Questões de Concurso Comentadas sobre morfologia - verbos em português

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Q3237794 Português

A questão diz respeito ao texto. Leia-o atentamente antes de respondê-la


(Texto)


A partir da relação linguístico-discursiva dos termos do texto, aponte a alternativa com a colocação incorreta:
Alternativas
Q3237006 Português
Querido 2025


Já adianto que não prometo nada a você, a não ser nunca desistir de tentar, independentemente do tamanho da queda


Juraciara Vieira Cardoso|Professora da Universidade Federal de Lavras, graduada em Direito, mestre em Direito Constitucional e doutora em Filosofia do Direito|30/12/2024




       Enquanto todos se despedem do ano que se passou, olho com um misto de temor e esperança para sua chegada. Quero chegar até você de branco, como em todos os anos, pois nada é mais precioso que a paz. Você, querido 2025, é rotineiramente comparado a uma página em branco, e nutro em mim o desejo de te escrever apenas com minhas letras e versos, o que significa ser cada vez mais eu e menos os que os outros esperam que eu seja.

     Já adianto que não prometo nada a você, a não ser nunca desistir de tentar, independentemente do tamanho da queda. Extrair do peso de qualquer realidade que você me apresentar, sua dimensão de aprendizado e potencial para me transformar em um ser humano melhor, mais capaz de ter empatia e sentir verdadeiramente a dor do meu semelhante. Que você me ensine, caro 2025, a1 ouvir mais e falar menos, guardando mais tempo para a reflexão do que para a falação, que muito diz, mas pouco ensina.

      Que a paz perpétua idealizada por Kant seja alcançada. Não uma paz utópica, construída com sonhos, mas fruto de uma obrigação racional de seres humanos vulneráveis, que não devem se deixar guiar pela violência ou pela barbárie, mas sim para a superação do caos. Nos ajude a nos reconhecermos como parceiros de uma mesma jornada existencial, ________ fim irremediavelmente é a morte, que a2 todos une, mas que não deve ser encontrada nos conflitos armados.

       Espero que, ao longo dos seus dias, você seja zeloso em ensinar para toda a humanidade que somos cada vez mais interdependentes e que o voo de uma borboleta no Brasil pode causar um tornado no Texas. Ou seja, nossas ações TEM/TÊM consequências que não podemos prever exatamente, de modo que é preciso ser cauteloso quando se está a3 falar em permissão para tirar vidas de pessoas inocentes, seja lá em nome de qual justificativa for. Em vez disso, nos ensine a importância de construir pontes que nos CONECTA/CONECTAM.

       Que, em um mundo repleto de informação, consumismo e individualismo, você, Caro 2025, nos mostre o valor de um sorriso inesperado, a beleza de acompanhar uma flor desabrochando ou o êxtase de assistir ao pôr do sol. Nos faça perceber que é no agora que a vida acontece, não no passado nostálgico ou no futuro que nos traz ansiedade. Nos DÊ/DEEM suas mãos em direção a4 percepção de que a felicidade possível requer que vejamos beleza na nossa vida nua, sem os disfarces que nos AFASTA/AFASTAM de quem somos.

      E por falar em "quem somos", que você nos encha de coragem para lidarmos com nossas sombras, nos ensinando a acolher em nós não somente a parte que nos agrada, mas também aquela com a qual temos dificuldade em conviver. Que possamos olhar para os nossos erros, hesitações e limitações, sem fugirmos do incômodo de aceitar essas realidades como partes inerentes do conflituoso processo de existir.

       Nos 365 dias em que estaremos sob seus auspícios, nos ajude a criar conexões onde antes havia divergências, nos ensinando que quando um perde, todos nós perdemos. Que consigamos perceber que as grandes modificações começam em gestos cotidianos simples de gentileza, nos quais consideramos o outro ser humano em igualdade de condições e não com superioridade moral.

       Querido 2025, desejo que você seja um ano de reconciliação, de aprendizado e de harmonia para toda a humanidade, não deixando que nossa indiferença e egoísmo nos roubem a chance de construirmos um futuro que inclua a todos. Que seja um ano no qual tenhamos coragem de romper com as barreiras invisíveis que nos separam em nome da construção de algo verdadeiramente novo!



CARDOSO, Juraciara Vieira. Querido 2025. Estado de Minas, 30 de dezembro de 2024. Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/vitalidade/2024/12/7022362-querido-2025.html. Acesso em: 04 jan. 2025. Adaptado.
Durante todo o artigo, é possível notar que a autora faz projeções e profere desejos, enunciados que se apoiam, linguisticamente, no uso do modo verbal subjuntivo. Em qual dos trechos a seguir NÃO se pode ver a utilização de tal modo verbal?
Alternativas
Q3236800 Português

O texto a seguir deve ser lido com atenção para responder à questão.



Sobre a Paz



A paz propõe, por um lado, o conflito e, por outro, a harmonia, como quem sobe uma escada


01/01/2025|LÚCIA HELENA GALVÃO — Professora, escritora, palestrante, compositora e professora de filosofia na Nova Acrópole



    Vivemos em um tempo em que frases, como respeito [à] diversidade, harmonia e paz, aparecem naquelas nuvens de palavras que mais circulam nos diálogos1 virtuais, algumas expressas em conceitos que se distanciam bem da origem dessas palavras. Sob a luz da filosofia prática, vale refletirmos sobre esses temas.


    Na natureza, a diversidade, por exemplo, não é uma diferenciação para opor as partes, para colocá-las em conflito, mas é o reconhecimento do valor de cada parte para que possamos compor um todo harmonioso2 . Quanto mais cada um de nós reconhece sua própria identidade, mais pode se harmonizar com os demais, assim como temos diferentes cores harmonizadas em uma pintura ou diferentes notas musicais em uma bela melodia.


      O conceito3 de paz é um daqueles que parece ter passado pelo efeito do "telefone sem fio", e foi sendo esvaziado4 ao longo da história, gerando posições bem confusas, que mais têm a ver com passividade do que com paz propriamente dita.


