Questões de Concurso Para prefeitura de ceres - go

Foram encontradas 105 questões

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Q4175077 Ética na Administração Pública
Determinada repartição pública tem sido objeto de denúncias recorrentes quanto a infrações supostamente cometidas por seus servidores, no que diz respeito a se separar o público do privado, o que prejudica a imagem pública da repartição e da administração pública, além de ocasionar diversos transtornos tanto para o chefe da repartição quanto para os próprios servidores, que comumente argumentam que não receberam a orientação necessária para demarcar essa “linha de separação”. Para minimizar os problemas relacionados a práticas de supostas infrações éticas pelos servidores e garantir a eficiência no processo, é recomendada a
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Q4175076 Noções de Informática
Em uma planilha do MS Excel, um professor precisa extrair quais alunos foram aprovados ou reprovados de acordo com a média final 7,0 (Sete), conforme imagem a seguir.
Imagem associada para resolução da questão
Qual fórmula deve estar no conteúdo da Célula C2 para que o resultado atenda às exigências do professor?
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Q4175075 Noções de Informática
No MS Word (PT-BR) existem vários atalhos para facilitar o trabalho dos usuários desse aplicativo. Para não perder dados em um documento em que esteja trabalhando, o usuário deve periodicamente “salvar” suas alterações. Para não ter que movimentar o mouse até o ícone de salvamento ou acessá-lo via menu, basta o usuário utilizar uma combinação de teclas, qual seja:
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Q4175074 Noções de Informática
Google Chrome, Internet Explorer e Mozilla Firefox são importantes recursos para que se possa utilizar a Web em dispositivos móveis, computadores de mesa e outros dispositivos. No contexto da Internet, esses softwares são tipicamente classificados como:
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Q4175073 Noções de Informática
Enviar e receber e-mails são partes de um dos serviços mais comuns disponíveis na Internet. Esses serviços podem ser acessados por programas construídos para esse fim e, dentre outras tarefas, precisam identificar as credenciais do usuário que os está utilizando. Os protocolos responsáveis pela comunicação do cliente com o servidor de e-mail para envios e recebimentos são:
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Q4175072 Arquitetura de Computadores
A numeração binária é amplamente utilizada para representação de dados nos computadores. Ela é composta apenas por dois números (0 e 1). No sistema binário qual a sequência representa o número decimal 3? 
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Q4175071 História
Leia o texto a seguir.
A Guerra da Coreia foi um conflito que aconteceu entre a Coreia do Norte e a Coreia do Sul e iniciou-se quando as tropas norte-coreanas ultrapassaram a fronteira que separa as Coreias, dando início à invasão da Coreia do Sul.
Disponível em: www.brasilescola.uol.com.br/historiag/guerra-coreia.html. Acesso em: 10 nov. 2021.

Em junho de 2021 completaram-se 71 anos do início da Guerra da Coreia, um dos mais importantes conflitos bélicos do século XX, que até hoje ainda ressoa nas relações internacionais. O contexto geopolítico em que ocorreu a Guerra da Coreia foi o 
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Q4175070 Atualidades
Leia o texto a seguir.
Será que o consumidor está mesmo interessado em ter um carro elétrico na garagem?
Disponível em: www.quatrorodas.abril.com.br/noticias/os-pros-e-os-contras-do-carro-eletrico. Acesso em: 10 nov. 2021.

A pergunta feita por uma revista especializada em automóveis no Brasil revela o impacto da mudança tecnológica advinda com os carros elétricos na vida cotidiana das pessoas. Apesar disso, uma das desvantagens do carro elétrico sobre o de combustível fóssil é 
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Q4175069 Atualidades
Leia o texto a seguir.

Criado em 1901 pelo inventor e empresário Alfred Nobel, o Nobel da Paz homenageia homens e mulheres por seu trabalho na busca da fraternidade entre as nações, fim de conflitos e promoção do diálogo.
Disponível em: www.veja.abril.com.br/mundo/os-ultimos-10-ganhadores-do-nobel-da-paz. Acesso em: 7 nov. 2021.

Quem ganhou o Prêmio Nobel da Paz em 2021?
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Q4175068 Saúde Pública
Leia o texto a seguir.

Gravidez não combina com a adolescência e traz consequências para toda a vida. Informe-se. Reflita. Converse com sua família. Planeje seu futuro e procure orientações em uma unidade de saúde.
Disponível em: http/twitter.com/minsaude/status/1224449325557641217. Acesso em: 10 nov. 2021.

O texto citado faz parte de um cartaz da campanha lançada pelo Governo Federal para prevenir a gravidez na adolescência. A campanha causou polêmica nos meios de comunicação, uma vez que 
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Q4175067 Meio Ambiente
Observe a charge a seguir.

