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Ano: 2026 Banca: Instituto IACP Órgão: Prefeitura de Satuba - AL Provas: Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Arquiteto | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Assistente Social | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Biomédico | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Contador Público | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Profissional de Educação Física | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Enfermeiro (24 Horas) | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Farmacêutico | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Fisioterapeuta | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Fonoaudiólogo (Especialista em Motricidade Orofacial) | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Fonoaudiólogo (Especialista em TEA) | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Médico Cardiologista | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Médico Ortopedista | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Médico Otorrinolaringologista | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Médico Veterinário | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Musicoterapeuta | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Nutricionista (Adulto) | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Procurador Jurídico | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Psicólogo (Adulto) | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Psicólogo Escolar | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Psicopedagogo | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Terapeuta Ocupacional Motor | Instituto IACP - 2026 - Prefeitura de Satuba - AL - Terapeuta Ocupacional Infantil (Especialista em Aba) |
Q3872231 Português
Assinale a frase CORRETAMENTE pontuada.
Alternativas
Q3872080 Português
Atenção: Considere a crônica "O último passo", do escritor Moacyr Scliar, para responder à questão.


    Durante trinta anos, Abílio trabalhou em uma fábrica de móveis. Não gostava do emprego; mas, pelo menos, tinha um salário garantido, com o qual podia sustentar a família - mulher e dois filhos -e economizar alguma coisa para a realização de seu sonho. Sim, Abílio tinha um sonho. Queria abrir sua própria fábrica - de móveis, naturalmente. Mas não móveis como aqueles que eram produzidos na gigantesca indústria, móveis padronizados, sem graça. Não, Abílio queria fazer móveis de vime. Trabalhar com vime era uma habilidade que aprendera com o pai; era uma tradição familiar que vinha de longo tempo. Para Abílio, uma poltrona verdadeira tinha de ser de vime. Um dia ainda terei minha própria empresa, dizia à mulher e aos filhos. 

    Esse dia finalmente chegou. Já adultos, os filhos podiam seguir seu próprio caminho: um era eletricista; o outro, especialista em informática. A casa estava paga, Abílio não tinha dívidas. Podia, pois, pôr em prática seu projeto. Não foi sem certo receio que pediu sua demissão da fábrica; mas, aos 62 anos, não podia esperar mais. Como disse à mulher, naquele dia: é agora ou nunca. Então é agora, foi a resposta dela.

    Aparentemente não seria difícil instalar a pequena indústria. Abílio já tinha o lugar para isso, uma velha casa não distante de onde morava. Não precisaria de muitas ferramentas, nem de empregados: um ou dois ajudantes resolveriam o problema. Mas havia, sim, os aspectos legais, como lhe explicou um vizinho contabilista. Abílio teria de conseguir um alvará. Para isso, seriam necessários 107 passos. Ele não entendeu bem aquela história de passos. São providências que você necessariamente precisa tomar, explicou o vizinho. Isso eu entendo, replicou Abílio, mas 107 passos? Para que tanto passo? Discussão inútil; se era o que a lei exigia, era o que ele tinha de fazer. E assim ele começou a dar os passos necessários. Não foi fácil. Abílio não estava acostumado com a burocracia. Tudo lhe parecia tão complicado que lá pelo quadragésimo passo ele pensou em desistir. Só não o fez porque a esposa estava a seu lado, animando-o, dando-lhe forçа.

    Finalmente, a lista dos 107 passos chegou ao fim. Faltava o último passo que era, justamente, buscar o alvará. Abílio até lembrou a frase do astronauta Neil Armstrong ao pisar na Lua: "Um pequeno passo para a humanidade, um grande passo para um homem." (Era o contrário, mas ele não dava muita importância a esses detalhes.) Dirigiu-se à repartição, como podem imaginar, animadíssimo. Tão animado que não viu o degrau, o pequeno degrau que precisava galgar para entrar no recinto. Tropeçou, caiu e estatelou-se no chão. Com uma fratura de fêmur, foi levado para o hospital. De onde não saiu. Sobreveio uma infecção, e Abílio, que já era diabético e tinha problemas renais, não sobreviveu. Foi enterrado na semana passada. O alvará continua à sua espera. Basta um passo para apanhá-lo.


