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Q3988372 Português

TEXTO III


Sustentabilidade urbana: impactos do desenvolvimento econômico e suas consequências sobre o processo de urbanização em países emergentes


    A Revolução Industrial trouxe, entre inúmeras mudanças na vida social e econômica, a separação entre os locais de residência e de trabalho e, a partir daí, a necessidade diária de deslocamento das pessoas entre esses dois locais. O transporte coletivo tem sido, desde então, a solução encontrada para garantir a mobilização da força de trabalho para o funcionamento das estruturas industriais e comerciais que, por inúmeras razões, têm a cidade como lócus privilegiado, bem como a dos consumidores.

        Toda a indústria de produção de meios de transporte se desenvolve então com esse propósito central e no mesmo diapasão se organizam as cidades. Muito além, entretanto, do papel de suporte às ligações entre locais de trabalho e residência, o sistema de mobilidade possui uma relação recíproca com a cidade e com o espaço. Sem dúvida, uma das mais importantes características da mobilidade, notadamente das infraestruturas de transporte, são as mudanças na acessibilidade em seu entorno, ao serem implantadas, expandidas ou melhoradas. Essa diferença de acessibilidade permite/provoca mudanças significativas na realização de atividades sociais e econômicas em geral.

      Assim, [...] a política de investimentos deve ser pensada em caráter nivelador de oportunidades para todos os habitantes do espaço urbano. A elaboração de um planejamento voltado para o desenvolvimento socioeconômico baseado na inclusão social é princípio fundamental da mobilidade urbana e deve ser pensado para além da construção física. Seus impactos superam a lógica das viagens e adentram o processo de formação de oportunidades. Os elementos mencionados mostram que as questões centrais da mobilidade não podem ser entendidas como questões pontuais (embora, muitas vezes, importantes) nem podem ser tratadas em uma política pública por meio de soluções também pontuais.


Fonte: Disponível em: https://www.gov.br/cidades/pt-/assuntos/publicacoes/arquivos/arquivos/mobilidade_urbana. Acesso em: 08 fev. 2026.

Apalavra mobilidade, presente no Texto III, possui: 
Alternativas
Q3988363 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Assinale a alternativa que apresenta uma palavra do Texto I com dígrafo consonantal. 
Alternativas
Q3988362 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Assinale a alternativa CORRETAquanto à palavra privilégio presente no Texto I. 
Alternativas
Q3988361 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
No título do Texto I: “Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz”, o uso de letras minúsculas está CORRETO porque: 
Alternativas
Q3988360 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Observe a palavra tempo, presente no Texto I. Assinale a alternativa CORRETAquanto à classificação de seus fonemas. 
Alternativas
Q3988359 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
Ao longo do Texto I, a autora constrói sua visão sobre o tempo a partir de memórias da infância. Esse recurso contribui para: 
Alternativas
Q3988358 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
No trecho final do Texto I, ao afirmar “E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora?”, a autora:
Alternativas
Q3988357 Português
TEXTO I


Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz - Lya Luft



    No mês de setembro, ocorre a maioria dos aniversários de minha família: eu mesma, netas, filho, irmão, além dos que já se foram, como mãe e avó materna, sem contar os amigos. Suponho que tenhamos sido inventados nos cálidos meses de verão. Tenho, em relação ao correr do tempo, não amargura ou medo real, mas curiosidade – desde quando, menina mimada, bati o pé porque queria alguma coisa “agora”. Algum adulto presente achou graça e resolveu liquidar a minha manhã: “Deixa de ser boba, o agora nem existe”.

        Iniciou-se um diálogo surreal: a menina curiosa e teimosa insistia em saber que história era aquela. Explicaram que o tempo passa constantemente, de modo que, quando pronunciamos a última letra da palavra “agora”, esse agora já é passado. Obstinada, várias vezes tentei pensar a palavra “agora” empilhando as letras numa coisa só – mas desisti.

       Então, a cada momento, tudo passava, mudava e já era outro? Eu já era outra? Comecei a me angustiar, eu me angustiava com coisas que pouco tinham a ver com crianças, que, segundo adultos de então, deviam brincar, comer, dormir e se portar bem. Ainda por cima, alguém com humor macabro me alertou: “O tempo só para de passar quando a gente morre”. (Assunto para outra crônica.)

      Sempre tive vontade de ser adulta: achava a vida e os assuntos dos “grandes” muito mais interessantes do que os infantis. Detestava ser comandada, numa época de educação bastante severa: por que ir para a cama às sete e meia? Por que só comer comidinha inocente, como purê de batata e carne de frango? Por que não falar muito à mesa? Por que ter de aprender prendas domésticas como toda boa menina? Eu não queria ser uma boa menina: queria ser a Emília do Monteiro Lobato.

        Aí fui vendo que a passagem do tempo não apenas significava transformação e novidades (parte boa para quem facilmente se entediava), mas também perdas, e para muitos o terror da perda da juventude. Tornou-se uma epidemia a busca desesperada por deter a qualquer custo os sinais do tempo: parecer trinta aos sessenta, ter lábios sensuais aos setenta – vale a pena?

       A velhice (desde que não com o detestável nome de melhor idade) é uma fase natural da vida – um dom a ser curtido. Dor e doença não escolhem idade. Nem sempre a juventude é linda. No avançar do tempo, importa preservar certa elegância (quando dá…) e cultivar o bom humor (quando possível…). [...]

      Que se arrume o que nos incomoda, mas dentro de alguma normalidade. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz, que a gente vai tentar não ficar ainda por cima rabugenta. E quem sabe o rio do tempo desemboca em algum mistério mais interessante do que nossas trapalhadas de agora? 


Fonte: LUFT, Lya. Deixem a gente ter o privilégio de envelhecer em paz. Disponível em: https://50emais.com.br/lya-luft-deixem-a-gente-ter-o-privilegio-deenvelhecer-em-paz/ Acesso em: 08 fev. 2026 [Fragmento].
O Texto I constrói uma reflexão sobre o tempo e o envelhecimento. Considerando o desenvolvimento das ideias ao longo do texto, é CORRETO afirmar que se defende:
Alternativas
Q3987672 Português
Observemos o seguinte relato do paciente, Sr. P, de 67 anos, num hospital:

Essa coisa de WhatsApp é muito boa. Podem dizer o que quiserem, mas, para mim, é excelente. Converso e bato papo sobre bobagens e até me encontro com pessoas. Antes ficava esperando quem me ligasse. Hoje, não. Nada doentio, tudo saudável. Estou mais perto, muito mais, da minha família.

Podemos dizer, segundo o texto, que o Sr. Paulo tem no WhatsApp um dispositivo que o ajuda no monitoramento da sua vida, ou seja, que lhe permite o(a) 

I. planejamento financeiro e previdencial.
II. manutenção de hábitos saudáveis ao longo da vida.
III. estabelecimento de uma rede de apoio social.
IV. adaptação às inovações tecnológicas.
V. educação contínua e flexibilidade.

Podemos constatar, CORRETAMENTE, o alcance dos seguintes objetivos: 
Alternativas
Q3985526 Português
Leia o trecho abaixo, retirado dos Parâmetros Curriculares Nacionais.

"É, nesse contexto, portanto, que devem ser compreendidos os ____________: por um lado, como aprendizagens indispensáveis ao final de um período; por outro, como referências que permitem - se comparados aos objetivos do ensino e ao conhecimento prévio com que o aluno iniciou a aprendizagem - a análise dos seus avanços ao longo do processo, considerando que as manifestações desses avanços não são lineares, nem idênticas." (BRASIL, 1997, p. 64)
Assinale a alternativa que preenche corretamente a lacuna no texto acima. 
Alternativas
Q3985523 Português
Quais as duas crenças, de acordo com os Parâmetros Curriculares Nacionais de Língua Portuguesa, que “produziram uma prática de mutilação cultural que, além de desvalorizar a fala do aluno, tratando sua comunidade como se fosse formada por incapazes, denota desconhecimento de que a escrita de uma língua não corresponde inteiramente a nenhum de seus dialetos por mais prestígio que um deles tenha em um dado momento histórico” (BRASIL, 1997, p. 26)?
Alternativas
Q3985520 Português
Leia o trecho abaixo, retirado da BNCC.

“Em tese, a Web é democrática: todos podem acessá-la e alimentá-la continuamente. Mas se esse espaço é livre e bastante familiar para crianças, adolescentes e jovens de hoje, por que a escola teria que, de alguma forma, considerá-lo?” (BRASIL, 2018, p. 68)
Para a Base Nacional, o papel da área de linguagens frente à Web é:
Alternativas
Q3985518 Português
Ao colocar o estudo do texto e dos gêneros discursivos, de diferentes esferas, no centro do ensino de língua portuguesa, a Base Nacional Comum Curricular atesta “Não se trata de deixar de privilegiar o escrito/ impresso nem de deixar de considerar gêneros e práticas consagrados pela escola” (BRASIL, 2018, p. 69). Selecione a alternativa que não apresenta um dos gêneros/ práticas consagrados pela escola segundo a BNCC: 
Alternativas
Q3985512 Português
Segundo a Base Nacional Comum Curricular, em relação ao eixo análise linguística/ semiótica, o trecho "Em especial, devem ser objeto de reflexão [...] o valor social atribuído às variedades de prestígio e às variedades estigmatizadas, que está relacionado a preconceitos sociais" (BRASIL, 2018, p. 81). O referido trecho trata de:
Alternativas
Q3985511 Português
Leia o trecho abaixo:

“__________ nos são dados quase da mesma forma que nos é dada a língua materna, a qual dominamos livremente até começarmos o estudo teórico da gramática. A língua materna - sua composição vocabular e sua estrutura gramatical - não chega ao nosso conhecimento a partir de dicionários e gramáticas, mas de enunciações concretas que nós mesmos reproduzimos na comunicação discursiva com as pessoas que nos rodeiam. Assimilamos as formas da língua somente nas formas assumidas pelo enunciado e juntamente com essas formas.”

(BAKHTIN, M. Estética da criação verbal. São Paulo: Martins Fontes, 1997, p. 301-302)
O sintagma que preenche corretamente a lacuna do texto é:
Alternativas
Q3985509 Português
Selecione a alternativa que não apresenta uma dimensão inter-relacionada às práticas de uso e reflexão do eixo leitura de acordo com a BNCC.
Alternativas
Q3985508 Português
Leia os dois trechos abaixo, retirados da Base Nacional Comum Curricular.

“Tal proposta assume a centralidade do ________ como unidade de trabalho e as perspectivas enunciativo-discursivas na abordagem, de forma a sempre relacionar os textos a seus contextos de produção e o desenvolvimento de habilidades ao uso significativo da linguagem em atividades de leitura, escuta e produção de textos em várias mídias e semioses” (BRASIL, 2018, p. 67)

“Na esteira do que foi proposto nos Parâmetros Curriculares Nacionais, ________ ganha centralidade na definição dos conteúdos, habilidades e objetivos, considerando a partir de seu pertencimento a um gênero discursivo que circula em diferentes esferas/campos sociais de atividade/comunicação/uso da linguagem” (BRASIL, 2018, p. 67) 
A palavra que preenche corretamente as lacunas dos textos é: 
Alternativas
Q3984755 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

No encerramento do texto, o autor contrapõe decisão e rendição ao afirmar que, na prática cotidiana, decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição. Considerando o contexto argumentativo e a crítica ao uso do celular por conveniência, assinale a alternativa que expressa CORRETAMENTE o sentido de rendição nesse trecho.
Alternativas
Q3984754 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

No texto, a palavra salva-vidas exemplifica a grafia com hífen em compostos da língua portuguesa. Considerando as regras ortográficas vigentes, assinale a alternativa que apresenta uma palavra CORRETAMENTE grafada com hífen.
Alternativas
Q3984753 Português

Para responder à questão, leia o texto abaixo.

 

O combinado que nunca fizemos

 

No restaurante, da mesa ao lado, eu via o pai no celular, os dois filhos no celular e a mãe ali, presente, comendo sozinha no meio da própria família. Não consegui me desligar da cena. Ela já desistiu de competir com as telas? Está com raiva? Está acostumada? Nem percebe mais?

Eu não a conheço, mas reconheço o que vi. Você, provavelmente, também.

Aquela mesa é um retrato silencioso de algo que aconteceu sem que ninguém tenha decidido que deveria acontecer. O celular não está na vida das famílias brasileiras por decisão pedagógica, recomendação médica ou escolha consciente. Está por conveniência, por cansaço, porque a criança está entediada, porque a refeição fica mais tranquila, porque os pais precisavam de dez minutos de paz... E o celular entrega isso de graça, na hora, sem esforço.

