnico em Enfermagem atua diretamente na observação clínica, na execução de procedimentos e no apoio à equipe de saúde. Considerando a Enfermagem em clínica cirúrgica, analise as afirmativas abaixo.

(__) A observação do paciente no pós-operatório inclui o monitoramento de sinais vitais e a identificação precoce de possíveis complicações.

(__) A orientação ao paciente sobre cuidados pós-operatórios deve ser realizada pelo Técnico em Enfermagem conforme prescrição e orientação da equipe de saúde.

(__) A administração de medicamentos no período pós-operatório pode ser realizada sem prescrição, desde que o paciente relate dor.

(__) A manutenção da integridade da ferida operatória contribui para a prevenção de infecções e complicações cirúrgicas.

Assinale a alternativa CORRETA, indicando as afirmativas VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F), "de cima para baixo". 
Alternativas
Q3828569 Enfermagem
A coleta de sangue é um procedimento rotineiro na prática do Técnico em Enfermagem e deve ser realizada com técnica adequada, observando normas de segurança, identificação correta do paciente e acondicionamento apropriado do material coletado. Considerando a coleta de sangue, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3828568 Noções de Primeiros Socorros
Os primeiros socorros consistem em medidas iniciais prestadas a uma vítima em situação de urgência, com o objetivo de preservar a vida, evitar o agravamento das lesões e promover condições seguras até a chegada de atendimento especializado. O Técnico em Enfermagem deve atuar dentro de seus limites técnicos e legais. Analise as afirmativas abaixo.

I. A avaliação inicial da vítima inclui a verificação do nível de consciência, da respiração e da circulação.
II. O controle de hemorragias é uma medida prioritária nos primeiros socorros para evitar o agravamento do quadro clínico.
III. O Técnico em Enfermagem deve realizar manobras avançadas de suporte de vida sem treinamento ou protocolo específico.
IV. A imobilização adequada de fraturas contribui para a prevenção de lesões adicionais durante o atendimento inicial.


Assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q3828566 Noções de Informática
O Microsoft Excel é amplamente utilizado para organização, análise e apresentação de dados em planilhas eletrônicas. Considerando o uso do Excel em atividades do dia a dia, analise as afirmativas a seguir:

I. O Excel não permite a proteção de células ou planilhas contra alterações, sendo qualquer conteúdo sempre editável.

II. Uma planilha pode conter várias abas, permitindo separar informações diferentes dentro do mesmo arquivo.

III. As fórmulas do Excel sempre começam com o sinal "=", indicando que a célula realizará um cálculo ou operação.

IV. A função SOMA é utilizada exclusivamente para somar valores que estejam digitados em células consecutivas, não funcionando com intervalos separados.

V. É possível aplicar filtros em tabelas para exibir apenas os dados que atendem a critérios definidos pelo usuário.


Assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3828565 Segurança da Informação
A utilização da Internet traz inúmeras facilidades, mas também exige cuidados relacionados à proteção de dados pessoais, privacidade e segurança das informações. Com base em boas práticas de segurança na Internet, analise as assertivas a seguir e marque V (verdadeira) ou F (falsa):

(__) O uso de senhas longas, combinando letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos, contribui para aumentar a segurança de contas on-line.

(__) Mensagens recebidas por e-mail ou aplicativos solicitando dados pessoais ou bancários devem ser analisadas com cautela, pois podem caracterizar tentativas de golpe.

(__) Sites que utilizam o protocolo HTTPS (protocolo de comunicação segura que utiliza criptografia) garantem, de forma absoluta, que todas as informações e conteúdos apresentados sejam verdadeiros, confiáveis e isentos de qualquer tipo de risco ao usuário.

(__) Manter o sistema operacional e os programas atualizados reduz a exposição a falhas de segurança conhecidas.

(__) Redes Wi-Fi públicas são totalmente seguras para realizar operações bancárias, desde que o dispositivo possua antivírus instalado.

(__) O compartilhamento excessivo de informações pessoais em redes sociais pode facilitar fraudes, golpes e roubo de identidade.


Assinale a alternativa CORRETA, considerando a sequência de V (verdadeira) e F (falsa) de cima para baixo:
Alternativas
Q3828564 Noções de Informática
O Microsoft Word é um editor de textos amplamente utilizado para elaboração de documentos acadêmicos, profissionais e pessoais. Considerando seus recursos mais usuais, analise as afirmativas a seguir:

I. O Word permite a formatação de textos com diferentes tipos e tamanhos de fonte, bem como a aplicação de negrito, itálico e sublinhado.

II. A inserção de cabeçalho e rodapé possibilita incluir elementos como numeração de páginas, data e informações fixas em todo o documento.

III. É possível inserir tabelas no documento para organizar informações em linhas e colunas.

IV. O Word não oferece recursos para revisão ortográfica e gramatical, sendo necessária a utilização de programas externos para essa finalidade.

V. Após ser salvo, um documento do Microsoft Word torna-se automaticamente não editável, garantindo assim a integridade do arquivo.


Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3828563 Noções de Informática
O sistema operacional Windows é amplamente utilizado em computadores pessoais e oferece diversos recursos para organização de arquivos, execução de programas e interação com o usuário. Considerando o ambiente Windows, analise as afirmativas a seguir:

I. O Windows permite que vários programas sejam executados simultaneamente, possibilitando ao usuário alternar entre eles por meio da barra de tarefas.

II. A Área de Trabalho é um espaço reservado exclusivamente para arquivos do sistema, não sendo possível ao usuário armazenar atalhos ou pastas pessoais.

III. O Explorador de Arquivos é a ferramenta utilizada para localizar, copiar, mover, renomear e excluir arquivos e pastas no Windows.

IV. O Painel de Controle e as Configurações do Windows permitem ao usuário alterar aspectos do sistema, como idioma, dispositivos, contas e opções de acessibilidade.

V. O Windows impede a personalização da interface gráfica, não permitindo alteração de plano de fundo, cores ou temas visuais.

Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3828562 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.
Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer.
Em relação à sintaxe do período, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3828561 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.

Antes de sair, sussurrou à filha que "ficasse" deitada e que "voltaria" pela manhã.

Os verbos destacados na frase encontram-se conjugados, respectivamente, no:

Alternativas
Q3828560 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.
Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe.
Em relação à sintaxe da oração, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3828559 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.

O "lêmure-de-cauda-anelada", por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais.

Em relação aos elementos morfológicos que compõem o substantivo destacado, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Q3828558 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.

Há "indícios do hábito" na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil.

Sintaticamente, o termo destacado nesta frase trata-se de:

Alternativas
Q3828557 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.
Ao discutir costumes de outras épocas, um texto pode combinar narrativa e explicação, articulando um fato inicial a informações posteriores para construir uma interpretação ampla, com progressão temática e encadeamento de ideias.
De acordo com o assunto tratado, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa CORRETA
Alternativas
Respostas
901: C
902: C
903: C
904: D
905: D
906: B
907: A
908: D
909: C
910: B
911: A
912: D
913: A
914: B
915: C
916: D
917: A
918: C
919: D
920: C