Questões de Concurso
Para prefeitura de valparaíso de goiás - go
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Leia o texto a seguir.
Como apontei em outro lugar (Hernández-Hernández, 2018), pensar o aprender a partir dos afetos supõe focar a experiência de “sentir-se afetado”. A aprendizagem de verdade provoca deslocamentos e um choque (Spinoza) que se incorpora ao sujeito e ao que o afeta. Nesse sentido, o afeto não se refere apenas à emoção, mas também a um movimento corporal que afeta e que pode afetar o outro. Por isso, o aprender tem a ver com deslocamento e mudança de olhar, e se transforma em um evento e uma experiência significativa de muitas maneiras.
Esse tipo de aprendizagem está próximo da realidade que se vive cotidianamente na escola com os projetos de indagação, dos interesses que nos movem e dos desafios que enfrentamos todos os dias. É um processo que traz consigo a ‘consciência da aprendizagem’, a partir da qual o aprender é atravessado pelo corpo, conectado com outros corpos e com outras situações vividas, que se associam de formas difíceis de prever.
HERNÁNDEZ-HERNÁNDEZ, Fernando; ANGUITA, Marisol (org.). Uma pedagogia desobediente: tecendo a sala de aula e a vida escolar a partir de projetos de indagação. Porto Alegre: Artmed, 2025.
Práticas de culminância pedagógica, quando articuladas à dimensão dos afetos, caracterizam-se como
Leia o caso a seguir.
Em uma turma de Ensino Fundamental, uma professora de Arte identifica que os interesses e afinidades expressivas de parte significativa dos estudantes se vinculam à cultura hip hop. Inicialmente, essas referências entram em tensão com o planejamento da disciplina, estruturado a partir de produções artísticas institucionalizadas e de critérios avaliativos centrados em padrões estéticos hegemônicos. Ao rever sua escolha pedagógica, a professora passa a compreender o hip hop não apenas como tema ou repertório cultural, mas como produção legítima de conhecimento em Arte, vinculada a contextos históricos e territoriais e marcada por disputas de representação, autoria e legitimidade. Com isso, ela questiona hierarquias estéticas presentes no currículo, reconfigura a mediação (escuta, diálogo e contextualização das práticas) e redefine critérios de avaliação para considerar processos, sentidos e modos de criação próprios dessa cultura, evitando tratá-la como elemento ilustrativo ou complementar.
Considerando essa compreensão, a escolha que fundamenta essa prática pedagógica é orientada por uma abordagem
Leia o texto a seguir.
A arte, como uma linguagem dos sentidos, transmite significados que não podem ser transmitidos por nenhum outro tipo de linguagem, como a discursiva e a científica. O descompromisso da arte com a rigidez dos julgamentos que se limitam a decidir o que é certo e o que é errado estimula o comportamento exploratório, válvula propulsora do desejo de aprendizagem. Por meio da arte, é possível desenvolver a percepção e a imaginação para apreender a realidade do meio ambiente, desenvolver a capacidade crítica, permitindo analisar a realidade percebida e desenvolver a criatividade de maneira a mudar a realidade que foi analisada.
BARBOSA, Ana Mae. Mediação cultural é social. In: Arte/Educação como mediação cultural e social. BARBOSA, Ana Mae; COUTINHO, Rejane Galvão (Orgs.). São Paulo: UNESP, 2009, p. 21.
De acordo com o texto, ao ser compreendida como uma linguagem dos sentidos, a arte passa a atuar como mediadora de processos de aprendizagem, especialmente em contextos educativos, quando