(Adaptado de: SCLIAR, Moacyr. Histórias que os jornais não contam. Porto Alegre: L&PM, 2018, p.102-104)
Verifica-se o emprego de vírgula para assinalar a elipse (ou seja, a supressão) de um verbo em: 
Alternativas
Q3871609 Português

Utilize o texto abaixo para responder a questão. 



    “A aplicação da arte à cidade revela que talvez haja um diálogo sensível entre formas, cores e funções — ainda que isso nem sempre seja percebido.

    Nesse processo, observa-se revalorização urbana capaz de transformar espaços “áridos” em ambientes estético-humanizados; admiravelmente, isso contribui para a harmonia coletiva.

    Assim, compreender a arte como princípio estruturador das paisagens permite — por que não? — integrar beleza, uso e identidade na construção de cidades mais vibráteis e expressivas.” 

Marque a alternativa INCORRETA sobre a aplicação dos sinais de pontuação:
Alternativas
Q3871605 Português

Utilize o texto abaixo para responder a questão. 



    “A aplicação da arte à cidade revela que talvez haja um diálogo sensível entre formas, cores e funções — ainda que isso nem sempre seja percebido.

    Nesse processo, observa-se revalorização urbana capaz de transformar espaços “áridos” em ambientes estético-humanizados; admiravelmente, isso contribui para a harmonia coletiva.

    Assim, compreender a arte como princípio estruturador das paisagens permite — por que não? — integrar beleza, uso e identidade na construção de cidades mais vibráteis e expressivas.” 

O uso dos travessões na parte final do trecho é justificado de forma CORRETA em qual alternativa abaixo?
Alternativas
Q3870552 Português
TEXTO II - Base para responder à questão.


O Mistério da Herança


Um homem rico estava muito mal, agonizando. Dono de uma grande fortuna, não teve tempo de fazer o seu testamento. Lembrou, nos momentos finais, que precisava fazer isso. Pediu, então, papel e caneta. Só que, com a ansiedade em que estava para deixar tudo resolvido, acabou complicando ainda mais a situa - ção, pois deixou um testamento sem nenhuma pontuação.


Escreveu assim:

"DEIXO MEUS BENS A MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO PADEIRO NADA DOU AOS POBRES"

Morreu, antes de fazer a pontuação.


Fonte: https://viciadas-em-livros.blogspot.com/2014/06/o-misterio-da-heranca.html.
Considerando o seguinte trecho do testamento: "DEIXO MEUS BENS A MINHA IRMÃ NÃO A MEU SOBRINHO JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO PADEIRO NADA DOU AOS POBRES", identifique qual seria a principal implicação se o testamento fosse pontuado da seguinte maneira: "DEIXO MEUS BENS A MINHA IRMÃ. NÃO A MEU SOBRINHO. JAMAIS SERÁ PAGA A CONTA DO PADEIRO. NADA DOU AOS POBRES."
Alternativas
Q3867670 Português
Dentre as várias regras para utilização da vírgula, não está presente a forma como a pessoa respira, ou seja, as pausas realizadas na respiração recebem uma vírgula. Diante dessa premissa popular e dos conhecimentos teóricos acadêmicos, aponte a alternativa virgulada CORRETAMENTE.
Alternativas
Q3867430 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


Vale a pena enfiar algo goela abaixo do educando?

    Uma amiga tem ideias curiosas sobre as escolas. Vivendo numa cidade do interior, viu-se diante da encruzilhada: “qual a melhor escola para o meu filho?”. Pôs-se a campo visitando as escolas tidas como as melhores, para conversar com os diretores. A cena se repetia. O diretor ou diretora se encantava com a perspectiva de uma matrícula a mais. Fazia seus melhores esforços para convencer a mãe. Mostrava as salas, os laboratórios, as quadras de esportes. Terminada a excursão, de volta à sala da diretoria, minha amiga tinha duas perguntas a fazer.

    “O senhor sabe, nosso mundo é competitivo, há o vestibular no horizonte, o mercado de trabalho. Gostaria de saber como sua escola lida com esses problemas...” O diretor, seguro de sua filosofia de educação, respondia:

    “Essa é nossa grande preocupação. Precisamos preparar as crianças para o futuro. Nossos professores são orientados no sentido de apertar as crianças ao máximo para que sejam vencedoras. Quanto a isso a senhora pode estar tranquila”. Aí ela continuava:

    “Sua resposta me esclareceu muito. Mas há uma última pergunta que quero fazer. As crianças passam apenas um período na escola. No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?”

    Respondia o diretor: “A resposta a essa pergunta já está implícita no que eu disse. Não permitimos que as crianças tenham esse tempo ocioso. Damos lições para casa de forma que não sobra tempo ocioso. Elas têm de trabalhar o dia inteiro”.

    Aí a minha amiga concluía:

    “Sabe, senhor diretor, acho que a infância é um tempo tão bonito que é triste apertar as crianças em nome de um futuro hipotético. As crianças não podem viver hoje em função do amanhã. A vida delas é no hoje. Se elas forem ‘apertadas’, vão acabar por odiar a escola e o aprender. Além do que, as crianças devem ter um tempo livre para viver suas próprias fantasias, para brincar. Se elas tiverem todo o seu tempo tomado por deveres de casa, perderão a alegria...”

    E com essas palavras despedia-se do diretor perplexo. (...)


ALVES, Rubem. Vale a pena enfiar algo goela abaixo do educando? Revista Educação. Disponível em <https://revistaeducacao.com.br/2025/10/15/rubem-alvescronica/>.
“Aí ela continuava: (...) ‘No outro período elas ficam com o tempo livre. O que fazer com esse tempo?’”

Assinale a alternativa que apresenta uma forma reescrita do trecho acima, de maneira correta, incluindo a pontuação adequada. 
Alternativas
Q3866119 Português
Texto 1

O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo


    O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o impacto é monumental.

    Essa fina camada de filme termoencolhível – que protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito materialmente insustentável.

    Segundo dados disponibilizados pela Câmara Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras. Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.

    O argumento das editoras é pragmático: o plástico protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem. Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras entreguem os livros embalados individualmente em plástico. Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se, assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.

    O cenário precisa mudar e já temos exemplos para seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel: deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência possível quando o conhecimento continua coberto por uma camada de poluição invisível.


BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S. Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
No trecho “Cria-se, assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas últimas embalam novamente para o envio ao consumidor”, o sinal de dois pontos introduz uma
Alternativas
Q3865919 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Da arte de falar mal


    Durante anos, mantive no Correio da Manhã, num canto da capa do segundo caderno, um espaço assim intitulado: "Da arte de falar mal". Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião. Num dos interrogatórios a que fui submetido, o coronel que presidia o IPM (Inquérito Policial Militar) quis saber por que eu falava tão mal do regime militar que então se instalava. Eu respondi que não podia mudar o título da minha coluna, falando bem de qualquer coisa.

    Mas a ideia do título não foi minha. Devo-a a Maura Cançado Lopes, colega no suplemento dominical do Jornal do Brasil, um caderno dedicado às artes, que, depois de algum tempo, já em sua fase terminal, saía pontualmente aos sábados. Ela escrevia contos maravilhosos, chamou a atenção das editoras, teve dois livros publicados, que receberam crítica consagradora. Hospício É Deus foi colocado à altura de Clarice Lispector, que aliás a admirava. Escreveu também O Sofredor do Ver – um dos melhores que já li em minha vida.

    Maura namorava Luiz Reis, o Cabeleira, parceiro de Haroldo Barbosa em "Cara de Palhaço" e "Momentos São", dois sucessos absolutos daquela época, gravados por Elizeth Cardoso. Um dia, quis sair comigo. Eu tinha uma Hudson conversível, ela me perguntou se eu era rico, se eu podia comprar um navio. Respondi que sim – e ela colocou essa cena em seu romance, com meu nome e tudo.

    Mas foi nessa mesma tarde que ela me fez parar na Urca, diante da baía que entardecia, e me explicou: "Chamei você para falarmos mal de todo mundo. Falar mal é uma arte".

    Nem lembro mais de quem falamos mal. Creio que não tenha escapado ninguém, a começar pelo pessoal do JB: Décio Pignatari, Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos, Walmir Ayala, Mário Pedrosa, Carlinhos de Oliveira, os irmãos Campos, José Lino Grünewald, Assis Brasil, José Louzeiro, não abrimos exceção nem para o doce Mário Faustino, que havia morrido dias antes. Todos nossos amigos, amigos queridos por sinal.

    Mais ou menos na mesma época, recebi recado de um vizinho do Posto 6 que estava gripado, ardendo em febre, mas queria me ver. Ele não tinha carro e eu guardava o meu na vaga de sua garagem; nunca me cobrou aluguel nem carona, pois adorava andar de ônibus.

    Fui. Encontrei-o na cama, lendo um troço complicado que depois vim a saber que era a gramática de um dialeto do Vietnã. Embaixador aposentado, escritor de sucesso, ele gostava de aprender coisas inúteis e com elas escrevia obras-primas. –

    Estou aqui – disse. – Algum recado?

    – Não. Há dias que não falo mal de ninguém. Chamei-o para isso.

    Três horas depois, já sem febre, ele me levou até a porta de seu apartamento. Com os olhos de gato acesos, olhou-me severamente e, com o orgulho que lhe era próprio (referia-se a si mesmo sempre na terceira pessoa), admitiu:

    – Puxa! Como falamos mal de todo mundo!

    Morreria em breve, poucas horas depois de um discurso que levou mais de três anos para ter coragem de fazer e no qual só falou bem dos outros. Acho que o sacrifício lhe custou a vida.

    Foi ele que me ensinou a regra fundamental da arte de falar mal: "Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes". Pode parecer uma obviedade. Mas o meu amigo e vizinho era também acusado de obviedades geniais em sua obra literária. Uma de suas frases mais famosas ainda é citada: "Viver é muito perigoso".

    Pulando no tempo que pulou sobre todos. Morreu o jornal em que trabalhava, morreu a Maura, morreu o meu amigo ex-embaixador, morreu até o doce Mário Faustino num desastre de avião. Ninguém é imortal, com exceção de uma amiga famosa, romancista histórica, que me quis tornar imortal como ela.

    Hoje, não mais se fazem aquelas constrangedoras visitas aos imortais, antes que eles morram. Pelo contrário, a afobação de um candidato à imortalidade é letal. Adoentada, sem poder sair de casa, ela me pediu pela sobrinha e secretária que fosse à sua casa buscar o seu voto. É evidente que fui, pois muito queria vê-la.

    Ela me recebeu nordestinamente afável. Sentada em sua cadeira de palhinha, com ares de senhora-deengenho, esticou-me o envelope branco: 

    – Toma. Aqui estão os meus votos. Agora não falemos mais em literatura. Vamos falar mal de todo mundo! Também saí tarde de sua casa. Não deixamos pedra sobre pedra e, seguindo o conselho do exembaixador, só falamos mal dos ausentes, que era o restante da humanidade, pois em sua sala só havia a visitada e o visitante.

    Por essas e outras, sempre admirei o Antônio Callado, que definia os personagens do nosso tempo em duas categorias: os que tinham boa presença e os que tinham péssima ausência. Boa presença era quando todos falavam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando, ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimar na alegre pira da maledicência.

    E, com aquele jeito de único inglês da vida real, Callado completava a sua frase: "O mais gostoso de tudo isso é que o bom presente e o mau ausente são sempre a mesma pessoa".

CONY, Carlos Heitor. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 332-334.
No que se refere aos sinais de pontuação em “Da arte de falar mal”, assinale a alternativa CORRETA:
Alternativas
Q3865916 Português
INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder à questão.


Da arte de falar mal


    Durante anos, mantive no Correio da Manhã, num canto da capa do segundo caderno, um espaço assim intitulado: "Da arte de falar mal". Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião. Num dos interrogatórios a que fui submetido, o coronel que presidia o IPM (Inquérito Policial Militar) quis saber por que eu falava tão mal do regime militar que então se instalava. Eu respondi que não podia mudar o título da minha coluna, falando bem de qualquer coisa.

    Mas a ideia do título não foi minha. Devo-a a Maura Cançado Lopes, colega no suplemento dominical do Jornal do Brasil, um caderno dedicado às artes, que, depois de algum tempo, já em sua fase terminal, saía pontualmente aos sábados. Ela escrevia contos maravilhosos, chamou a atenção das editoras, teve dois livros publicados, que receberam crítica consagradora. Hospício É Deus foi colocado à altura de Clarice Lispector, que aliás a admirava. Escreveu também O Sofredor do Ver – um dos melhores que já li em minha vida.

    Maura namorava Luiz Reis, o Cabeleira, parceiro de Haroldo Barbosa em "Cara de Palhaço" e "Momentos São", dois sucessos absolutos daquela época, gravados por Elizeth Cardoso. Um dia, quis sair comigo. Eu tinha uma Hudson conversível, ela me perguntou se eu era rico, se eu podia comprar um navio. Respondi que sim – e ela colocou essa cena em seu romance, com meu nome e tudo.

    Mas foi nessa mesma tarde que ela me fez parar na Urca, diante da baía que entardecia, e me explicou: "Chamei você para falarmos mal de todo mundo. Falar mal é uma arte".

    Nem lembro mais de quem falamos mal. Creio que não tenha escapado ninguém, a começar pelo pessoal do JB: Décio Pignatari, Reynaldo Jardim, Ferreira Gullar, Oliveira Bastos, Walmir Ayala, Mário Pedrosa, Carlinhos de Oliveira, os irmãos Campos, José Lino Grünewald, Assis Brasil, José Louzeiro, não abrimos exceção nem para o doce Mário Faustino, que havia morrido dias antes. Todos nossos amigos, amigos queridos por sinal.

    Mais ou menos na mesma época, recebi recado de um vizinho do Posto 6 que estava gripado, ardendo em febre, mas queria me ver. Ele não tinha carro e eu guardava o meu na vaga de sua garagem; nunca me cobrou aluguel nem carona, pois adorava andar de ônibus.

    Fui. Encontrei-o na cama, lendo um troço complicado que depois vim a saber que era a gramática de um dialeto do Vietnã. Embaixador aposentado, escritor de sucesso, ele gostava de aprender coisas inúteis e com elas escrevia obras-primas. –

    Estou aqui – disse. – Algum recado?

    – Não. Há dias que não falo mal de ninguém. Chamei-o para isso.

    Três horas depois, já sem febre, ele me levou até a porta de seu apartamento. Com os olhos de gato acesos, olhou-me severamente e, com o orgulho que lhe era próprio (referia-se a si mesmo sempre na terceira pessoa), admitiu:

    – Puxa! Como falamos mal de todo mundo!

    Morreria em breve, poucas horas depois de um discurso que levou mais de três anos para ter coragem de fazer e no qual só falou bem dos outros. Acho que o sacrifício lhe custou a vida.

    Foi ele que me ensinou a regra fundamental da arte de falar mal: "Só fale mal dos ausentes, nunca dos presentes". Pode parecer uma obviedade. Mas o meu amigo e vizinho era também acusado de obviedades geniais em sua obra literária. Uma de suas frases mais famosas ainda é citada: "Viver é muito perigoso".

    Pulando no tempo que pulou sobre todos. Morreu o jornal em que trabalhava, morreu a Maura, morreu o meu amigo ex-embaixador, morreu até o doce Mário Faustino num desastre de avião. Ninguém é imortal, com exceção de uma amiga famosa, romancista histórica, que me quis tornar imortal como ela.

    Hoje, não mais se fazem aquelas constrangedoras visitas aos imortais, antes que eles morram. Pelo contrário, a afobação de um candidato à imortalidade é letal. Adoentada, sem poder sair de casa, ela me pediu pela sobrinha e secretária que fosse à sua casa buscar o seu voto. É evidente que fui, pois muito queria vê-la.

    Ela me recebeu nordestinamente afável. Sentada em sua cadeira de palhinha, com ares de senhora-deengenho, esticou-me o envelope branco: 

    – Toma. Aqui estão os meus votos. Agora não falemos mais em literatura. Vamos falar mal de todo mundo! Também saí tarde de sua casa. Não deixamos pedra sobre pedra e, seguindo o conselho do exembaixador, só falamos mal dos ausentes, que era o restante da humanidade, pois em sua sala só havia a visitada e o visitante.

    Por essas e outras, sempre admirei o Antônio Callado, que definia os personagens do nosso tempo em duas categorias: os que tinham boa presença e os que tinham péssima ausência. Boa presença era quando todos falavam bem de um sujeito presente. Péssima ausência era quando, ausente, o sujeito monopolizava a conversa, cada qual juntando um graveto para queimar na alegre pira da maledicência.

