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Q3244947 Português
Leia o texto a seguir para responder à questão

        Até agora a enxurrada de imagens terríveis do flagelo climático no Rio Grande do Sul só não me provocou pesadelos porque dormir não é meu forte. Persisto, pois, a sofrer acordado, de olhos abertos e com a consciência culpada por me deixar agastar com facilidade por contratempos comparativamente miúdos e desprezíveis. Para me preservar de emoções tóxicas, parei de acompanhar as tentativas de socorro a bichos e idosos. Ainda assim, algumas imagens aflitivas burlaram minha vigilância.

        De repente, uma senhorinha sequestra minha atenção. Oh!, se não é minha avó materna esculpida em Carrara, à beira do Guaíba! Minha avó mais próxima e querida.

        Dona Arminda (tive duas avós com esse nome, ambas portuguesas) era a soberana da casa, a mater familias. A exemplo de tantas avós e mães, foi quem celebrizou em nosso reduto o bordão “Vocês pensam que eu sou sócia da Light1 ?”, infalível toda vez que via acesa uma lâmpada que deveria estar apagada, para não aumentar a conta da luz. Parecia viver movida a máximas, provérbios e adágios, uns de sua lavra, vários emprestados à Bíblia, outros enigmáticos e mesmo inalcançáveis por meu cérebro mirim.

        Fiquei intrigado ao ouvi-la dizer pela primeira vez que fulano era “mais surdo que um portão de cemitério”. Surdo à súplica do defunto para “não entrar ali”, deduzi com razoável margem de acerto. Levei bem mais tempo para perceber que vovó não resmungava “o que no mato engorda…” e, sim, “o que não mata engorda” (sem os reticentes três pontinhos) – e só então, definitivamente liberado do supersticioso caveat 2 imposto à mistura, fui tomar outro copo de vitamina de manga com leite.

        Não tive paciência para explicar à vovó Arminda que a frase correta (ou original) é “Quem tem boca vaia Roma”, e não “vai a Roma”, embora esta faça muito, se não até mais, sentido para quem nunca viveu sob o jugo romano.

        Este é um caso clássico de expressão corrompida, bastante comum no florilégio de provérbios, axiomas, anexins e afins. Do mesmo nível, por exemplo, de “quem não tem cão, caça com gato” (a versão que se difundiu de “quem não tem cão, caça como gato”) e também de “cor de burro quando foge”, que sempre quis dizer “corro de burro quando foge”. No império romano, a expressão “esculpida em Carrara” era sinônimo de cópia fiel, igualzinha, sem tirar nem pôr; ou seja, o carbono ou a xerox de um tempo em que as pessoas posavam para artistas que mais fielmente as reproduziam no mármore de Carrara. Restou-nos apenas a malsonante e nojenta “cuspida e escarrada”.

        Ora, se fizeram isso com o reputado mármore de Carrara, quem sou eu para sugerir que a expressão “Abre-te, sésamo!” vire, entre os lusófonos, “Abre-te, gergelim!”?

        (Se fiz o prezado leitor esquecer um pouco a tragédia nos pampas, cumpri minha missão.)

(Sérgio Augusto. Quem tem boca ‘vaia Roma’ ou ‘vai a Roma’?
Um caso clássico de expressão corrompida. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/. Adaptado)

1 Light: empresa de distribuição de energia elétrica. 
2 caveat: alerta
Assinale a alternativa em que o acréscimo de uma vírgula em trecho do texto preserva a norma-padrão de pontuação.
Alternativas
Q3234952 Português
Por que feijão está sumindo do prato dos brasileiros?

Os brasileiros estão perdendo o hábito de comer feijão diariamente, em meio a mudanças culturais, avanço dos alimentos ultraprocessados e aumento de preços do produto.

Seguindo a tendência dos últimos anos, o feijão deixará de ser consumido de forma regular – de 5 a 7 dias na semana – em 2025, conforme estudo do Programa de Pós-graduação em Saúde Pública da Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais).

A partir daquele ano, a maior parte dos brasileiros passará a comer o alimento símbolo nacional com frequência considerada irregular (1 a 4 dias), de acordo com a pesquisa.

A perda de espaço do feijão no prato nacional, e sua substituição por alternativas menos saudáveis, tem consequências para a segurança alimentar e para a saúde da população.

Segundo o levantamento da UFMG, não consumir feijão está associado a uma chance 10% maior de desenvolver excesso de peso e 20% maior de obesidade, em relação à parcela da população que consome o produto com alguma frequência.

A importância histórica, nutricional e social do feijão

"O feijão surgiu de uma miscigenação das nossas heranças culinárias", observa a nutricionista Fernanda Serra Granado, que pesquisou o tema em seu doutorado na UFMG.

Segundo ela, a leguminosa já era um alimento nativo na América, conhecido pelos indígenas, que consumiam os grãos sem caldo, mesmo antes da colonização portuguesa.

Os portugueses acrescentaram o caldo, uma solução encontrada pelas senhoras europeias para umedecer a comida nativa, que elas consideravam muito seca. Trazidos ao Brasil escravizados, os africanos também consumiam o alimento, adicionando seus saberes ao preparo.

Mas a construção do feijão como um símbolo nacional só vai acontecer bem mais para frente, durante o Modernismo Brasileiro dos anos 1920.

 "Aí ele é expresso em poesia, em músicas e é reconhecido como esse símbolo identitário da nossa tradição culinária", diz Granado. Em termos nutricionais, o feijão é rico em proteínas e minerais, incluindo o ferro, além das vitaminas C e do complexo B (à exceção da B12, de origem animal) e fibras solúveis e insolúveis, importantes para o bom funcionamento da digestão.

"Além de ter um excelente perfil nutritivo e ser importante para manutenção da saúde da população, o feijão é um marcador de qualidade da dieta", afirma a pesquisadora.

"Isso porque o indivíduo, quando consome feijão, acaba complementando o prato com outros alimentos saudáveis, como arroz, vegetais, salada e uma proteína animal. Então, em geral, o feijão é um dos componentes de uma refeição nutricionalmente equilibrada."

O que explica a queda de consumo nos últimos anos

Mudanças culturais e o avanço dos ultraprocessados – alimentos calóricos e de baixo valor nutricional – estão no centro da redução do consumo de feijão, segundo a pesquisadora.

"Na década de 1980, há a entrada das grandes transnacionais de alimentos no Brasil e o avanço da participação das mulheres no mercado de trabalho, o que causa uma modificação no perfil de consumo da população, com os ultraprocessados sendo percebidos como uma solução prática para o dia a dia", observa a nutricionista.

"Com o passar do tempo, há também uma perda de práticas culinárias, da habilidade em si de preparar os alimentos, com a tradição de receitas que passavam entre gerações que começa a se perder."

Um terceiro fator que pesa na redução de consumo do feijão é o aumento de preços do produto, observa a especialista.

Em 11 anos, entre janeiro de 2012 e janeiro de 2023, o feijão carioca acumula alta de preços de 122% e o feijão preto, de 186%, comparado a uma inflação geral de 89% no período, segundo o IPC (Índice de Preços ao Consumidor) da FGV (Fundação Getulio Vargas).

Ou seja, em pouco mais de uma década, o feijão carioca dobrou de preço e o feijão preto, quase triplicou.

Um dos fatores que explica esse encarecimento é a perda de espaço da produção agrícola de feijão para commodities como a soja e o milho, explica Granado.

Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), a área plantada de feijão no Brasil na safra 2022-2023 deverá ser de apenas 859 mil hectares, a menor da série histórica com início em 1976. O número representa uma redução de 65% em relação ao momento de auge, na safra 1981/1982.

"O produtor acaba abandonando a produção de feijão e outros alimentos que possuem valor agregado menor em comparação a commodities como soja e milho, que têm safras muito mais lucrativas, com demanda internacional", observa Granado.

Por fim, com relação à queda maior do consumo entre as mulheres, a especialista avalia que isso pode ser fruto da dupla jornada, que pode estar fazendo com que elas optem com mais frequência pela conveniência dos ultraprocessados.


(Por Thais Carrança - BBC News Brasil em São Paulo. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/c90935j2k8 go).
No trecho "Mudanças culturais e o avanço dos ultraprocessados – alimentos calóricos e de baixo valor nutricional – estão no centro da redução do consumo de feijão, segundo a pesquisadora", os travessões desempenham uma função específica na estrutura da frase.

Assinale a alternativa que descreve corretamente essa função:
Alternativas
Q3234306 Português

Leia o texto a seguir e responda à questão.



A Inteligência artificial deve ser para todos


Ricardo Henriques*


    A rápida evolução de novas ferramentas de inteligência artificial (IA) reforçou a preocupação com seus impactos no mercado do trabalho. Com o potencial de automatizar atividades cognitivas complexas e eliminar empregos, algo que o economista Joseph Schumpeter chamaria de destruição criativa, a IA, sobretudo a generativa, tem o poder de transformar radicalmente a relação das pessoas com o labor.

    Apesar disso, 77% dos trabalhadores brasileiros dizem não se sentir ameaçados por uma virtual substituição. A conclusão é do estudo “Avanço da Tecnologia é Ameaça ou Oportunidade às Carreiras”, de 2023, feito pela plataforma de inteligência Futuros Possíveis.

    É, no mínimo, surpreendente – para não dizer míope – essa percepção, dado que já vivemos em um contexto de flexibilização de direitos, de plataformização dos trabalhadores e de crescente substituição do humano pela máquina. Tecnologias como ChatGPT, Whisper e DALL-E 2 são capazes de realizar uma gama cada vez mais ampla de tarefas, desde manipulação e análise de texto, geração de imagens e reconhecimento de fala, inimagináveis outrora.

    Há nítidos sinais de iminente obsolescência do profissional criativo mediano e daqueles com competências abaixo desse requisito. O relatório “Artificial Intelligence Index Report 2023”, elaborado pela Universidade de Stanford, aponta que a proporção de empresas que adotaram IA, em 2022, mais do que dobrou desde 2017. Segundo as empresas, o principal resultado ao adotar soluções de IA foi a redução de custos através da automação de processos.

    Os efeitos da IA, no entanto, são heterogêneos entre países, setores e empresas. Daron Acemoglu e Pascual Restrepo argumentam, em artigo de 2018, que a automação tende a reduzir a demanda por empregos que envolvam habilidades baseadas em rotinas. Contudo, esse processo é contrabalanceado pelo aumento de produtividade via economia de custos gerada pela automação. Com isso, aumenta-se a demanda por mão de obra altamente qualificada em tarefas não automatizadas. Uma das implicações é uma possível incompatibilidade entre os requisitos solicitados pelas novas tecnologias e as habilidades ofertadas pela força de trabalho de um país, sobretudo quando o setor educacional não define políticas que acompanham essa demanda.

    Os autores mostram ainda que tal descompasso limita os ganhos de produtividade na introdução dessas novas tarefas intensivas em tecnologia. Isso acontece porque as novas competências requeridas exigem profissionais altamente qualificados e, portanto, escassos. A um só tempo, os trabalhadores com habilidades substituíveis pela automação podem enfrentar perdas substanciais, enquanto aqueles com habilidades complementares à IA podem se beneficiar, gerando aumento da desigualdade entre e no interior dos países.

    Diante dos desafios e oportunidades trazidos pela IA, é crucial implementar políticas públicas cada vez mais adaptativas. Isso inclui ofertar uma educação focada na capacidade de aprender a aprender ao longo da vida, com o desenvolvimento de competências como letramento digital profundo, pensamento crítico e criativo, resolução de problemas, adaptabilidade e comunicação para lidar com tecnologias que transformam, de forma acelerada, as organizações e seus processos de trabalho. Além disso, os sistemas de proteção social devem proteger os trabalhadores vulneráveis e os que demorarem a realizar uma transição laboral de forma a amortecer e compensar os efeitos negativos da automação no mercado de trabalho. Isso é, particularmente, importante para o contexto brasileiro e latinoamericano.

    Segundo relatório da Cepal, de 2021, o Brasil ainda se encontra em um estágio intermediário de desenvolvimento tecnológico, o mesmo do Leste Europeu e do Oriente Médio. Ou seja, ainda enfrentamos desafios de acesso à internet em diversas regiões no país. Ademais, formamos poucos profissionais em áreas como ciência da computação e investimos relativamente pouco em Pesquisa e Desenvolvimento, o que nos distancia da fronteira em inovação em IA.

    Superar essas lacunas requer um ecossistema de inovação colaborativo entre academia, empresas e governo, a fim de fortalecer o posicionamento estratégico do Brasil nessa agenda. Enfrentar as consequências da IA na contemporaneidade demanda, portanto, educação de qualidade com altas expectativas, qualificação e requalificação profissional e desenvolvimento de habilidades complementares à tecnologia, a fim de maximizar os benefícios dessa revolução tecnológica sem volta. Mas, sobretudo, requer também cuidado e compromisso ético. O avanço dessas tecnologias não pode ocorrer de maneira desregulada e sem que estejamos atentos para proteger a população mais vulnerável de possíveis impactos negativos.


*Economista, superintendente-executivo do Instituto Unibanco e professor associado da Fundação Dom Cabral.

Disponível em: https://oglobo.globo.com/economia/ricardo-henriques/coluna/2023/05/. Acesso em: jan. 2024. [Adaptado]

Considere o período abaixo.


Com o potencial de automatizar atividades cognitivas complexas e eliminar empregos, algo que o economista Joseph Schumpeter chamaria de destruição criativa, a IA, sobretudo a generativa, tem o poder de transformar radicalmente a relação das pessoas com o labor.


Em relação à pontuação, o uso de vírgula(s) está corretamente justificado na opção: 

Alternativas
Q3233623 Português
Viva o Povo Brasileiro


      Eu nasci em Garanhuns. Quando criança, tinha uma boneca de louça francesa, mas ela era muito frágil e eu preferia brincar com as bruxas de pano: esse foi meu primeiro contato com o artesanato do meu povo.
        Para se compreender a obra de arte é preciso primeiro vivenciá-la e, depois, permitir-se a necessária distância crítica. Vivi em meio aos objetos da criatividade popular; sonhava em trocar a ______ (muringa/moringa) por uma geladeira. Mas o tempo foi me mostrando a beleza da sua forma singela e, através da elaboração intelectual deixei de ser apenas consumidora para transformar-me em observadora cultural, não apenas catalogando o universo popular mas buscando, também, valorizar e respeitar os criadores coerentes com o seu mundo e o seu cotidiano.
       O que define o artista é a capacidade de atrelar seu capital cultural ao seu universo social. Os artistas populares são aqueles que ______ (tem / têm) a necessidade de criar e abrir novos caminhos à produção artesanal mais comprometida com as tradições, condição que acaba por definir seu principal caráter. Por isso, se não devemos interferir na produção do artista, podemos definir alguns pontos de ação e de orientação na produção artesanal, visando, inclusive, preservar ______ (a/à) sua qualidade e colaborando na formação de um público consumidor mais sensível, disposto a compreender toda a complexa engrenagem sociocultural que qualquer obra artesanal carrega. (Este texto foi adaptado especificamente para este concurso.


O texto original é de Costa, Janete F. in Arte Popular, Mostra do Redescobrimento – Brasil 500 é Mais – Fundação Bienal de São Paulo, Ano 2000, p.172)
Em relação à pontuação da sentença: “Eu nasci em Garanhuns. Quando criança, tinha uma boneca de louça francesa, mas ela era muito frágil”, analise as afirmativas abaixo.

I. Usa-se o ponto final como indicativo de final de frase declarativa: “Eu nasci em Garanhuns.”
II. Usam-se aspas no início e no final de citações textuais.
III. A vírgula isola o aposto “Garanhuns“.

Estão corretas as afirmativas:
Alternativas
Q3233554 Português
É mito pensar que todos os pobres são empreendedores, diz ganhadora do Nobel de Economia


Uma das mais respeitadas economistas do mundo quando o assunto é pobreza, a francesa Esther Duflo tem gastado muito do seu tempo falando sobre os ricos.

Seja em palestras em que fala de uma “dívida moral” dos bilionários que poluem mais do que ninguém o planeta ou em reuniões do G20, o grupo das maiores economias do mundo, onde tenta convencer governos sobre a criação de um fundo global para o combate às mudanças climáticas. 

Nobel de Economia em 2019, ela quer deixar clara a "dupla crueldade" sobre as alterações no clima do planeta: quem mais polui sofre menos; quem menos polui sofre mais.

Duflo, que foi convidada para ir ao G20 pelo governo do Brasil, esteve no país em junho para explicar a uma plateia formada por estudantes universitários, economistas e autoridades no Sesc 14 Bis, em São Paulo, uma pergunta que a essa altura do texto você já deve estar se perguntando: e de onde viria esse dinheiro?

A economista tem feito campanha por dois caminhos: aumentar o imposto global sobre as maiores empresas multinacionais do mundo (dos atuais 15% para 21%) e uma nova taxa sobre a fortuna das 3 mil pessoas mais ricas.

“Acho que é justo pensar que não é porque um bilionário vive na França que o dinheiro é necessariamente da França para gastar por conta própria. Os produtos deles são vendidos em todo o mundo, são produzidos em todo o mundo. Podemos pensar neste dinheiro como sendo o dinheiro do mundo”, diz em entrevista à BBC News Brasil.

Um dinheiro que, para Duflo, deveria ajudar a reconstruir lugares como o Rio Grande do Sul, devastado pelas enchentes em maio deste ano.

Mas se o assunto climático vem se impondo com a urgência do momento, ainda é seu trabalho sobre a economia dos mais pobres que segue por trás de todo o seu pensamento.

Duflo venceu o Nobel - junto aos economistas Abhijit Banerjeee (seu marido) e Michael Kremer - "por sua abordagem experimental para aliviar a pobreza global, projetando estratégias com o uso uma metodologia semelhante à aplicada em testes clínicos".

Isso é: ir a pequenas comunidades, selecionar aleatoriamente um grupo para aplicar um projeto de política pública e avaliar depois como foram os resultados.

Se positivos, implementar de uma forma mais ampla. Se negativo, tentar de novo. Essa metodologia, aplicada em países como Índia e Quênia, fez com que Duflo derrubasse alguns “mitos” sobre os mais pobres. “A primeira coisa que notei quando desembarquei na Índia é que as pessoas mais pobres vivem vidas muito mais normais do que eu esperava”, relembra a economista sobre o início da carreira há mais de 30 anos.

Em seus experimentos, Duflo mostrou que dar um empréstimo para pessoas muito pobres iniciar um novo negócio não leva a uma melhoria drástica em seu bem-estar.

“É claro que não estamos dizendo que não existem empreendedores genuínos entre os pobres — conhecemos muitas pessoas assim. Mas também há muitos deles que dirigem um negócio condenado a permanecer pequeno e não lucrativo”, escreve em seu livro A Economia dos Pobres (Editora Zahar, 2021).

“Talvez os muitos negócios dos pobres sejam menos um testemunho de seu espírito empreendedor do que um sintoma do fracasso dramático das economias em que vivem em oferecer-lhes algo melhor”

Hoje aos 52 anos, Duflo ainda divide seu tempo como codiretora do Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-pal), um centro de pesquisa global que trabalha para reduzir a pobreza, professora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (o MIT) e presidente da Escola de Economia de Paris.


