Questões de Concurso
Comentadas para especialista em educação - supervisão pedagógica
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Num conceito mais amplo de educação inclusiva, para além da visão estereotipada de pessoas deficientes, analise as afirmativas a seguir, considerando que a isonomia no acesso à educação também é fator de inclusão.
I. A inclusão continua ganhando terreno como uma das mais importantes metas de desenvolvimento em todos os tipos de instituições de ensino.
II. O acesso à tecnologia, a falta de oportunidades, as barreiras linguísticas e as diferenças culturais estão cada vez mais se destacando como prioridades para que o processo de ensinoaprendizagem seja dimensionado em ambientes diversos para cada necessidade.
III. A diversidade e inclusão na educação leva em conta as necessidades e o contexto de cada estudante, favorecendo ambientes de aprendizagem nos quais todos, independentemente de sua origem, etnia ou deficiência, possam desenvolver os próprios talentos para se tornarem membros ativos da comunidade.
Assinale
Com o processo de avanço tecnológico e mudança de perfil de crianças e jovens, analise as afirmativas a seguir no tocante ao aspecto da relação do aluno com a aprendizagem.
I. Assim como a maioria dos profissionais que oferecem um serviço personalizado a cada cliente, levando em conta suas necessidades, suas expectativas e o contexto, a educação está começando a se tornar cada vez mais centrada no aspecto da padronização de um modelo profissional e gerencial.
II. No modelo antigo, todos os alunos tinham que se adaptar ao mesmo programa rígido que os avaliava de acordo com critérios inflexíveis. Além disso, independentemente de suas habilidades particulares, todos tinham que realizar as mesmas atividades.
III. Hoje sabemos que essa é uma das principais causas de desinteresse e desistência. É por isso que agora estamos comprometidos com uma estratégia de ensino-aprendizagem que se baseia nos talentos, interesses e conhecimentos prévios de cada aluno.
Com isso, damos lugar à aprendizagem personalizada e às novas metodologias. Assinale
I. Cada vez mais as instituições estão deixando de lado o processo tradicional de ensino-aprendizagem, no qual um professor dá instruções a um grupo de alunos, enquanto eles respondem passivamente.
II. Considera-se agora que os alunos devem ser ativos e cocriadores do próprio processo acadêmico, e o papel dos professores deve evoluir da direção para a orientação e a facilitação.
III. Foi constatado que o aprendizado significativo é mais bem consolidado através de experiências que levem à colaboração, à comunicação e ao trabalho em equipe.
Assinale
Assinale a alternativa em que não esteja indicado corretamente um aplicativo de pesquisa na Internet.
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão. (L.30-36)
Os três termos sublinhados no período acima exercem função sintática, respectivamente, de
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
No período acima há
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano. (L.11-12)
O segmento sublinhado no período acima, no âmbito do que se informa na sequência, apresenta valor
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
A grafia correta do contrário da palavra sublinhada no período acima é
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
I. O período é composto por coordenação e subordinação.
II. Há duas orações reduzidas.
III. As orações subordinadas são todas substantivas.
Assinale
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Leia atentamente o texto a seguir e responda à questão.
Médicos atribuem morte de 1º paciente
a receber coração de porco a múltiplos fatores
Múltiplos fatores provocaram a morte da primeira pessoa no mundo a receber o transplante de um coração de porco geneticamente modificado. Além disso, vírus suínos detectados no órgão não se espalharam para outras partes do corpo do paciente. A conclusão consta de um estudo, publicado no último dia 29 na revista The Lancet, feito pela equipe médica responsável pela cirurgia.
David Bennett, 57, tinha uma condição cardíaca que o levaria à morte caso não recebesse um transplante de coração. Com outras doenças crônicas, porém, ele não era elegível para um transplante de coração humano.
Em 7 de janeiro de 2022, ele passou por uma operação de oito horas no Centro Médico da Universidade de Maryland para receber o transplante de coração suíno.