    E, com aquele jeito de único inglês da vida real, Callado completava a sua frase: "O mais gostoso de tudo isso é que o bom presente e o mau ausente são sempre a mesma pessoa".

CONY, Carlos Heitor. In: SANTOS, Joaquim Ferreira dos. As cem melhores crônicas brasileiras (org. e int.). Rio de Janeiro: Objetiva, 2007. p. 332-334.
Quanto ao trecho “Até hoje me perguntam a razão de uma rubrica que, entre outras coisas, me levou para a prisão seis vezes por delito de opinião”, é INCORRETO afirmar que:
Alternativas
Q3865616 Português
Leia a frase a seguir:

Sueli você poderia emprestar o seu carro para o meu filho hoje à tarde Prometo que ele tomará todo o cuidado

Assinale a alternativa em que a pontuação da frase acima está correta.
Alternativas
Q3865461 Português

Leia o texto a seguir.



Poema Enjoadinho


Vinicius de Moraes



Filhos, filhos?

Melhor não tê-los!

Mas se não os temos

Como sabê-los?


Se não os temos

Que de consulta

Quanto silêncio

Como nós queremos!



Disponível em: https://www.letras.mus.br/vinicius-de-moraes/86964/. Acesso em: 18 de nov. 2025.



No verso “Como sabê-los?”, o ponto de interrogação é usado para indicar que a frase é 

Alternativas
Q3865029 Português
TEXTO I

A linguagem não apenas descreve o mundo: ela o organiza. Ao selecionar palavras, silenciar outras e escolher determinados modos de dizer, o sujeito constrói uma perspectiva específica da realidade, que nunca é neutra nem desinteressada.
A pontuação desempenha papel fundamental na articulação das ideias e na preservação das relações sintáticas. Assinale a alternativa em que o emprego dos sinais de pontuação mantém corretamente o sentido pretendido no período:
Alternativas
Q3864894 Português
Indique a alternativa em que a vírgula foi usada corretamente:
Alternativas
Q3864848 Português

Leia o Texto 4 para responder à questão.


Texto 4


O que os brasileiros pensam sobre combate à desinformação? 



Sete em cada 10 brasileiros já viram alguma notícia falsa, de acordo com pesquisa realizada pelo DataSenado. Quando perguntados sobre o motivo para a disseminação de notícias falsas, 31% acreditam que quem compartilha esse tipo de notícia quer mudar a opinião dos outros. Para 30%, as notícias falsas são compartilhadas por desconhecimento sobre sua veracidade.

Entre os desafios para navegar nas redes sociais, metade dos brasileiros diz que não é fácil saber o que é verdadeiro ou falso. Entrevistados de Sergipe, Maranhão e Rio Grande do Norte são os que mais relatam ter mais dificuldade. Entrevistados de Santa Catarina, Distrito Federal e São Paulo consideram fácil separar notícia falsa da verdadeira. Diante desse quadro, a população aponta a necessidade de controle e responsabilização.

Para 81% dos entrevistados, as plataformas de redes sociais deveriam ser responsáveis por impedir a disseminação de notícias falsas. Esse apoio popular a medidas de regulação e moderação de conteúdo revela um desejo coletivo por um ambiente digital mais transparente e seguro.



Disponível em: https://www12.senado.leg.br/verifica/materiasespeciais/2025/datasenado-o-que-os-brasileiros-pensam-sobre-o-combate-adesinformacao. Acesso em: 23 nov. 2025   

O texto apresenta períodos longos que articulam informações sobre a circulação de notícias falsas no país. Em um desses períodos, aparece a construção “Quando perguntados sobre o motivo para a disseminação de notícias falsas, 31% acreditam que [...]”. A vírgula presente nesse trecho tem a função de
Alternativas
Q3864463 Português
Texto 1


O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo


      O leitor entra na livraria, escolhe um título, paga, leva para casa e rasga a película transparente que o envolve. Em segundos, o plástico vai para o lixo. O gesto é banal, mas o impacto é monumental.

       Essa fina camada de filme termoencolhível – que protege o livro de poeira e umidade – se tornou um dos maiores símbolos de incoerência do mercado editorial brasileiro: um setor que vive de ideias, mas ainda insiste num hábito materialmente insustentável.