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy0845rkz 82o#:~:text=%C3%89%20mito%20pensar%20que%20t odos,ganhadora%20do%20Nobel%20de%20Economia& text=Uma%20das%20mais%20respeitadas%20econom istas,tempo%20falando%20sobre%20os%20ricos.)
No trecho: "A economista tem feito campanha por dois caminhos: aumentar o imposto global sobre as maiores empresas multinacionais do mundo (dos atuais 15% para 21%) e uma nova taxa sobre a fortuna das 3 mil pessoas mais ricas."
Qual é a função textual dos parênteses usados após "multinacionais do mundo"?
Alternativas
Q3233552 Português
É mito pensar que todos os pobres são empreendedores, diz ganhadora do Nobel de Economia


Uma das mais respeitadas economistas do mundo quando o assunto é pobreza, a francesa Esther Duflo tem gastado muito do seu tempo falando sobre os ricos.

Seja em palestras em que fala de uma “dívida moral” dos bilionários que poluem mais do que ninguém o planeta ou em reuniões do G20, o grupo das maiores economias do mundo, onde tenta convencer governos sobre a criação de um fundo global para o combate às mudanças climáticas. 

Nobel de Economia em 2019, ela quer deixar clara a "dupla crueldade" sobre as alterações no clima do planeta: quem mais polui sofre menos; quem menos polui sofre mais.

Duflo, que foi convidada para ir ao G20 pelo governo do Brasil, esteve no país em junho para explicar a uma plateia formada por estudantes universitários, economistas e autoridades no Sesc 14 Bis, em São Paulo, uma pergunta que a essa altura do texto você já deve estar se perguntando: e de onde viria esse dinheiro?

A economista tem feito campanha por dois caminhos: aumentar o imposto global sobre as maiores empresas multinacionais do mundo (dos atuais 15% para 21%) e uma nova taxa sobre a fortuna das 3 mil pessoas mais ricas.

“Acho que é justo pensar que não é porque um bilionário vive na França que o dinheiro é necessariamente da França para gastar por conta própria. Os produtos deles são vendidos em todo o mundo, são produzidos em todo o mundo. Podemos pensar neste dinheiro como sendo o dinheiro do mundo”, diz em entrevista à BBC News Brasil.

Um dinheiro que, para Duflo, deveria ajudar a reconstruir lugares como o Rio Grande do Sul, devastado pelas enchentes em maio deste ano.

Mas se o assunto climático vem se impondo com a urgência do momento, ainda é seu trabalho sobre a economia dos mais pobres que segue por trás de todo o seu pensamento.

Duflo venceu o Nobel - junto aos economistas Abhijit Banerjeee (seu marido) e Michael Kremer - "por sua abordagem experimental para aliviar a pobreza global, projetando estratégias com o uso uma metodologia semelhante à aplicada em testes clínicos".

Isso é: ir a pequenas comunidades, selecionar aleatoriamente um grupo para aplicar um projeto de política pública e avaliar depois como foram os resultados.

Se positivos, implementar de uma forma mais ampla. Se negativo, tentar de novo. Essa metodologia, aplicada em países como Índia e Quênia, fez com que Duflo derrubasse alguns “mitos” sobre os mais pobres. “A primeira coisa que notei quando desembarquei na Índia é que as pessoas mais pobres vivem vidas muito mais normais do que eu esperava”, relembra a economista sobre o início da carreira há mais de 30 anos.

Em seus experimentos, Duflo mostrou que dar um empréstimo para pessoas muito pobres iniciar um novo negócio não leva a uma melhoria drástica em seu bem-estar.

“É claro que não estamos dizendo que não existem empreendedores genuínos entre os pobres — conhecemos muitas pessoas assim. Mas também há muitos deles que dirigem um negócio condenado a permanecer pequeno e não lucrativo”, escreve em seu livro A Economia dos Pobres (Editora Zahar, 2021).

“Talvez os muitos negócios dos pobres sejam menos um testemunho de seu espírito empreendedor do que um sintoma do fracasso dramático das economias em que vivem em oferecer-lhes algo melhor”

Hoje aos 52 anos, Duflo ainda divide seu tempo como codiretora do Abdul Latif Jameel Poverty Action Lab (J-pal), um centro de pesquisa global que trabalha para reduzir a pobreza, professora no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (o MIT) e presidente da Escola de Economia de Paris.


(https://www.bbc.com/portuguese/articles/cy0845rkz 82o#:~:text=%C3%89%20mito%20pensar%20que%20t odos,ganhadora%20do%20Nobel%20de%20Economia& text=Uma%20das%20mais%20respeitadas%20econom istas,tempo%20falando%20sobre%20os%20ricos.)
"Duflo, que foi convidada para ir ao G20 pelo governo do Brasil, esteve no país em junho para explicar a uma plateia formada por estudantes universitários, economistas e autoridades no Sesc 14 Bis, em São Paulo, uma pergunta que a essa altura do texto você já deve estar se perguntando: e de onde viria esse dinheiro?"
Qual é a função das vírgulas usadas após "Duflo" e "Brasil"?
Alternativas
Q3233199 Português
A urgente necessidade de aumentar a resiliência cibernética do Brasil


        Nos últimos anos, o Brasil e o mundo têm enfrentado desafios significativos no que diz respeito à segurança cibernética, com ataques frequentes que expõem a premente necessidade de construirmos uma cultura de segurança no ambiente digital. A recente violação ao sistema de pagamentos da União (Sistema Integrado de Administração Financeira — Siafi), cujas suspeitas indicam que houve roubo e uso indevido de credenciais de servidores públicos, resultou no desvio de R$ 3,5 milhões em recursos da União, estimativa atual do governo, e é um dos casos que reforçam a importância de acelerar a implementação de uma política nacional de cibersegurança.

        Essa política deve não apenas estabelecer normas e regulamentações robustas para proteger os sistemas nacionais mas também garantir a construção de uma cultura nacional de proteção no ciberespaço e a rápida atualização das estratégias de defesa em resposta às ameaças emergentes. A resiliência cibernética do Brasil, no cenário digital, depende da capacidade de o país proteger suas infraestruturas críticas e dados sensíveis, como os que foram utilizados nessa violação, contra invasores mal-intencionados.

