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Durante aula sobre argumentação filosófica, um professor apresenta aos estudantes o seguinte texto de um aluno:
"Eutanásia deveria ser legalizada. Muitas pessoas sofrem dores insuportáveis em doenças terminais. É cruel prolongar sofrimento desnecessário. Países como Holanda e Bélgica já legalizaram. Portanto, deveríamos seguir esse exemplo."
O professor solicita que os estudantes identifiquem: (1) a tese defendida, (2) os argumentos oferecidos, (3) distinção entre premissas factuais e normativas, e (4) lacunas argumentativas.
Assinale a alternativa que apresenta a identificação correta.
Leia o seguinte fragmento de Heráclito (DK B50):
“É sábio dizer, ouvindo não a mim, mas ao logos, que tudo é um.”
Um professor solicita aos estudantes que interpretem criticamente essa passagem, considerando o uso de recursos retóricos e o problema filosófico central. Três estudantes apresentam as seguintes leituras:
Estudante 1: "Heráclito usa paradoxo retórico ao dizer 'ouvindo não a mim', criando tensão entre autoridade do filósofo e autoridade do Logos, sugerindo que verdade transcende porta-vozes individuais."
Estudante 2: "A tese 'tudo é um' significa que não existem diferenças reais no mundo, sendo a multiplicidade ilusão dos sentidos, como defenderia Parmênides."
Estudante 3: "O fragmento expressa questão epistemológica: como distinguir conhecimento verdadeiro (Logos) de opiniões particulares (mim)? A unidade referida pode ser entendida como princípio ordenador subjacente à aparente multiplicidade."
Sobre as interpretações dos estudantes é correto afirmar que:
Um professor de Filosofia propõe aos estudantes a leitura da Alegoria da Caverna, de Platão, com o objetivo de desenvolver competências próprias da leitura filosófica, como a identificação de tema e tese, a distinção entre elementos narrativos e conceituais e a reconstrução da estrutura argumentativa do texto.
Considerando esses objetivos, qual estratégia pedagógica revela uma compreensão consistente da especificidade da leitura filosófica, evitando tanto a redução do texto a mera narrativa quanto a projeção subjetiva de interpretações desvinculadas do argumento?
Em investigações científicas, jurídicas e diagnósticas, frequentemente empregamos um tipo de raciocínio descrito por Charles Sanders Peirce como "abdução" ou "inferência para a melhor explicação". Sobre esse assunto, considere o caso a seguir.
Um médico observa que seu paciente apresenta febre alta, tosse seca, dificuldade respiratória e fadiga extrema. Considerando o contexto epidemiológico local e o padrão sintomatológico, o médico infere que a melhor explicação para esse conjunto de sintomas é uma infecção viral respiratória específica, embora outros diagnósticos sejam possíveis.
Sobre a estrutura lógica do raciocínio abdutivo ilustrado, qual alternativa apresenta caracterização correta?
Analise o seguinte argumento apresentado em um debate político.
"O senador Silva defende a reforma tributária. Ora, o senador Silva foi acusado de corrupção em 2018. Portanto, a reforma tributária proposta por ele não merece nossa confiança."
Sobre a estrutura lógica e validade deste argumento, assinale a alternativa correta.
A epistemóloga feminista Lorraine Code problematiza a noção tradicional de conhecimento como crença verdadeira justificada, argumentando que o modelo epistemológico dominante pressupõe um sujeito cognoscente abstrato, desincorporado e descontextualizado. Code propõe que consideremos seriamente a pergunta "quem conhece?" em vez de focar somente em "o que é conhecido?".
A partir dessa perspectiva, qual crítica emerge em relação às teorias epistemológicas clássicas?
No contexto dos debates contemporâneos sobre epistemologia social e construção do conhecimento, a filósofa Miranda Fricker desenvolveu o conceito de "injustiça epistêmica". Nesse sentido, considere a situação a seguir.
Durante décadas, mulheres que relatavam experiências de assédio sexual no ambiente de trabalho tinham suas narrativas sistematicamente desacreditadas ou minimizadas. Além disso, a ausência de um vocabulário conceitual adequado e socialmente legitimado para nomear essas experiências dificultava tanto a articulação individual dessas vivências quanto o reconhecimento coletivo do fenômeno.
Qual alternativa interpreta adequadamente essa situação à luz da teoria de Fricker sobre as dimensões sociais da produção de conhecimento?
Considere o excerto abaixo:
“[...] finalidade da filosofia é o esclarecimento lógico dos pensamentos. A filosofia não é teoria mas atividade. Uma obra filosófica consiste essencialmente em comentários. A filosofia não resulta em ‘proposições filosóficas’ mas em tornar claras as proposições.”
Referência: Ludwig Wittgenstein, Tractatus Logico-Philosophicus, 4.112.
A partir da citação, identifique a alternativa que explicita a distinção fundamental entre a atividade filosófica e a atividade científica segundo essa perspectiva.
A compreensão contemporânea da ciência como um processo histórico e socialmente situado encontra um de seus fundamentos mais consistentes na abordagem histórico-epistemológica de Thomas Kuhn. Sobre esse assunto, julgue as sentenças abaixo como VERDADEIRAS (V) ou FALSAS (F).
(__) O conceito central no pensamento de Kuhn é o de paradigma, entendido não apenas como um conjunto de teorias formais, mas como uma matriz disciplinar mais ampla que engloba métodos de investigação, critérios de validação, instrumentos técnicos, valores epistêmicos e exemplos consagrados de solução de problemas.
(__) Para Kuhn, a substituição de um paradigma por outro não ocorre por simples critérios lógicos ou empíricos isolados, mas envolve processos complexos de convencimento, disputa intelectual, reorganização institucional e redefinição de valores científicos.
(__) Kuhn enfatiza o papel da observação sistemática e da experimentação como base do conhecimento, defendendo uma ciência orientada pela indução e pelo controle empírico dos fenômenos.
Assinale a alternativa que indica a sequência correta.
No contexto das metodologias ativas aplicadas ao ensino de Filosofia no Ensino Médio, analise as afirmativas a seguir.
I. As metodologias ativas deslocam o estudante de uma posição predominantemente receptiva para uma participação mais investigativa, favorecendo o desenvolvimento da argumentação, da problematização e do pensamento crítico filosófico.
II. A utilização de metodologias ativas no ensino de Filosofia pressupõe a mediação docente intencional, responsável por orientar o debate conceitual e evitar a fragmentação ou superficialidade das discussões.
III. As metodologias ativas eliminam a necessidade de conteúdos filosóficos sistematizados, uma vez que a experiência prática dos estudantes é suficiente para a construção do conhecimento filosófico.
IV. Estratégias como estudos de caso, debates orientados, projetos investigativos e aprendizagem baseada em problemas podem favorecer a articulação entre conceitos filosóficos e questões contemporâneas vivenciadas pelos estudantes.
Está correto o que se afirma em:
René Descartes. Princípios de filosofia. João Gama (Trad.). Lisboa: Edições 70, 1997 [1644], p. 30.
A partir desse fragmento da obra Princípios de filosofia, de René Descartes, assinale a opção correta acerca da filosofia cartesiana.
( ) As sociedades abertas caracterizam-se pela imprevisibilidade, exigindo que o conhecimento não se apoie em certezas rígidas.
( ) A construção do conhecimento deve basear-se em programas fixos e estáveis, adequados a percursos previamente determinados.
( ) A volatilidade e o acaso são vistos como obstáculos que devem ser eliminados para garantir a linearidade do processo de conhecer.