Nunca combinamos nada. E quando não se combina nada, o padrão vence. O padrão, hoje, é tela.

E o Brasil já tem números para provar que essa não é uma impressão de quem almoça ao lado de uma família fora da regra. Segundo a pesquisa TIC Kids Online Brasil 2024, do Cetic.br, 93% das crianças e adolescentes de nove a 17 anos usam a internet. São 24,5 milhões de pessoas. Dessas, 98% acessam pelo celular. Aos nove anos, 60% têm perfil em rede social. Aos 15, são 99%.

Mas o dado que mais me assusta não é esse.

É que 72% das crianças e adolescentes têm permissão dos pais para usar redes sociais quando estão sozinhos. E apenas um quarto dos responsáveis usa alguma ferramenta para limitar o tempo de uso.

A maioria das famílias brasileiras não tem um combinado claro. E, sem combinado, o padrão vence.

Para piorar: quando os próprios jovens tentam reagir, não conseguem. A mesma pesquisa mostra que 24% dos adolescentes de 11 a 17 anos tentaram passar menos tempo na internet e falharam. Cerca de um em cada cinco admite ter passado menos tempo com família, amigos ou lição de casa por causa do uso excessivo. Uma parcela semelhante relata ter deixado de comer ou dormir.

Esses não são adultos com anos de hábito acumulado. São crianças e adolescentes que já se percebem presos em um vício, que não conseguem sair sozinhos.

A situação começa antes do que a maioria imagina. Uma pesquisa da Fundação Maria Cecilia Souto Vidigal com o Datafolha, publicada em 2025, revelou que 78% das crianças de zero a três anos já estão expostas a telas todos os dias. A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda, para essa faixa etária, zero. Não é uma hora, nem meia. É zero.

Estamos tão longe da recomendação que ela virou ficção.

E aqui preciso fazer uma pausa para falar de algo que os dados brasileiros deixam claro e que poucos comentam: a solidão das mães nessa luta. Em praticamente todas as perguntas da TIC Kids Online sobre quem orienta, quem conversa, quem supervisiona o uso de internet dos filhos, as mães aparecem em maioria. São elas que mais checam o celular dos filhos, que mais estabelecem regras, que mais tentam acompanhar o que acontece nas telas. A mãe daquele restaurante, comendo sozinha enquanto o marido e os filhos estão presos em seus aparelhos, não é uma exceção. É um padrão.

Em janeiro de 2025, a Lei 15.100 restringiu o uso de celulares por estudantes nas escolas brasileiras. Foi um passo importante: a escola fez o combinado que podia fazer. Mas a lei termina no portão da escola. Quando a criança chega em casa, quem decide?

Não estou aqui para culpar os pais. Eu consigo me colocar no lugar de um pai. Sei o que é o fim de um dia longo, o cansaço que transforma qualquer tela num salva-vidas. Sei que muitas vezes o celular é a única ferramenta disponível para entreter enquanto se cozinha, se trabalha, se sobrevive. Não é justo fingir que a realidade é simples.

Mas também não podemos fingir que não há consequências.

O combinado que falta não precisa seguir manual. Precisa existir. Uma conversa entre os adultos da casa sobre quanto tempo é razoável. Uma conversa com os filhos, adequada ____ idade, sobre o que é permitido e o que não é. Zonas da casa e momentos do dia em que o celular deve ficar guardado. Durante refeições, por exemplo. Na hora de dormir. No trajeto até ____ escola.

São coisas pequenas, mas são decisões fundamentais. E decisão é o oposto do que temos hoje, que é rendição.

 

Autor: Rafael Parente - GZH (adaptado).

Considerando a relação entre letras e sons na pronúncia-padrão do português brasileiro, analise as assertivas quanto ao número de fonemas e à presença de dígrafos consonantais e vocálicos em palavras do texto:



I. A palavra ferramenta apresenta 8 fonemas e 1 dígrafo.


II. A palavra semelhante apresenta 8 fonemas e 2 dígrafos.


III. A palavra sozinhos apresenta 7 fonemas e 1 dígrafo.



Está(ão) CORRETA(S):

Alternativas
Respostas
3301: E
3302: B
3303: A
3304: C
3305: A
3306: E
3307: D
3308: E
3309: D
3310: C
3311: B
3312: B
3313: D
3314: C
3315: B
3316: C
3317: B
3318: A
3319: B
3320: D