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Q2447470 Português
Beijinho, beijinho


Na festa dos 34 anos da Clarinha, o seu marido, Amaro, fez um discurso muito aplaudido. Declarou que não trocava a sua Clarinha por duas de 17, sabiam por quê? Porque a Clarinha era duas de 17. Tinha a vivacidade, o frescor e, deduzia-se, o fervor sexual somado de duas adolescentes. No carro, depois da festa, o Marinho comentou:

‒ Bonito, o discurso do Amaro.

‒ Não dou dois meses para eles se separarem ‒ disse a Nair.

‒ O quê?

‒ Marido, quando começa a elogiar muito a mulher…

Nair deixou no ar todas as implicações da duplicidade masculina.

‒ Mas eles parecem cada vez mais apaixonados ‒ protestou Marinho.

‒ Exatamente. Apaixonados demais. Lembra o que eu disse quando a Janice e o Pedrão começaram a andar de mãos dadas?

‒ É mesmo…

‒ Vinte anos de casados e de repente começam a andar de mãos dadas? Como namorados? Ali tinha coisa.

‒ É mesmo…

‒ E não deu outra. Divórcio e litigioso.

‒ Você tem razão.

‒ E o Mário com a coitada da Marli? De uma hora para outra? Beijinho, beijinho, “mulher formidável” e descobriram que ele estava de caso com a gerente da loja dela.

‒ Você acha, então, que o Amaro tem outra?

‒ Ou outras.

Nem duas de 17 estavam fora de cogitação.

‒ Acho que você tem razão, Nair. Nenhum homem faz uma declaração daquelas assim, sem outros motivos.

‒ Eu sei que tenho razão.

‒ Você tem sempre razão, Nair.

‒ Sempre, não sei.

‒ Sempre. Você é inteligente, sensata, perspicaz e invariavelmente acerta na mosca. Você é uma mulher formidável, Nair. Durante algum tempo, só se ouviu, dentro do carro, o chiado dos pneus no asfalto. Aí Nair perguntou:

‒ Quem é ela, Marinho?


(Luís Fernando Veríssimo. Em: Cultura Genial.)
Assinale, a seguir, o trecho que possui a correta classificação quanto ao tempo verbal.
Alternativas
Q2447278 Português

Assinale a alternativa em que a flexão verbal está correta

Alternativas
Q2447177 Português
Chuva


     Houve um prefeito, paisano e sem imaginação, que resolveu acabar com as inundações do Rio. Foi o engenheiro João Carlos Vital, cujo breve reinado se perde, na série imensa dos prefeitos, entre um calvo general atrabiliário que construiu o Maracanã e um bravo coronel do P.T.B. que ali recebeu a mais estrondosa das manifestações.

     Vital foi um Frontin às avessas, e conseguiu livrar o Rio do excesso de água com esta providência original: mandou desentupir os bueiros. Nunca ninguém se lembrara disso antes; e depois, como se viu no dia de ontem, nunca ninguém voltou a se lembrar. Tivemos ruas, praças e amplas avenidas transformadas em córregos, lagoas e rios. Foi a bela resposta do coronel à populaça que no estádio lhe gritava: água, água! “Pois tomem água”! – Disse ele.

          Eu tive pena foi de sair de casa calçado e, além disso, com 30 anos de idade mais do que o conveniente. Descalço e menino, faria o que os meninos descalços eu vi fazendo: entraria na enchente, patinaria na lama, soltaria na esquina meus barcos de papel, e me divertiria imenso com a aflição da gente grande a empilhar trastes e móveis no andar térreo e a buzinar nervosamente atrás de um carro de capota levantada e distribuidor enlameado.

       A infância pobre do Rio, sempre esquecida, teve ontem um lindo dia de folga e festa: desculpa para não ir à escola e divertimentos animados na grande alegria das enxurradas.

       Quando a infância ri, Deus está contente. O telhado de minha mansarda amanheceu limpinho, e as árvores da rua engordaram de verde, pingando alegria, muito gratas ao senhor prefeito. Os chauffeurs de táxi tungaram alegremente seus passageiros; não é à toa que esses marotos gostam de ter, no quadro do carro, a imagem de São Cristóvão carregando o menino Jesus no ombro durante uma enchente.

          Salve, portanto, a chuva, amiga das crianças, da lavoura e dos motoristas. Cheguei em casa de pés molhados, mas um gole de pisco, lembrança do Peru, me esquentou os pés e a alma. Para dizer a verdade, foi um gole para os pés e outro para a alma; e para dizer toda a verdade, houve mais um de lambuja. Haja pisco; motivos para beber não hão de faltar neste país sempre desgovernado e às vezes, graças a Deus, chuvoso.