    Na etimologia da palavra paz, encontramos, no latim, pax e, no proto-indo-europeu, pak, que significa "travar", "fixar", "juntar". Ou seja, em geral, a paz estava relacionada [à] ideia de pacto, de acordo firmado, uma espécie de acordo de não agressão. A paz, então, tem a ver com acordo? Parece que sim. Os chamados filósofos contratualistas (Hobbes, Locke e Rousseau), por exemplo, propunham uma espécie de pacto, conhecido como contrato social, em que, por meio da imposição de uma série de regras, o homem passaria de um estado natural para o início da vida social e política. Mas será que é desse pacto que a paz trata? De uma imposição de regras que se cumpre por COERSÃO / COERÇÃO e medo, ou de um pacto do homem com sua própria consciência, que se cumpre voluntariamente para termos o PREVILÉGIO / PRIVILÉGIO de sermos verdadeiramente humanos?

 

       Outro elemento importante para compreendermos é que a paz não é sinônimo de passividade. A paz propõe, por um lado, o conflito e, por outro, a harmonia, como quem sobe uma escada: há um momento de conflito/desequilíbrio, que se resolve em um instante de harmonia e estabilidade, e assim por diante. Sem ambos os fatores, não mudamos de patamar, não passamos ao próximo degrau. Mas é um conflito momentâneo regido pela necessidade de crescimento de todos os envolvidos, e não o destrutivo conflito entre PRETENSOS / PRETENÇOS "donos da verdade". Logo, a paz significa um estado de bem-estar quando estamos alinhados com a natureza, e uma das necessidades da natureza é harmonizar, e outra é de crescer. Para isso, harmonia e conflito inteligentemente superado são necessários. Mas essa dualidade exterior nada tem a ver com o que acontece dentro do ser humano, que, coerente com seus valores e princípios em ambos os momentos, conserva um estado de serenidade e equilíbrio constante.


       TÃOPOUCO / TAMPOUCO a paz tem [à] ver com passividade. Ser passivo, diante do mal e da injustiça, é ser agressivo por cumplicidade. Nosso corpo é um excelente exemplo de paz: harmonioso por dentro, mas atento a qualquer agressor que tente penetrar nele. Será a nossa imunidade belicista? Ou ela está a favor da vida? Temos que ser fiéis seguidores dos valores que caracterizam a natureza humana: fraternidade, justiça, veracidade etc., mas apenas certificando-nos de que, por dentro, não haja um espírito de parcialidade, ódio, rancor ou vingança, pois isso nubla nossa noção de justiça e veracidade.


     A filosofia aponta-nos caminhos para que a gente pare de confundir paz com passividade e encontre na paz uma ação coerente e constante de busca de elevarmos nossa consciência para um patamar mais humanista, de tal maneira que interesse prioritariamente para nós o bem do todo, do outro, da comunidade humana, buscando [à] unidade para além das diferenças.


       Procuremos celebrar, na nossa vida, aquelas coisas que dão ao ser humano um aprimoramento no sentido de se tornar cada vez mais verdadeiramente humano. E é claro que a filosofia trabalha exatamente para essas questões: ela nos abre caminho para que possamos ter uma visão mais reflexiva sobre a vida, o seu sentido e o sentido da nossa presença no mundo.


(Fonte: https://www.correiobraziliense.com.br/opiniao/2025/01/7023626-sobre-a-paz.html. Acesso em: 01 jan. 2025. Adaptado.) 


O verbo que introduz o último parágrafo do texto pode pertencer a dois modos verbais diferentes, dependendo da interpretação do leitor. Quais são esses modos?
Alternativas
Q3236765 Português

        Se alguém quer aprender a tocar um instrumento, precisa fazer aulas e praticar. Se a meta é fortalecer os músculos, é fundamental se exercitar com regularidade. Para quem quer ser mais feliz – no trabalho e na vida – a lógica é a mesma: é necessário estimular o cérebro.


        Juliana Sawaia, cientista de dados e pesquisadora sobre felicidade no trabalho, explica que a felicidade é um senti mento construído e influenciado por fatores internos e externos. No trabalho, ela passa por motivos como engajamento, paixão e satisfação com o ambiente e a função exercida.


        “Não dá para definir se alguém é feliz ou não como se fosse uma pergunta de sim ou não. É uma questão que engloba inúmeros elementos que variam de tempos em tempos para cada profissional”, explica.


        Um estudo norte-americano mostrou que os brasileiros têm experimentado emoções negativas no trabalho. Os dados colocaram o Brasil em quarto lugar entre os países com os trabalhadores mais tristes da América Latina.


        Não existe fórmula mágica que possa agradar a todos e transformar os trabalhadores em pessoas mais felizes. As exigências mudam bastante de um ser humano para outro. Mas, como uma habilidade, a felicidade pode ser construída no dia a dia. Juliana destaca que, além das responsabilidades das organizações, o profissional também precisa ter a intencionalidade para encontrar o bem-estar.


        “A felicidade é um alvo que muda muito. Talvez o que te faz feliz hoje não vá causar o mesmo sentimento amanhã e vice-versa. O ponto é entender no dia a dia como você pode ser um pouco mais feliz”, comenta.


(Geovanna Hora. “Pesquisadora da felicidade indica 5 hábitos para ser mais feliz no trabalho; veja quais são”. Disponível em: https://www.estadao.com.br. 02.01.2025. Adaptado)

No trecho do 4o parágrafo “... os brasileiros têm experimentado emoções negativas no trabalho.” a expressão destacada pode ser substituída, preservando seu sentido bem como a norma-padrão da língua portuguesa, por:
Alternativas
Q3236316 Português
O texto a seguir deve ser lido com atenção para responder à questão.


