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Q4247841 Português
A perda de memória que nosso pai sofreu em seus últimos anos foi, como é fácil de imaginar, duríssima para todos nós. Mas particularmente a maneira como essa perda diminuiu suas possibilidades de continuar escrevendo com o rigor de costume foi, para ele, uma fonte de frustração desesperadora. Ele nos disse isto com a clareza e a eloquência de um grande escritor: “A memória é, ao mesmo tempo, minha matéria-prima e minha ferramenta. Sem ela, não existe nada.

GARCIA MÁRQUEZ, Gabriel. Em agosto nos vemos. Rio de Janeiro: Record, 2024.

No prefácio do livro “Em agosto nos vemos”, os filhos de Gabriel Garcia Márquez comentam o processo de escrita de seu pai e reproduzem uma reflexão do próprio escritor sobre os elementos indispensáveis à produção de sua obra.

Esse procedimento metalinguístico dos autores do prefácio evidencia um uso da linguagem voltado para a 
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Q4247840 Português

Leia o fragmento da canção “Carnavália”, dos Tribalistas.


Vem pra minha ala que hoje a nossa escola vai desfilar

Vem fazer história que hoje é dia de glória nesse lugar

Vem comemorar, escandalizar ninguém

Vem me namorar, vou te namorar também

Vamos pra avenida desfilar a vida, carnavalizar


Repique tocou

O surdo escutou

E o meu corasamborim

Cuíca gemeu, será que era meu, quando ela passou por mim?


https://www.letras.mus.br/tribalistas/64153



Um dos mecanismos de produtividade linguística, especialmente nos textos literários, é a criação estilística de neologismos, ou seja, de novas palavras por meio de processos já previstos na Língua.


Nesse sentido, ao criar “corasamborim”, os autores da canção promovem

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Q4247839 Português

Leia o início de um conto da autora Lygia Fagundes Telles.


 A disciplina do amor


Foi na França, durante a segunda grande guerra: um jovem tinha um cachorro que, todos os dias, pontualmente, ia esperá-lo voltar do trabalho. Postava-se na esquina, um pouco antes das seis da tarde. Assim que via o dono, ia correndo ao seu encontro e, na maior alegria, acompanhava-o com seu passinho saltitante de volta à casa. A vila inteira já conhecia o cachorro e as pessoas que passavam faziam-lhe festinhas e ele correspondia, chegava até a correr todo animado atrás dos mais íntimos para logo voltar atento ao seu posto e ali ficar sentado até o momento em que seu dono apontava lá longe.


TELLES, Lygia Fagundes. A disciplina do amor. Rio de Janeiro, Nova Fronteira, 1980.p. 99-100.


Considerando o procedimento organizacional dos textos em introdução, desenvolvimento e conclusão, é correto afirmar que a escolha da autora pela construção, que inicia o primeiro período do texto, deve-se à sua função de 

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Q4247838 Português

Leia:


Imagem associada para resolução da questão


Na tirinha, a articulação entre linguagem verbal e não verbal produz um efeito de atualização do conto “Chapeuzinho Vermelho”, o qual se concretiza porque o autor

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Q4247837 Português

Jura era viúvo. Eram só ele e dois filhos morando no apartamentinho perto da garagem. Reparei mais uma vez que, para quem não era patrão, tudo era “inho”: quartinho, apartamentinho, banheirinho...


CRUZ, Eliana Alves. Solitária. São Paulo: Companhia das Letras, 2022. p. 30.


Assinale a opção em que se apresenta corretamente o efeito de sentido obtido pela autora ao utilizar o sufixo de diminutivo “inho” como um elemento caracterizador do sujeito “tudo” na oração “tudo era ‘inho’”.


 

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Q4247836 Português

Copa 2026: SP tem alunos na rede estadual de 43 países classificados


Rede pública estadual tem mais de 5 mil alunos que nasceram em países classificados para a Copa


Em clima de Copa do Mundo, a rede pública estadual de São Paulo concentra alunos nascidos em 43 dos 48 países convocados para o campeonato mundial, segundo informações reunidas pela Secretaria Estadual de Educação (Seduc).