Imagem associada para resolução da questão Disponível em: https://imagohistoria.blogspot.com/2017/09/charge-problemas-ambientais.html. Acesso em: 10 nov. 2021.

A charge apresentada promove uma crítica aos problemas ambientais contemporâneos ao mostrar que
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Q4175066 Matemática
Uma notícia muito importante deve ser repassada à população de um município. Sabe-se que no primeiro dia de divulgação consegue-se repassar essa notícia a 100 pessoas e que no segundo dia 400 pessoas já receberam essa notícia e, ainda, que o número de pessoas que recebem essa notícia aumenta segundo uma progressão geométrica. Dessa forma, para repassar essa notícia a essa população, que totaliza 102.400 habitantes, serão necessários
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Q4175065 Matemática
Um novo vírus foi detectado em um município e um laboratório farmacêutico desenvolveu rapidamente um teste para verificar a presença desse vírus na população. O gráfico a seguir apresenta o resultado da aplicação desse teste em um grupo de pessoas dessa população.
Imagem associada para resolução da questão
Baseando-se nessas informações, a probabilidade de uma pessoa desse grupo estar com o vírus e ser homem é de: 
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Q4175064 Matemática
Para incentivar os funcionários a estudarem, uma empresa remunera seus 60 funcionários de um determinado cargo conforme o seu grau de instrução. Se o funcionário apresentar o ensino fundamental ele recebe R$ 1.000,00; apresentando ensino médio recebe R$ 1.500,00 e, se apresentar curso superior recebe R$ 2.000,00. Essa empresa atualmente possui 30, 27 e 3 funcionários apresentando ensino fundamental, médio e curso superior, respectivamente. Dessa forma, o salário médio desses funcionários é de:
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Q4175063 Matemática Financeira
Um comerciante, para modernizar seu negócio e torná-lo mais competitivo, fez um empréstimo a juros simples em um banco no valor de R$ 10.000,00, comprometendo-se a pagar mensalmente R$ 1.000,00 durante o período de 1 ano. A taxa mensal de juros desse empréstimo é de aproximadamente
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Q4175062 Matemática
Uma empresa de limpeza cobra uma taxa fixa de R$ 50,00 e mais R$ 2,00 por m² da área a ser limpa. O quadro a seguir apresenta alguns valores cobrados por essa empresa.
Imagem associada para resolução da questão
Baseando-se nessas informações, essa empresa cobraria R$ 1.050,00 para limpar uma área correspondente a
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Q4175061 Português
Leia o texto para responder à questão.

A forma escolar da tortura

Rubem Alves

Eu fui vítima dele. Por causa dele, odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas, eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho... Mas eles não convidavam nem a gorda nem a magricela. Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares, mas nunca pensei sobre as dores que alunos infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todos os jovens são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis.

"Bullying" é o nome dele. Fica o nome em inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que "bullying" diz. "Bully" é o valentão: um menino que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem prazer em bater nos mais fracos e intimidá-los. Vez por outra, crianças e adolescentes têm desentendimentos e brigam. São brigas que têm uma razão. São acidentes. Acontecem e pronto. Não é possível fazer uma sociologia dessas brigas. Depois delas, os briguentos podem fazer as pazes e se tornar amigos de novo. Isso nada tem a ver com "bullying".

No "bullying", um indivíduo - o valentão - ou um grupo escolhe a vítima que vai ser seu "saco de pancadas". A razão? Nenhuma. Sadismo. Eles "não vão com a cara" da vítima. É preciso que a vítima seja fraca, que não saiba se defender. Se ela fosse forte e soubesse se defender, a brincadeira não teria graça. A vítima é uma peteca: todos batem nela e ela vai de um lado para outro sem reagir. Pode-se fazer uma sociologia do "bullying" porque ele envolve muitas pessoas e tem continuidade no tempo. A cada novo dia, ao se preparar para a escola, a vítima sabe o que a aguarda.

Até agora, tenho usado o artigo masculino, mas o "bullying" não é monopólio dos meninos. As meninas também usam outros tipos de força que não a dos punhos. E o terrível é que a vítima sabe que não há jeito de fugir. Ela não conta aos pais, por vergonha e medo. Não conta aos professores porque sabe que isso só poderá tornar ainda pior a violência dos colegas. Ela está condenada à solidão. E ao medo acrescenta-se o ódio. A vítima sonha com vingança. Deseja que seus algozes morram. Vez por outra, ela toma providências para ver seu sonho realizado. As armas podem torná-la forte.