Pesquisadores da USP encontram microplásticos nos cérebros de oito pessoas


    De tão pequenas, é impossível vê-las a olho nu. Mas elas existem e estão em todos os lugares. No mexilhão comprado direto do pescador, nas frutas e nos legumes da feira ou nos alimentos industrializados do mercado. Também já foram encontradas na cerveja, no chá, no leite, na água (em especial a engarrafada) e ainda no solo e no ar.

    Em formato de esfera, fios ou fragmentos de filmes ou espuma, as partículas de plástico de tamanho microscópico são hoje mais abundantes do que nunca no planeta. Com a vida imersa em plásticos, era esperado que, em algum momento, diminutos fragmentos do material fossem encontrados até mesmo no mais protegido dos órgãos humanos, o cérebro. Agora foram.

    Na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FM-USP), a patologista Thais Mauad, o engenheiro ambiental Luís Fernando Amato Lourenço e a bióloga Regiani Carvalho de Oliveira identificaram partículas de microplástico no cérebro de oito pessoas que viveram ao menos cinco anos na cidade de São Paulo. Após a morte, elas foram submetidas a autopsia no Serviço de Verificação de Óbitos da Capital, onde os pesquisadores coletaram amostras de uma estrutura chamada bulbo olfatório.

    Localizado no interior do crânio logo acima do nariz, os bulbos olfatórios - há dois, um em cada hemisfério cerebral - são a primeira parte do sistema nervoso central a que chegam as informações sobre os cheiros. Eles estão em contato com neurônios que detectam moléculas de odor no fundo do nariz e funcionam como uma potencial via de entrada dessas e de outras partículas, além de microrganismos, no cérebro.

    Os pesquisadores precisaram resgatar equipamentos que não eram usados havia mais de 40 anos, como seringas de vidro, para lidar com esse material biológico. Também tiveram de adotar um protocolo rigoroso de limpeza dos utensílios - com lavagens com água filtrada três vezes e o uso de acetona -, além de substituir o plástico por papel alumínio ou vidro para cobrir ou fechar os recipientes. Nos dias de manipulação do material, só se podia usar roupas de algodão. 

    Eles congelaram as amostras do bulbo olfatório e as fatiaram em lâminas com 10 micrômetros (µm) - cada micrômetro corresponde ao milímetro dividido em mil partes iguais. Uma parte do material foi digerida por enzimas para que fosse possível detectar partículas eventualmente situadas em regiões profundas das amostras. Depois de preparado, o material foi levado para o Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas. Lá fica o Sirius, uma das mais brilhantes fontes de radiação síncrotron em atividade no mundo.

    Ele produz um tipo especial de luz altamente energética que alimenta 10 estações de trabalho. Com o auxílio do físico Raul de Oliveira Freitas e da química Ohanna Menezes, ambos do CNPEM, a equipe da USP usou uma dessas estações - a Imbuia - ao longo de uma semana para iluminar as amostras com um feixe de radiação infravermelha e caracterizar a composição de partículas de plástico encontradas nelas.

    Ao comparar a quantidade de micro e nanoplásticos (MNP) nos três órgãos, os pesquisadores observaram que ela era até 20 vezes mais elevada no cérebro do que no fígado, onde foi encontrada a menor concentração. Também notaram que a quantidade de micro e nanoplásticos mais do que dobrou de um período para outro. Nas amostras de 2024, havia, em média, 8.861 microgramas (µg) de micro e nanoplásticos por grama (g) de tecido cerebral. Oito anos antes, a concentração média era de 3.057 µg/g.

    No fígado, ela era 145 µg/g em 2016 e subiu para 465 µg/g em 2024. Nos rins, a quantidade foi intermediária (cerca de 600 µg/g) nos dois períodos. Em todos os casos, o material detectado em maior abundância foi o polietileno. Também derivado do petróleo, esse polímero plástico foi sintetizado casualmente em 1898 pelo químico alemão Hans von Pechmann (1850-1902) e hoje é o plástico mais produzido no mundo (34% do total), usado em sacolas, garrafas, copos e filmes plásticos.


Fonte: https://www.cnnbrasil.com.br/saude/pesquisadores-da-usp-encontram-microplasticos-no-cerebro-de-oito-pessoas/ (adaptado).
A classificação gramatical das palavras é essencial para compreender a estrutura das orações na língua portuguesa. No trecho "Eles congelaram as amostras", as palavras pertencem a diferentes classes gramaticais. Nesse sentido, assinale a alternativa que classifica corretamente cada palavra da frase.
Alternativas
Q3236116 Português
Por uma globalização mais humana


   A globalização é o estágio supremo da internacionalização. O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições. O mundo inteiro torna-se envolvido em todo tipo de troca: técnica, comercial, financeira, cultural.

   Vivemos um novo período na história da humanidade. A base dessa verdadeira revolução é o progresso técnico, obtido em razão do desenvolvimento científico e baseado na importância obtida pela tecnologia, a chamada ciência da produção.

   Todo o planeta é praticamente coberto por um único sistema técnico, tornado indispensável à produção e ao intercâmbio e fundamento do consumo, em suas novas formas.

   Graças às novas técnicas, a informação pode se difundir instantaneamente por todo o planeta, e o conhecimento do que se passa em um lugar é possível em todos os pontos da Terra.

    A produção globalizada e a informação globalizada permitem a emergência de um lucro em escala mundial, buscado pelas firmas globais que constituem o verdadeiro motor da atividade econômica.

    Tudo isso é movido por uma concorrência superlativa entre os principais agentes econômicos – a competitividade.

   Num mundo assim transformado, todos os lugares tendem a tornar-se globais, e o que acontece em qualquer ponto do ecúmeno (parte habitada da Terra) tem relação com o que acontece em todos os demais.

   Daí a ilusão de vivermos num mundo sem fronteiras, uma aldeia global. Na realidade, as relações chamadas globais são reservadas a um pequeno número de agentes, os grandes bancos e empresas transnacionais, alguns Estados, as grandes organizações internacionais.

