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Q4008494 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO

Signos sem significado 

Alguém me falou de um anúncio institucional que a Unesco publicou há tempos para uma campanha pela alfabetização. Consistia de uma frase escrita de trás para a frente – ideia talvez tirada de "Alice Através do Espelho" (1871), o livro de Lewis Carroll em que, por estar "do lado de lá" do espelho, Alice vê tudo ao contrário, inclusive um poema num livro sobre a mesa. É como um analfabeto vê um texto – uma sequência de símbolos cuja ordem não lhe quer dizer nada. Alice resolve o problema botando o poema diante de um espelho. O mundo, no entanto, exige mais: a alfabetização em massa.
No Brasil, 5,2% da população ainda continuam analfabetos. Parece pouco, mas são mais de 10 milhões de pessoas, o equivalente à população de São Paulo. Some a isto os 29%, entre 15 e 64 anos, que são analfabetos funcionais (leem, mas não entendem uma notícia de jornal ou uma bula de remédio), e veja como o Brasil continua longe do século 21. Por sorte, algumas dessas pessoas sabem de sua condição. Elas não querem que se estenda a seus filhos.
Três pessoas que prestam serviços ao meu redor, incapazes de ler ou escrever, são inspiradores exemplos. Uma manicure fez de seus três filhos um advogado, uma psicóloga e uma assistente social. Um porteiro, homem humilde e boníssimo, fez da filha engenheira, e chorou de comoção na cerimônia de formatura dela. E um encanador, que não sabe dizer a chave do seu Pix (mostra um papelzinho com o número), também formou a filha em direito. Dois desses jovens se beneficiaram de bolsas integrais da PUC.
Como pessoas que não sabem ler conseguem viver numa grande cidade, com sua desordem de cartazes, placas, luminosos, indicações, itinerários e manchetes? É um mundo de signos ocos, para elas sem significado. Que códigos não terão de criar para saber qual ônibus tomar? Como lidar com dinheiro ou cartão? Como receber uma mensagem por celular?
Sempre achei que o momento em que se aprende a ler representa mais que um segundo parto. Talvez seja o verdadeiro ingresso no mundo. 

CASTRO, Ruy. Signos sem significado. Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 jan. 2026. Disponível em: https://www1. folha.uol.com.br/colunas/ruycastro/2026/01/signos-semsignificado.shtml. Acesso em: 6 fev. 2026. (Adaptado) 
No início do texto, ao mencionar um anúncio institucional da Unesco inspirado em “Alice Através do Espelho”, de Lewis Carroll, o autor evidencia que: 
Alternativas
Q4008493 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO 

Meu Pequeno Oratório

Minha Nossa Senhora das Graças toda minha.
Das raízes e dos troncos.
Das florestas e das frondes.
Dos rios que correm para o mar e dos corguinhos
sem destino.
Dos altares, dos montes e das grunas.
Dos pássaros sem voo, e das rolinhas bandoleiras.
Nossa Senhora das cigarras imprevidentes que morrem de cantar e das formigas previdentes que morrem sem cantar.
Das abelhas rufionas que vão de flor em flor segredando de amor e acasalando os polens.
Das cobras e dos tigres que também têm direito à vida.
Nossa Senhora dos maus e dos bons.
Profundamente minha porque de todos os anônimos bichos e gentes.
Nossa Senhora da custódia das sementes, lançadas ao léu da vida germinando, crescendo florescentes ou morrendo perdidas na raleira.

Nossa Senhora das sementes... 
Ajudai todas elas – boas e más a bem cumprir seu destino de sementes, lançando do seu pequenino coração vital o esporo à raiz fálica que as confirmarão na terra e na sequência das gerações através do tempo.
Nossa Senhora das raízes...
Eu sou a raiz ancestral, perdida e desfigurada no tempo obscura na terra onde lutam, sobrevivem e desaparecem todas no esquecimento e no abandono.
Vigia para mim e guarda em vida longa todas as raízes novas que vivem enleadas às minhas já gastas e amortecidas.
Abençoai, minha Nossa Senhora, todos aqueles que se foram e que se desfizeram na obscuridade e no esquecimento da árvore ingrata que os alimentou.

