Questões de Concurso
Comentadas sobre morfologia - verbos em português
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Basta estacionar o carro, e um grupo de pessoas carentes faz fila para ganhar o alimento.
Quando a esposa vai embora
A esposa de Maurício, Karen, abandonou a casa deles há pouco tempo, levando as roupas e os pertences.
O casal estava feliz nas últimas semanas, o que deixou Maurício muito confuso. Não houve nenhuma discussão, nenhuma cobrança, nenhum problema.
A empregada deles, Leonice, chegava sempre às 8 horas e encontrava Maurício arrumado, já de saída. Numa sexta-feira, ele avisou Leonice que Karen ia ficar dormindo até mais tarde porque estava morta de cansaço, tinham assistido a um filme e deitaram tarde.
Leonice foi então ao mercado comprar ingredientes para preparar o almoço. No caminho, recebeu uma ligação de Maurício.
─ Ela levantou?
─ Não, permaneceu quietinha lá.
─ Então, deixa dormindo.
Quando Maurício foi almoçar em casa, no meio da tarde, Karen não tinha dado sinal. Pensou, pensou e decidiu não despertar Karen. O tempo passou. Quando Maurício voltou para casa, no final do dia, Karen continuava dormindo. Então ele pediu à Leonice:
─ Vai acordá-la, pois já passou do limite!
Leonice foi acordar Karen. Retornou pálida para a sala.
─ Não tem ninguém no quarto.
Maurício respirou fundo e somente disse:
─ Não estou pronto para saber disso. Vamos continuar fingindo que ela ainda mora conosco, tá bom, Leonice?
(Carpinejar. Espero alguém. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil. 2013. Adaptado)
Leia o texto para responder à questão.
Quando a esposa vai embora
O departamento de engenharia da computação da Academia Árabe de Ciências e Tecnologia desenvolveu um estudo...
Esse trecho está reescrito, conforme a norma-padrão, com a forma verbal na voz passiva correspondente em:
Leia o texto para responder às questões de números 01 a 12.
Nostalgia instantânea
Vivemos a era da nostalgia instantânea. Ela resulta da corrida tecnológica e do modo como esta moldou novas formas extremamente sensíveis de viver e sentir o mundo e a passagem do tempo. São sistemas operacionais e designs de telefones celulares e computadores, entre outras engenhocas, signos e programas, que se atualizam o tempo todo, não dando tempo aos usuários de se acostumarem com a novidade imediatamente anterior, e assim para trás e para diante.
A moda foi o primeiro sistema de comunicação que adotou a novidade como princípio motor – e a descartabilidade como seu contrapeso. O lançamento periódico das coleções de roupas e acessórios se atropelam para impulsionar a indústria e provocar o efeito de ultrapassagem sobre os consumidores.
Hoje, a moda e as artes se sincronizaram e se tornaram servas do design, em especial o design de produtos tecnológicos de ponta. Serão os objetos da tecnologia de ponta o resultado de uma arte que agora mostra o poder e importância? Certamente sim. E mais: essas modalidades de avanço, que conjuram as estratégias mais eficazes da moda e das outras artes, levam a sensibilidade do consumidor às raias da loucura. Transformam o descartável em antiguidade, pois, ao tornar obsoleto e inoperante o que mal havia sido uma novidade assombrosa, refugam itens que adquirem um certo miasma de aura, de aparição única de algo imediatamente distante e irrecuperável. Numa inversão do processo de descarte, à medida que refugamos objetos e atualizamos os processos de software, passamos a sentir falta e a cultuar aplicativos, sistemas e modelos do recém-passado. Se o usuário se fascina pelos novos comandos e funções, ele sente saudade dos que acabaram de sair de cena.
O imperativo da obsolescência em alta velocidade dá origem ao sentimento da nostalgia instantânea e, com ela, o amor e o luto por aquilo que acabou de acontecer. Eis aí um sentimento novo. É como se o envelhecimento pudesse ser abreviado e experimentado em um milésimo de segundo. O fenômeno nos ensina a examinar com maior precisão a obsolescência em todos os níveis: na troca cada vez mais rápida das gerações e das pessoas, dispositivos, aplicativos, linguagens, falas e modas. Tudo se converte em “vintage” – ou, mais precisamente, em proto-retrô. A urgência pela novidade e pela morte da novidade se dá como uma erupção da alma destes tempos – ou o espírito desta falta de tempo de nossos tempos. Será que um dia o homem sentirá a nostalgia de um tempo em que a eternidade parecia existir? Talvez nunca mais.
(GIRON, Luís Antônio. Disponível em: http://epoca.globo.com/colunas-e -blogs/luis-antonio-giron/noticia/2013/12/bnosta lgiab-instantanea.html. Acesso em 18.10.2017. Adaptado)
Leia o trecho da crônica para responder a questão.
O que nos distancia e nos faz ignorar que somos uma só espécie? Como aceitamos abismos sociais tão cruéis?
A razão desses questionamentos foi um jovem adolescente na mesa ao lado da minha na padaria onde tomei o café da manhã antes de ir ao trabalho. Ainda que bem arrumado e cabelo penteado, percebia-se que era um rapaz economicamente vulnerável, humilde.
Ele tinha na mesa uma xícara de café, como eu, e um pão provavelmente recheado de presunto e queijo. Mas o que me chamou a atenção para aquela quase criança foi que, enquanto alguns na padaria conversavam em suas mesas, todos os demais aproveitavam para mexer no celular, menos ele. O rapaz comia o pão e tomava o café, olhando para a mesa à sua frente e para o vazio da parede adiante.
Ele estava inibido, pois parecia não sentir pertencer àquele lugar. Por que afinal ele não apanhava seu celular e começava a dedilhar nele, mandando mensagens, postando fotos? Concluí que ele não tinha um celular. Sua situação de pobreza não devia permitir esse prazer. E isso o incomodava.
Diferentemente do que se pode esperar de adultos, conscientes de seu lugar no mundo e seguros o suficiente para sentarem-se sozinhos à mesa de qualquer lugar e desfrutar o momento independentemente de um aparelho tecnológico nas mãos, os adolescentes não possuem ainda segurança e autoestima consolidadas. Mais do que os outros, eles buscam aceitação, mesmo que tentando ser diferentes.
Para aquele rapaz, o fato de não ter a que se ater, além da comida, num mundo onde as redes tecnológicas estão presentes nos quatro cantos, o chateava. E acabou por também me constranger: que mundo difícil esse que cria consumidores e não cidadãos.
Guardei meu celular no bolso e, sem mais, tomei meu café, olhando para a mesa à minha frente e para o vazio da parede adiante.
(João Marcos Buch. O café que nos une. 12.09.2017. Adaptado)
Para responder à questão, leia o trecho, com adaptações, de uma bula de medicamento.
O uso prolongado de X em idosos não é recomendado. Se a terapia prolongada com X for necessária, os pacientes devem ser regularmente monitorados, pois são mais sensíveis a reações desagradáveis de componentes da fórmula.
Como X pode interferir na função plaquetária, ele deve ser usado com cuidado em pacientes com problema de coagulação como, por exemplo, hemofilia e predisposição a sangramento.
Com relação ao uso de X em crianças, foram relatadas algumas reações severas, incluindo casos muito raros compatíveis com Síndrome de Reye.
O produto tem pouco ou nenhum efeito sobre a habilidade de dirigir ou operar máquinas.
Diabéticos: os comprimidos de X não contêm açúcar, podendo ser utilizados por pacientes diabéticos.
“NÃO TOME REMÉDIO SEM O CONHECIMENTO DO
SEU MÉDICO. PODE SER PERIGOSO PARA A SAÚDE.”
Assinale a alternativa em que um dos verbos desse grupo está corretamente conjugado
“O professor, como se ________ um aluno, _________ uma redação que posteriormente _________ para Mia Couto e seus colegas.”
As formas verbais destacadas apresentam, correta e respectivamente:
Esta é uma conquista do tempo, e prescinde de comemorações para se consolidar. Basta o exercício de viver, para nos desprender capciosamente da vida, ou, pelo menos, para entrelaçá-la de tal jeito com a morte que passamos a sentir essa última como forma daquela, e forma talvez mais apurada, à maneira de uma gravura que só se completa depois de provas sucessivas.
Assinale a alternativa em que a reescrita do trecho resulta em concordância e emprego de verbos em modo e tempo de acordo com a norma-padrão.
Julgue o item quanto à estruturação linguística e à coesão do texto.
No trecho “O encontro de duas expansões, ou a
expansão de duas formas, pode determinar a supressão
de uma delas” (linhas de 1 a 3), a eliminação das duas
vírgulas e a flexão da forma verbal no plural ─ podem ─
manteriam a correção gramatical, ainda que se alterassem os sentidos originais do texto.
Medo de injeção
Descartes disse que o bom senso é a coisa mais bem repartida do mundo. Descartes estava errado também nisso. Visto que não faltam provas empíricas de que o bom senso não foi tão bem repartido assim.
Um caso eloquente é o da vacinação contra a febre amarela em São Paulo. Assim que as notícias sobre o recrudescimento do surto ganharam destaque, a porção mais ansiosa dos paulistas correu aos postos de saúde, provocando megafilas e espalhando um pouco de caos no sistema.
Agora, esgotados os mais aflitos, autoridades sanitárias têm tido dificuldade para fazer com que o contingente mais desencanado da população se vacine. Pelos dados oficiais, apenas 50% do público-alvo foram imunizados. Por que a resistência?
Minha hipótese é que ficamos mal-acostumados. Algumas décadas com um razoável arsenal de vacinas à disposição nos fizeram esquecer quão letais e devastadoras podem ser as epidemias que campanhas de imunização previnem. Hoje é preciso ir ao interior da África para ver uma criança com pólio e as mortes por sarampo se tornaram uma raridade, mas moléstias infecciosas foram, desde o surgimento da agricultura, um dos maiores assassinos da humanidade, perdendo apenas para a fome e superando em muito as guerras.
A ciência, ao desenvolver imunizantes, mudou essa história. Extinguimos a varíola e reduzimos drasticamente os óbitos por doenças infecciosas em todo o mundo. A OMS estima que, hoje, vacinações previnam entre 2 milhões e 3 milhões de mortes por ano. Daria para acrescentar mais 1,5 milhão de vidas poupadas, desde que a taxa de cobertura, atualmente estacionada nos 86%, melhorasse.
Por falta de bom senso, porém, grupos ideologicamente tão díspares quanto fundamentalistas islâmicos do interior da África e liberais da classe média alta dos países desenvolvidos uniram esforços para fazer campanhas contra a vacinação. Pior, há quem os ouça.
(Helio Schwartsman. Medo de injeção. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/ colunas/ Acesso em 10.03.2018. Adaptado)
Leia o texto para responder a questão.
Calçada de verão
Quando o tempo está seco, os sapatos ficam tão contentes que se põem a cantar.
(Mario Quintana. Sapato florido. São Paulo, Globo, 2005)