    Infelizmente, o estágio atual da globalização está produzindo ainda mais desigualdades. E, ao contrário do que se esperava, crescem o desemprego, a pobreza, a fome, a insegurança do cotidiano, num mundo que se fragmenta e onde se ampliam as fraturas sociais.

    A droga, com sua enorme difusão, constitui um dos grandes flagelos desta época.

    O mundo parece, agora, girar sem destino. É a chamada globalização perversa. Ela está sendo tanto mais perversa porque as enormes possibilidades oferecidas pelas conquistas científicas e técnicas não estão sendo adequadamente usadas.

    Não cabe, todavia, perder a esperança, porque os progressos técnicos obtidos neste fim de século 20, se usados de uma outra maneira, bastariam para produzir muito mais alimentos do que a população atual necessita e, aplicados à medicina, reduziriam drasticamente as doenças e a mortalidade.

   Um mundo solidário produzirá muitos empregos, ampliando um intercâmbio pacífico entre os povos e eliminando a belicosidade do processo competitivo, que todos os dias reduz a mão de obra. É possível pensar na realização de um mundo de bem-estar, onde os homens serão mais felizes, um outro tipo de globalização.



(Milton Santos. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br./Acesso em: janeiro de 2025.)
“O processo de intercâmbio entre países, que marcou o desenvolvimento do capitalismo desde o período mercantil dos séculos 17 e 18, expande-se com a industrialização, ganha novas bases com a grande indústria, nos fins do século 19, e, agora, adquire mais intensidade, mais amplitude e novas feições.”(1º§) Em relação ao excerto, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3235862 Português
A mão no metrô


     Assim que o metrô chegou, ela preparou-se para incomodação. Porque o vagão estava cheio, completamente lotado, e ela já sabia o que a esperava tão logo embarcasse: sem demora, algum homem, ou vários homens, encostariam nela, tentando tirar proveito da situação. Mulher ainda jovem, bonita, estava sujeita a essas situações, que a deixavam indignada. Mas, como outras usuárias na mesma situação, resignava-se. Era, achava, o preço que tinha de pagar por ser pobre, por não ter carro, como outras colegas de escritório.

    Pensou em não entrar, em esperar outro metrô mais vazio. Mas já era tarde, e ela precisava ir para casa. Num impulso, entrou, e imediatamente viu-se na clássica posição de sardinha em lata, imprensada entre corpos, vários deles masculinos. Só faltava a mão.

    Que não tardou a se fazer presente. Aos poucos, suavemente, ela sentiu a pressão de dedos sobre seu corpo.

    Mas, surpreendentemente, aquilo não a enojou, não a alarmou. Porque era diferente, o contato daquela mão. Não se tratava de uma “mão-boba”; não havia malícia naqueles dedos, não havia safadeza. Para começar, eles estavam em lugar neutro, não nas nádegas, não nas coxas, mas nas costas, as costas que ela tinha doloridas depois de um dia de árduo trabalho. E a mão não estava em busca de prazer, de sacanagem; estava simplesmente pousada, quieta. Como se dissesse estou em busca de contato humano, é só isso que eu quero.

    Ela poderia olhar ao redor, tentar descobrir quem, daqueles homens e mulheres à sua volta, estava a tocá-la. Mas não queria fazer isso. A verdade é que a gentil mão não a incomodava. Pelo contrário, fazia com que lembrasse uma passagem na infância, o dia em que o pai a levara à escola pela primeira vez. Tinham também ido de metrô; ela estava assustada, chorosa. O pai então colocara-lhe a mão nas costas, como a ampará-la, dizendo qualquer coisa do tipo “não chore, a escola é boa, você vai gostar”. E ela se acalmara, não tanto por causa das palavras, mas pelo contato da mão paterna. E era a mesma sensação que tinha agora: a sensação de amparo, de conforto.

     Estava chegando, precisava descer. Como se houvesse percebido, a mão, discretamente, retirou-se de seu dorso. A porta se abriu e ela saiu do vagão. Ainda teve a tentação de olhar para trás, mas resistiu. Não queria associar nenhum dos rostos que ali estavam com a mão que a tocara. Queria, isto sim, guardar a lembrança dessa mão como uma entidade misteriosa que, de algum modo, a fizera viver uma estranha e perturbadora aventura.


(Moacyr Scliar. Folha de São Paulo. São Paulo. Em: 12/09/2005.)
Considerando a estrutura linguística das informações em destaque, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3235428 Português
Acessibilidade (in)visível 

    Acessibilidade é uma daquelas palavras que pode parecer simples e direta: criar condições para que todos possam participar da sociedade de forma plena e igualitária. Mas, na prática, é um desafio gigantesco no Brasil. Apesar de termos mais de 18 milhões de pessoas com deficiência no país, e mais da metade serem negras, segundo o IBGE, os debates sobre acessibilidade precisam ganhar mais espaço, especialmente enquanto as soluções reais continuam inacessíveis para muitos.
    Esse é um debate, aliás, que deveria interessar a todos. Primeiramente, porque ninguém está livre de precisar de dispositivos de acessibilidade em algum momento da vida. Nosso país está envelhecendo e, à medida que ganhamos idade, nossa mobilidade, visão, audição e outras funções tendem a mudar. Em segundo lugar, aquilo que facilita a vida de pessoas com deficiência também pode ser útil para o restante da sociedade. Quer um exemplo? O envio de mensagens de voz começou como recurso de acessibilidade e virou parte da rotina de milhões de pessoas.
    Dispositivos e estruturas acessíveis não beneficiam só uma parcela da população; tornam o mundo mais funcional para todos. Imagine ruas, transportes e serviços públicos que considerem as necessidades de pessoas cegas ou surdas, cadeirantes, idosos, pessoas com deficiências invisíveis. Não seria somente mais inclusivo, como mais eficiente e humano.
     O problema é que, muitas vezes, o discurso não acompanha a prática. Rampas com inclinação errada, banheiros adaptados em empresas onde ninguém com deficiência é contratado ou mesmo a ausência de recursos básicos como legendas em filmes brasileiros, como apontou recentemente o influenciador Ivan Baron ao criticar a falta de closed caption na obra-prima “Ainda estou aqui”. Esses problemas são apenas a ponta do iceberg de uma questão sistêmica.
    E o que dizer dos preços de dispositivos de acessibilidade? Um elevador residencial ou uma cadeira de rodas motorizada podem custar o equivalente a anos de salário para muitas famílias. O acesso ao apoio psicológico ou terapias especializadas, especialmente para pessoas no espectro autista, é restrito e, muitas vezes, depende de planos de saúde caros.
    Outro ponto que precisa de atenção é a visibilidade das deficiências invisíveis, como transtornos mentais, condições neurológicas ou deficiências cognitivas, que frequentemente ficam fora do debate. Essa invisibilidade contribui para que o foco esteja apenas nas adaptações físicas, deixando de lado outras necessidades igualmente importantes.
    Há avanços significativos, mas ainda limitados. Uma boneca cadeirante, por exemplo, é um produto inspirador, mas quantas lojas físicas e virtuais a tornam disponível de forma acessível? Não deveria ser apenas um item “instagramável” ou usado para campanhas publicitárias que buscam prêmios de inovação. Deveria ser um produto comum, encontrado em qualquer prateleira, porque a inclusão precisa estar na rotina.
    Portanto, a acessibilidade precisa deixar de ser um tema isolado. Empresas, governos e sociedade como um todo têm a ganhar ao priorizar essa pauta. Acessibilidade é incrível, mas precisa ser mais do que uma palavra bonita. Precisa ser acessível na prática.

(Disponível em: https://oglobo.globo.com/ela/luana-genot/coluna/2024/acessibilidade-invisivel.ghtml. Acesso em: dezembro de 2024. Adaptado.)



Imagine ruas, transportes e serviços públicos que considerem as necessidades de pessoas cegas ou surdas, cadeirantes, idosos, pessoas com deficiências invisíveis.” (3º§) Quanto ao tempo e ao modo verbal dos verbos “imaginar” e “considerar”, nesse contexto, pode-se afirmar que estão conjugados no:
Alternativas
Q3235100 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Aniversário de amizade


    As pessoas comemoram aniversários de namoro e de casamento e jamais lembram os marcos das amizades. A amizade repousa num tempo indefinido e vago, sem festa, sem torta e sem parabéns. É uma omissão injusta. Favorecemos as amarras do romance e descuidamos dos laços da fraternidade.

    Ninguém festeja a data em que se conheceu um amigo muito especial. Fabrício percebeu a lacuna quando Eduardo, seu amigo que morava em São Paulo, lembrou-lhe de que em 15 de agosto completariam 20 anos de amizade. Combinaram de jantar nesse dia para comemorar as bodas de porcelana da amizade.

    Amigo é algo tão sério que deveríamos pedir o ombro da pessoa para os seus pais. Se pedimos a mão da mulher em casamento, o ideal seria solicitar o ombro leal e fiel de nosso amigo com a mesma solenidade, olhando nos olhos dos pais dele e prometendo sinceridade e cuidado para a vida toda. Amigo é destino, amigo é vocação, é amor de anjo, é inocência de intenção.

    Temos que frequentar a casa e a família, ir a enterros e nascimentos, suportar a intimidade das contradições e oferecer conselhos. Pelo jeito, Fabrício e Eduardo chegarão às bodas de ouro. Faltam ainda trinta anos, mas não tiveram nenhuma discussão de relacionamento ao longo da cumplicidade de ambos.


(Fabrício Carpinejar. Amizade é também amor. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 2017. Adaptado)
No trecho contido no primeiro parágrafo − As pessoas comemoram aniversários de namoro e de casamento e jamais lembram os marcos das amizades. –, os dois verbos destacados estão no tempo presente. Passando-os para o tempo passado, têm-se, na ordem em que se apresentam:
Alternativas
Q3234350 Português

Leia a tirinha a seguir para responder à questão. 



Fonte: https://novaescola.org.br/conteudo/3621/calvin-e-seus-amigos 


Em relação aos trechos a seguir, retirados da tirinha, analise as afirmativas e classifique-as em verdadeiro (V) ou falso (F). Em seguida, marque a alternativa correta.



( ) “Você ao menos leu o capítulo do livro de história que eu mandei?” – “ler” está conjugado no pretérito perfeito do indicativo.


( ) “Eu tentei, mas a editora do livro não usou um bom fixador de impressão.” – “mas” é uma conjunção adversativa.


( ) “Não preciso nem dizer que quando eu peguei o livro, todas as letras caíram das páginas e ficaram espalhadas no chão.” – “Não” e “nem” são advérbios de modo.


( ) “Acho que minhas desculpas precisam ser menos elaboradas” – “minhas” é uma preposição.

Alternativas
Q3234206 Português
Assinale a alternativa que apresenta, respectivamente, um verbo na 3ª pessoa singular do pretérito imperfeito e um verbo na 3ª pessoa plural do futuro do presente. 
Alternativas
Q3231892 Português
A jornada da inclusão, o direito à escola


Busquemos apoio legal, registremos ocorrências, mas jamais deixemos nossos filhos sem amparo
Bebel Soares | 09/02/2025 


    O texto de hoje não é meu, é de uma mãe que vem lutando pelo direito de sua filha frequentar a escola. Renata Zarnowski é uma mãe que, como toda mãe de criança neurodivergente, é incapaz de permanecer em silêncio diante dessa luta incessante.

    “Após sair do Conselho Tutelar, me vejo obrigada a expor a realidade dos últimos anos. Luiza, diagnosticada com autismo, é também superdotada e tem transtorno do déficit de atenção com hiperatividade (TDAH), o que torna sua experiência escolar ainda mais desafiadora.

    Buscamos uma escola que prometia um método de ensino voltado a projetos e aulas sem tantas formalidades, mas logo se revelou um pesadelo. A aparência de flexibilidade se desfez diante da falta de preparação da escola para lidar com a individualidade da minha filha. Desde repreensões pelo vestuário até a indiferença com suas necessidades sensoriais, tudo contribuiu para um crescente isolamento. Mesmo com pareceres de especialistas que respaldavam minha presença na sala para auxiliá-la, as portas continuaram fechadas. A barreira ergueu-se ainda mais com a gestão escolar, que nos via mais como problema do que como uma família em busca de inclusão.

    A situação se agravou em 2024; Luiza foi alvo de bullying. O apelido de ‘turista’ evoluiu para grosserias intoleráveis - provou-se ser mais que um simples problema social. Tentamos apoiá-la com chamadas de celular, a única ponte entre a segurança emocional dela e o ambiente OSTIL/HOSTIL que se tornou a escola. No entanto, até mesmo esse frágil apoio foi visto com desdém pela instituição. Os momentos vieram acompanhados de lágrimas e resistência, um quadro insustentável que CULMINOU/CUMINOU na ausência total de Luiza nas aulas.

    Diante disso, nossa busca foi por justiça e amparo, um clamor que compartilho agora com cada pai e mãe que se sente impotente diante de instituições que falham em sua responsabilidade. O bullying que Luiza enfrentou não deve ser calado ou minimizado. É crime e deve ser tratado como tal1 . Ao perceber a criação de contas falsas online para prejudicá-la, vi claramente que, para alguns, o bullying continua sendo ‘só’ mais um ‘comportamento infantil’, tratado com conversas que não envolveram os pais do agressor, sem medidas drásticas para algo que, comprovadamente, incita suicídios e depressões.

    Sejamos ALDACIOSOS/AUDACIOSOS. Busquemos apoio legal, registremos ocorrências, mas jamais deixemos nossos filhos sem amparo2 . São eles que construirão seu futuro em meio às dificuldades e são DIGNOS/DÍGUINOS de ambientes que os respeitem e os compreendam. Devemos exigir que instituições educativas vejam além das métricas e se comprometam genuinamente com a inclusão de todos, não apenas quando é conveniente ou lucrativo.

    Se há algo que quero deixar como legado nessa batalha, é que nunca desistirei de lutar pela Luiza. Que outros pais se juntem a essa luta, não apenas pelo nosso direito, mas para construir um futuro em que toda criança possa ser aceita por quem realmente é, única e INSUBSTITUÍVEL/INSUBISTITUÍVEL3 .
Vamos todos juntos levantar essa bandeira.” 


SOARES, Bebel. A jornada da inclusão, o direito à escola. Estado de Minas, 09 de fevereiro de 2025.
Disponível em: https://www.em.com.br/colunistas/bebelsoares/2025/02/7054328-a-jornada-da-inclusao-odireito-a-escola.html. Acesso em: 10 fev. 2025.
Adaptado para esta avaliação.
Observe os três períodos sublinhados nos últimos parágrafos do texto. Qual(is) deles apresenta(m), em sua construção, verbo(s) representativo(s) do modo subjuntivo?
Alternativas
Q3228810 Português

A questão se refere ao texto abaixo.


Protejam as crianças da literatura


Wilson Gomes


    "Eu sou a favor da suspensão, porque não é certo o ensinamento desse livro", afirmou uma jovem mãe mineira, ao ser indagada sobre o que achava de o "Menino Marrom", de Ziraldo, ter tido o seu uso didático temporariamente suspenso em Conselheiro Lafaiete, em Minas Gerais. Essa convicção se repete na voz de um jovem pai, que acrescenta que é preciso estar alerta aos livros escolares, sim, e já tinha até planejado ir à Secretaria de Educação "com relação a alguns livros" de leitura obrigatória. Notem o plural.


    Fatos dessa natureza têm recebido enorme cobertura da mídia e inundado o debate público nacional a partir dos ambientes digitais. Não é claro para mim se foi a cobertura que aumentou ou se realmente houve um incremento nas ações de pais e autoridades para restringir o acesso de crianças e jovens a determinados livros. De todo modo, é notável como esses episódios continuam a se repetir.


    Há quem salte para grandes conclusões, atribuindo ao avanço da extrema direita uma onda de moralismo inquisitorial e uma temporada de caça a livros e a outras bruxarias artísticas e literárias no país. E há quem diga claramente que a paixão por censurar se restringe a obras antirracistas ou com temáticas relacionadas à cultura africana no Brasil. As evidências, contudo, não autorizam saltos tão grandes.


    Primeiro, se é verdade que a ultradireita acredita que o mal pode residir em livros e representações artísticas, identitários de esquerda compartilham o mesmo temor e idêntica vontade de proibir, cancelar e punir. A única diferença real entre as duas posições reside na definição do que exatamente constitui o mal. Para identitários, livros ofendem minorias, oferecem "gatilhos" que acionam sofrimentos em certas pessoas, induzem ao racismo, à misoginia, à homofobia e à transfobia e colonizam o pensamento. Para os ultraconservadores, a literatura ensina ideias religiosas falsas, induz à homossexualidade, faz doutrinação ideológica, promove a ideologia de gênero e o comunismo, além de expor crianças à violência e ao sexo.


    Em ambos os casos, há a convicção comum de que as crianças, quando não todas as pessoas, precisam ser protegidas dos livros. E, se possível, que se deem alguns passos mais, que variam desde a reescrita "politicamente correta" — alô, Lobato — ou "de acordo com a sã doutrina" de obras literárias, até a criação de listas de livros e de autores proibidos e a emissão de condenações públicas contra autores, eventualmente, até enquadrando-os em algum tipo penal.