O coração suíno foi geneticamente modificado para incluir genes humanos que tornam o órgão mais tolerável pelo nosso sistema imunológico. Outros genes suínos foram deletados para impedir o crescimento do órgão dentro do corpo e outras funções.
A equipe de pesquisadores divulgou no estudo as principais lições aprendidas com o primeiro xenotransplante (nome dado ao procedimento que ocorre com órgãos de outras espécies animais) feito em um paciente ainda vivo.
A ideia é que a pesquisa ajude a identificar possíveis falhas e aprimorar o caminho para novos procedimentos no futuro.
A causa da morte de Bennett foi uma parada cardíaca dois meses depois do procedimento.
Ao analisarem o órgão transplantado, os pesquisadores notaram endurecimento da parede do miocárdio, a musculatura que recobre o coração, danos múltiplos ao endotélio (parede mais fina e interna dos capilares sanguíneos) e inflamação do órgão, consequência provavelmente de uma resposta imune exacerbada desencadeada por uma possível rejeição ao órgão.
Como a saúde do paciente estava deteriorada, os médicos administraram imunoglobulina intravenosa (IVIG, na sigla em inglês) para tentar ajudar a recuperar o sistema imune debilitado. Durante a administração, porém, os anticorpos podem ter reconhecido o órgão como um invasor e provocado a resposta imune contra o próprio tecido cardíaco.
Além disso, foi detectada na análise genética do coração a presença de dois tipos de vírus suínos, o citomegalovírus suíno (PCMV) e o vírus da roséola suína (PRV), mas nenhum fragmento de DNA viral foi detectado em outros órgãos do paciente, o que descarta que uma provável infecção viral tenha causado a morte.
De acordo com os cientistas, é provável que os vírus, que estavam dormentes no órgão, tenham sido liberados da parede do coração após a ação exagerada do sistema imune do paciente. Com a chamada síndrome inflamatória, o vírus pode ter provocado ainda mais deterioração na parede cardíaca.
Um dos pontos levantados pelos autores no estudo é que não foi feito um teste na imunoglobulina intravenosa antes da administração ao paciente para investigar se haveria possibilidade de reação cruzada. Essa reação imune exacerbada poderia ter sido evitada caso células da veia aorta do porco tivessem sido testadas antes da cirurgia.
"É provável que a reação imune tenha sido provocada só após a injeção no paciente, já que detectamos também uma diminuição na expressão gênica dos genes que supostamente previnem a rejeição e uma elevada expressão de genes que regulam a ação inflamatória humana nas células endoteliais", explicam os autores.
"No futuro, pretendemos evitar usar imunoglobulina intravenosa e, se isso não for possível, vamos testar o lote total do medicamento contra células do porco doador antes de usá-lo. Além disso, desenvolvemos um teste e vamos também descartar órgãos de porcos que tenham algum dos vírus suínos que foram encontrados dormentes no órgão", disse Muhammad Mouhidini à Folha.
Os cientistas afirmam, porém, que Bennett foi um herói que voluntariou a própria vida à ciência e esperam que o próximo paciente seja bem-sucedido. "Novos transplantes de porco geneticamente modificados em humanos podem melhorar nossa compreensão dos mecanismos de falha dos xenoenxertos e ajudar a lidar melhor com os procedimentos clínicos", completam os autores.
(Ana Bottallo. https://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2023/07/virussuino-nao-causou-morte-de-1a-pessoa-a-receber-transplante-de-coracao-deporco.shtml. 6.jul.2023)
Em relação à leitura do texto e suas possíveis inferências, analise as afirmativas a seguir:
I. O que levou à decisão de transplante de um coração suíno modificado geneticamente em um humano foi a sua condição de não ser elegível para um transplante de coração humano.
II. Um dos fatores que colaboraram para a morte do paciente é que o coração suíno não foi analisado quanto a genes da espécie que poderiam provocar danos, após transplantado.
III. O que acabou contribuindo para a morte do paciente é que o medicamento para atacar remanescentes de vírus fortaleceram o sistema imunológico do paciente e com isso o sistema de defesa interpretou o coração novo como um intruso.
Assinale