Dentre os 48 países convocados, o estado de São Paulo tem 5.366 estudantes nascidos em 43 deles, incluindo o Brasil. Só não há estudantes nascidos em Curaçao, Noruega, Uzbequistão, República Tcheca e Suécia.


https://www.metropoles.com/sao-paulo/copa-do-mundo-sp-alunos-estadual


conectivo segundo poderia ser substituído, sem prejuízo de sentido, no contexto do 1o parágrafo por 

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Q4247834 Português

Observe:


Imagem associada para resolução da questão


Na tirinha, o efeito de humor do último quadrinho decorre principalmente do fato de que o personagem 

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Q4247832 Português

Nos Anos Finais do Ensino Fundamental, o adolescente/jovem participa com maior criticidade de situações comunicativas diversificadas, interagindo com um número de interlocutores cada vez mais amplo, inclusive no contexto escolar, no qual se amplia o número de professores responsáveis por cada um dos componentes curriculares. Essa mudança em relação aos Anos Iniciais favorece não só o aprofundamento de conhecimentos relativos às áreas, como também o surgimento do desafio de aproximar esses múltiplos conhecimentos. A continuidade da formação para a autonomia se fortalece nessa etapa, na qual os jovens assumem maior protagonismo em práticas de linguagem realizadas dentro e fora da escola.


https://basenacionalcomum.mec.gov.br/abase/#fundamental/lingua-portuguesa no-ensino-fundamental-anos-finais-praticas-de-linguagem-objetos-de conhecimento-e-habilidades


 No trecho, funcionam como elementos de coesão textual os substantivos:

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Q4247831 Linguística

Os gêneros do discurso organizam a nossa fala da mesma maneira que a organizam as formas gramaticais (sintáticas). Aprendemos a moldar nossa fala às formas do gênero e, ao ouvir a fala do outro, sabemos de imediato, bem nas primeiras palavras, pressentir-lhe o gênero, adivinhar-lhe o volume (a extensão aproximada do todo discursivo), a dada estrutura composicional, prever-lhe o fim, ou seja, desde o início, somos sensíveis ao todo discursivo que, em seguida, no processo da fala, evidenciará suas diferenciações.


BAKHTIN, M. e VOLOCHINOV, V. N. Marxismo e filosofia da linguagem. São Paulo: Hucitec, 2004.


De acordo com a passagem, a organização da linguagem por meio de gêneros do discurso contribui para um pensamento linguístico  

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Q4247830 Português

Alguns animais até desenvolveram certas expressões que parecem quase uma oração: são palavras especiais de agradecimento pela luz do sol, e outras em louvor aos ventos que sopram, às chuvas, à terra, à vegetação, à luz, ao calor, ao alimento, aos aromas e à água. E há, inclusive, palavras de saudade. Mas em nenhum idioma dos animais existem palavras cuja intenção seja rebaixar ou debochar. Isso, não.


OZ, Amós. De repente nas profundezas do bosque. São Paulo: Cia das Letras, 2017. p. 107



O emprego da palavra "até" na expressão "Alguns animais até desenvolveram certas expressões" contribui para a construção de sentido do trecho porque 

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Q4247829 Redação Oficial

DIÁRIO OFICIAL DO ESTADO DE SÃO PAULO

Publicado na Edição de 15 de maio de 2026 | Caderno Executivo | Seção Atos Normativos 



RESOLUÇÃO SEDUC Nº 55, DE 14 DE MAIO DE 2026

Dispõe sobre a criação e a organização do Projeto Educação & Cultura SP nas escolas da rede estadual de ensino 



O Secretário da Educação do Estado de São Paulo, no uso de suas atribuições legais, à vista do que lhe apresentou à Subsecretaria Pedagógica – SUPED, por meio do Departamento de Esportes e Cultura – DEC, e considerando:


- a importância de ampliar o repertório cultural dos estudantes e fortalecer a integração entre educação e cultura como dimensão essencial da formação integral;


- a necessidade de organizar, promover e sistematizar ações culturais articuladas ao Currículo Paulista e às competências e habilidades previstas para todas as etapas e modalidades de ensino;


- a relevância da articulação com instituições culturais, órgãos públicos e organizações da sociedade civil para a oferta de experiências culturais diversificadas aos estudantes da rede estadual,


Resolve:


Artigo 1º - Fica instituído, no âmbito da rede pública estadual de ensino, o Projeto Educação & Cultura SP.


https://sedsee.blob.core.windows.net/ficha/Anexo/legislacao


A classificação dos textos que circulam socialmente em gêneros textuais considera especificidades de cada gênero quanto à sua finalidade comunicativa, à forma de construção dos enunciados e às relações que estabelece com seu(s) destinatário(s).