    A rapidez com que se passa do julgamento moral de alguém que se sente ofendido — e o "sentir-se ofendido" é considerado motivo suficiente para a decisão de que um livro não presta — até o pedido de censura e punição ao autor é a mesma nos dois grupos. O identitário grita "racismo religioso" ou "transfobia" com a mesma celeridade com que o conservador conclui que "não é certo o ensinamento desse livro".


    Em segundo lugar, ao examinar as razões enunciadas por quem considera que a obra faz mal, notamos que a censura é invariavelmente vista como um ato de amor e zelo, pois o censor está sempre protegendo alguém vulnerável — crianças, jovens, membros de minorias, pessoas ignorantes, a massa ingênua. Na bibliografia sobre o tema, já se constatou, há anos, que três variáveis são importantes — o quão protetora é a pessoa que pede por censura, o quão vulnerável ela julga ser a pessoa ou grupo que quer proteger e a magnitude do mal que ela julga ver no objeto que deseja censurar.


    A estimativa do nível do mal depende de muitos fatores, inclusive do grau de conhecimento da obra julgada. Grandes leitores raramente têm medo de livros. Quem joga games eletrônicos não vê os danos que os não jogadores imaginam. Os extremamente protetores tendem a querer censurar tudo — celulares, games, televisão, YouTube, livros —, enquanto os que acham que todo mundo sabe se virar no mundo não querem censurar nada. Quem considera os outros muito ingênuos, estúpidos ou influenciáveis fica aflito com o que eles leem ou veem. Quem acha que todo mundo é mais ou menos como ele acredita que todos são suficientemente sagazes para driblar manipulações.


    Curiosamente, as mesmas pessoas que consideram patéticas e absurdas as alegações de que o livro de Ziraldo incentivaria a violência, que é um fato, consideram altamente sofisticado acreditar que smartphones e plataformas digitais vão tornar seus filhos estúpidos, que games os tornarão violentos, que a televisão... Ah, desculpem, as crianças não veem mais televisão. Deve ser, por isso, que estamos melhores.


Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/colunas. Acesso em: 07 nov. 2024. [Adaptado]

Considere o parágrafo abaixo para responder à questão.


Em ambos os casos, há a convicção comum de que as crianças, quando não todas as pessoas, precisam ser protegidas dos livros. E, se possível, que se deem alguns passos mais, que variam desde a reescrita "politicamente correta" — alô, Lobato — ou "de acordo com a sã doutrina" de obras literárias, até a criação de listas de livros e de autores proibidos e a emissão de condenações públicas contra autores, eventualmente, até enquadrando-os em algum tipo penal.


O verbo “haver” encontra-se no singular, porque

Alternativas
Q3227314 Português

Para responder à questão, considere o texto abaixo.



Debaixo da ponte


Carlos Drummond de Andrade


    Moravam debaixo da ponte. Oficialmente, não é lugar onde se more, porém eles moravam. Ninguém lhes cobrava aluguel, imposto predial, taxa de condomínio: a ponte é de todos, na parte de cima; de ninguém, na parte de baixo. Não pagavam conta de luz e gás, porque luz e gás não consumiam. Não reclamavam contra falta d’água, raramente observada por baixo de pontes. Problema de lixo não tinham; podia ser atirado em qualquer parte, embora não conviesse atirá-lo em parte alguma, se dele vinham muitas vezes o vestuário, o alimento, objetos de casa. Viviam debaixo da ponte, podiam dar esse endereço a amigos, recebê-los, fazê-los desfrutar comodidades internas da ponte.

    À tarde surgiu precisamente um amigo que morava nem ele mesmo sabia onde, mas certamente morava: nem só a ponte é lugar de moradia para quem não dispõe de outro rancho. Há bancos confortáveis nos jardins, muito disputados; a calçada, um pouco menos propícia; a cavidade na pedra, o mato. Até o ar é uma casa, se soubermos habitá-lo, principalmente o ar da rua. O que morava não se sabe onde vinha visitar os de debaixo da ponte e trazer-lhes uma grande posta de carne.

    Nem todos os dias se pega uma posta de carne. Não basta procurá-la; é preciso que ela exista, o que costuma acontecer dentro de certas limitações de espaço e de lei. Aquela vinha até eles, debaixo da ponte, e não estavam sonhando, sentiam a presença física da ponte, o amigo rindo diante deles, a posta bem pegável, comível. Fora encontrada no vazadouro, supermercado para quem sabe frequentá-lo, e aqueles três o sabiam, de longa e olfativa ciência.

    Comê-la crua ou sem tempero não teria o mesmo gosto. Um de debaixo da ponte saiu à caça de sal. E havia sal jogado a um canto de rua, dentro da lata. Também o sal existe sob determinadas regras, mas pode tornar-se acessível conforme as circunstâncias. E a lata foi trazida para debaixo da ponte. Debaixo da ponte os três prepararam comida.

    Debaixo da ponte a comeram. Não sendo operação diária, cada um saboreava duas vezes: a carne e a sensação de raridade da carne. E iriam aproveitar o resto do dia dormindo (pois não há coisa melhor, depois de um prazer, do que o prazer complementar do esquecimento), quando começaram a sentir dores.

    Dores que foram aumentando, mas podiam ser atribuídas ao espanto de alguma parte do organismo de cada um, vendo-se alimentado sem que lhe houvesse chegado notícia prévia de alimento. Dois morreram logo, o terceiro agoniza no hospital. Dizem uns que morreram da carne, dizem outros que do sal, pois era soda cáustica. Há duas vagas debaixo da ponte.


ANDRADE, C. D. de. Debaixo da ponte. In: ANDRADE, C. D. de. Obra Completa, Rio de Janeiro: José Aguiar, 1967.

O primeiro parágrafo do texto apresenta
Alternativas
Q3226782 Português
Assinalar a alternativa que apresenta, respectivamente, um verbo na 3ª pessoa singular do pretérito imperfeito e um na 3ª pessoa plural do futuro do presente.
Alternativas
Q3226626 Português

Leia o texto para responder à questão. 



