Questões de Concurso Comentadas sobre pontuação em português

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Q3766936 Português
CONVERSAS ILUMINADAS 

Martha Medeiros 

        Tem coisa mais xarope do que faltar luz? Outro dia estava terminando de escrever um texto e não consegui concluí-lo: o céu enegreceu, trovões começaram a espocar e foi-se a energia da casa. Eram 15h10 da tarde. A luz só voltou às 20h. Fiquei com aquele pedação de dia sem poder trabalhar. Então bati à porta do quarto da minha filha e percebi que ela também estava à toa, sem conseguir desfrutar da companhia inseparável do seu laptop. Ficamos as duas ali nos queixando do desperdício de tempo, até que nos jogamos em sua cama e começamos a conversar. Que jeito.
        Conversamos sobre os sonhos que ela tem para o futuro, e eu contei os que eu tinha na idade dela, e de como a vida me surpreendeu desde lá até aqui. E ela me divertiu com umas ideias absurdas que só podiam mesmo sair de sua cabeça inventiva, e eu ri tanto que ela se contagiou e riu muito também de si mesma. Então ela me falou sobre uma peça de teatro que foi assistir quando eu estive viajando, e ela disse que eu teria adorado, e combinamos de ir juntas na próxima vez que o ator voltar a Porto Alegre.
         Aí eu contei o que fiz durante essa viagem que me impediu de estar com ela no teatro, e vimos as fotos juntas. Então foi a vez de ela me apresentar o novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento que eu estava mesmo desprezando. Então foi minha vez de tocar pra ela uma música que eu adoro e ela fez uma careta, e concluí que a careta era eu. E rimos de novo, e conversamos mais um tanto, e então fomos para a cozinha comer um resto de salada de fruta que estava a ponto de estragar naquela geladeira sem vida, já que a luz ainda não havia voltado.
        Será que não havia voltado mesmo? Engraçado, fazia tempo que não passava uma tarde tão luminosa.
        Quando por fim a luz voltou, voltei também eu para o computador, e voltou minha filha para seu Facebook, e só o que se escutava pela casa era o barulho das teclas escrevendo para seres invisíveis – falávamos com quem? Com o universo alheio.
        E tive então um insight: tem, sim, coisa mais xarope do que faltar luz. É ficarmos reféns da tecnologia, deixando de conversar com quem está ao nosso lado. Se é preciso que a energia elétrica seja cortada para resgatar a energia humana, que seja, então. Não em hospitais, não em escolas, mas dentro de casa, uma horinha por semana: não haveria de causar um estrago tão grande. Se acontecer de novo, prometo não reclamar para a CEEE, desde que não demore tanto para voltar a ponto de estragar os alimentos na geladeira e que seja suficiente para me alimentar da clarividência e brilho de um bom papo.

Disponível em: https://beneviani.blogspot.com/2013/12/martha-medeiros-conversas-iluminadas.html Acesso em 08 de outubro de 2025 
No trecho: “Então foi a vez de ela me apresentar o novo disco da Lady Gaga (pelo celular), e ela me convenceu de que existe muito preconceito com essa cantora que, em sua opinião, é revolucionária, e eu escutei umas sete músicas e não gostei tanto assim, mas reconheci ali um talento que eu estava mesmo desprezando.”, os parênteses em “(pelo celular)” são usados para
Alternativas
Q3766344 Português
Assinale a alternativa em que a oração está pontuada corretamente.
Alternativas
Q3766263 Português
A correta utilização da vírgula é fundamental para garantir a clareza e a precisão de informações. No contexto da temática ambiental, as vírgulas podem ser empregadas para separar elementos em uma lista, isolar orações explicativas ou destacar aposto. Considerando essas possibilidades, analise as frases abaixo e identifique em qual delas as vírgulas foram empregadas para isolar o aposto explicativo.
Alternativas
Q3766240 Português
Assinale a oração em que a vírgula foi usada corretamente.
Alternativas
Q3765986 Português

Sobre o ponto-final, analise as afirmativas a seguir e, em seguida, assinale a alternativa correta:


I. O ponto-final emprega-se, principalmente, para fechar o período, por exemplo: “Jardel jogava no Santos.”.


II. Usa-se ponto-final no fim de uma palavra, oração ou frase, para indicar pergunta direta.


III. Usa-se o ponto-final nas abreviaturas, por exemplo: O império Romano se inicia em 27 a.C. e termina em 476 d.C.


IV. O ponto-final é utilizado para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. 

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Q3765420 Português
"O que se escreve é mais do que o que se diz: é o que permanece. A escrita exige precisão não apenas na escolha das palavras, mas também na sua grafia e na estruturação do discurso. Uma vírgula mal posta, um hífen indevido ou um acento ausente não são meras incorreções técnicas — podem comprometer o sentido, a fluidez e até mesmo a credibilidade do texto."
(Adaptado de BECHARA, Evanildo. Moderna Gramática Portuguesa. Nova Fronteira, 2009.)
Com base no excerto acima e nos fundamentos normativos da ortografia e da pontuação da língua portuguesa, assinale a alternativa que apresenta um julgamento linguístico tecnicamente correto quanto à aplicação das regras oficiais e à implicação semântica dos recursos gráficos. 
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Q3765309 Português
Não olhe, eles estão te julgando


As pessoas não gostam de ver outras pessoas sozinhas. O garçom pergunta se a mesa é para um, a atendente confirma se é só um ingresso, e até em um bar alguém questiona o que uma mulher bonita faz sozinha, como se estar só fosse um convite para abordagens. Em lugares públicos, os olhares continuam esbarrando, e o celular vira escudo para amenizar o incômodo causado pelo olhar alheio.

Andar sozinha em uma grande cidade pode ser assustador, e talvez por isso surja a necessidade de buscar companhia. Lembro-me da primeira vez que fui ao cinema sozinha: comprei meu ingresso, esperei a sessão e me sentei com meu balde de pipoca, sem ninguém ao lado. Durante o filme, ria e chorava, sempre conferindo a cadeira vazia e olhando para trás, como se precisasse garantir que ninguém reparasse na minha solidão momentânea.

Quando o filme terminou, percebi que tudo bem não ter companhia às vezes. Estar sozinha não significa ser solitária, e reconhecer isso faz com que a gente valorize mais a própria presença. O alerta sempre vai existir — o medo de abordagens ou de olhares julgadores, mas nada disso deve impedir que você escolha a si mesma.

Texto Adaptado

OLIVEIRA, Gabrielle Abreu de. Não olhe, eles estão te julgando. In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025. 
Com base na análise sintática e semântica da pontuação presente no trecho "O alerta sempre vai existir — o medo de abordagens ou de olhares julgadores, mas nada disso deve impedir que você escolha a si mesma", pode-se afirmar que:
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Q3764999 Português
Deixou de ser medo mesmo?


Imagina dar de cara com um medo de infância. Você acha que vai rir e seguir em frente, até que você resolve voltar um pouco à infância e percebe que o medo não ficou tão para trás conforme cresceu. Vi no Twitter uma corrente sobre medos irracionais e encontrei a imagem do lobo mau do Castelo Rá Tim Bum, que já tinha me tirado o sono. Decidi rever o episódio para ver se ele era mesmo tão assustador quanto eu lembrava.

Revendo hoje, aos 23, notei que tudo era divertido até o lobo aparecer. Quando surgiu em close, fechei os olhos como se fosse criança, mesmo sabendo que era só uma fantasia. O episódio continuou, os conflitos se resolveram e eu ainda olhava para a tela com os olhos entreabertos sempre que o lobo surgia.

A fantasia era realmente muito feia, e entendi por que meu eu pequeno teve pesadelos. Ainda assim, reencontrei uma memória afetiva e até engraçada. Acho que hoje o lobo já não me tira o sono − os medos de gente grande fazem isso, mas rendeu uma boa história para guardar e contar.