Disponível em: https://santatereza.go.gov.br/wp-content/ uploads/2025/03/Meu-livro-de-Cordel-Cora-Coralina.pdf Acesso em: 30 jan.2026. 
Em relação à leitura do texto e estudos sobre Semântica, assinale a única alternativa correta. 
Alternativas
Q4008492 Português
TEXTO PARA A QUESTÃO 

Meu Pequeno Oratório

Minha Nossa Senhora das Graças toda minha.
Das raízes e dos troncos.
Das florestas e das frondes.
Dos rios que correm para o mar e dos corguinhos
sem destino.
Dos altares, dos montes e das grunas.
Dos pássaros sem voo, e das rolinhas bandoleiras.
Nossa Senhora das cigarras imprevidentes que morrem de cantar e das formigas previdentes que morrem sem cantar.
Das abelhas rufionas que vão de flor em flor segredando de amor e acasalando os polens.
Das cobras e dos tigres que também têm direito à vida.
Nossa Senhora dos maus e dos bons.
Profundamente minha porque de todos os anônimos bichos e gentes.
Nossa Senhora da custódia das sementes, lançadas ao léu da vida germinando, crescendo florescentes ou morrendo perdidas na raleira.

Nossa Senhora das sementes... 
Ajudai todas elas – boas e más a bem cumprir seu destino de sementes, lançando do seu pequenino coração vital o esporo à raiz fálica que as confirmarão na terra e na sequência das gerações através do tempo.
Nossa Senhora das raízes...
Eu sou a raiz ancestral, perdida e desfigurada no tempo obscura na terra onde lutam, sobrevivem e desaparecem todas no esquecimento e no abandono.
Vigia para mim e guarda em vida longa todas as raízes novas que vivem enleadas às minhas já gastas e amortecidas.
Abençoai, minha Nossa Senhora, todos aqueles que se foram e que se desfizeram na obscuridade e no esquecimento da árvore ingrata que os alimentou.

Disponível em: https://santatereza.go.gov.br/wp-content/ uploads/2025/03/Meu-livro-de-Cordel-Cora-Coralina.pdf Acesso em: 30 jan.2026. 
Meu Livro de Cordel é uma das obras mais emblemáticas da escritora Cora Coralina. No livro, a autora presta homenagem aos poetas populares e cantadores anônimos do Nordeste, reafirmando sua afinidade com a simplicidade e a oralidade dessa tradição literária. Com base na leitura e análise do texto, julgue os itens a seguir:
I. O texto é construído com vários trechos polissêmicos, em sentido figurado, deslocando palavras do contexto religioso para o contexto biológico. Tal peculiaridade fica evidente nos versos da primeira estrofe do cordel.
II. Há um efeito de sentido muito significativo, quando são construídas algumas equiparações de elementos, tais como: “cigarras” (v.8) e “formigas” (v.9), “cobras” e “tigres” (v.13). 
III. A palavra “corguinhos” (v.4) pode ser considerada um sinônimo de “pássaros” e “rolinhas” (v.7).
IV. A última estrofe do cordel (v.35 - 38), traz uma imagem ambígua, negativa e muito pesada a respeito dos antepassados da autora.
São verdadeiros:
Alternativas
Q4008490 Português
Piauí registra segundo tremor de terra em 48 horas; geógrafo explica fenômeno
Os dados foram captados pela estação NBPS do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), instalada em Pedro II.
O estado do Piauí contabilizou o segundo tremor de terra em um intervalo de 48 horas. O registro mais recente ocorreu na noite de terça-feira (3), no município de Bocaina, com magnitude de 2,1. O primeiro abalo foi detectado em Castelo do Piauí, no domingo (1º), com intensidade de 1,5 na escala sismológica.
Os dados foram captados pela estação NBPS do Laboratório Sismológico da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (LabSis-UFRN), instalada em Pedro II. Segundo o geógrafo Rafael Marques, os casos são considerados de baixa intensidade e não resultaram em danos materiais.
O especialista afirma que os tremores podem ser causados por fatores de acomodação de terreno, devido à presença de falhas geológicas na região e ao planejamento estrutural das bacias do riacho Riachão e do Rio Guaribas.
Marques observa que a região é suscetível a esses pequenos tremores, que se diferenciam de terremotos por não comprometerem a saúde pública ou a estrutura das comunidades. De acordo com técnicos, abalos nessa magnitude geralmente passam despercebidos pela população e não oferecem riscos às edificações.
O diretor de Prevenção e Mitigação da Defesa Civil do Piauí, Werton Costa, explica que esses movimentos são microajustes nas placas tectônicas, processos naturais e comuns no subsolo terrestre.
O climatologista ressalta que a instalação de sistemas de monitoramento em solo piauiense agora permite detectar ocorrências que antes passavam despercebidas. A Defesa Civil informou que monitora a área continuamente em parceria com o LabSis-UFRN e reforça que não há qualquer risco para os moradores da região. 
Disponível em: https://portalclubenews.com/2026/02/04/ piaui-registra-segundo-tremor-de-terra-em-48-horasgeografo-explica-fenomeno/ Acesso em: 04 fev 2026.

Com base na leitura e na análise dos recursos linguísticos do texto, que pertence à esfera jornalística, julgue as proposições, assinalando, em seguida, a alternativa correta: 
I. A palavra “que”, nas duas ocorrências em destaque no texto, classificam-se como pronome relativo e, além de ligar as ideias de forma mais eficiente, evita repetições desnecessárias.
II. No trecho “Piauí registra segundo tremor de terra em 48 horas”, o verbo está flexionado no presente do indicativo, algo comum em manchetes de notícias. O emprego desse tempo e modo proporciona títulos impactantes que conferem atualidade imediata ao fato, simulando que o evento está acontecendo no exato momento da leitura.
III. A locução conjuntiva “De acordo com” (l.26- 27) pode ser substituída por outra de valor conformativo, sem prejuízo de sentido.
IV. Em “devido à” (l.20) e “riscos às” (l.29), o acento grave, indicativo de crase, foi utilizado pela mesma regra fundamental, pois ambos são casos de preposição "a" + artigo definido feminino exigido pelo substantivo que o sucede.
Alternativas
Q4008489 Português
A Ética no Cuidado Docente
"A prática educativa não se restringe à transmissão de conteúdos; ela exige uma postura de zelo constante. Durante o último semestre, o corpo pedagógico assistiu os estudantes com dificuldades de aprendizagem, oferecendo reforço no contraturno. Sabemos que tal medida implicará melhorias significativas nos índices de aprovação. Afinal, todo educador comprometido aspira a uma escola mais inclusiva e igualitária."
ALMEIDA, R. T. Gestão e Humanização no Ensino Técnico. Curitiba: Editora Acadêmica, 2024. Texto adaptado
A regência verbal estuda a relação de dependência entre o verbo e seus complementos. Considerando a norma-padrão da língua portuguesa e os sentidos expressos no texto "A Ética no cuidado docente", analise as proposições abaixo:
I. No trecho "...o corpo pedagógico assistiu os estudantes...", o verbo "assistir" é transitivo direto, pois foi empregado no sentido de "prestar socorro" ou "ajudar", dispensando o uso de preposição.
II. Em "...tal medida implicará melhorias...", o verbo "implicar" tem sentido de "acarretar" ou "ter como consequência". Segundo a gramática normativa, esse verbo é transitivo direto, o que torna incorreta a inserção da preposição "em" (implicará em melhorias).
III. Na oração "...todo educador comprometido aspira a uma escola...", o verbo "aspirar" é transitivo indireto, pois denota "desejar" ou "almejar", exigindo a preposição "a".
Está(ão) CORRETA(s) a(s) proposição(ões):
Alternativas
Q4008488 Português
Tangerinos (fragmento)
Pois não é que a boiada arrancou! Nada de bonito como eu pensava. Chega fiquei me tremendo de medo! Com o coração em tempo de saltar pela boca. O gado vinha dividido não sei em quantas malocas. Mas pareceu que era assim como se uma combina. Que eles vinham de língua passada. A maloca da frente arrancou. As demais arrancaram também a um só tempo. Meteram os peitos na lagoa, que foi uma coisa doida! Parecia que a terra ia virando pelo avesso e a água toda se derramando nos ares. Atravessaram a lagoa e se atufaram na caatinga, lá no outro lado. Nunca vi zoada tão grande! Uma quebradeira de paus, um trovão estremecendo a terra! Tive mesmo a impressão que o mundo ia se acabar daquela vez.
IBIAPINA, Fontes. Trinta e dois e tangerinos. Teresina: Corisco, 2002.
Os recursos linguísticos mobilizados no fragmento de Tangerinos, de Fontes Ibiapina, evidenciam uma linguagem predominantemente caracterizada por:
Alternativas
Q4005527 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como agir ao presenciar uma crise convulsiva

Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia

Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo começa a se mover de forma descontrolada. A cena causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes impulsivas. Em situações como essa, informação é cuidado e faz toda a diferença para a segurança de quem está passando pela crise.

Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento, consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os sinais mais comuns que podemos observar, temos: perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo (fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.

Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que aumentam a apreensão de quem está por perto, como olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca, respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária de urina ou fezes.

Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que uma convulsão está prestes a começar."


Como ajudar

Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em crise. Outros comportamentos comuns também precisam ser evitados: 


Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou mordidas graves";

Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.

"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões", orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito sejam aspirados para os pulmões.

"É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço, como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem indicar estado de mal epiléptico, uma emergência médica", alerta.

Depois que a convulsão termina, o cuidado deve continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação. Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de forma calma e não force que ela se levante".

Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos. "Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente."

"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que exige avaliação médica mesmo após crises aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave associada à hipertensão da gravidez, que coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a convulsão é sempre uma emergência médica.


(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.) 
A partir da leitura, análise, compreensão e interpretação do texto, analise as sentenças a seguir:

I. O texto é organizado em duas grandes partes: a primeira, composta por quatro parágrafos, tem como objetivo principal introduzir o tema para o(a) leitor(a), apresentando de modo mais panorâmico o que é uma crise convulsiva, quais sinais ela dá antes e durante o acontecimento; a segunda parte tem como foco principal explicar e orientar o(a) interlocutor(a) a respeito de como agir diante de uma pessoa em crise convulsiva.
II. O título do texto é objetivo e direto, indicando para o(a) leitor(a) o foco que será dado ao tema. Ele é seguido pelo subtítulo que delimita esse foco, ou seja, enquanto o título apresenta de modo mais amplo − como agir diante de uma crise convulsiva −, o subtítulo delimita esse "como", focando na importância de saber agir. Ambos se complementam.
III. O discurso de autoridade, nesse caso em análise, é irrelevante porque o texto foi publicado em um veículo de comunicação não especializado na área da saúde, ou seja, em uma revista popular. As contribuições da fisioterapeuta apenas dificultam o entendimento do público-leitor, especialmente pelo uso da linguagem científica.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4005526 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como agir ao presenciar uma crise convulsiva

Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia

Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo começa a se mover de forma descontrolada. A cena causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes impulsivas. Em situações como essa, informação é cuidado e faz toda a diferença para a segurança de quem está passando pela crise.

Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento, consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os sinais mais comuns que podemos observar, temos: perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo (fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.

Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que aumentam a apreensão de quem está por perto, como olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca, respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária de urina ou fezes.

Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que uma convulsão está prestes a começar."


Como ajudar

Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em crise. Outros comportamentos comuns também precisam ser evitados: 


Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou mordidas graves";

Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.

"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões", orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito sejam aspirados para os pulmões.

"É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço, como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem indicar estado de mal epiléptico, uma emergência médica", alerta.

Depois que a convulsão termina, o cuidado deve continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação. Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de forma calma e não force que ela se levante".

Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos. "Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente."

"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que exige avaliação médica mesmo após crises aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave associada à hipertensão da gravidez, que coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a convulsão é sempre uma emergência médica.


(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.) 
A partir da leitura e análise do texto, é possível identificar com clareza o objetivo principal dele: explicar o que é crise convulsiva e como agir ao presenciar uma. Tendo isso em consideração, assinale a alternativa que indica corretamente a função de linguagem predominante no texto: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FURB Órgão: FURB - SC Prova: FURB - 2026 - FURB - SC - Nutricionista |
Q4002988 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como agir ao presenciar uma crise convulsiva

Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia

Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo começa a se mover de forma descontrolada. A cena causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes impulsivas. Em situações como essa, informação é cuidado e faz toda a diferença para a segurança de quem está passando pela crise.

Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento, consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os sinais mais comuns que podemos observar, temos: perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo (fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.

Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que aumentam a apreensão de quem está por perto, como olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca, respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária de urina ou fezes.

Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que uma convulsão está prestes a começar."


Como ajudar

Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em crise. Outros comportamentos comuns também precisam ser evitados: 


Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou mordidas graves";

Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.

"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões", orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito sejam aspirados para os pulmões.

"É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço, como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem indicar estado de mal epiléptico, uma emergência médica", alerta.

Depois que a convulsão termina, o cuidado deve continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação. Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de forma calma e não force que ela se levante".

Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos. "Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente."

"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que exige avaliação médica mesmo após crises aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave associada à hipertensão da gravidez, que coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a convulsão é sempre uma emergência médica.


(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.) 
A partir da leitura, análise, compreensão e interpretação do texto, analise as sentenças a seguir:

I. O texto é organizado em duas grandes partes: a primeira, composta por quatro parágrafos, tem como objetivo principal introduzir o tema para o(a) leitor(a), apresentando de modo mais panorâmico o que é uma crise convulsiva, quais sinais ela dá antes e durante o acontecimento; a segunda parte tem como foco principal explicar e orientar o(a) interlocutor(a) a respeito de como agir diante de uma pessoa em crise convulsiva.
II. O título do texto é objetivo e direto, indicando para o(a) leitor(a) o foco que será dado ao tema. Ele é seguido pelo subtítulo que delimita esse foco, ou seja, enquanto o título apresenta de modo mais amplo − como agir diante de uma crise convulsiva −, o subtítulo delimita esse "como", focando na importância de saber agir. Ambos se complementam.
III. O discurso de autoridade, nesse caso em análise, é irrelevante porque o texto foi publicado em um veículo de comunicação não especializado na área da saúde, ou seja, em uma revista popular. As contribuições da fisioterapeuta apenas dificultam o entendimento do público-leitor, especialmente pelo uso da linguagem científica.

É correto o que se afirma em: 
Alternativas
Ano: 2026 Banca: FURB Órgão: FURB - SC Prova: FURB - 2026 - FURB - SC - Nutricionista |
Q4002986 Português
O texto seguinte servirá de base para responder à questão.

Como agir ao presenciar uma crise convulsiva

Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia

Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo começa a se mover de forma descontrolada. A cena causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes impulsivas. Em situações como essa, informação é cuidado e faz toda a diferença para a segurança de quem está passando pela crise.

Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento, consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os sinais mais comuns que podemos observar, temos: perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo (fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.

Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que aumentam a apreensão de quem está por perto, como olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca, respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária de urina ou fezes.

Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que uma convulsão está prestes a começar."


Como ajudar

Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em crise. Outros comportamentos comuns também precisam ser evitados: 


Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou mordidas graves";

Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.

"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões", orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito sejam aspirados para os pulmões.

"É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço, como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem indicar estado de mal epiléptico, uma emergência médica", alerta.

Depois que a convulsão termina, o cuidado deve continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação. Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de forma calma e não force que ela se levante".

Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos. "Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente."

"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que exige avaliação médica mesmo após crises aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave associada à hipertensão da gravidez, que coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a convulsão é sempre uma emergência médica.