    Um dos grandes homens da história humana, Jesus de Nazaré, tem uma frase que considero uma das mais importantes, que é: “Quero que tenhais vida, e vida em abundância”. Não é pouca vida, menos vida, subvida, sobrevivência: “Quero que tenhais vida, e vida em abundância”. A beleza da frase é que está no plural: quero que tenhais, em vez de apenas quero que você tenha.


    Esse plural é um projeto de Vida coletiva ameaçado pela pior força negativa dos tempos atuais, o apodrecimento da esperança. Muitos homens e mulheres vivem o apodrecimento da esperança: a ideia de que as coisas são como são e não há outro modo de elas serem.


    A postura conformada expressa uma determinada atitude e convicção que cria um modelo mental extremamente perigoso. Basta ver nos poucos circos que ainda sobraram com o uso de animais não humanos: do lado de fora, um elefante parado. O elefante não pode ficar guardado numa jaula. Como é que ele fica do lado de fora do circo? Ele não consegue sair dali onde o deixaram. É uma coisa desesperadora. O elefante fica se movimentando pra lá e pra cá, com aquele jeito melancólico e que nos deixa entristecidos. Porque, afinal de contas, é a ausência da liberdade. Ele fica preso numa estaca pequenina, que qualquer criança tira. Por que é que tem um guarda ao lado do elefante? Não é para tomar conta dele, é para tomar conta da criança, para que ela não arranque aquilo.


    O elefante, que é capaz de puxar o circo, se for amarrado no mastro central, um bicho de quatro toneladas e meia, o animal mais forte da natureza, não consegue arrancar uma simples estaca. Por quê? Porque ele foi formado daquele jeito. Quando ele era pequeno, alguém amarrou uma corrente na pata dele e a cravou em uma estaca. Ele deu o primeiro tranco e não saiu, deu o segundo e não saiu, nunca mais ele tentou.


    Tem gente que funciona como um elefante do lado de fora do circo. São aqueles que acham que não tem jeito e não tentam. Acham que não pode ser feito, então não fazem. Acham que o único jeito de fazer é daquele modo.


(Mario Sergio Cortella, Não se desespere!: provocações filosóficas, Editora Vozes, 2014. Adaptado)

Assinale a alternativa em que as duas formas verbais em destaque estão no tempo passado.
Alternativas
Q3223976 Português
Texto I

O que é o “caxangá”, que os escravos de Jó jogavam?


(Artur Louback)


      Caxangá tem vários significados, mas nada de jogo. Pode ser um crustáceo (parecido com um siri), um chapéu usado por marinheiros, e há até uma definição indígena: segundo o Dicionário Tupi-Guarani-Português, de Francisco da Silveira Bueno, caxangá vem de caáçangá, que significa “mata extensa”. Mas nada disso tem a ver com o jogo e menos ainda com Jó, o personagem bíblico que perdeu tudo o que tinha (inclusive os escravos), menos a fé. Isso deixa os especialistas intrigados. “Já procurei caxangá, caxengá e caxingá, com “x” e “ch”, e não encontrei nada que fizesse sentido como um jogo”, diz o etimologista Claudio Moreno. “Se esse jogo existisse, seria quase impossível explicar como ele passou despercebido por todos os antropólogos e etnólogos que estudam nossas tradições populares”. O que pode ter ocorrido é uma espécie de “telefone sem fio”: se originalmente o verso fosse “juntavam caxangá” ao invés de “jogavam”, poderiam pensar em escravos pegando siris em vez de em um jogo. Outra hipótese é que caxangá seja uma expressão sem sentido, como “a Tonga da mironga do kabuletê”, da canção de Toquinho e Vinicius – as palavras separadas até têm sentido (são vocábulos africanos), mas não com o significado que elas têm na música.



(Disponível em https://super.abril.com.br/mundo-estranho/o-que-e-ocaxanga-que-os-escravos-de-jo-jogavam/. Acesso em 5 de dezembro de 2024)
Na passagem “Se esse jogo existisse”, o valor semântico da oração é reforçado pela presença de uma forma verbal que indica:
Alternativas
Q3222677 Português
Analisar o trecho abaixo e assinalar a alternativa que apresenta o erro de construção da frase.

Mais de uma professora se abraçou emocionadas, enquanto as alunas observavam com sorriso no rosto.
Alternativas
Q3222559 Português
Leia o trecho do livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.

      Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza, capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de moças, hospedaria. Desempenhou outra função importante na economia brasileira: foi também banco. Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos tijolos ou mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs, corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro. Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É verdade que um roubou o esplendor e outras joias de São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito, chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de “ornatos de algum luxo” pelos negros.
(In: Silviano Santiago (coord.). Intérpretes do Brasil, 2000. Disponível em: https://www.editoraopirus.com. Acesso em: 15 fev. 2025.

No trecho “Às vezes guardavam-se joias nas capelas, enfeitando os santos.”, o verbo encontra-se na voz
Alternativas
Q3222557 Português
Texto para a questão.

O último poema

Assim eu quereria o meu último poema.
Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais
Que fosse ardente como um soluço sem lágrimas
Que tivesse a beleza das flores quase sem perfume
A pureza da chama em que se consomem os diamantes mais límpidos
[…]

BANDEIRA, Manuel. “O último poema”. In: BANDEIRA, Manuel. 50 poemas escolhidos. São Paulo: Cosac Naify, 2006.
Nos versos “ Assim eu quereria o meu último poema. / Que fosse terno dizendo as coisas mais simples e menos intencionais”, as formas verbais destacadas encontram-se, respectivamente, no
Alternativas
Respostas
1641: D
1642: D
1643: D
1644: B
1645: B
1646: D
1647: B
1648: D
1649: C
1650: B
1651: A
1652: D
1653: A
1654: A
1655: A
1656: C
1657: A
1658: A
1659: C
1660: D