Texto Adaptado

BARBOSA, Catarina Virginia. Deixou de ser medo mesmo? In: Livros Abertos USP. São Paulo: Universidade de São Paulo. Disponível em: https://www.livrosabertos.abcd.usp.br/portaldelivrosUSP/catalog/downlo ad/730/648/2404?inline=1 . Acesso em: 12 nov. 2025
No trecho "Acho que hoje o lobo já não me tira o sono − os medos de gente grande fazem isso, mas rendeu uma boa história para guardar e contar.", observe o uso do travessão e da vírgula na construção do período e identifique a afirmativa correta:
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Q3764646 Português
O uso correto dos dois-pontos exige compreensão das relações sintáticas e semânticas que esse sinal de pontuação estabelece entre os enunciados.
Considerando suas funções e o emprego adequado do sinal na norma-padrão, assinale a alternativa em que os dois-pontos foram usados corretamente.
Alternativas
Q3764614 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Adamastor - O Estranho Homem Puro


    “O de que eu não gosto é, exatamente, tudo o de que os outros não gostam e têm medo de dizer” – disse Adamastor, odiando Jayne Mansfield.

     Adamastor é um homem magro, seco, que usa óculos e sardas. Ou, se não é assim, gostaria de sê-lo. Veste calças escuras de brim grosso, camisa de malha de algodão, preta, meias de longo curso e botinas de cano curto. Eis Adamastor, o estranho homem puro de quem o único juiz é a sensibilidade:

    Não sente o menor carinho por velhos e crianças de colo. Para ele, homem que dança muito bem não tem caráter. Diz: “O homem, a não ser que seja de balé, precisa dançar apenas direitinho.” Odeia as mulheres que usam spray net (laquê), anáguas (saias rodadas) e bordado inglês. As pessoas que contam anedotas ou que só contam anedotas estão a um minuto da paralisia geral. (...) Discurso, não pode nem ouvir falar e acha que todo bom orador é, no fundo, mau pai de família. Não tem a menor admiração por Castro Alves, Rui Barbosa e Afonso Arinos. Sai da sala onde há homem de pernas cruzadas e lhes aparece (entre a calça e a meia) os cabelos da canela. Acha, Adamastor, que os homens devem usar meias tão compridas que, sendo preciso, possam sair sem calças. Ou, então, que andem logo sem meias e de sapatilhas “sete vidas”. Está absolutamente certo de que homem de ligas não dá sorte com mulher. Sustenta a tese de que mulher não deve fazer samba e desafia quem lhe mostre um samba, realmente bonito, feito por mulher. Gosta dos cegos, ajuda-os em tudo, mas acha que cego é muito intrigante. É generoso com os autores das canções, mas abomina aqueles que usam as expressões “própria natureza” e “própria dor”. Tem o maior desprezo pelas pessoas que sabem consertar isqueiros. Odeia entrevistas de jogador de futebol, que começam em: “antes, porém, meu boa-tarde aos senhores telespectadores”, seguem dizendo que “o adversário é um adversário cem por cento” e terminam com “o meu boa-tarde para minha senhora e minha mãe”. Sobre o tratamento “minha senhora” e a palavra “telespectadores” não quer nem falar. Acha que as pessoas que falam em “bater papinho”, “essa não”, “bárbaro” e “cobra” deviam ir para Bananal, tirar retrato com os índios. Detesta as canções Dindi e Teté e não tem a menor pena de mudo, porque mudo não tem palavra.


MARIA, Antônio. Seja feliz e faça os outros felizes: as crônicas de humor de Antônio Maria. Civilização Brasileira, 2005, p. 43-44. Disponível em:
No primeiro parágrafo do texto, por que o autor utiliza aspas?
Alternativas
Q3764542 Português

TEXTO


Oi, Chico!


Clarice Lispector 


                                                         


No trecho “Ela, Chico, não entendeu que você não é meu ídolo” (linhas 14-15), as vírgulas são empregadas para
Alternativas
Q3764516 Português
Analise as frases a seguir e a justificativa para o uso da vírgula em cada uma delas. Assinale a alternativa em que o uso da vírgula e a explicação correspondem e estão corretos:
Alternativas
Q3764262 Português

Na frase:



Você ainda não sabe, menininha tagarela, que a vida é uma árdua batalha.



Assinale a alternativa que justifica corretamente o emprego das vírgulas na frase acima.

Alternativas
Q3763718 Português

A vírgula foi empregada CORRETAMENTE em: 

Alternativas
Q3763147 Português
Assinale a alternativa em que a pontuação foi empregada INCORRETAMENTE, comprometendo a coesão e a coerência. 
Alternativas
Q3763120 Português

A Rotina de Dona Maria


Dona Maria acorda cedo todos os dias. Ela mora em uma casa simples, mas que está sempre arrumada.


O trabalho de Maria é na feira. Ela ajuda a montar a barraca de frutas e verduras antes do sol nascer. Seu João, o dono da barraca, é um homem trabalhador e paga Maria no final do dia.


Com o dinheiro, Maria compra o arroz, o feijão e o pão para sua família. À noite, depois de tudo pronto, ela gosta de sentar na varanda e conversar com sua vizinha, a Dona Joana. O dia é cansativo, mas Maria fica feliz por ter o trabalho e a família perto. 

Assinale a alternativa que apresenta uma frase exclamativa. 
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Q3762639 Português
Morte


    Assisti a algumas imagens do velório do Bussunda, quando os colegas do Casseta & Planeta deram seus depoimentos. Parecia que a qualquer instante iria estourar uma piada. Estava tudo sério demais, faltava a esculhambação, a zombaria, a desestruturação da cena. Mas nada acontecia ali de risível, era só dor e perplexidade, que é mesmo o que a morte causa em todos os que ficam. A verdade é que não havia nada a acrescentar no roteiro: a morte, por si só, é uma piada pronta. Morrer é ridículo. Você combinou de jantar com a namorada, está em pleno tratamento dentário, tem planos pra semana que vem, precisa autenticar um documento em cartório, colocar gasolina no carro e no meio da tarde morre. Como assim? E os e-mails que você ainda não abriu, o livro que ficou pela metade, o telefonema que você prometeu dar à tardinha para um cliente?

    Não sei de onde tiraram esta ideia: morrer.

    A troco? Você passou mais de 10 anos da sua vida dentro de um colégio estudando fórmulas químicas que não serviriam pra nada, mas se manteve lá, fez as provas, foi em frente. Praticou muita educação física, quase perdeu o fôlego, mas não desistiu. Passou madrugadas sem dormir para estudar pro vestibular mesmo sem ter certeza do que gostaria de fazer da vida, cheio de dúvidas quanto à profissão escolhida, mas era hora de decidir, então decidiu, e mais uma vez foi em frente. De uma hora pra outra, tudo isso termina numa colisão na freeway, numa artéria entupida, num disparo feito por um delinquente que gostou do seu tênis. Qual é? Morrer é um clichê.

    Obriga você a sair no melhor da festa sem se despedir de ninguém, sem ter dançado com a garota mais linda, sem ter tido tempo de ouvir outra vez sua música preferida. Você deixou em casa suas camisas penduradas nos cabides, sua toalha úmida no varal, e penduradas também algumas contas. Os outros vão ser obrigados a arrumar suas tralhas, a mexer nas suas gavetas, a apagar as pistas que você deixou durante uma vida inteira.

    Logo você, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu. Que pegadinha macabra: você sai sem tomar café e talvez não almoce, caminha por uma rua e talvez não chegue na próxima esquina, começa a falar e talvez não conclua o que pretende dizer. Não faz exames médicos, fuma dois maços por dia, bebe de tudo, curte costelas gordas e mulheres magras e morre num sábado de manhã. Se faz check-up regulares e não tem vícios, morre do mesmo jeito. Isso é para ser levado a sério?

    Tendo mais de cem anos de idade, vá lá, o sono eterno pode ser bem-vindo. Já não há mesmo muito a fazer, o corpo não acompanha a mente, e a mente também já rateia, sem falar que há quase nada guardado nas gavetas. Ok, hora de descansar em paz. Mas antes de viver tudo, antes de viver até a rapa? Não se faz.

    Morrer cedo é uma transgressão, desfaz a ordem natural das coisas. Morrer é um exagero. E, como se sabe, o exagero é a matéria-prima das piadas. Só que esta não tem graça.


(Pedro Bial. Junho de 2006)
Observe a utilização dos dois pontos (:) no excerto, em seguida, marque a opção em que tal sinal aparece com a mesma regra. Logo voсê, que sempre dizia: das minhas coisas cuido eu.
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Q3762603 Português
A SOLUÇÃO


    João José, de batismo. Nome todo: João José de Sousa. Nascido no estado da Guanabara, no bairro do Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. Nascido no estado de Guanabara no bairro Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. O pai morreu quando ele ainda era menino, e, por isso, desde cedo aprendeu a trabalhar para ajudar a mãe e duas irmãs menores. Vendeu pastel na estação do Encantado, foi boy de escritório, contínuo de banco - tudo na época em que fazia o curso ginasial de noite.

    Sempre foi um rapazinho esperto e logo percebeu que era preciso estudar para ser alguma coisa na vida. Mas nunca teve ilusões: era preciso trabalhar e estudar ao mesmo tempo. A família era unida e todos se ajudavam mutuamente. A irmã mais velha está noiva de um colega seu, que também é bom rapaz. Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. Era um bom aluno de farmácia, um dos mais aplicados da turma e ia se virando para pagar as anuidades, os livros, tudo o que precisava, enfim, com soldo da Polícia Militar. Bom soldado, também. Antes tinha sido um bom atleta e não foi difícil passar nos exames da PM. Lá, ao menos, comida de graça, tinha farda de graça e ainda o soldo.

    No dia em que foi mais sangrenta a luta entre estudantes e polícia, estava de folga do quartel. Nem soube de nada. Aproveitara o dia para passar a matéria de química. A faculdade estava fechada, todos em greve, uma lástima. João José se dividia em seus afazeres com um zelo raro. Estudou até tarde e acordou tarde também. Foi a mana mais moça que lhe invadiu o quarto com café cheiroso e um sorriso fraternal, chamando-o vagabundo, dizendo que aquilo não era hora para pobre estar na cama. Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho. Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas, enquanto a chamava de bruxa. "Ela conseguiu desvencilhar-se e saiu rindo para o corredor, gritando que" João José está maluco! João José está maluco!"

    Ainda não estava.

    Depois do banho foi beijar a mãe na cozinha e viu o jornal, num canto. Apanhou e pôs-se a ler. Logo no cabeçalho dos noticiários percebeu que seu plano de ir até a faculdade saber das novidades e depois se apresentar no quartel (ia dar plantão) era inexequível. A mãe disse-lhe qualquer coisa que ele não percebeu o que era, porque mergulhou na leitura e foi quase inconscientemente que voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e ficou lendo. Leu tudo de um fôlego, às vezes sem acreditar no que lia, mas tendo que continuar a leitura, tal era a sua curiosidade, tal era a sua estupefação. João José - homem honesto e correto -, depois de ler tudo, olhou para as fotografias, reconheceu policiais, reconheceu vários colegas de faculdade. Começou a ler de novo, correndo a lista de presos, a lista de feridos.

    Já não sabia mais de si mesmo; não sabia se tinha sido direito dormir o sono que, na noite anterior, seu organismo pedia. Se ao menos soubesse antes! Claro que não iria dormir, mas onde teria se apresentado? Ao grupo de colegas que eu havia procurado, na certa, e que só não encontrara porque não tinha o telefone e morava num subúrbio... ou teria ido para o quartel? Lá, certamente, todos sabiam com antecedência que o pau ia comer e aguardavam sua apresentação. Ele não fora e nem dera satisfação. Muitos companheiros deviam ter saído para o centro das hostilidades pensando que talvez o encontrassem do outro lado, atirando pedras, gritando suas reivindicações. Como estudante, sabia que o protesto era justo. Tinha acompanhado assembleias, visto como seus colegas insistiram para ser ouvidos serenamente. Como policial, seu dever era cumprir ordens. Correu os olhos pela lista de presos: o Alfredo, o Carlos, a Luísa - moça tão bonita, como estariam tratando-a aos agentes do Dops? De repente viu a notícia da morte do PM Nelson. Puxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o.

    A mãe passou pelo corredor e viu-o nu da cintura pra cima, mas com as calças que costumava usar quando ia à faculdade: - Você vai à faculdade, meu filho? - e nem estranhou de não ouvir resposta. Estava muito ocupada com o almoço para notar que о filho estava completamente transformado.

    O que devia ter feito, meu Deus? Ficado do lado dos colegas e enfrentar a fúria policial? Juntar-se aos companheiros do quartel, na repressão às manifestações? Ele teria batido? Ele teria apanhado? A ordem de um lado era de não ter medo de apanhar; a ordem do outro era não ter pena de bater.

    Por cima das calças vestiu o dólmã de PM. Quando a irmā entrou no quarto para arrumar, foi que viu. Saiu correndo, chorando, gritando: "João José está louco! Está batendo de sobre nele mesmo..."

    O sangue jorrava do nariz! Da testa!

    Não ter medo de apanhar! Não ter pena de bater!


(Stanislaw Ponte Preta. Febeapá. Companhia das Letras, 2015, p. 416)
Рuxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o. O excerto apresenta a utilização de dois pontos. Tal recurso foi utilizado para:
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Q3762599 Português
A SOLUÇÃO


    João José, de batismo. Nome todo: João José de Sousa. Nascido no estado da Guanabara, no bairro do Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. Nascido no estado de Guanabara no bairro Encantado. Atualmente conta 22 anos; é um rapaz honesto, de bom caráter e que sempre ajudou a família. O pai morreu quando ele ainda era menino, e, por isso, desde cedo aprendeu a trabalhar para ajudar a mãe e duas irmãs menores. Vendeu pastel na estação do Encantado, foi boy de escritório, contínuo de banco - tudo na época em que fazia o curso ginasial de noite.

    Sempre foi um rapazinho esperto e logo percebeu que era preciso estudar para ser alguma coisa na vida. Mas nunca teve ilusões: era preciso trabalhar e estudar ao mesmo tempo. A família era unida e todos se ajudavam mutuamente. A irmã mais velha está noiva de um colega seu, que também é bom rapaz. Em suma: para João José a vida era dura, mas não era intolerável. Era um bom aluno de farmácia, um dos mais aplicados da turma e ia se virando para pagar as anuidades, os livros, tudo o que precisava, enfim, com soldo da Polícia Militar. Bom soldado, também. Antes tinha sido um bom atleta e não foi difícil passar nos exames da PM. Lá, ao menos, comida de graça, tinha farda de graça e ainda o soldo.

    No dia em que foi mais sangrenta a luta entre estudantes e polícia, estava de folga do quartel. Nem soube de nada. Aproveitara o dia para passar a matéria de química. A faculdade estava fechada, todos em greve, uma lástima. João José se dividia em seus afazeres com um zelo raro. Estudou até tarde e acordou tarde também. Foi a mana mais moça que lhe invadiu o quarto com café cheiroso e um sorriso fraternal, chamando-o vagabundo, dizendo que aquilo não era hora para pobre estar na cama. Levantou-se fazendo cara de bandidão e avançou para a menina, como se fosse triturá-la por tê-lo despertado. A irmã colocou o café sobre a mesinha tosca e deu um gritinho. Ele alcançou e pôs-se a fazer-lhe cócegas, enquanto a chamava de bruxa. "Ela conseguiu desvencilhar-se e saiu rindo para o corredor, gritando que" João José está maluco! João José está maluco!"

    Ainda não estava.

    Depois do banho foi beijar a mãe na cozinha e viu o jornal, num canto. Apanhou e pôs-se a ler. Logo no cabeçalho dos noticiários percebeu que seu plano de ir até a faculdade saber das novidades e depois se apresentar no quartel (ia dar plantão) era inexequível. A mãe disse-lhe qualquer coisa que ele não percebeu o que era, porque mergulhou na leitura e foi quase inconscientemente que voltou ao quarto, sentou-se na beira da cama e ficou lendo. Leu tudo de um fôlego, às vezes sem acreditar no que lia, mas tendo que continuar a leitura, tal era a sua curiosidade, tal era a sua estupefação. João José - homem honesto e correto -, depois de ler tudo, olhou para as fotografias, reconheceu policiais, reconheceu vários colegas de faculdade. Começou a ler de novo, correndo a lista de presos, a lista de feridos.

    Já não sabia mais de si mesmo; não sabia se tinha sido direito dormir o sono que, na noite anterior, seu organismo pedia. Se ao menos soubesse antes! Claro que não iria dormir, mas onde teria se apresentado? Ao grupo de colegas que eu havia procurado, na certa, e que só não encontrara porque não tinha o telefone e morava num subúrbio... ou teria ido para o quartel? Lá, certamente, todos sabiam com antecedência que o pau ia comer e aguardavam sua apresentação. Ele não fora e nem dera satisfação. Muitos companheiros deviam ter saído para o centro das hostilidades pensando que talvez o encontrassem do outro lado, atirando pedras, gritando suas reivindicações. Como estudante, sabia que o protesto era justo. Tinha acompanhado assembleias, visto como seus colegas insistiram para ser ouvidos serenamente. Como policial, seu dever era cumprir ordens. Correu os olhos pela lista de presos: o Alfredo, o Carlos, a Luísa - moça tão bonita, como estariam tratando-a aos agentes do Dops? De repente viu a notícia da morte do PM Nelson. Puxa, o Nelson! Leu trêmulo: no alto dos edifícios o povo tentou ajudar os estudantes massacrados e algo caíra sobre o Nelson, seu companheiro Nelson, matando-o.

    A mãe passou pelo corredor e viu-o nu da cintura pra cima, mas com as calças que costumava usar quando ia à faculdade: - Você vai à faculdade, meu filho? - e nem estranhou de não ouvir resposta. Estava muito ocupada com o almoço para notar que о filho estava completamente transformado.

    O que devia ter feito, meu Deus? Ficado do lado dos colegas e enfrentar a fúria policial? Juntar-se aos companheiros do quartel, na repressão às manifestações? Ele teria batido? Ele teria apanhado? A ordem de um lado era de não ter medo de apanhar; a ordem do outro era não ter pena de bater.

    Por cima das calças vestiu o dólmã de PM. Quando a irmā entrou no quarto para arrumar, foi que viu. Saiu correndo, chorando, gritando: "João José está louco! Está batendo de sobre nele mesmo..."

    O sangue jorrava do nariz! Da testa!

    Não ter medo de apanhar! Não ter pena de bater!


(Stanislaw Ponte Preta. Febeapá. Companhia das Letras, 2015, p. 416)
Marque a alternativa em que a vírgula está utilizada corretamente:
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Q3762149 Português
Como as traduções em tempo real podem revolucionar as viagens internacionais — e o que perdemos com isso

Por cerca de cinco décadas, um romance de ficção científica fez seus leitores desejarem ter um peixe na sua orelha.

Os personagens do livro Guia do Mochileiro das Galáxias compreendem qualquer idioma graças ao pequeno e, infelizmente, fictício, peixe Babel.

"Se você introduzir no ouvido um peixe Babel, compreenderá imediatamente tudo o que for lhe dito em qualquer língua", escreveu o autor.

O sonho do peixe Babel parece mais próximo com os novos AirPods Pro 3, capazes de traduzir falas instantaneamente. O usuário escuta no próprio idioma o que é dito em outra língua, com transcrição automática no celular.

A novidade promete facilitar viagens e eliminar barreiras linguísticas em restaurantes, hotéis e aeroportos. Especialistas aplaudem o avanço como um exemplo prático da inteligência artificial, embora ainda com falhas. Mesmo assim, deve impulsionar o turismo, levando viajantes a destinos menos conhecidos e ampliando o contato com culturas locais.

A tecnologia também pode beneficiar economias regionais, permitindo que turistas interajam com pequenos comerciantes sem depender do inglês. Em setores como o transporte aéreo, pode reduzir erros de comunicação que causam atrasos e acidentes. 

Por outro lado, há o risco de desestimular o aprendizado de idiomas. Assim como a calculadora afastou as pessoas da matemática, a tradução automática pode enfraquecer o contato direto com outras culturas. A educadora Ying Okuse lembra que gestos e expressões culturais ainda escapam à IA e que "o idioma é, acima de tudo, uma forma de conexão humana".

A linguista Bernardette Holmes reforça que aprender línguas melhora a memória, a atenção e a flexibilidade cognitiva. Embora a tradução por IA traga conveniência, ela não substitui o prazer de se comunicar em outro idioma. Entre o conforto tecnológico e a experiência humana, ainda vale a pena aprender a dizer obrigado na língua do outro.


https://www.bbc.com/portuguese/articles/cz9jzvwqv9do.adaptado.
Por outro lado, há o risco de desestimular o aprendizado de idiomas.
Assinale a alternativa que apresenta nova pontuação sem alterar o sentido original da frase.
Alternativas
Respostas
1301: C
1302: C
1303: C
1304: C
1305: D
1306: C
1307: B
1308: C
1309: E
1310: C
1311: B
1312: C
1313: E
1314: D
1315: D
1316: D
1317: E
1318: E
1319: D
1320: C