(BRAGA, Rubem. Dois pinheiros e o mar: e outras crônicas sobre meio ambiente. Brasil, Global Editora, 2017.)
É certo que o pretérito mais-que-perfeito denota uma ação anterior a outra já passada. Esse tempo verbal se faz presente no texto em “Nunca ninguém se lembrara disso antes; [...]” (2º§). Por vezes considerado obsoleto, essa forma verbal é mais frequente na comunicação oral em sua forma composta. Caso optasse por ela, o autor escreveria, sem alteração de sentido:
Alternativas
Q2446891 Português

Julgue o item que se segue. 


É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo "amámos", "louvámos", para distingui-las das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos). 

Alternativas
Q2446871 Português

Julgue o item que se segue. 


De acordo com a classificação dos modos verbais, o modo subjuntivo só é usado em contextos de interlocução, diferentemente do indicativo e do imperativo. Por isso, o subjuntivo não possui 1ª pessoa do singular nem 3ª pessoa representada por ele/ela, mas por você.

Alternativas
Q2446691 Português

Julgue o item subsequente.


É facultativo assinalar com acento agudo as formas verbais de pretérito perfeito do indicativo, do tipo "amámos", "louvámos", para distingui-las das correspondentes formas do presente do indicativo (amamos, louvamos). 

Alternativas
Q2446671 Português

Julgue o item subsequente.


De acordo com a classificação dos modos verbais, o modo subjuntivo só é usado em contextos de interlocução, diferentemente do indicativo e do imperativo. Por isso, o subjuntivo não possui 1ª pessoa do singular nem 3ª pessoa representada por ele/ela, mas por você.
Alternativas
Q2446579 Português

Julgue o item subsequente. 


De acordo com a regência verbal da Língua Portuguesa, quando o verbo FAZER é empregado no sentido de tempo transcorrido, ele pode ir para o plural, concordando com o número, como ocorre em: Vão fazer cinco anos que ingressei no serviço público.

Alternativas
Q2446462 Português
“Ela gostava de brincar com todo mundo”. O verbo em destaque encontra-se em qual tempo verbal? 
Alternativas
Q2446244 Português
Amores descartáveis



      O amor tornou-se um produto descartável. Um dos sociólogos mais respeitados da atualidade, o polonês Zygmunt Bauman, escreveu o livro “Amor líquido”, que fala sobre a fragilidade dos laços humanos na atualidade. “A definição romântica do amor como até que a morte os separe está decididamente fora de moda”, diz Bauman. “Uma cultura consumista como a nossa favorece o produto para uso imediato, o prazer passageiro, a satisfação instantânea, resultados que não exijam esforços prolongados.” Construir uma relação exige esforço. Nossos avós viviam altos e baixos. Mas o casamento tinha um real sentido de parentesco, e os cônjuges lutavam para superar os maus momentos. Hoje, um compromisso se tornou até uma limitação, pois sempre pode haver uma oportunidade melhor no horizonte. E no primeiro espinho já se pensa na próxima relação.

        As pessoas preferem relações de bolso, assim chamadas porque a pessoa pode lançar mão delas quando precisa. São baseadas na simples disponibilidade dos parceiros e numa certa “química” de ambas as partes. Encontrar um amor é muito mais perigoso: implica risco, pois não há garantias de felicidade. A recompensa, porém, é um vínculo intenso e duradouro.

        Vinicius de Moraes toca no tema em seu “Soneto da fidelidade”: Eu possa me dizer do amor (que tive): / Que não seja imortal posto que é chama / mas que seja infinito enquanto dure.

        Pois é. Parece que a eternidade preconizada pelo poeta anda muito rápida. E, cada vez mais, as pessoas reclamam da solidão.


(CARRASCO, Walcyr. Revista Época, outubro de 2011. Adaptado.) 
Observe: “E, cada vez mais, as pessoas reclamam da solidão.” (4º§) Nas frases a seguir, as formas verbais destacadas estão flexionadas em tempos verbais diferentes da frase anterior, EXCETO:
Alternativas
Q2445912 Português
Fenômeno da maratona morto aos 24 anos se preparava para feito histórico em abril

    Antes de sua vida ser interrompida aos 24 anos em um acidente de carro, Kelvin Kiptum pretendia fazer ainda mais história em sua breve, mas extraordinária, carreira de maratonista. Detentor do recorde mundial dos 42 km, o próximo desafio de Kiptum era tornar-se a primeira pessoa a quebrar a barreira das duas horas numa corrida oficial.   

    E ele pretendia fazer isso já na Maratona de Roterdã, em abril. Na busca desse objetivo, treinava de forma rigorosa e intensa. “Atualmente meus dias consistem em comer, dormir, treinar e repetir. Minha preparação é meu foco principal no momento”, escreveu Kiptum nas redes sociais no mês passado. 

    Mas o mundo nunca saberá se ele conseguiria quebrar o seu próprio recorde, nem a barreira das duas horas – uma das lendárias fronteiras da corrida de longa distância. No domingo, as carreiras de Kiptum e de seu técnico, Gervais Hakizimana, foram tragicamente interrompidas em um acidente de carro. Segundo a polícia queniana, um terceiro ocupante sobreviveu com ferimentos graves. “Um atleta incrível que deixou um legado incrível”, foi como Sebastian Coe, presidente do World Athletics, descreveu Kiptum.

    Em um curto espaço de tempo, Kiptum obteve um sucesso sem precedentes na maratona. Em sua estreia, na Maratona de Valência, ele ficou a 44 segundos do então recorde mundial do compatriota Eliud Kipchoge. Em Londres, quebrou o recorde do percurso e, depois, estabeleceu seu recorde mundial de duas horas e 35 segundos em Chicago. Dos sete tempos de maratona mais rápidos da história, Kiptum possui três.

    
    Sua ascensão foi meteórica, assim como seus tempos. Em cada uma de suas três maratonas, Kiptum deu uma aula magistral sobre como controlar o ritmo de divisões negativas e o termo para correr a segunda metade de uma corrida mais rápido que a primeira. Muitos argumentam que os recentes desenvolvimentos na tecnologia de calçado permitem que os atletas produzam tempos recordes, mas Kiptum, que usou o Alphafly 3 da Nike em Chicago, descrito pela empresa como “o calçado de maratona mais rápido do mundo”, atribuía o seu sucesso à dedicação, treinamento e preparação cuidadosa.

    Ele ficou conhecido pelo seu treino de alta quilometragem, por vezes correndo mais de 280 km por semana antes das corridas. Até começar a trabalhar com Hakizimana em 2023, Kiptum treinava sozinho. “Não há descanso semanal. Descansamos quando ele fica cansado. Se ele não apresentar sinais de cansaço ou dor por um mês, continuamos. Tudo o que ele faz é correr, comer, dormir.”, disse Hakizimana à AFP sobre o cronograma de treinamento de Kiptum antes da Maratona de Chicago.

    Kelvin Kiptum deixa esposa e dois filhos, além de uma lacuna no mundo das corridas de longa distância. A sua morte será sentida profundamente em Roterdã e nos Jogos Olímpicos, que eram as suas duas corridas previstas para 2024. “Vou chegar perto da barreira sub-dois, então porque não tentar quebrá-la? Isso pode parecer ambicioso, mas não tenho medo de estabelecer este tipo de meta. Não há limite para a energia humana”, disse Kiptum em novembro.

    
Fonte: Fenômeno da maratona morto aos 24 anos se preparava para feito histórico em abril | CNN Brasil

Assinale a alternativa que apresente o tempo verbal do verbo em destaque no período: Sua ascensão foi meteórica, assim como seus tempos.

Alternativas
Q2445604 Português



Internet:<www.periodicos.set.edu.br>  (com adaptações).

Acerca das ideias, da estrutura linguística e da seleção vocabular do texto, julgue o item.


No último período do texto, as formas verbais “Tira‑se” (linha 35) e “foca‑se” (linha 38) apresentam sujeito indeterminado.

Alternativas
Q2444477 Português
O Sol influencia as mudanças climáticas?


          O Sol é a estrela que mantém o Sistema Solar unido graças à sua gravidade. Sem sua presença, a vida na Terra como a conhecemos não seria possível.

            A conexão e as interações entre a estrela e este planeta determinam as estações do ano, as correntes oceânicas, o tempo e o clima, entre outras coisas, de acordo com a Nasa — agência espacial norte-americana.

          O Sol tem um impacto importante sobre o clima da Terra: ele é considerado um garantidor da vida, pois ajuda a manter o planeta quente o suficiente para que ela exista.

         No entanto, a estrela mais próxima da Terra não é responsável pela tendência de aquecimento global registrada nas últimas décadas.

          De acordo com a agência espacial dos Estados Unidos, o aquecimento global em evidência nas últimas décadas é um evento muito precoce para ser vinculado às mudanças na órbita da Terra e grande demais para ser causado pela atividade solar, diz a agência espacial.

          A Nasa vem estudando a estrela do Sistema Solar há bastante tempo e, segundo a agência, há duas evidências que refutam a crença de que o Sol é a causa do aquecimento global.

            Por um lado, observa a agência, a quantidade de energia solar que atinge a atmosfera superior tem sido monitorada desde 1978, e os cientistas conseguiram determinar que não houve tendência de aumento na quantidade de energia solar que atinge o planeta.

          “Uma segunda evidência irrefutável é que, se o Sol fosse responsável pelo aquecimento global, esperaríamos ver um aumento nas temperaturas em todas as camadas da atmosfera, desde a superfície até a atmosfera superior (estratosfera). Mas, na realidade, o que se observa é um aquecimento na superfície e um resfriamento na estratosfera. Isso é consistente com o fato de esse fenômeno ser devido a um acúmulo de gases que retêm o calor perto da superfície da Terra”, informa a Nasa.

        Como o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) da ONU aponta, há um amplo consenso científico de que as variações de longo e curto prazo na atividade solar desempenham apenas um papel muito pequeno no clima da Terra.

       De fato, o aquecimento causado pelo aumento dos gases de efeito estufa induzido pelo homem é muito maior do que os efeitos decorrentes das variações recentes da atividade solar.

        Os satélites observaram os níveis de emissão solar por mais de 40 anos e descobriram que eles aumentaram ou diminuíram em menos de 0,1% nesse período. Em contraste, desde 1750 o aquecimento causado pelos gases de efeito estufa provenientes da combustão de combustíveis fósseis é mais de 270 vezes maior do que o leve aumento nas temperaturas do próprio sol no mesmo intervalo de tempo.


(Fonte: National Geographic Brasil — adaptado.)
Em relação à conjugação dos verbos “medir” e "mediar", considerando-se seus significados, aplicados ao contexto, assinalar a alternativa que preenche as lacunas abaixo CORRETAMENTE:

• Neste momento, o professor ________ o debate sobre mudança climática.
• Eu espero que você ________ a nossa conversa, porque o meu nível de inglês é mediano e o cliente não entende português.
• Educado, ele sempre_________ suas palavras quando conversava com a avó. 
Alternativas
Q2444273 Português
Tecnoescravo


Quanto mais nos conectamos, mais nos alienamos.


         Certa vez, enquanto eu estava em um ônibus cheio, um homem sentado ao meu lado atirou seu celular pela janela. Ao ouvir o toque do seu telefone, em vez de atendê-lo prontamente, ele casualmente o jogou fora. Fiquei perplexo. Ele olhou para mim, deu de ombros e desviou o olhar. Eu não tinha ideia se o telefone era seu, se ele o tinha roubado ou sequer se sabia o que era um celular. Mas em um movimento aparentemente despreocupado, ele conseguiu se libertar daquilo que me tem consumido completamente.

    Quando meu celular toca, uma vibração incessante e aborrecida me rouba a atenção imediatamente. Eu praguejo, mas sou incapaz de ignorá-lo. Seja no meio de uma conversa, no chuveiro ou dormindo profundamente, o ressonar do telefone me causa tal pânico e excitação que sou compelido a atendê-lo.

     “A pressão para responder imediatamente ao pulso ou ao chamado deixa os tecnoescravos ansiosos por receber uma mensagem, levam-nos a se afastar na tentativa de obter um melhor sinal e/ou lidar com a urgência do momento como se fosse uma situação de vida ou morte”, escreve Gerald Celente, editor do jornal The Trends Journal. “… E com que propósito? Para dizer ‘alô’, criar intrigas e resmungar ou fazer negócios pelo telefone?”

         A tecnologia deveria nos libertar das amarras do trabalho e nos dar mais tempo livre para o lazer. No entanto, tem acontecido exatamente o oposto. Uma pesquisa realizada em 2005 pelo Leger Marketing para o jornal de tecnologia Computing Canadá mostrou que, para a maioria das pessoas, tecnologia significa mais trabalho e menos tempo com suas famílias. Sejam celulares, Blackberry’s, videogames ou e-mail, nós nos tornamos uma cultura escravizada pelos nossos eletrônicos.

          À medida que as pessoas mergulham ainda mais em seus equipamentos, cientistas e psicólogos começam a considerar a dependência tecnológica um grave problema de saúde pública, colocando-a na mesma categoria que o alcoolismo, o vício em jogos e em drogas. O estresse criado por esse vício tem gerado em suas vítimas artrite, enxaquecas e úlceras. Essas dependências físicas vêm causando ainda excesso de peso, problemas de coluna e de pele. O mais preocupante, no entanto, é o profundo impacto que exerce sobre o nosso desenvolvimento pessoal. Ao que parece, quanto mais conectados estamos, mais alheios ficamos.