Na maioria dos casos, o "bullying" não se manifesta por meio de agressão física, mas por meio de agressão verbal e de atitudes. Isolamento, caçoada, apelidos.
[...]


ALVES, Rubem. A forma escolar da tortura. In: ______. Educação dos sentidos e mais. Campinas: Verus, 2005. p. 53-57. (Adaptado).
Considere o seguinte trecho:
“Fica o nome em inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que ‘bullying’ diz”.

A oração “não se encontrou palavra em nossa língua”, quando escrita em voz passiva analítica, assume a seguinte forma, mantendo-se o modo, tempo e pessoa do verbo:
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Q4175060 Português
Leia o texto para responder à questão.

A forma escolar da tortura

Rubem Alves

Eu fui vítima dele. Por causa dele, odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas, eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho... Mas eles não convidavam nem a gorda nem a magricela. Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares, mas nunca pensei sobre as dores que alunos infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todos os jovens são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis.

"Bullying" é o nome dele. Fica o nome em inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que "bullying" diz. "Bully" é o valentão: um menino que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem prazer em bater nos mais fracos e intimidá-los. Vez por outra, crianças e adolescentes têm desentendimentos e brigam. São brigas que têm uma razão. São acidentes. Acontecem e pronto. Não é possível fazer uma sociologia dessas brigas. Depois delas, os briguentos podem fazer as pazes e se tornar amigos de novo. Isso nada tem a ver com "bullying".

No "bullying", um indivíduo - o valentão - ou um grupo escolhe a vítima que vai ser seu "saco de pancadas". A razão? Nenhuma. Sadismo. Eles "não vão com a cara" da vítima. É preciso que a vítima seja fraca, que não saiba se defender. Se ela fosse forte e soubesse se defender, a brincadeira não teria graça. A vítima é uma peteca: todos batem nela e ela vai de um lado para outro sem reagir. Pode-se fazer uma sociologia do "bullying" porque ele envolve muitas pessoas e tem continuidade no tempo. A cada novo dia, ao se preparar para a escola, a vítima sabe o que a aguarda.

Até agora, tenho usado o artigo masculino, mas o "bullying" não é monopólio dos meninos. As meninas também usam outros tipos de força que não a dos punhos. E o terrível é que a vítima sabe que não há jeito de fugir. Ela não conta aos pais, por vergonha e medo. Não conta aos professores porque sabe que isso só poderá tornar ainda pior a violência dos colegas. Ela está condenada à solidão. E ao medo acrescenta-se o ódio. A vítima sonha com vingança. Deseja que seus algozes morram. Vez por outra, ela toma providências para ver seu sonho realizado. As armas podem torná-la forte.

Na maioria dos casos, o "bullying" não se manifesta por meio de agressão física, mas por meio de agressão verbal e de atitudes. Isolamento, caçoada, apelidos.
[...]


ALVES, Rubem. A forma escolar da tortura. In: ______. Educação dos sentidos e mais. Campinas: Verus, 2005. p. 53-57. (Adaptado).

Em “Até agora, tenho usado o artigo masculino, mas o ‘bullying’ não é monopólio dos meninos”, a palavra “monopólio” pode ser substituída sem prejuízo de sentido por

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Q4175059 Português
Leia o texto para responder à questão.

A forma escolar da tortura

Rubem Alves

Eu fui vítima dele. Por causa dele, odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas, eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho... Mas eles não convidavam nem a gorda nem a magricela. Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares, mas nunca pensei sobre as dores que alunos infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todos os jovens são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis.

"Bullying" é o nome dele. Fica o nome em inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que "bullying" diz. "Bully" é o valentão: um menino que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem prazer em bater nos mais fracos e intimidá-los. Vez por outra, crianças e adolescentes têm desentendimentos e brigam. São brigas que têm uma razão. São acidentes. Acontecem e pronto. Não é possível fazer uma sociologia dessas brigas. Depois delas, os briguentos podem fazer as pazes e se tornar amigos de novo. Isso nada tem a ver com "bullying".

No "bullying", um indivíduo - o valentão - ou um grupo escolhe a vítima que vai ser seu "saco de pancadas". A razão? Nenhuma. Sadismo. Eles "não vão com a cara" da vítima. É preciso que a vítima seja fraca, que não saiba se defender. Se ela fosse forte e soubesse se defender, a brincadeira não teria graça. A vítima é uma peteca: todos batem nela e ela vai de um lado para outro sem reagir. Pode-se fazer uma sociologia do "bullying" porque ele envolve muitas pessoas e tem continuidade no tempo. A cada novo dia, ao se preparar para a escola, a vítima sabe o que a aguarda.