Considerando a organização composicional e a finalidade comunicativa do texto, o gênero discursivo escolhido

 

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Q4247828 Português

Educação de SP está com vagas abertas em processos seletivos para professores dos Ensinos Fundamental, Médio e Médio Técnico


Podem participar profissionais com formação em cursos normal superior, licenciatura, bacharelado e tecnólogos, além de especialistas com notório saber e experiência comprovada


A Secretaria da Educação do Estado de São Paulo (Seduc-SP) está com dois processos seletivos abertos para professores do Ensino Fundamental (anos iniciais e finais) e Ensino Médio. O cadastro deve ser realizado on-line no site da Fundação Getúlio Vargas e a taxa de inscrição é de R$ 60 para cada concurso. Há vagas nas 91 unidades regionais de ensino para atuação no ano letivo de 2027.


 https://www.educacao.sp.gov.br


Na notícia, são apresentadas informações relativas à seleção de professores pela Seduc-SP.


No contexto do subtítulo, a expressão “além de” introduz uma informação com valor semântico de

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Q4247694 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento. 

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidoto-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento
"No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento."

Com base no uso da expressão 'no entanto' no trecho, analise as asserções a seguir.

I.A expressão 'No entanto' estabelece relação de oposição entre a ideia apresentada e a informação imediatamente anterior do texto.
PORQUE
II.A expressão 'no entanto' é uma locução conjuntiva coordenativa adversativa, semanticamente equivalente a 'contudo' e 'todavia', empregada, no trecho, para contrapor ideias entre períodos distintos.

A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
Alternativas
Q4247693 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Humanização e diálogo: antídoto pedagógico contra a violência nas escolas


Diante da escalada de ataques e episódios de violência em instituições de ensino, como os recentes casos registrados no Ceará e no Rio de Janeiro, especialistas e educadores defendem uma mudança radical na estratégia de enfrentamento.

Em vez de focar exclusivamente em medidas de segurança física, como detectores de metais e vigilância armada, o caminho para pacificar o ambiente escolar passa pela reconstrução do sentimento de pertencimento e pela humanização das relações pedagógicas.

A resposta institucional imediata costuma ser o controle. No entanto, o diagnóstico pedagógico é claro: a escola excessivamente burocratizada e centrada no desempenho ignora o sofrimento e a invisibilidade dos jovens. Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social e ressentimento. 

A violência escolar não se resolve com controle, vigilância ou punição. Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais que atravessam os sujeitos", aponta a especialista Maria Amélia Santoro, que é doutora em educação, pós-doutora em pedagogia e organizadora do livro "Pedagogias Emergentes: princípios e práticas".

Para transformar o clima escolar, a especialista enfatiza que é necessário que o aluno deixe de ser um número ou um objeto de disciplina para se tornar um sujeito legítimo. "Isso exige a implementação de assembleias de classe, práticas restaurativas e um currículo que dialogue com as angústias reais do estudante", afirma Maria Amélia.

De acordo com ela, a prevenção ocorre quando o jovem encontra vínculos significativos. Em outras palavras, um adolescente agressivo é, muitas vezes, um jovem desamparado. "Quando ele se sente parte de um projeto coletivo, a escola deixa de ser um 'território hostil' e passa a ser um espaço de proteção", avalia.


https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/humanizacao-e-dialogo-antidoto-pedagogico-contra-a-violencia-nas-escolas/fragmento
Considerando a concordância verbal e nominal empregada no texto, julgue as proposições a seguir:

I.Em "Essas medidas podem até conter episódios imediatos, mas dificilmente transformam as causas profundas e estruturais", os verbos 'poder' e 'transformar' compartilham o mesmo sujeito, o que justifica a flexão correta no plural.
II.Em "Muitos dos que produzem violência carregam marcas de exclusão social", o verbo 'carregar' concorda com o pronome relativo 'que', núcleo do sujeito.
III.Na frase 'é necessário que o aluno deixe de ser um número', a expressão 'é necessário' mantém-se invariável por preceder oração subordinada, regra que se estende, de igual modo, aos casos em que 'necessário' antecede um substantivo determinado por artigo, como em 'é necessário a proposta do aluno'."
IV.Em "especialistas e educadores defendem uma mudança radical", há sujeito composto, e o verbo 'defender' está corretamente flexionado no plural para concordar com os dois núcleos coordenados.

Assinale a alternativa que apresenta as proposições corretas.
Alternativas
Q4247437 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

No trecho “Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio [...]”, a palavra “onde” refere-se 
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Q4247436 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

No trecho “Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.”, o rio é apresentado como se 
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Q4247435 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

No trecho “O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou.”, a repetição de formas do verbo encher contribui para 
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Q4247434 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

Assinale a alternativa em que a colocação do pronome está INCORRETA. 
Alternativas
Q4247433 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

Considerando que, no trecho final do texto, o verbo “transbordar” é empregado com sentidos diferentes, relacione as colunas e assinale a alternativa com a sequência correta.



1. “rio transbordado”. 


2. “o rio transbordou”.


3.  “eu também transbordei”.



(   ) O verbo destacado foi usado no sentido figurado para indicar a mudança emocional da narradora.


(   ) O verbo destacado está no tempo passado para indicar um acontecimento físico ocorrido e relacionado à enchente. 


(   ) O verbo destacado está na forma nominal para caracterização do rio após o evento. 

Alternativas
Q4247432 Português

Transbordando memórias

Maria Luiza Glovacki


        Cercando a cidade há um rio. Um rio que pode ser pacífico mas também agressivo. Um rio que pode continuar sereno e calmo mas também em confusão, destruindo casas, rotinas, e, em alguns casos mais graves, a vida.


        O rio enche, e enchendo, leva tudo. Enchendo, entra nas casas e força pessoas a saírem. O rio subiu. Encheu tanto que transbordou. Tanto que me tirou da minha infância, das brincadeiras, memórias e da dor de sair toda vez que o rio enche. E, dessa vez, o rio encheu e eu não volto mais.


        Não volto mais. Tudo muda. Não mais sentirei a espuma velha daquele sofá confortável onde tomava chocolate quente quando fazia frio, não irei sentir o cheiro daquele jardim florido em que minhas cachorras insistiam em cavar buracos, ou até mesmo não ouvirei as pessoas andando de madrugada nas ruas em minhas noites mal dormidas, ou o gosto do suco dos morangos lá plantados. Nada disso eu consegui segurar. Nada disso o rio me deixou segurar. Tudo mudou.


        E eu não volto mais, porque o rio, entre todas as coisas que podiam transbordar, transbordou. E ele decidiu que sair daquele lar foi preciso. Inevitavelmente, hora ou outra sairia, sonho de gerações ao deixar isso para trás. Mas o rio decide. E decidiu que a escolha deveria ser tomada agora.


        Esse rio transbordado me tirou de muitas coisas. Tudo desapareceu como uma onda inundando meu ser, fluindo minha vida como uma pequena nascente, na poesia ardente que é viver. Pois agora não mais voltarei. Não mais terei que passar pelo sofrimento do rio transbordado.


    O rio transbordou. E eu também transbordei.



Adaptado de: https://ifpr.edu.br/uniao-da vitoria/wpcontent/uploads/sites/27/2023/12/Cronicas-Submersas4_compressed.pdf Acesso em: 27 maio 2026. 

Ao afirmar “O rio transbordou. E eu também transbordei.”, a narradora sugere que 
Alternativas
Respostas
4761: B
4762: A
4763: A
4764: C
4765: E
4766: E
4767: E
4768: D
4769: A
4770: C
4771: A
4772: B
4773: B
4774: B
4775: B
4776: D
4777: A
4778: D
4779: C
4780: D