        “Os seres humanos estão caindo na armadilha do ciclo da alta tecnologia, que impede suas mentes de viver o presente, observando a vida e absorvendo o que acontece ao seu redor”, descreve Celente. “Enquanto a tecnologia tem alterado radicalmente a vida externa, ainda não atingiu nada tangível capaz de melhorar a vida interna das pessoas: valores morais, emocionais, filosóficos e espirituais.”

          Observando com um olhar vazio a tela do computador por horas a fio, às vezes chego a me perguntar se há, escondida, naquele labirinto tecnológico, alguma mensagem secreta. No entanto, não importa o quanto eu olhe, termino sempre encontrando a mesma resposta: estou aprisionado.


(SLATE, Eric. Tecnoescrevo. Tradução de Nicolaus Linneu de Holanda. Adbusters, n. 77. Acesso em: 10/12/2023.)
A pressão para responder imediatamente ao pulso ou ao chamado deixa os tecnoescravos ansiosos por receber uma mensagem [...]” (3º§). O uso das preposições sublinhadas se justifica quanto ao sentido do verbo responder que significa:
Alternativas
Q2444272 Português
Tecnoescravo


Quanto mais nos conectamos, mais nos alienamos.


         Certa vez, enquanto eu estava em um ônibus cheio, um homem sentado ao meu lado atirou seu celular pela janela. Ao ouvir o toque do seu telefone, em vez de atendê-lo prontamente, ele casualmente o jogou fora. Fiquei perplexo. Ele olhou para mim, deu de ombros e desviou o olhar. Eu não tinha ideia se o telefone era seu, se ele o tinha roubado ou sequer se sabia o que era um celular. Mas em um movimento aparentemente despreocupado, ele conseguiu se libertar daquilo que me tem consumido completamente.

    Quando meu celular toca, uma vibração incessante e aborrecida me rouba a atenção imediatamente. Eu praguejo, mas sou incapaz de ignorá-lo. Seja no meio de uma conversa, no chuveiro ou dormindo profundamente, o ressonar do telefone me causa tal pânico e excitação que sou compelido a atendê-lo.

     “A pressão para responder imediatamente ao pulso ou ao chamado deixa os tecnoescravos ansiosos por receber uma mensagem, levam-nos a se afastar na tentativa de obter um melhor sinal e/ou lidar com a urgência do momento como se fosse uma situação de vida ou morte”, escreve Gerald Celente, editor do jornal The Trends Journal. “… E com que propósito? Para dizer ‘alô’, criar intrigas e resmungar ou fazer negócios pelo telefone?”

         A tecnologia deveria nos libertar das amarras do trabalho e nos dar mais tempo livre para o lazer. No entanto, tem acontecido exatamente o oposto. Uma pesquisa realizada em 2005 pelo Leger Marketing para o jornal de tecnologia Computing Canadá mostrou que, para a maioria das pessoas, tecnologia significa mais trabalho e menos tempo com suas famílias. Sejam celulares, Blackberry’s, videogames ou e-mail, nós nos tornamos uma cultura escravizada pelos nossos eletrônicos.

          À medida que as pessoas mergulham ainda mais em seus equipamentos, cientistas e psicólogos começam a considerar a dependência tecnológica um grave problema de saúde pública, colocando-a na mesma categoria que o alcoolismo, o vício em jogos e em drogas. O estresse criado por esse vício tem gerado em suas vítimas artrite, enxaquecas e úlceras. Essas dependências físicas vêm causando ainda excesso de peso, problemas de coluna e de pele. O mais preocupante, no entanto, é o profundo impacto que exerce sobre o nosso desenvolvimento pessoal. Ao que parece, quanto mais conectados estamos, mais alheios ficamos.

        “Os seres humanos estão caindo na armadilha do ciclo da alta tecnologia, que impede suas mentes de viver o presente, observando a vida e absorvendo o que acontece ao seu redor”, descreve Celente. “Enquanto a tecnologia tem alterado radicalmente a vida externa, ainda não atingiu nada tangível capaz de melhorar a vida interna das pessoas: valores morais, emocionais, filosóficos e espirituais.”

          Observando com um olhar vazio a tela do computador por horas a fio, às vezes chego a me perguntar se há, escondida, naquele labirinto tecnológico, alguma mensagem secreta. No entanto, não importa o quanto eu olhe, termino sempre encontrando a mesma resposta: estou aprisionado.


(SLATE, Eric. Tecnoescrevo. Tradução de Nicolaus Linneu de Holanda. Adbusters, n. 77. Acesso em: 10/12/2023.)
“Essas dependências físicas vêm causando ainda excesso de peso, problemas de coluna e de pele.” (5º§) Quanto à forma verbal “vêm”, o uso está
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Q2442678 Português
Como reescrever o passado? Como refazer um passado que pode estar perdido? É isto que tenta fazer Vinicius Calderoni em sua dramaturgia Museu Nacional [Todas as vozes do fogo]. Texto teatral narrado por Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado na América Latina, conta a História do Brasil a partir da tragédia de grandes proporções que atingiu o Museu Nacional, instituição bicentenária que abrigava mais de 20 milhões de itens de diversas áreas de pesquisa.

Em setembro de 2018, o Brasil acompanhou com estupor o incêndio do Palácio de São Cristóvão, no Rio de Janeiro, sede do Museu Nacional, instituição científica e museológica que abrigava mais de 20 milhões de itens das áreas de antropologia, zoologia, geologia, etnologia, paleontologia e arqueologia.Entre eles, Luzia, o mais antigo fóssil humano encontrado na América Latina, um dos únicos remanescentes do fogo.

Pela voz de Luzia e outros personagens componentes do acervo, que interpretam quinze canções inéditas, compostas com a Companhia Barca dos Corações Partidos para o espetáculo, o musical percorre o imenso edifício imperial e, transitando entre passado, presente e futuro, flagra histórias que foram e que poderiam ser, de personagens históricos e de gente comum, de seres animados e inanimados, de objetos materiais e imateriais.



Adaptado de: https://jornalnota.com.br/2024/02/01/museu-nacionaldramaturgia-musical-parte-do-acervo-que-sobreviveu-ao-incendio-paranarrar-o-brasil/. 
Na frase o musical percorre o imenso edifício imperial, o verbo percorre está conjugado no presente do indicativo. Como ficaria a frase se o verbo estivesse conjugado no pretérito perfeito do indicativo?  
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Petrobras Provas: CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Enfermagem do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Logística de Transportes - Controle | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Inspeção de Equipamentos e Instalações | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Calderaria | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Elétrica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Instrumentação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Mecânica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Operação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Operação de Lastro | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Edificações | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Elétrica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Instrumentação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Mecânica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Química de Petróleo | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Segurança do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Suprimento de Bens e Serviços - Administração |
Q2442552 Português

Texto CB1A1-II 


        Há 70 anos, em 3 de outubro de 1953, era criada a PETROBRÁS, uma empresa estatal que detinha o monopólio da prospecção e exploração do petróleo no território brasileiro. A criação da empresa foi fruto da campanha “O petróleo é nosso”, iniciada após a eleição de Getúlio Vargas para seu segundo período na Presidência.


        Sete décadas após sua criação, ficaram para trás o acento agudo e o foco exclusivo no território brasileiro. A PETROBRAS do século XXI opera em 14 países, prioritariamente nas áreas de exploração, produção, refino, comercialização e transporte de petróleo, gás natural e seus derivados, e ganhou reputação internacional no desenvolvimento de tecnologia avançada para a exploração petrolífera em águas profundas e ultraprofundas. Ficou para trás também o caráter 100% estatal. Atualmente, a PETROBRAS está organizada como sociedade de economia mista, submete-se às regras gerais da administração pública e não mais detém o monopólio da exploração do petróleo em território nacional. Seu papel, no entanto, vai além da obtenção de lucro e envolve aspectos como geração de emprego e renda, além da promoção do desenvolvimento local nos lugares onde instala suas unidades e empreendimentos. Estes, muitas vezes, se situam em regiões remotas, que não despertam o apetite de companhias privadas. Permanece, assim, uma empresa estratégica para diversos aspectos do desenvolvimento econômico do país.


Renato Coelho. Jornal da UNESP, 3/10/2023 (com adaptações). 