Até agora, tenho usado o artigo masculino, mas o "bullying" não é monopólio dos meninos. As meninas também usam outros tipos de força que não a dos punhos. E o terrível é que a vítima sabe que não há jeito de fugir. Ela não conta aos pais, por vergonha e medo. Não conta aos professores porque sabe que isso só poderá tornar ainda pior a violência dos colegas. Ela está condenada à solidão. E ao medo acrescenta-se o ódio. A vítima sonha com vingança. Deseja que seus algozes morram. Vez por outra, ela toma providências para ver seu sonho realizado. As armas podem torná-la forte.

Na maioria dos casos, o "bullying" não se manifesta por meio de agressão física, mas por meio de agressão verbal e de atitudes. Isolamento, caçoada, apelidos.
[...]


ALVES, Rubem. A forma escolar da tortura. In: ______. Educação dos sentidos e mais. Campinas: Verus, 2005. p. 53-57. (Adaptado).
A frase “A vítima é uma peteca” manifesta um sentido conotativo, construído a partir de uma
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Q4175058 Português
Leia o texto para responder à questão.

A forma escolar da tortura

Rubem Alves

Eu fui vítima dele. Por causa dele, odiei a escola. Nas minhas caminhadas passadas, eu o via diariamente. Naquela adolescente gorda de rosto inexpressivo que caminhava olhando para o chão. E naquela outra, magricela, sem seios, desengonçada, que ia sozinha para a escola. Havia grupos de meninos e meninas que iam alegremente, tagarelando, se exibindo, pelo mesmo caminho... Mas eles não convidavam nem a gorda nem a magricela. Dediquei-me a escrever sobre os sofrimentos a que crianças e adolescentes são submetidos em virtude dos absurdos das práticas escolares, mas nunca pensei sobre as dores que alunos infligem a colegas seus. Talvez eu preferisse ficar na ilusão de que todos os jovens são vítimas. Não são. Crianças e adolescentes podem ser cruéis.

"Bullying" é o nome dele. Fica o nome em inglês porque não se encontrou palavra em nossa língua que seja capaz de dizer o que "bullying" diz. "Bully" é o valentão: um menino que, por sua força e sua alma deformada pelo sadismo, tem prazer em bater nos mais fracos e intimidá-los. Vez por outra, crianças e adolescentes têm desentendimentos e brigam. São brigas que têm uma razão. São acidentes. Acontecem e pronto. Não é possível fazer uma sociologia dessas brigas. Depois delas, os briguentos podem fazer as pazes e se tornar amigos de novo. Isso nada tem a ver com "bullying".

No "bullying", um indivíduo - o valentão - ou um grupo escolhe a vítima que vai ser seu "saco de pancadas". A razão? Nenhuma. Sadismo. Eles "não vão com a cara" da vítima. É preciso que a vítima seja fraca, que não saiba se defender. Se ela fosse forte e soubesse se defender, a brincadeira não teria graça. A vítima é uma peteca: todos batem nela e ela vai de um lado para outro sem reagir. Pode-se fazer uma sociologia do "bullying" porque ele envolve muitas pessoas e tem continuidade no tempo. A cada novo dia, ao se preparar para a escola, a vítima sabe o que a aguarda.

Até agora, tenho usado o artigo masculino, mas o "bullying" não é monopólio dos meninos. As meninas também usam outros tipos de força que não a dos punhos. E o terrível é que a vítima sabe que não há jeito de fugir. Ela não conta aos pais, por vergonha e medo. Não conta aos professores porque sabe que isso só poderá tornar ainda pior a violência dos colegas. Ela está condenada à solidão. E ao medo acrescenta-se o ódio. A vítima sonha com vingança. Deseja que seus algozes morram. Vez por outra, ela toma providências para ver seu sonho realizado. As armas podem torná-la forte.

Na maioria dos casos, o "bullying" não se manifesta por meio de agressão física, mas por meio de agressão verbal e de atitudes. Isolamento, caçoada, apelidos.
[...]


ALVES, Rubem. A forma escolar da tortura. In: ______. Educação dos sentidos e mais. Campinas: Verus, 2005. p. 53-57. (Adaptado).
No período composto “Se ela fosse forte e soubesse se defender, a brincadeira não teria graça”, as orações “Se ela fosse forte e soubesse se defender” estabelecem a seguinte relação de sentido com a oração principal:
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Respostas
81: C
82: A
83: D
84: B
85: B
86: B
87: E
88: A
89: C
90: E
91: B
92: C
93: A
94: C
95: C
96: A
97: D
98: D
99: A
100: E