      Nesse contexto complexo, a atuação da sociedade civil organizada e dos setores produtivos é de extrema relevância, devendo colaborar estreitamente com o Estado em relação às principais demandas deste bem como às preocupações dos cidadãos e dos mais diversos segmentos da economia. A principal colaboração, neste momento, deve se concentrar em garantir insumos ao desenvolvimento da Estratégia Nacional de Cibersegurança. Esse trabalho está sendo realizado pelo Comitê Nacional de Cibersegurança, sob a coordenação do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência da República (GSI).

     Essa prática, que países como EUA, Reino Unido e, mais recentemente, Chile já implementaram, visa fornecer um panorama detalhado dos desafios e das necessidades relacionados à segurança cibernética com olhar multissetorial e sistêmico bem como prioridades e medidas para atendê-los. O objetivo é assegurar que esse documento seja um verdadeiro compromisso nacional abrangente e alinhado com as necessidades reais do país, tanto nos aspectos econômicos e de segurança quanto no aspecto social, uma vez que todos esses ataques têm influência direta sobre os cidadãos.

      Além disso, a relevância do GSI e os investimentos realizados para o fortalecimento da ação da Polícia Federal (PF) são inquestionáveis. O GSI desempenha um papel crucial na coordenação das ações de defesa cibernética em nível nacional, enquanto a PF, com o trabalho imprescindível de investigação, necessita de recursos adicionais (e não de cortes) para expandir sua capacidade tecnológica e operacional. Investir na infraestrutura, capacitação e ferramentas necessárias para essas instituições é essencial para que possam, efetivamente, educar, prevenir, identificar e responder a incidentes cibernéticos.

     A proteção no espaço digital não é apenas uma questão tecnológica, mas, sim, de segurança aos ativos nacionais. O Brasil, ao fortalecer sua infraestrutura cibernética e criar políticas eficazes, não apenas aumenta a própria resiliência mas também contribui para a estabilidade e a busca da segurança global no combate aos cibercriminosos. Portanto, é imperativo que haja um compromisso contínuo e reforçado do governo e de toda a sociedade para enfrentar esses desafios com a seriedade e a urgência que eles requerem.

    Ao considerar o futuro da cibersegurança no Brasil, é fundamental que todas as medidas sejam tomadas não apenas reativamente, mas, principalmente, proativamente. Se queremos vencer essa batalha, precisamos estar sempre um passo à frente dos criminosos cibernéticos, com políticas e práticas que se adaptam, rapidamente, às novas tecnologias e aos métodos de ataque. Para tanto, devemos atuar na construção de uma cultura nacional nesse tema, com a implementação efetiva de uma política de cibersegurança. Só assim, o Brasil poderá assegurar a integridade de sua infraestrutura crítica e a proteção de seus cidadãos no ambiente digital. 

Disponível em: https ://www.correiobraz iliense.com.br. Aces so em: 07 maio 2024. [Adaptado] 
A recente violação ao sistema de pagamentos da União (Sistema Integrado de Administração Financeira — Siafi), cujas suspeitas indicam que[1] houve roubo e uso indevido de credenciais de servidores públicos, resultou no desvio de R$ 3,5 milhões em recursos da União, estimativa atual do governo, e é um dos casos que[2] reforçam a importância de acelerar a implementação de uma política nacional de cibersegurança.

Considerando a pontuação do português escrito padrão, quanto ao emprego das vírgulas,
Alternativas
Q3233079 Português

Poesia e ciência

 

É comum se dizer que poucas atividades criativas são tão antagônicas quanto a poesia e a ciência. Enquanto uma expressa uma visão subjetiva e emocional do mundo, a outra expressa uma visão universal e racional. Enquanto uma é produto de inspiração e lirismo, a outra o é de dedução e análise. A obra de certos poetas, no entanto, além de extremamente técnica, mostra uma profunda apreciação da visão científica prevalecente na época.

 

Como exemplo, tenho em mente o poeta romano Lucrécio, que viveu aproximadamente 96 e 55 a.C.e Em um mundo completamente dominado por religiões politeístas, baseadas em ritos pagãos, a voz de Lucrécio soa como uma verdadeira luz nas trevas, uma proclamação contra o medo criado pela ignorância e pela obediência cega à autoridade O poeta convida seus leitores a olhar para o mundo e seus mistérios através da razão, argumentando que esse é o único caminho para a nossa liberação. Eis um exemplo, livremente parafraseado:

 

“Quando a vida humana, arrastando-se pela Terra, era esmagada pelas crendices, um homem grego pela primeira vez alçou bravamente seus olhos mortais contra esses tormentos |...) Sua força era a mente, que ele usou para explorar a vasta imensidão do espaço, trazendo-nos novas do que é ou não é possível, limites ou fronteiras forjadas para sempre. As crendices, assim, foram controladas e, desde então, nós podemos alcançar as estrelas”.

 

Dois mil anos após serem escritos, os versos de Lucrécio ecoam com incrível modernidade. Na passagem de mais um milênio*, quando muitos sentem-se vulneráveis perante as várias profecias apocalípticas, sugiro uma nova leitura de Lucrécio, posta da ciência e da lucidez apaixonada.

 

* Este texto foi publicado em 1988.

 

(Adaptado de GLEISER, Marcela. Retalhos cósmicos. São Paulo. Companhia das Letras, 1999, p. 21-22)

Está plenamente adequada a pontuação da seguinte frase;
Alternativas
Q3232679 Português
A não-aceitação

    Desde que começou a envelhecer realmente começou a querer ficar em casa. Parece-me que achava feio passear quando não se era mais jovem: o ar tão limpo, o corpo sujo de gordura e rugas. Sobretudo a claridade do mar como desnuda. Não era para os outros que era feio ela passear, todos admitem que os outros sejam velhos. Mas para si mesma. Que ânsia, que cuidado com o corpo perdido, o espírito aflito nos olhos, ah, mas as pupilas essas límpidas.
    Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta. Agora, quando se vê sem querer ao espelho, quase grita horrorizada: mas eu não estava pensando nisso! Embora fosse impossível e inútil dizer em que rosto parecia pensar, e também impossível e inútil dizer no que ela mesma pensava.
    Ao redor as coisas frescas, uma história para a frente, e o vento, o vento... Enquanto seu ventre crescia e as pernas engrossavam, e os cabelos se haviam acomodado num penteado natural e modesto que se formara sozinho.


(LISPECTOR, Clarice. A descoberta do mundo. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1984. p. 291.)
No trecho “Outra coisa: antigamente no seu rosto não se via o que ela pensava, era só aquela face destacada, em oferta.” (2º§), os dois-pontos foram empregados para: 
Alternativas
Q3232670 Português
Crônica de um amor anunciado

   Toda pessoa apaixonada é um publicitário em potencial. Não anuncia cigarros, hidratantes ou máquinas de lavar, mas anuncia seu amor, como se vivê-lo em segredo diminuísse sua intensidade.
    O hábito começa na escola. O caderno abarrotado de regras gramaticais, fórmulas matemáticas e lições de geografia, e lá, na última página, centenas de corações desenhados com caneta vermelha. Parece aula de ciências, mas é introdução à publicidade. Em breve se estará desenhando corações em árvores, escrevendo atrás da porta do banheiro e grafitando a parede do corredor: Suzana ama João.
    A partir de uma certa idade, a veia publicitária vai tornando-se mais discreta. Já não anunciamos nossa paixão em muros e bancos de jardim. Dispensa-se a mídia de massa e parte-se para o telemarketing. Contamos por telefone mesmo, para um público selecionado, as últimas notícias da nossa vida afetiva. Mas alguns não resistem em seguir propagando com alarde o seu amor. Colocam anúncios de verdade no jornal, geralmente nos classificados: Kika, te amo. Beto, volta pra mim?! Everaldo, não me deixe por essa loira de farmácia. Joana, foi bom pra você também?
    O grau máximo de profissionalismo é atingido quando o apaixonado manda colocar sua mensagem num outdoor em frente à casa da pessoa amada. O recado é para ela, mas a cidade inteira fica sabendo que alguém está tentando recuperar seu amor. Em grau menor de assiduidade, há casos em que apaixonados mandam despejar de um helicóptero pétalas de rosas no endereço do namorado, ou gastam uma fortuna para que a fumaça de um avião desenhe as iniciais do casal no céu. A criatividade dos amantes é infinita.
    O amor é uma coisa íntima, mas todos nós temos a necessidade de torná-lo público. É a nossa vitória contra a solidão. Assim como as torcidas de futebol comemoram seus títulos com buzinaços, foguetório e cantorias, queremos também alardear nossa conquista pessoal, dividir a alegria de ter alguém que faz nosso coração bater mais forte. É por isso que, mesmo não sendo adepta do estardalhaço, me consterno por aqueles que amam escondido, amam em silêncio, amam clandestinamente. Mesmo que funcione como fetiche, priva o prazer de ter um amor compartilhado.

(Martha Medeiros. Disponível em: http://pensador.uol.com.br/cronicas_de_marta_medeiros_sobre_amor/. Acesso em: outubro de 2024.)
No 3º§ do texto, a autora emprega o sinal de interrogação em alguns momentos; esse sinal gráfico, quando utilizado:
Alternativas
Q3232628 Português
Leia o Texto I e responda à questão:

Texto I

APRENDA A CHAMAR A POLÍCIA

    Eu tenho o sono muito leve, e numa noite dessas notei que havia alguém andando sorrateiramente no quintal de casa. Levantei em silêncio e fiquei acompanhando os leves ruídos que vinham lá de fora, até ver uma silhueta passando pela janela do banheiro. Como minha casa era muito segura, com grades nas janelas e trancas internas nas portas, não fiquei muito preocupado, mas era claro que eu não ia deixar um ladrão ali, espiando tranquilamente.
    Liguei baixinho para a polícia, informei a situação e o meu endereço.
    Perguntaram-me se o ladrão estava armado ou se já estava no interior da casa.
    Esclareci que não e disseram-me que não havia nenhuma viatura por perto para ajudar, mas que iriam mandar alguém assim que fosse possível.
    Um minuto depois, liguei de novo e disse com a voz calma:
    — Oi, eu liguei há pouco porque tinha alguém no meu quintal. Não precisa mais ter pressa. Eu já matei o ladrão com um tiro de escopeta calibre 12, que tenho guardada em casa para estas situações. O tiro fez um estrago danado no cara!
    Passados menos de três minutos, estavam na minha rua cinco carros da polícia, um helicóptero, uma unidade do resgate, uma equipe de TV e a turma dos direitos humanos, que não perderiam isso por nada neste mundo.
    Eles prenderam o ladrão em flagrante, que ficava olhando tudo com cara de assombrado. Talvez ele estivesse pensando que aquela era a casa do Comandante da Polícia.
    No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:
    — Pensei que tivesse dito que tinha matado o ladrão. Eu respondi:
    — Pensei que tivesse dito que não havia ninguém disponível.


VERÍSSIMO, Luís Fernando. Aprenda a chamar a polícia. Disponível em: https://armazemdetexto.blogspot.com/2020/07/cronica-aprenda-chamar-policia-Aprenda a chamar a polícia. luis.html. Acesso em: 18 set. 2024.
Na passagem “No meio do tumulto, um tenente se aproximou de mim e disse:”, os dois-pontos foram empregados para:
Alternativas
Ano: 2024 Banca: VUNESP Órgão: UNESP Prova: VUNESP - 2024 - UNESP - Motorista |
Q3232531 Português
Leia o texto para responder à questão.

Cuidado!

    Se você viu o título desta coluna e imaginou ler um alerta importante, acertou... mas só pela metade. Existe algo que merece, sem dúvida, nossa atenção especial. Estou falando de cuidado, a gentileza com as pessoas, a responsabilidade assumida com alguém ou o carinho e a atenção de fazer o melhor que podemos fazer.
    No meu trabalho, equilibrar arrojo com cautela em relação às informações é essencial para prover conteúdo e análises bem fundamentados, úteis, atualizados e práticos. Esse zelo com o que faço é mais do que uma mera questão de profissionalismo. É respeito com quem dedica tempo e atenção para consumir o conteúdo que produzo. O cuidado que coloco em cada palestra, em cada post em minhas redes sociais é percebido e valorizado. E isso se reflete na confiança que as pessoas depositam em mim. O maior valor do cuidado é interno, não externo. Ou seja, quem cuida do que faz cuida, acima de tudo, de si próprio. Fazer com cuidado traz um sentimento de missão cumprida, de fazer a sua parte.
    Empresas que abraçam os princípios – cuidado com o meio ambiente, com a sociedade e com as próprias empresas – não só contribuem para um mundo melhor, mas também inspiram mais confiança e admiração de clientes. Vivemos um paradoxo interessante: enquanto os valores nas empresas se consolidam, vemos uma nova geração entrando no mercado de trabalho com uma esperança quase cega na tecnologia, especialmente na inteligência artificial. Muitos jovens imaginam que, como a inteligência artificial poderá fazer “tudo”, eles não precisam se dedicar com o mesmo empenho a realizar e aprender tarefas que ficarão obsoletas.
    Ledo engano. A inteligência artificial veio para ficar e mudar nossa forma de viver e trabalhar, mas o cuidado, o capricho e a dedicação são exatamente os elementos humanos que não serão substituídos por máquinas. São a atenção aos detalhes, a responsabilidade e a gentileza que fazem toda a diferença tanto na vida profissional quanto na pessoal. O que não vai mudar, independentemente de qualquer revolução tecnológica, o que nunca perde o valor é o cuidado. Portanto, cuidado com o cuidado.