A respeito dos sentidos e de aspectos linguísticos do texto CB1A1-II, julgue o item que se segue. 
No quarto período do segundo parágrafo, a forma verbal “submete-se” poderia ser substituída pela locução deve respeitar, sem prejuízo do sentido e da correção gramatical do texto. 
Alternativas
Ano: 2024 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Petrobras Provas: CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Enfermagem do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Logística de Transportes - Controle | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Inspeção de Equipamentos e Instalações | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Calderaria | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Elétrica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Instrumentação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Mecânica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Operação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Operação de Lastro | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Edificações | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Elétrica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Instrumentação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Mecânica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Química de Petróleo | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Segurança do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Suprimento de Bens e Serviços - Administração |
Q2442550 Português

Texto CB1A1-I 


        Dizer que o petróleo é um elemento de influência nas relações geopolíticas contemporâneas é repetir o óbvio. Desde que ele se tornou a matriz energética básica da sociedade industrial e o elemento fundamental para o funcionamento da economia moderna, ter ou controlar as fontes de petróleo e as rotas por onde ele é transportado representa questão de vida ou morte para as sociedades contemporâneas.


        Quando pensamos na geopolítica do petróleo neste início do século XXI, o primeiro fato que nos vem à mente são os conflitos do Oriente Médio, como a guerra Irã-Iraque e a guerra do Golfo em 1990-1991. Reduzir esses conflitos ao elemento “petróleo” seria um erro, pois questões outras estavam e estão envolvidas. Contudo, não se deve esquecer que aí estão as maiores reservas petrolíferas do mundo.


        No entanto, se examinarmos com alguma atenção as notícias do dia a dia, veremos como o problema do petróleo dentro da geopolítica contemporânea não é algo que afeta apenas os países do Oriente Médio. A busca pelo “ouro negro” está tendo impacto em outras regiões do mundo.


        Em nível menor, países como o Brasil têm enfrentado os mesmos problemas das maiores potências no que se refere a suprir suas necessidades energéticas, e isso tende apenas a piorar. Aqui cabe uma reflexão sobre os efeitos geopolíticos da futura mudança da matriz energética global. Mesmo sendo algo pouco provável em curto e médio prazo, o próprio esgotamento do petróleo vai obrigar a economia global a convocar outras fontes de energia, como a nuclear ou as células de hidrogênio. As alterações na sociedade global que tal mudança provocará serão, evidentemente, imensas, mas ninguém parece ainda ter refletido a contento sobre seus impactos geopolíticos. 


João Fábio Bertonha. Notas sobre a geopolítica do petróleo no século XXI.

In: Boletim de Análise de Conjuntura em Relações Internacionais,

n.º 58, p. 9-10, 2005 (com adaptações). 


    



Ainda com relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o próximo item. 


No penúltimo período do texto, o verbo “obrigar” rege dois complementos: “a economia global” e “a convocar outras fontes de energia”. 

Alternativas
Ano: 2024 Banca: CESPE / CEBRASPE Órgão: Petrobras Provas: CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Enfermagem do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Logística de Transportes - Controle | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Inspeção de Equipamentos e Instalações | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Calderaria | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Elétrica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Instrumentação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Manutenção - Mecânica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Operação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Operação de Lastro | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Edificações | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Elétrica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Instrumentação | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Projetos, Construção e Montagem - Mecânica | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Química de Petróleo | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Segurança do Trabalho | CESPE / CEBRASPE - 2024 - Petrobras - Técnico Júnior - Ênfase: Suprimento de Bens e Serviços - Administração |
Q2442547 Português

Texto CB1A1-I 


        Dizer que o petróleo é um elemento de influência nas relações geopolíticas contemporâneas é repetir o óbvio. Desde que ele se tornou a matriz energética básica da sociedade industrial e o elemento fundamental para o funcionamento da economia moderna, ter ou controlar as fontes de petróleo e as rotas por onde ele é transportado representa questão de vida ou morte para as sociedades contemporâneas.


        Quando pensamos na geopolítica do petróleo neste início do século XXI, o primeiro fato que nos vem à mente são os conflitos do Oriente Médio, como a guerra Irã-Iraque e a guerra do Golfo em 1990-1991. Reduzir esses conflitos ao elemento “petróleo” seria um erro, pois questões outras estavam e estão envolvidas. Contudo, não se deve esquecer que aí estão as maiores reservas petrolíferas do mundo.


        No entanto, se examinarmos com alguma atenção as notícias do dia a dia, veremos como o problema do petróleo dentro da geopolítica contemporânea não é algo que afeta apenas os países do Oriente Médio. A busca pelo “ouro negro” está tendo impacto em outras regiões do mundo.


        Em nível menor, países como o Brasil têm enfrentado os mesmos problemas das maiores potências no que se refere a suprir suas necessidades energéticas, e isso tende apenas a piorar. Aqui cabe uma reflexão sobre os efeitos geopolíticos da futura mudança da matriz energética global. Mesmo sendo algo pouco provável em curto e médio prazo, o próprio esgotamento do petróleo vai obrigar a economia global a convocar outras fontes de energia, como a nuclear ou as células de hidrogênio. As alterações na sociedade global que tal mudança provocará serão, evidentemente, imensas, mas ninguém parece ainda ter refletido a contento sobre seus impactos geopolíticos. 