(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.) 
A partir da leitura e análise do texto, é possível identificar com clareza o objetivo principal dele: explicar o que é crise convulsiva e como agir ao presenciar uma. Tendo isso em consideração, assinale a alternativa que indica corretamente a função de linguagem predominante no texto: 
Alternativas
Q4002280 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como agir ao presenciar uma crise convulsiva


Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia


Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo começa a se mover de forma descontrolada. A cena causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes impulsivas. Em situações como essa, informação é cuidado e faz toda a diferença para a segurança de quem está passando pela crise.


Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento, consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os sinais mais comuns que podemos observar, temos: perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo (fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.


Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que aumentam a apreensão de quem está por perto, como olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca, respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária de urina ou fezes.


Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que uma convulsão está prestes a começar."


Como ajudar


Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em crise. Outros comportamentos comuns também precisam ser evitados:


- Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou mordidas graves";


- Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.


"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões", orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito sejam aspirados para os pulmões.


É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço, como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem indicar estado de mal epiléptico, uma emergência médica", alerta.


Depois que a convulsão termina, o cuidado deve continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação. Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de forma calma e não force que ela se levante".


Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos. "Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente."


"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que exige avaliação médica mesmo após crises aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave associada à hipertensão da gravidez, que coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a convulsão é sempre uma emergência médica.


(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.)

A partir da leitura e análise do texto, é possível identificar com clareza o objetivo principal dele: explicar o que é crise convulsiva e como agir ao presenciar uma. Tendo isso em consideração, assinale a alternativa que indica corretamente a função de linguagem predominante no texto:
Alternativas
Q4002276 Português

O texto seguinte servirá de base para responder à questão.


Como agir ao presenciar uma crise convulsiva


Saber reconhecer os sinais e agir com calma pode evitar ferimentos e salvar vidas em um momento que costuma assustar quem presencia


Uma pessoa cai no chão, perde a consciência e o corpo começa a se mover de forma descontrolada. A cena causa medo, silêncio e, muitas vezes, atitudes impulsivas. Em situações como essa, informação é cuidado e faz toda a diferença para a segurança de quem está passando pela crise.


Segundo Débora Lima, fisioterapeuta especialista em neurologia e professora da UNISUAM, uma convulsão ocorre quando há uma descarga elétrica anormal no cérebro, o que provoca alterações súbitas no movimento, consciência e comportamento do indivíduo. "Dentre os sinais mais comuns que podemos observar, temos: perda de consciência, queda súbita, rigidez do corpo (fase tônica) seguida de movimentos repetitivos e involuntários dos braços e pernas (fase clônica)", explica.


Durante a crise, ainda podem surgir outros sinais que aumentam a apreensão de quem está por perto, como olhos revirados, salivação excessiva, espuma pela boca, respiração irregular e, às vezes, eliminação involuntária de urina ou fezes.


Em alguns casos, o corpo dá sinais antes da convulsão acontecer, por isso é necessário prestar atenção aos sinais do corpo, segundo a profissional. "A pessoa pode relatar uma aura (que é uma sensação estranha, como cheiro diferente, tontura ou formigamento), indicando que uma convulsão está prestes a começar."


Como ajudar


Ao presenciar uma convulsão, a primeira atitude deve ser conter o impulso de intervir de forma brusca: não se deve tentar imobilizar o corpo, já que isso pode causar lesões musculares, luxações ou fraturas na pessoa em crise. Outros comportamentos comuns também precisam ser evitados:


- Nunca se deve colocar objetos ou dedos na boca da pessoa. "Isso não evita que ela 'engula a língua' (o que é um mito) e pode causar fraturas dentárias, engasgo ou mordidas graves";


- Oferecer líquidos, alimentos ou medicamentos é igualmente contraindicado, já que aumenta o risco de aspiração pulmonar.


"A primeira conduta é proteger a pessoa contra lesões", orienta Débora. Isso envolve cuidados simples, como afastar objetos, colocar algo macio sob a cabeça e, se possível, deitar a pessoa de lado para evitar que saliva ou vômito sejam aspirados para os pulmões.