(Ricardo Amorim, O Estado de S.Paulo, 24 de julho de 2024. Adaptado)
Assinale a alternativa em que a frase do texto reescrita está correta quanto ao emprego de vírgula(s).
Alternativas
Q3232029 Português
ANTIGUIDADES 


Quando eu era menina
bem pequena,
em nossa casa,
certos dias da semana
se fazia um bolo,
assado na panela.
(...)


Era um bolo econômico,
como tudo, antigamente.
Pesado, grosso, pastoso.
(Por sinal que muito ruim.) 


Eu era menina em crescimento.
Gulosa,
abria os olhos para aquele bolo
que me parecia tão bom
e tão gostoso.


A gente mandona lá de casa
cortava aquele bolo
com importância.
Com atenção. Seriamente.
Eu presente.
Com vontade de comer o bolo todo. 


Era só olhos e boca e desejo
daquele bolo inteiro.
Minha irmã mais velha
governava. Regrava.
Me dava uma fatia,
tão fina, tão delgada…
E fatias iguais às outras manas.
E que ninguém pedisse mais!
E o bolo inteiro,
quase intangível,
se guardava bem guardado,
com cuidado,
num armário, alto, fechado,
impossível. 


Era aquilo, uma coisa de respeito.
Não pra ser comido
assim, sem mais nem menos.
Destinava-se às visitas da noite,
certas ou imprevistas.
Detestadas da meninada. 


Criança, no meu tempo de criança,
não valia mesmo nada. 
A gente grande da casa
usava e abusava
de pretensos direitos
de educação.
(…)


Quando não,
sentada no canto de castigo
fazendo trancinhas,
amarrando abrolhos.
“Tomando propósito”.
Expressão muito corrente e pedagógica. Aquela
gente antiga,
passadiça, era assim:
severa, ralhadeira. 


Não poupava as crianças.
Mas, as visitas…
– Valha-me Deus!…
As visitas…
Como eram queridas,
recebidas, estimadas,
conceituadas, agradadas! 


Era gente superenjoada.
Solene, empertigada.
De velhas conversas
que davam sono.
Antiguidades… 


Até os nomes, que não se percam:
D. Aninha com Seu Quinquim.
D. Milécia, sempre às voltas
com receitas de bolo, assuntos
de licores e pudins.
D. Benedita com sua filha Lili.
D. Benedita – alta, magrinha.
Lili – baixota, gordinha.
Puxava de uma perna e fazia crochê.
E, diziam dela línguas viperinas:
“- Lili é a bengala de D. Benedita”.
Mestre Quina, D. Luisalves,
Saninha de Bili, Sá Mônica.
Gente do Cônego Padre Pio. 


D. Joaquina Amâncio…
Dessa então me lembro bem.
Era amiga do peito de minha bisavó.
Aparecia em nossa casa
quando o relógio dos frades
tinha já marcado 9 horas
e a corneta do quartel, tocado silêncio.
E só se ia quando o galo cantava. 
como era de bom-tom,
se revezava fazendo sala.
(…) 


D. Joaquina era uma velha
grossa, rombuda, aparatosa.
Esquisita.
Demorona.
Cega de um olho.
Gostava de flores e de vestido novo.
Tinha seu dinheiro de contado.
Grossas contas de ouro
no pescoço. 


Anéis pelos dedos.
Bichas nas orelhas.
Pitava na palha.
Cheirava rapé.
E era de Paracatu.
O sobrinho que a acompanhava,
enquanto a tia conversava
contando “causos” infindáveis,
dormia estirado
no banco da varanda.
Eu fazia força de ficar acordada
esperando a descida certa
do bolo
encerrado no armário alto.
E quando este aparecia,
vencida pelo sono já dormia.
E sonhava com o imenso armário
cheio de grandes bolos
ao meu alcance.
(…)  


Coralina, Cora. Disponível em: https://poemassemerros.wordpress.com/coracoralina-poemas/ (Adaptado) 
Os parênteses empregados no verso “(Por sinal que muito ruim.)” justificam-se, pois isolam um (a): 
Alternativas
Q3231628 Português

O futebol no meio da relação



No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.


Eu brinquei:


— Então, é Coelho?


Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.


Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.


Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.


Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.


Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.


O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.


Eu disse:


— Não posso!


Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.


Ela não compreendeu a rejeição:


— Não? Por quê? Tem compromisso?


Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:


— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?


Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.


Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".


Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.


Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:


— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?


— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...


— Assiste todos?


— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.


— Mas não sobrará tempo para nada.


— Pois é, eu precisava desabafar!


— Você não é fanático, você é louco!


Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.


A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.



Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar

Na frase "No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético" a vírgula foi utilizada para isolar:
Alternativas
Q3231583 Português

Uma palavrinha



Uma senhora chegou perto de mim enquanto eu almoçava com a minha esposa no restaurante O Italiano. Pensei que quisesse uma selfie. Nada a ver, não era tietagem. Você se sente ainda mais anônimo quando deduz equivocadamente que alguém o reconheceu. A confusão levou-me a um profundo constrangimento.


Ela pediu uma palavrinha comigo.


Beatriz estranhou: que ser era aquele que aparecia de paraquedas, de repente, e solicitava uma conversa a sós com o marido?


A senhora unicamente me perguntou:


— Separar-se é complicado, não é?


E saiu. Foi embora. Largou a pergunta, a encomenda, a bomba reflexiva, e seguiu o seu rumo como um fantasma, entre mesas e mesas lotadas naquele domingo ensolarado. Sequer aguardou a minha resposta. Acabou sendo um consultório sentimental incidental.


Separar-se não é virar as costas, mas enfrentar de olhos arregalados uma mudança. Por isso é tão difícil. É mudar de casa, mudar de cenário, mudar de vida.


É ter que lidar com a frustração dos parentes que haviam se apegado à companhia de tanto tempo. É perder igualmente a família do par − o sogro, a sogra, os cunhados, os enteados.