     Segundo dados disponibilizados pela Câmara Brasileira do Livro, o país imprimiu 366 milhões de exemplares no último ano. Supondo que cerca de 70% desses livros foram embalados individualmente, isso significa que 256 milhões de unidades receberam plástico antes de chegar às prateleiras. Cada invólucro pesa entre 1,4 g e 2,7 g, o que equivale a algo em torno de 360 a 700 toneladas de lixo plástico por ano – um resíduo de baixo valor comercial, raramente reciclado.

      O argumento das editoras é pragmático: o plástico protege os exemplares durante o transporte e a armazenagem. Há, porém, uma causa mais profunda para a continuidade dessa prática. Plataformas de e-commerce, que dominam o mercado de venda ao consumidor, exigem que as editoras entreguem os livros embalados individualmente em plástico. Caso contrário, recusam o recebimento do material. E, para atender a essa exigência, muitas editoras solicitam às gráficas que enviem parte ou toda a tiragem já com o plástico. Cria-se, assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas últimas embalam novamente para o envio ao consumidor.

         O cenário precisa mudar e já temos exemplos para seguir. Livrarias independentes já substituem o filme plástico por faixas de papel reciclado, invólucros biodegradáveis, ou simplesmente aboliram a embalagem. O debate sobre sustentabilidade no livro não pode se limitar à origem do papel: deve incluir também o material que o envolve. O livro é, por natureza, um instrumento de consciência. E não há consciência possível quando o conhecimento continua coberto por uma camada de poluição invisível.


BORGES, Afonso. O livro, o plástico e as 700 toneladas no lixo. Folha de S. Paulo, 16 nov. 2025, p. A6. [Adaptado].
No trecho “Cria-se, assim, um círculo vicioso: as gráficas embalam para atender as editoras; estas embalam para atender as plataformas; e estas últimas embalam novamente para o envio ao consumidor”, o sinal de dois pontos introduz uma
Alternativas
Q3863997 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão.


“Chatear” e “encher”


Um amigo meu me ensina a diferença entre “chatear” e “encher”. Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade:

— Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?

— Aqui não tem nenhum Valdemar.

Daí a alguns minutos você liga de novo:

— O Valdemar, por obséquio.

— Cavalheiro, aqui não trabalha nenhum Valdemar.

— Mas não é do número tal?

— É, mas aqui nunca teve nenhum Valdemar.

Mais cinco minutos, você liga o mesmo número:

— Por favor, o Valdemar já chegou?

— Vê se te manca, palhaço. Já não lhe disse que o diabo desse Valdemar nunca trabalhou aqui?

— Mas ele mesmo me disse que trabalhava aí.

— Não chateia.

Daí a dez minutos, liga de novo.

— Escute uma coisa! O Valdemar não deixou pelo menos um recado?

O outro desta vez esquece a presença da datilógrafa e diz coisas impublicáveis.

Até aqui é chatear. Para encher, espere passar mais dez minutos, faça nova ligação:

— Alô! Quem fala? Quem fala aqui é o Valdemar. Alguém telefonou para mim?


CAMPOS, Paulo Mendes. “Chatear” e “encher”. In: Para Gostar de Ler. 12 ed. São Paulo: Ática, 1992. p. 35. (Volume 2 - Crônicas).  
Assinale a alternativa que explica corretamente por que os dois-pontos foram usados no seguinte trecho:

(...) Chatear é assim: você telefona para um escritório qualquer na cidade:
Alô! Quer me chamar por favor o Valdemar?
Alternativas
Q3863622 Português
Leia a frase:

O termômetro marcava trinta e cinco graus Celsius mas parecia quarenta Aquela cidade estava muito quente Cláudia Achei que ia morrer de calor

Assinale a alternativa em que a pontuação da frase acima está correta:
Alternativas
Q3863477 Português
A respeito do uso dos sinais de pontuação, aponte a alternativa com a informação CORRETA.
Alternativas
Q3862162 Português
A respeito dos sinais de pontuação, assinale a alternativa que faz afirmação verdadeira.
Alternativas
Respostas
501: C
502: A
503: C
504: C
505: D
506: D
507: C
508: C
509: B
510: C
511: B
512: B
513: D
514: A
515: B
516: C
517: E
518: B
519: D
520: A