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"A despeito do possessivo na expressão nossa terra, não acredito que esta ‘terra’ de que estejam falando seja mais dócil ao instituto da propriedade e à medição e delimitação que ele implica. As imagens — legais ou científicas — de terra como bem imóvel ou substrato físico são analogias muito pobres para a compreensão do que está em jogo para os Kisêdjê” (Coelho de Souza, 2017, p. 123).
A "terra intangível" para o povo Kisêdjê pode ser compreendida como:
"O carnaval produz uma realidade que desfaz o dia a dia em um processo violento de individualização” (Peirano, 2003, p. 26).
De acordo com essa análise, o principal efeito do carnaval na sociedade brasileira consiste em:
"O xamã caracteriza-se por possuir dois corpos simultâneos: um corpo humano visível pelos Wari', que se relaciona com eles normalmente, como membro de sua sociedade, e um corpo animal que ele percebe como humano, e que se relaciona com os demais animais daquela espécie também como membro da sua sociedade, que é como a sociedade Wari’" (Vilaça, 2000, p. 63).
Com base na explicação de Aparecida Vilaça, é correto afirmar que:
"Do ponto de vista do observador, a ‘casa de morada’, a terra e a proteção constituíam obrigações patronais, assim como não trabalhar fora e ser leal ao patrão correspondiam a obrigações dos moradores. Para esses, apenas as suas obrigações eram percebidas enquanto tais. As do patrão eles representavam como dons, como sinais de sua bondade, e sentiam-se, portanto, devedores. Desincumbir-se com afinco de suas obrigações era a forma de retribuir. De sua parte, o patrão se concebia como um doador: aquilo que concedia ao seu morador atestava apenas a sua generosidade e não era vivido como uma obrigação. Ser generoso era um valor e o prestígio dos patrões se media pelos sinais exteriores de sua magnanimidade. O não cumprimento de suas obrigações punha em risco o prestígio do patrão perante os pares e os moradores e configurava uma dívida, ainda que ele não se concebesse como um devedor” (Sigaud, 2012, p. 130).
A teoria das trocas que embasa a descrição e a análise da autora é:
"Um entendimento mais ‘completo’ de por que esse ‘jogo de força’ passa pelos comícios e não por outras formas de ajuntamento ou de comunicação política supõe uma análise tão exaustiva quanto possível desse ritual, situando-o no contexto em que ele é posto pelos que o realizam” (Palmeira e Heredia, 1995, p. 37).
Analisar os comícios como rituais implica discutir:
"O método requererá o esforço de não enfrentar em separado, por exemplo, a análise da questão da água da discussão das questões fundiárias, de articular a caracterização das dimensões físico-materiais com a explicitação das dimensões simbólicas associadas aos modos de representar o ‘meio’, ambos elementos indissociáveis na explicação das estratégias dos diferentes atores envolvidos nos processos conflitivos em causa” (Acselrad, 2004, p. 10-11).
Como outros autores dedicados à antropologia do meio ambiente, Acselrad propõe que:
“Questionar conceitos como 'clientelismo’ é deixar de tomar esse modelo como ponto de partida; é não considerar universais termos como, por exemplo, ‘individualismo’, ‘representação’ e ‘domínio público’; é, finalmente, perceber que o universalismo é um valor inspirado no paradigma da modernização, na crença de que a imparcialidade e a objetividade devem prevalecer sobre as emoções e a subjetividade” (Kuschnir, 2007, p. 165-166).
A contribuição da antropologia para a compreensão da política é: