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Leia a crônica de Rubem Braga.
MAR
A primeira vez que eu vi o mar eu não estava sozinho. Estava no meio de um bando enorme de meninos. Nós tínhamos viajado para ver o mar. No meio de nós havia apenas um menino que já o tinha visto. Ele nos contava que havia três espécies de mar: o mar mesmo, a maré, que é menor que o mar, e a marola, que é menor que a maré. Logo a gente fazia ideia de um lago enorme e duas lagoas. Mas o menino explicava que não. O mar entrava pela maré e a maré entrava pela marola. A marola vinha e voltava. A maré enchia e vazava. O mar às vezes tinha espuma e às vezes não tinha. Isso perturbava ainda mais a imagem. Três lagoas mexendo, esvaziando e enchendo, com uns rios no meio, às vezes uma porção de espumas, tudo isso muito salgado, azul, com ventos.
Fomos ver o mar. Era de manhã, fazia sol. De repente houve um grito: o mar! Era qualquer coisa de largo, de inesperado. Estava bem verde perto da terra, e mais longe estava azul. Nós todos gritamos, numa gritaria infernal, e saímos correndo para o lado do mar. As ondas batiam nas pedras e jogavam espuma que brilhava ao sol. Ondas grandes, cheias, que explodiam com barulho. Ficamos ali parados, com a respiração apressada, vendo o mar…
Depois o mar entrou na minha infância e tomou conta de uma adolescência toda, com seu cheiro bom, os seus ventos, suas chuvas, seus peixes, seu barulho, sua grande e espantosa beleza. Um menino de calças curtas, pernas queimadas pelo sol, cabelos cheios de sal, chapéu de palha. Um menino que pescava e que passava horas e horas dentro da canoa, longe da terra, atrás de uma bobagem qualquer – como aquela caravela de franjas azuis que boiava e afundava e que, afinal, queimou sua mão… Um rapaz de 14 ou 15 anos que nas noites de lua cheia, quando a maré baixa e descobre tudo e a praia é imensa, ia na praia sentar numa canoa, entrar numa roda, amar perdidamente, eternamente, alguém que passava pelo areal branco e dava boa noite… Que andava longas horas pela praia infinita para catar conchas e búzios crespos e conversava com os pescadores que consertavam as redes. Um menino que levava na canoa um pedaço de pão e um livro, e voltava sem estudar nada, com vontade de dizer uma porção de coisas que não sabia dizer – que ainda não sabe dizer.
Mar maior que a terra, mar do primeiro amor, mar dos pobres pescadores maratimbas, mar das cantigas do Catambá, mar das festas, mar terrível daquela morte que nos assustou, mar das tempestades de repente, mar do alto e mar da praia, mar de pedra e mar do mangue… A primeira vez que saí sozinho numa canoa parecia ter montado num cavalo bravo e bom, senti força e perigo, senti orgulho de embicar numa onda um segundo antes da arrebentação. A primeira vez que estive quase morrendo afogado, quando a água batia na minha cara e a corrente do “arrieiro” me puxava para fora, não gritei nem fiz gestos de socorro; lutei sozinho, cresci dentro de mim mesmo. Mar suave e oleoso, lambendo o batelão. Mar dos peixes estranhos, mar virando a canoa, mar das pescarias noturnas de camarão para isca. Mar diário e enorme, ocupando toda a vida, uma vida de bamboleio de canoa, de paciência, de força, de sacrifício sem finalidade, de perigo sem sentido, de lirismo, de energia; grande perigoso mar fabricando um homem…
Este homem esqueceu, grande mar, muita coisa que aprendeu contigo. Este homem tem andado por aí, ora aflito, ora chateado, dispersivo, fraco, sem paciência, mais corajoso que audacioso, incapaz de ficar parado e incapaz de fazer qualquer coisa, gastando-se como se gasta um cigarro. Este homem esqueceu muita coisa, mas há muita coisa que ele aprendeu contigo e que não esqueceu, que ficou, obscura e forte, dentro dele, no seu peito. Mar, este homem pode ser um mau filho, mas ele é teu filho, é um dos teus, e ainda pode comparecer diante de ti gritando, sem glória, mas sem remorso, como naquela manhã em que ficamos parados, respirando depressa, perante às grandes ondas que arrebentavam – um punhado de meninos vendo pela primeira vez o mar…
Vocabulário
- caravela: espécie de água-viva
- maratimbas: do interior do Espírito Santo
- catambá: dança popular do Espírito Santo
- embicar: atravessar com a embarcação
- batelão: canoa, barcaça
- arrieiro: correnteza marítima
Analise as afirmativas abaixo sobre o texto.
1. A crônica mostra a força do mar na vida de um homem.
2. O cronista mostra arrebatamento e resiliência diante do mar.
3. A descrição do mar no primeiro parágrafo encontra abrigo ao longo do texto.
4. A experiência inicial do cronista com o mar permanece forte ao longo de sua vida.
5. A crônica mostra a incapacidade das pessoas de se maravilharem com a grandeza do mar.
Assinale a alternativa que indica todas as afirmativas corretas.
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
Os termos destacados constituem substantivos compostos e, considerando os processos envolvidos em sua concepção, são formados por:
De acordo com as regras de regência verbal, o verbo destacado nesta frase funciona como:
Sintaticamente, é correto afirmar que, na oração destacada,
De acordo com o texto-base, analise as afirmações a seguir e assinale a alternativa correta.
Sintaticamente, é correto afirmar que, na oração destacada,
De acordo com as regras de regência verbal, o verbo destacado nesta frase funciona como:
Os termos destacados constituem substantivos compostos e, considerando os processos envolvidos em sua concepção, são formados por:
I. Essa, mãe, nunca limpa a casa.
II. Essa mãe nunca limpa a casa.
Quanto ao emprego da vírgula nos enunciados acima, identifique a alternativa CORRETA.
Com base nos elementos de coesão e coerência, marque com V as afirmativas verdadeiras ou com F as falsas.
(__) A referência demonstrativa ocorre com o uso de pronomes demonstrativos e advérbios, como pode ser observado em "Realizei todas as atividades escolares, exceto esta: refazer a redação." Neste caso, trata-se de referência demonstrativa catafórica, pois o pronome 'esta' aponta para um termo que será apresentado em seguida.
(__) A sequenciação é um mecanismo de coesão que pode ser realizada por meio de repetição lexical, como em "Marcos saiu de casa e caminhou, caminhou, até chegar ao local pretendido".
(__) Elementos contraditórios em um texto comprometem sua coerência, assim como informações repetidas que não acrescentam conteúdo. Além disso, fugir da temática abordada também prejudica a coerência do texto.
A sequência que preenche CORRETAMENTE os itens acima, de cima para baixo, é:
Com base nas regras de concordância verbal e nominal, identifique a alternativa CORRETA.
O vocábulo 'hipertermia' está grafado corretamente sem hífen. Analise as palavras compostas, com ou sem hífen, nos enunciados a seguir, e identifique aquela cuja grafia está INCORRETA.
I. O aumento da temperatura afeta diversas condições neurológicas.
II. As mudanças climáticas têm efeitos diretos sobre a saúde humana, especialmente o cérebro.
III. A pesquisa de Sisodiya é relevante e reconhecida.
IV. Sanjay Sisodiya é o único pesquisador que estuda os impactos das mudanças climáticas sobre o cérebro.
É CORRETO o que se afirma em:
Com base nas regras de acentuação dos vocábulos presentes no trecho e no texto, analise as afirmativas:
I. O vocábulo 'também' recebe acento por ser uma paroxítona terminada em 'em'.
II. O vocábulo 'climáticas e 'cérebro' recebem acento de acordo com a mesma regra.
III. O vocábulo 'visível' recebe acento por ser uma palavra proparoxítona.
IV. O vocábulo 'após' não sofreu alteração. Já o 'por', quando usado como preposição, e o 'por', quando usado como forma verbal, não recebem acento, pois palavras homógrafas deixaram de usar o acento diferencial com o novo acordo ortográfico.
É CORRETO o que se afirma em:
Considerando as regras de colocação pronominal, identifique a alternativa que apresenta a substituição CORRETA do termo destacado por um pronome oblíquo.
Considerando o texto-base, assinale a alternativa CORRETA que explica por que o calor intenso e as ondas de calor representam um risco adicional para pessoas com a Síndrome de Dravet.
Em relação à concordância verbal, é correto afirmar que: