O que é sucesso para a Geração Z?
Segundo a pesquisa, apenas 31% dos entrevistados da
Geração Z se sentem financeiramente seguros, mas a
história vai além disso. Embora quase 9 em cada 10
priorizem a segurança financeira, menos de dois terços
afirmam querer "ficar ricos". A riqueza pode ser medida
de várias formas, inclusive por coisas que o dinheiro não
compra.
Compreender os valores e necessidades da Geração Z é
fundamental no processo de contratação para líderes e
companhias que pensam no longo prazo. "A Geração Z
mede o sucesso pela saúde mental e física, pelo impacto
que gera e pela possibilidade de viver de forma
autêntica", afirma Merriman.
Isso significa buscar funções e ambientes que de fato
apoiem o bem-estar integral e que permitam conectar o
trabalho diário a um propósito maior. Para as empresas,
essas expectativas exigem uma revisão nas estruturas
de incentivo e nos planos de carreira, com foco em
capacitação, liderança e crescimento.
A seguir, veja três elementos essenciais para atrair e
reter os melhores talentos dessa geração:
Como atrair a Geração Z
1. Conectar propósito e transparência
A Geração Z cresceu em um mundo hiperconectado,
espera comunicação aberta e tem curiosidade sobre
como as coisas funcionam. "Eles têm um desejo
profundo por transparência, seja em relação ao propósito
da empresa, às motivações ou à equidade salarial."
Empresas onde as lideranças são abertas em relação a
desafios, decisões e até estruturas de remuneração
estão mais preparadas para o futuro do trabalho.
Segundo o estudo da EY, 84% dos entrevistados
acreditam que ser autêntico é extremamente importante.
Na entrevista de emprego, os líderes são transparentes
sobre o propósito da empresa ou fazem promessas
genéricas que resultam em frustração?
Conectar propósito e transparência também pode ser
entendido como "agir conforme o discurso". Ações falam
mais alto do que palavras, e a transparência exige
clareza nos objetivos reais (não apenas no marketing)
para que as decisões de contratação sejam tomadas
com consciência e alinhamento de ambos os lados.
2. Redefinir o sucesso além dos indicadores
tradicionais
Segundo a EY, a Geração Z enxerga o sucesso de forma
holística. Ou seja, engajamento e retenção dependem de
oportunidades de crescimento pessoal, com foco em
propósito, valores e bem-estar.
Oferecer apenas um plano de carreira e boa remuneração já não basta para empresas que pensam
no futuro. Merriman redefine o que é "sentir-se bem" no
trabalho: "Dar responsabilidade desde o início, propor
desafios, incentivar. Jovens da Geração Z me dizem o
tempo todo que querem ser desafiados e evoluir."
Para os líderes, entender e aceitar esses impulsos pode
ser a chave do sucesso. Empresas que oferecem
crescimento e desafios fazem com que seus jovens
talentos se tornem, espontaneamente, verdadeiros
recrutadores. Isso porque compartilhar experiências
positivas sobre a empresa é uma das formas mais
eficazes de atrair novos profissionais.
3. Abrir o jogo sobre a remuneração
"Crescemos em um ambiente em que nossos pais
escondiam muitas coisas da gente", diz Merriman,
referindo-se às gerações Millennials e X, "principalmente
sobre dinheiro."
Mas a Geração Z tem outra mentalidade: defende total
transparência financeira. Para esses jovens, falar sobre
salário e remuneração não é tabu, é algo essencial. Não
porque o dinheiro seja tudo, mas porque a transparência
é.
Conectar diferentes gerações, muitas vezes, é uma
questão de comunicação: o que − e como − estamos
dispostos a conversar é determinante. Quando
escondemos informações sobre salário, metas ou
expectativas, a colaboração se desgasta, e os resultados
ficam mais distantes.
A mudança de mentalidade necessária para a Geração Z
nos processos seletivos
Para quem está começando a carreira, a executiva da
EY dá uma dica crucial: é preciso trocar a mentalidade
de "ser apoiado" pela de "apoiar" no trabalho. "A
Geração Z viveu em um mundo desenhado para servi-la.
Desde pais superprotetores, passando pela pandemia de
Covid, havia a sensação de que o mundo deveria
protegê-los. Mas essa ideia já não se aplica. A verdade é
que o empregador não está ali para servir o
colaborador."
Os conselhos da executiva podem ser aplicados já na
entrevista de emprego. "Vá com a mentalidade de que
você está ali para entender como pode apoiar a
empresa. Ao fazer perguntas sobre as necessidades e o
modo de funcionamento da companhia, você vai
descobrir se aquele lugar combina com os seus valores."
Merriman ainda reforça que os processos seletivos estão
cheios de pessoas tentando "vender uma imagem" em
vez de se comunicarem de forma clara e verdadeira. E
essa clareza precisa vir dos dois lados da mesa (ou da
tela).
Aceitação, autenticidade e adaptabilidade: o trio
essencial para a Geração Z
Aceitação é a palavra-chave — tanto para empresas
quanto para jovens profissionais. Quando há clareza
sobre expectativas, necessidades e exigências, é
possível construir um ambiente mais saudável e
sustentável para o futuro do trabalho.
Mas essa aceitação precisa ser mútua. O profissional
que se apresenta com autenticidade, sem vestir um
personagem na entrevista, tem mais chances de
encontrar um caminho alinhado com seus valores. O
mesmo vale para as empresas que mostram sua
realidade de forma transparente desde o início.
Ser capaz de aceitar e expressar quem você é − como
empresa ou como profissional −com franqueza, coragem
e empatia é o que torna a comunicação eficaz. Para a
Geração Z, a adaptabilidade começa com uma
compreensão profunda do que os empregadores
realmente buscam.
*Chris Westfall é colaborador da Forbes USA. Ele é autor
de livros, escreve sobre a importância da comunicação
para a liderança e também é consultor de empresas e
empreendedores, ajudando a criar culturas com melhor
engajamento e colaboração.
Leia mais em:
https://forbes.com.br/carreira/2025/06/o-que-as-empresas-ainda-nao-en
tenderam-sobre-a-geracao-z-segundo-executiva-da-ey/