João Fábio Bertonha. Notas sobre a geopolítica do petróleo no século XXI.

In: Boletim de Análise de Conjuntura em Relações Internacionais,

n.º 58, p. 9-10, 2005 (com adaptações). 


    



Ainda com relação a aspectos linguísticos do texto CB1A1-I, julgue o próximo item. 


No segundo período do último parágrafo, a forma verbal “cabe” estabelece concordância com o termo “reflexão”. 




Alternativas
Ano: 2024 Banca: SUSTENTE Órgão: COREN-PE Prova: SUSTENTE - 2024 - COREN-PE - Motorista |
Q2442198 Português
Fúria no trânsito


Existe uma forma simples de avaliar o grau de evolução do ser humano. Basta observar dois sujeitos após uma batida. Saem dos veículos arrebentando as portas. Olhares ferozes. Torsos inclinados para a frente. Mãos crispadas. Batem boca. Bastaria mudar o cenário, trocar os ternos por peles e entregar um porrete para cada um. Estaríamos de volta à pré-história. Poucas atividades humanas despertam tanto o espírito selvagem como a guerra no trânsito.

Tenho um amigo de fala mansa, calmo e sensato. Outro dia estávamos no carro. Chuviscava. O suficiente para que os carros entrassem numa luta desenfreada no asfalto. Cortadas súbitas. Buzinas. Ele passou a costurar por todos os lados. Fomos ao Morumbi Shopping. Havia uma fila para o estacionamento vip (quem almoça em alguns restaurantes de lá tem direito à manobrista gratuito).

- Um idiota está parado lá na frente - ele anunciou.

- Por que idiota? Você não sabe o motivo ... - comecei a dizer.

Não pude terminar a frase. Agarrei-me ao banco. Ele atirou o carro para a direita. O da frente fez o mesmo. Para não bater, meu amigo jogou o seu sobre o canteiro. Veio a pancada. O pneu arrebentou. O veículo parado mexeu-se, vagarosamente, e partiu. Meu amigo esbravejou. Trocou o pneu. Depois foi a uma borracharia, onde acabou brigando também. Passou o resto do dia num humor de cão. Telefonou:

- Tudo por culpa daquele imbecil!

Argumentei:

- Você não sabia o motivo de o carro estar parado. A pessoa podia estar se sentindo mal. Pense. Por causa de alguém que não conhece, você quase amassou o carro, arrebentou seu pneu e está furioso. Como permite que um desconhecido faça tudo isso com você?

Silêncio sepulcral. Depois, ouvi um clique do telefone sendo desligado.

Costumo dirigir devagar. Quando vou para o Litoral Norte é uma tortura. A estrada só tem uma pista, com muitos locais de ultrapassagem proibida. Tento me manter na velocidade exigida pelas placas. Adianta? Alguém sempre gruda em mim. Volta e meia, quando ultrapassam, ouço me xingarem.

Nestes tempos politicamente corretos, já não se ouvem tantos gritos do tipo:

- Ô dona Maria, vá pilotar fogão! [...]

Soube de um rapaz que certa vez foi fechado numa grande avenida. Gritou:

- Safado, você vai ver!

Seguiu atrás, buzinando. O outro tentava fugir, ele perseguia. Deu uma superfechada, obrigando o carro a parar. Saiu furioso, pronto para a briga. Aproximou-se. No banco do motorista estava uma senhora idosa, tremendo de medo. Ele caiu em si.

- Parecia que eu estava em um filme, me assistindo.

Gaguejou. Pediu desculpa. Partiu.

No dia seguinte, vendeu o carro.

- Não confio em mim mesmo ao volante. Eu me torno outra pessoa. Prefiro não dirigir.

Claro que não é uma receita para todo mundo. Para ele, funcionou. Anda de ônibus, táxi ou metrô. Sentese feliz. Como se tivesse abandonado a pré-história e, finalmente, ingressado na civilização.


Walcyr Carrasco

“Depois foi a uma borracharia, onde acabou brigando também.” 5º§


A forma infinitiva do verbo destacado é:

Alternativas
Respostas
3301: B
3302: B
3303: C
3304: C
3305: E
3306: C
3307: E
3308: E
3309: A
3310: C
3311: C
3312: E
3313: B
3314: B
3315: B
3316: D
3317: E
3318: C
3319: C
3320: D