É aguentar a saudade do que foi bom, o arrependimento do que foi ruim e, além disso, a tristeza do futuro irrealizado − os objetivos do casal que nunca serão alcançados, confinados nos rascunhos hipotéticos dos sonhos.

Separar-se, portanto, exige uma coragem monstruosa. É quando vocês não têm mais opção, não suportam mais se anular por alguém, não consegue mais ceder nada, restando apenas salvar a si mesmo.


Jamais diga a qualquer pessoa que se separar é fácil. É um desserviço. Pode ser necessário, a única saída, mas é duro. Pode ser imprescindível, mas é desolador.


Não é uma chave que você vira na porta, é uma chave que você devolve.


Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.


https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/6/7/uma-pa lavrinha 

Na frase "Beatriz estranhou: que ser era aquele que aparecia de paraquedas, de repente, e solicitava uma conversa a sós com o marido?", os dois-pontos foram usados para anunciar um(a):
Alternativas
Q3230736 Português
Assinale a alternativa que não apresenta erro de pontuação.
Alternativas
Q3230406 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


O futebol no meio da relação


No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético.

Eu brinquei:

— Então, é Coelho?

Ela riu, também não era adepta do simpático time do América.

Fiquei com aquela informação na cabeça: ela não gosta de futebol. Nem todos têm um time para chamar de seu.

Mas não comentei mais nada dali em diante. Paixão é greve de personalidade. O futebol desapareceu para mim no primeiro mês de namoro. Estava apaixonado. Só queria saber dela, de sair com ela.

Beatriz, por sua vez, achou que eu fosse um gentleman, um intelectual: poeta, pensador, autor de livros sobre relacionamentos e sobre a finitude da vida. Supôs que, nas horas vagas, eu privilegiaria livros, filmes, artes plásticas. Jamais cogitou a hipótese de que eu seria um fanático do esporte ou de um clube.

Quando visitamos Porto Alegre, minha cidade, já com seis meses de relacionamento, ela demonstrou seu interesse em conhecer a Fundação Iberê Camargo de tarde.

O amor já tinha chegado em mim. Amar é mostrar que você tem um mundo pretérito às afinidades momentâneas de casal.

Eu disse:

— Não posso!

Foi o meu "não" inicial no romance, o "não" fundador. Reuni as minhas forças para estrear a negativa.

Ela não compreendeu a rejeição:

— Não? Por quê? Tem compromisso? Não queria que entendesse que estava fazendo pouco caso, tratei logo de explicar:

— Hoje tem jogo do Inter no Beira-Rio, não posso perder, quer vir junto?

Logo estendi uma camiseta vermelha com o nome dela nas costas, que eu recém havia comprado.

Ela ficou pálida, talvez tenha raciocinado com um frio na barriga: "onde eu me meti?".

Esclareci que era colorado doente, cônsul do Inter, ia em todos os jogos.

Ela estava com a boca aberta, de queixo caído:

— Então, você é daqueles que não deixam de assistir um jogo, que desmarcam qualquer evento?

— Sim. E não esqueça que são vários campeonatos: Brasileirão, Sul-Americana ou Libertadores, Copa do Brasil, Gauchão...

— Assiste todos?

— E mais: seco os meus rivais. Ou melhor, lavo, seco e passo os meus adversários.

— Mas não sobrará tempo para nada.

— Pois é, eu precisava desabafar!

— Você não é fanático, você é louco!

Depois, descobri com sua melhor amiga que ela tinha um único pré-requisito para um partidão: que ele não gostasse de futebol.

A vida não é perfeita, Beatriz, mas nosso amor é, dentro do possível, de acordo com o calendário da CBF e Conmebol.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar
Na frase "No nosso primeiro encontro, Beatriz falou que não era Cruzeiro nem Atlético" a vírgula foi utilizada para isolar: 
Alternativas
Q3230372 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Uma palavrinha


Uma senhora chegou perto de mim enquanto eu almoçava com a minha esposa no restaurante O Italiano. Pensei que quisesse uma selfie. Nada a ver, não era tietagem. Você se sente ainda mais anônimo quando deduz equivocadamente que alguém o reconheceu. A confusão levou-me a um profundo constrangimento.

Ela pediu uma palavrinha comigo.

Beatriz estranhou: que ser era aquele que aparecia de paraquedas, de repente, e solicitava uma conversa a sós com o marido?

A senhora unicamente me perguntou:

— Separar-se é complicado, não é?

E saiu. Foi embora. Largou a pergunta, a encomenda, a bomba reflexiva, e seguiu o seu rumo como um fantasma, entre mesas e mesas lotadas naquele domingo ensolarado. Sequer aguardou a minha resposta. Acabou sendo um consultório sentimental incidental.

Separar-se não é virar as costas, mas enfrentar de olhos arregalados uma mudança. Por isso é tão difícil. É mudar de casa, mudar de cenário, mudar de vida.

É ter que lidar com a frustração dos parentes que haviam se apegado à companhia de tanto tempo. É perder igualmente a família do par − o sogro, a sogra, os cunhados, os enteados.

É aguentar a saudade do que foi bom, o arrependimento do que foi ruim e, além disso, a tristeza do futuro irrealizado − os objetivos do casal que nunca serão alcançados, confinados nos rascunhos hipotéticos dos sonhos.

Separar-se, portanto, exige uma coragem monstruosa. É quando vocês não têm mais opção, não suportam mais se anular por alguém, não consegue mais ceder nada, restando apenas salvar a si mesmo.

Jamais diga a qualquer pessoa que se separar é fácil. É um desserviço. Pode ser necessário, a única saída, mas é duro. Pode ser imprescindível, mas é desolador.

Não é uma chave que você vira na porta, é uma chave que você devolve.

Fabrício Carpinejar - Texto Adaptado.

https://www.otempo.com.br/opiniao/fabricio-carpinejar/2024/6/7/uma-pa lavrinha
Na frase "Beatriz estranhou: que ser era aquele que aparecia de paraquedas, de repente, e solicitava uma conversa a sós com o marido?", os dois-pontos foram usados para anunciar um(a): 
Alternativas
Q3229639 Português
Referindo-se à pontuação, marque a alternativa inexata.
Alternativas
Q3229128 Português
Identifique o trecho que apresenta o emprego da vírgula de forma INCORRETA:
Alternativas
Respostas
2661: A
2662: C
2663: A
2664: D
2665: A
2666: B
2667: A
2668: A
2669: B
2670: D
2671: C
2672: A
2673: A
2674: C
2675: B
2676: A
2677: A
2678: B
2679: B
2680: C