É importante afrouxar roupas apertadas no pescoço, como gravatas ou colarinhos, e marcar o tempo da crise, pois crises com duração maior que 5 minutos podem indicar estado de mal epiléptico, uma emergência médica", alerta.


Depois que a convulsão termina, o cuidado deve continuar, isso porque após a crise, a pessoa entra no chamado período pós-ictal, caracterizado por confusão mental, sonolência, dor de cabeça e desorientação. Nesse momento, a orientação é clara: "mantenha a pessoa deitada de lado, observe sua respiração, fale de forma calma e não force que ela se levante".


Atenção redobrada é necessária se surgirem sinais de gravidade, como sangramentos, quedas ou ferimentos. "Se a pessoa não recuperar a consciência, tiver outra crise em seguida ou apresentar dificuldade respiratória, o serviço de emergência deve ser acionado imediatamente."


"Crianças, idosos e gestantes são mais vulneráveis a complicações", afirma. "Em crianças, convulsões podem estar associadas à febre alta (convulsão febril) e devem ser sempre avaliadas por um profissional de saúde". Nos idosos, o risco de traumatismos cranianos, fraturas e causas neurológicas graves (como AVC) é maior, o que exige avaliação médica mesmo após crises aparentemente simples. Já nas gestantes, a convulsão pode estar relacionada à eclâmpsia, uma condição grave associada à hipertensão da gravidez, que coloca em risco tanto a mãe quanto o bebê. Nesses casos, a convulsão é sempre uma emergência médica.


(Júlia Custódio. Disponível em: https://vidasimples.co/saude-do-corpo/como-agir-ao-presenciar-uma-cri se-convulsiva/. Acesso em 09 mar. 2026.)

A partir da leitura, análise, compreensão e interpretação do texto, analise as sentenças a seguir:

I.O texto é organizado em duas grandes partes: a primeira, composta por quatro parágrafos, tem como objetivo principal introduzir o tema para o(a) leitor(a), apresentando de modo mais panorâmico o que é uma crise convulsiva, quais sinais ela dá antes e durante o acontecimento; a segunda parte tem como foco principal explicar e orientar o(a) interlocutor(a) a respeito de como agir diante de uma pessoa em crise convulsiva.

II.O título do texto é objetivo e direto, indicando para o(a) leitor(a) o foco que será dado ao tema. Ele é seguido pelo subtítulo que delimita esse foco, ou seja, enquanto o título apresenta de modo mais amplo − como agir diante de uma crise convulsiva −, o subtítulo delimita esse "como", focando na importância de saber agir. Ambos se complementam.

III.O discurso de autoridade, nesse caso em análise, é irrelevante porque o texto foi publicado em um veículo de comunicação não especializado na área da saúde, ou seja, em uma revista popular. As contribuições da fisioterapeuta apenas dificultam o entendimento do público-leitor, especialmente pelo uso da linguagem científica.

É correto o que se afirma em:
Alternativas
Q4002175 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE uma oração relativa.
Alternativas
Q4002174 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Em relação ao trecho “há algumas rotas claras”, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q4002173 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE uma locução conjuntiva.
Alternativas
Q4002172 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Em “Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento”, o termo destacado é classificado CORRETAMENTE como:
Alternativas
Q4002171 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
No trecho “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis”, a palavra destacada introduz uma:
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Q4002170 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
A conclusão do texto estabelece uma relação entre as decisões energéticas de países como Moçambique e: 
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Q4002169 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
O caso do Quênia é introduzido no texto principalmente para:
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PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Ao discutir o argumento de que países em desenvolvimento deveriam poder utilizar combustíveis fósseis para crescer economicamente, o texto sugere que esse argumento:
Alternativas
Respostas
2641: A
2642: D
2643: A
2644: E
2645: E
2646: C
2647: D
2648: D
2649: C
2650: B
2651: A
2652: C
2653: C
2654: E
2655: D
2656: A
2657: E
2658: C
2659: B
2660: B