Questões de Concurso Para prefeitura de são josé do campestre - rn

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Q3829089 Odontologia
As curetas de Gracey são instrumentos desenhados para áreas específicas ("sítio-específicos"). Sobre a indicação correta das curetas de Gracey por numeração, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__) As curetas Gracey 5/6 são indicadas para a raspagem de dentes anteriores e pré-molares, em todas as suas faces.

(__) As curetas Gracey 11/12 são desenhadas para a raspagem da face mesial de dentes posteriores, possuindo angulação que facilita o acesso a essa região.

(__) As curetas Gracey 13/14 são indicadas exclusivamente para a raspagem da face distal de dentes posteriores.

(__) A cureta Gracey possui corte em ambos os lados da lâmina, permitindo seu uso com movimentos de empurrar e puxar em qualquer direção, diferentemente das curetas universais.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3829088 Odontologia
O uso de selantes de fossúlas e fissuras é uma estratégia preventiva eficaz baseada no isolamento físico da superfície dental. Analise as afirmativas a seguir sobre a técnica de aplicação e retenção de selantes resinosos:

I. O condicionamento ácido prévio do esmalte com ácido fosfórico a 37% é etapa crítica para criar microporosidades que permitem a retenção mecânica do material resinoso na superfície oclusal.

II. A contaminação por saliva após o condicionamento ácido e antes da aplicação do selante é a principal causa de falha e perda de retenção, exigindo re-condicionamento caso ocorra.

III. O uso de adesivo dentinário sob o selante é estritamente proibido em qualquer situação, pois a camada adesiva impede o escoamento do selante para o fundo da fissura.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3829087 Odontologia
A cirurgia oral requer instrumentos específicos para exodontias. Sobre a função dos fórceps odontológicos, registre V, para as afirmativas verdadeiras, e F, para as falsas:

(__) O Fórceps nº 151 é indicado para a exodontia de pré-molares, incisivos e raízes inferiores, apresentando pontas ativas que se curvam para baixo, acompanhando o longo eixo dos dentes inferiores.

(__) O Fórceps nº 18R é desenhado especificamente para molares superiores do lado direito, possuindo uma ponta "bicuda" ou com chifre que deve ser encaixada na furca vestibular, e uma ponta lisa para a raiz palatina.

(__) O Fórceps nº 69 (bico de passarinho) é utilizado para a extração de molares inferiores com coroas íntegras, sendo contraindicado para raízes residuais.

(__) O Fórceps nº 17 é indicado para molares inferiores, possuindo pontas ativas com chifres em ambos os lados para encaixar nas furcas vestibular e lingual.


Após análise, assinale a alternativa que apresenta a sequência correta dos itens acima, de cima para baixo:
Alternativas
Q3829086 Odontologia
O sistema de radiografia digital indireta utiliza placas de fósforo fotoestimulável (PSP). Analise as afirmativas a seguir sobre o manuseio dessas placas:

I. As placas de fósforo (PSP) são reutilizáveis e flexíveis, assemelhando-se aos filmes convencionais, mas devem ser protegidas por barreiras plásticas (envelopes) durante o uso intraoral para evitar contaminação e danos pela luz ambiente excessiva antes da leitura.

II. Após a exposição aos raios X, a imagem latente fica armazenada na placa e deve ser "escaneada" por um leitor a laser; após a leitura, a placa deve ser "apagada" (exposta a luz intensa) antes de ser reutilizada.

III. As placas PSP podem ser lavadas com álcool e glutaraldeído por imersão total após cada uso, dispensando o uso de barreiras plásticas protetoras na boca do paciente.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3829085 Odontologia
As glândulas salivares maiores possuem ductos excretores específicos que desembocam na cavidade oral em localizações anatômicas precisas, sendo fundamentais para a salivação. Assinale a alternativa correta que identifica a localização exata da carúncula sublingual, onde se abrem os ductos da glândula submandibular (Ducto de Wharton).
Alternativas
Q3829084 Odontologia
A Política Nacional de Saúde Bucal (Brasil Sorridente) reorganizou a atenção básica. Assinale a alternativa correta sobre a composição e carga horária das Equipes de Saúde Bucal (eSB) na Estratégia Saúde da Família.
Alternativas
Q3829083 Odontologia
A imunização dos profissionais de saúde é um requisito de biossegurança. Assinale a alternativa correta sobre o esquema vacinal contra o Tétano e Difteria (vacina dupla adulto - dT) para profissionais de saúde bucal que já possuem o esquema básico completo.
Alternativas
Q3829082 Odontologia
A avulsão dentária (saída total do dente do alvéolo) é uma emergência traumática. Assinale a alternativa correta sobre o meio de transporte ideal para o dente avulsionado até o reimplante, visando a manutenção da vitalidade das células do ligamento periodontal.
Alternativas
Q3829081 Odontologia
O processamento radiográfico manual envolve etapas químicas de revelação e fixação. Assinale a alternativa correta sobre a função do Tiossulfato de Sódio ou Amônio presente na solução fixadora.
Alternativas
Q3829080 Odontologia
A ergonomia e a organização do trabalho são fundamentais. Assinale a alternativa correta sobre o sistema de numeração ISO para brocas odontológicas, especificamente sobre o significado da cinta colorida na haste da broca diamantada.
Alternativas
Q3829079 Odontologia
O isolamento absoluto é essencial para a qualidade de procedimentos restauradores e endodônticos. Assinale a alternativa correta sobre a indicação específica do grampo nº 212 (ou grampo de retrator gengival).
Alternativas
Q3829078 Odontologia
O Técnico em Saúde Bucal deve conhecer os cuidados com os anestésicos locais. Analise as afirmativas a seguir sobre o armazenamento e manuseio dos tubetes anestésicos:

I. Os tubetes anestésicos não devem ser armazenados em soluções desinfetantes líquidas (como álcool ou glutaraldeído) por longos períodos, pois o diafragma de borracha semipermeável permite a difusão da solução para dentro do tubete, contaminando o anestésico.

II. A presença de uma bolha grande (maior que 2mm) dentro do tubete, acompanhada de um êmbolo extrudado (para fora), indica que a solução foi congelada e não deve ser utilizada, pois a esterilidade e a potência podem estar comprometidas.

III. O aquecimento do tubete anestésico em estufas ou aquecedores de mamadeira antes da injeção é obrigatório para evitar dor, devendo atingir temperatura superior a 40°C.


Está correto o que se afirma em:
Alternativas
Q3829077 Odontologia
A monitorização da esterilização em autoclave é vital para a segurança. Assinale a alternativa correta sobre a frequência e o microrganismo utilizado nos Indicadores Biológicos segundo a RDC nº 15/2012 da ANVISA.
Alternativas
Q3829076 Noções de Informática
O Microsoft Excel é amplamente utilizado para organização, análise e apresentação de dados em planilhas eletrônicas. Considerando o uso do Excel em atividades do dia a dia, analise as afirmativas a seguir:

I. O Excel não permite a proteção de células ou planilhas contra alterações, sendo qualquer conteúdo sempre editável.

II. Uma planilha pode conter várias abas, permitindo separar informações diferentes dentro do mesmo arquivo.

III. As fórmulas do Excel sempre começam com o sinal "=", indicando que a célula realizará um cálculo ou operação.

IV. A função SOMA é utilizada exclusivamente para somar valores que estejam digitados em células consecutivas, não funcionando com intervalos separados.

V. É possível aplicar filtros em tabelas para exibir apenas os dados que atendem a critérios definidos pelo usuário.


Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3829075 Noções de Informática
 O Microsoft Word é um editor de textos amplamente utilizado para elaboração de documentos acadêmicos, profissionais e pessoais. Considerando seus recursos mais usuais, analise as afirmativas a seguir:

I. O Word permite a formatação de textos com diferentes tipos e tamanhos de fonte, bem como a aplicação de negrito, itálico e sublinhado.

II. A inserção de cabeçalho e rodapé possibilita incluir elementos como numeração de páginas, data e informações fixas em todo o documento.

III. É possível inserir tabelas no documento para organizar informações em linhas e colunas.

IV. O Word não oferece recursos para revisão ortográfica e gramatical, sendo necessária a utilização de programas externos para essa finalidade.

V. Após ser salvo, um documento do Microsoft Word torna-se automaticamente não editável, garantindo assim a integridade do arquivo.


Assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3829074 Segurança da Informação
A utilização da Internet traz inúmeras facilidades, mas também exige cuidados relacionados à proteção de dados pessoais, privacidade e segurança das informações. Com base em boas práticas de segurança na Internet, analise as assertivas a seguir e marque V (verdadeira) ou F (falsa):

(__) O uso de senhas longas, combinando letras maiúsculas, minúsculas, números e símbolos, contribui para aumentar a segurança de contas on-line.

(__) Mensagens recebidas por e-mail ou aplicativos solicitando dados pessoais ou bancários devem ser analisadas com cautela, pois podem caracterizar tentativas de golpe.

(__) Sites que utilizam o protocolo HTTPS (protocolo de comunicação segura que utiliza criptografia) garantem, de forma absoluta, que todas as informações e conteúdos apresentados sejam verdadeiros, confiáveis e isentos de qualquer tipo de risco ao usuário.

(__) Manter o sistema operacional e os programas atualizados reduz a exposição a falhas de segurança conhecidas.

(__) Redes Wi-Fi públicas são totalmente seguras para realizar operações bancárias, desde que o dispositivo possua antivírus instalado.

(__) O compartilhamento excessivo de informações pessoais em redes sociais pode facilitar fraudes, golpes e roubo de identidade.


Assinale a alternativa CORRETA, considerando a sequência de V (verdadeira) e F (falsa) de cima para baixo:
Alternativas
Q3829073 Noções de Informática
Durante o uso do computador em atividades escolares ou profissionais, diferentes programas e cuidados são necessários para produzir documentos, organizar dados e navegar com segurança. Considerando esse contexto, assinale a alternativa CORRETA: 
Alternativas
Q3829071 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.
Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe.
Em relação à sintaxe da oração, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3829070 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.
Depois desse período acordado, retornava-se "à" cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer.
Em relação ao emprego do sinal indicativo de crase, a ocorrência destacada justifica-se porque há: 
Alternativas
Q3829069 Português
A surpreendente rotina de sono que era a regra na Idade Média (e por que a abandonamos)


Por volta das onze horas da noite de treze de abril de 1699, em uma aldeia do norte da Inglaterra, Jane Rowth, de nove anos, despertou ao lado da mãe. A mulher levantou-se, foi até a lareira e começou a fumar o cachimbo, quando dois homens surgiram à janela e a chamaram para acompanhá-los. Jane relataria depois que a mãe parecia esperá-los. Antes de sair, sussurrou à filha que ficasse deitada e que voltaria pela manhã. Não voltou: foi assassinada naquela noite, e o crime jamais foi esclarecido.

No início dos anos 1990, o historiador Roger Ekirch encontrou o depoimento de Jane no Escritório de Registros Públicos de Londres, ao pesquisar a história das horas noturnas. Ele via nos registros judiciais fontes privilegiadas para compreender hábitos cotidianos. Até então, acreditava que o sono fosse uma constante biológica, sem grandes variações históricas. O testemunho de Jane o fez rever essa ideia: ela mencionava ter acordado do primeiro sono como algo absolutamente normal, o que sugeria uma noite dividida em duas partes.

A partir daí, Ekirch encontrou inúmeras referências ao chamado sono bifásico. Não era exclusivo da Inglaterra: na França e na Itália também. Há indícios do hábito na África, na Ásia, na Austrália, no Oriente Médio e no Brasil. Um registro do Rio de Janeiro, de 1555, relata que os tupinambás comiam após o primeiro sono; no século 19, textos de Mascate, em Omã, descrevem o recolhimento antes das vinte e duas horas. Para Ekirch, o sono em dois períodos foi dominante por milênios, com referências desde A Odisseia, do século 8 a.C., até o início do século 20.

No século 17, a rotina noturna começava cedo. Entre vinte e uma e vinte e três horas, quem podia, deitava-se em colchões simples; os mais pobres dormiam sobre plantas ou no chão. Dormir em conjunto era comum, exigindo regras de conduta e posições definidas na cama. Após cerca de duas horas, muitos despertavam naturalmente para a vigília, que se estendia da noite até por volta de uma hora da manhã. Esse intervalo era usado para diversas tarefas: alimentar o fogo, cuidar de animais, remendar roupas, preparar materiais domésticos. Também havia espaço para práticas religiosas, reflexões, conversas e intimidade entre casais, quando a exaustão do trabalho já havia diminuído.

Depois desse período acordado, retornava-se à cama para o segundo sono, considerado o sono da manhã, que durava até o amanhecer. Ekirch aponta referências ao sistema desde a Antiguidade, em autores como Plutarco, Pausânias, Lívio e Virgílio. Entre cristãos, a vigília ganhou importância: no século 6, São Bento  determinava que monges se levantassem à meia-noite para orações, prática que se difundiu para além dos mosteiros.

A divisão do sono também ocorre no mundo animal. Muitas espécies repousam em períodos separados, adaptando-se às condições ambientais. O lêmure-de-cauda-anelada, por exemplo, apresenta padrões semelhantes aos humanos pré-industriais. Para o pesquisador David Samson, da Universidade de Toronto, essa diversidade entre primatas levanta a hipótese de que humanos também tenham evoluído para um sono segmentado.

Ekirch encontrou respaldo científico ao conhecer, em 1995, um experimento conduzido por Thomas Wehr, nos Estados Unidos. Quinze homens, submetidos a redução da exposição à luz, passaram a dormir em dois períodos separados por vigília após algumas semanas. A melatonina indicou ajuste biológico do ritmo circadiano. Mais tarde, Samson observou padrão semelhante em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar, sugerindo que o sono bifásico persiste em regiões remotas.

Para Ekirch, o abandono desse modelo a partir do século 19 se relaciona à Revolução Industrial. A expansão da iluminação artificial permitiu ficar acordado até mais tarde, sem alterar a exigência de acordar cedo, comprimindo o descanso. O primeiro sono se prolongou, o segundo se reduziu, até desaparecer. Embora experimentos indiquem que a luz artificial, isoladamente, talvez não explique tudo, no fim do século 20 o sono segmentado havia sido esquecido.

Essa mudança também alterou comportamentos e expectativas. Acordar cedo passou a ser sinônimo de produtividade, e despertares noturnos se tornaram fonte de ansiedade. Ekirch observa que saber que acordar no meio da noite já foi normal pode aliviar parte desse pânico, sem minimizar os distúrbios do sono atuais. Ele ressalta que o abandono do sono bifásico não implica, necessariamente, pior qualidade de descanso. Em muitos aspectos, o século 21 oferece condições mais seguras e confortáveis: menos riscos, mais conforto, menos ameaças físicas. Assim, embora possamos ter perdido conversas noturnas e reflexões da vigília, ganhamos noites mais protegidas e previsíveis.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cgjnpv845dxo.adaptado.

Mais tarde, Samson observou padrão semelhante "em uma comunidade sem eletricidade em Madagascar".

Em relação à sintaxe da oração, assinale a alternativa CORRETA.

Alternativas
Respostas
761: A
762: B
763: C
764: A
765: A
766: A
767: B
768: D
769: B
770: B
771: D
772: D
773: C
774: C
775: B
776: A
777: C
778: C
779: A
780: B