Questões de Concurso Comentadas para profissional de comunicação social júnior

Foram encontradas 121 questões

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Q2949190 Comunicação Social

O filósofo francês Pierre Lévy define a Internet como um "dispositivo de comunicação TODOS-TODOS". Isto porque, segundo esse autor, a Internet é o único meio que:

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Q2949187 Comunicação Social

Devido aos custos inerentes ao processo, a pesquisa de mercado é solicitada quando o objetivo principal do estudo é:

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Q2949185 Comunicação Social

Em meados dos anos 40, Theodor Adorno e Max Horkheimer cunharam o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual, a produção industrial de bens culturais visava, sobretudo, à:

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Q2949183 Comunicação Social

Dentre os desafios que as novas tecnologias propõem para a comunicação contemporânea está o que se convencionou chamar de "convergência das mídias", o que significa:

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Q2949182 Comunicação Social

No relacionamento entre a empresa e a mídia, cada vez mais, se exigem posturas novas das assessorias de comunicação. Algumas estratégias vêm sendo adotadas para que os representantes empresariais se relacionem com a imprensa de modo competente e adequado. A esse processo dá-se o nome de:

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Q2949181 Comunicação Social

Segundo Paul Johnson, citado por Carlos Alberto Di Franco, em Jornalismo, Ética e Qualidade (Vozes, 1996), a invasão de privacidade é o "pecado mais pernicioso da mídia de nossos tempos". A fronteira ética entre o direito à informação e o direito à privacidade é(são) o(a):

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Q2949180 Comunicação Social

O texto jornalístico se caracteriza pelo volume de informação factual e é o resultado da apuração e tratamento dos dados. Portanto, o texto jornalístico deve:

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Q2949178 Comunicação Social

As rápidas mudanças tecnológicas, observadas no processo de comunicação das sociedades, estão dando um novo sentido ao espaço e ao tempo do sujeito contemporâneo. Esse processo tem por base a:

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Q2949177 Comunicação Social

Nos últimos anos, vem-se observando um movimento crescente das empresas na direção da responsabilidade social, que inclui o apoio a eventos culturais e esportivos, bem como a iniciativas filantrópicas. Neste contexto, estimulado por leis federais e estaduais, o chamado marketing cultural é bastante utilizado por grandes empresas. Assim, pode-se considerar que o emprego do marketing cultural constitui um investimento:

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Q2949175 Comunicação Social

Entre os quatro componentes sociológicos que identificam a massa, defendidos por Herbert Blumer, tem-se que: (1) os membros podem vir de qualquer profissão ou camada social; (2) a massa é um grupo anônimo, composto de indivíduos anônimos; (3) a massa é frouxamente organizada; (4) e os membros da massa __________ .

O 4º componente se completa corretamente com:

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Q2949172 Comunicação Social

Muitos fabricantes de bebidas alcoólicas comunicam-se por meio de propaganda e, ao final dos comerciais de TV, spots de rádio ou mesmo anúncios em mídia impressa, são dadas orientações para que o cliente não dirija após a ingestão de álcool. Esta característica específica classifica a propaganda como:

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Q2949166 Comunicação Social

Quando uma agência de comunicação desenvolve o mix de mídia de uma determinada campanha, seus profissionais devem conciliar os interesses e necessidades do cliente com a disponibilidade orçamentária deste, de modo a atingir os objetivos da referida campanha. Para nortear o trabalho da agência, o perfil das mídias jornal, Internet, revista, outdoor e televisão, respectivamente, possuem como vantagens:

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Q2949164 Marketing

Quando uma empresa utiliza uma marca já estabelecida para lançar um novo produto, faz o que chamamos comumente de extensão de marca. Quando esta tem como alvo um novo segmento de mercado de uma categoria atualmente atendida pela marca-mãe é classificada como extensão de:

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Q2949161 Comunicação Social

A Promoção de Vendas é um importante elemento do mix de comunicação integrada, tendo recebido atenção crescente nos últimos anos, quando da elaboração dos orçamentos de comunicação de empresas de todos os tipos e portes. Neste contexto, o merchandising no ponto de venda integra o plano de comunicação quando é o caso de:

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Q2949159 Matemática Financeira

A tabela a seguir fornece os preços médios da saca de 60kg de milho e da saca de 60kg de trigo.

Milho

R$ 16,00

Trigo

R$ 25,00

Em média, é possível fabricar 37L de etanol com 100kg de milho e 35L de etanol com 100kg de trigo.

De acordo com as informações fornecidas e mantidos todos os valores apresentados, assim como as proporções, pode-se concluir corretamente que:

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Q2949127 Português

Acostumar-se a tudo?

A gente se acostuma praticamente a tudo.

Isso é bom? Isso é ruim?

A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.

Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-

5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em

condições muitas vezes bastante adversas.

Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry

contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de

montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver

10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e

inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,

na medida do possível, poder dominá-las.

Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele

falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.

15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode

funcionar como mola propulsora de um mecanismo

oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de

coisas inaceitáveis.

É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.

20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo

agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.

Quando nos acostumamos a ver o que se passa

em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,

deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de

25 nos assustar e de nos preocupar com elas.

O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos

Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com

Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados

com a imponência dos prédios, Lorca se referia a

30 eles como “montanhas de cimento”.

Enquanto os turistas admiram a qualidade da

comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava

com o fato de ninguém se escandalizar com a matança

dos animais. (...)

35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em

relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos

seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais

esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.

Lorca interpela os que se beneficiam com esse

40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo

das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /

Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de

marinheiro”.

Acusa os detentores do poder e da riqueza de

45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer

apenas como espaço de rudes entretenimentos e

vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:

“Cuspo-lhes na cara”.

É possível que alguns aspectos da reação do poeta

50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York

também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,

encena peças magníficas, faz um excelente cinema,

apresenta espetáculos musicais fantásticos.

O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar

55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face

luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale

como símbolo das contradições que estão enraizadas

em praticamente todas as grandes cidades modernas.

Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua

60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos

que podem ser superados, em feridas que podem ser

curadas por um tratamento tópico.

Falta-lhes a percepção de que determinadas

questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por

65 uma mudança radical, através de um novo modelo.

Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam

pensadas e postas em prática soluções para os impasses

a que chegaram as nossas megalópoles.

O que é pior do que ter graves problemas? É ter

70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.

A condenação do poeta levanta questões para as

quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos

presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as

encaremos.

KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.

Assinale a opção em que o par de orações NÃO apresenta transformação da voz verbal.

Alternativas
Q2949122 Português

Acostumar-se a tudo?

A gente se acostuma praticamente a tudo.

Isso é bom? Isso é ruim?

A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.

Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-

5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em

condições muitas vezes bastante adversas.

Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry

contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de

montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver

10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e

inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,

na medida do possível, poder dominá-las.

Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele

falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.

15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode

funcionar como mola propulsora de um mecanismo

oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de

coisas inaceitáveis.

É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.

20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo

agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.

Quando nos acostumamos a ver o que se passa

em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,

deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de

25 nos assustar e de nos preocupar com elas.

O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos

Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com

Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados

com a imponência dos prédios, Lorca se referia a

30 eles como “montanhas de cimento”.

Enquanto os turistas admiram a qualidade da

comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava

com o fato de ninguém se escandalizar com a matança

dos animais. (...)

35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em

relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos

seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais

esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.

Lorca interpela os que se beneficiam com esse

40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo

das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /

Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de

marinheiro”.

Acusa os detentores do poder e da riqueza de

45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer

apenas como espaço de rudes entretenimentos e

vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:

“Cuspo-lhes na cara”.

É possível que alguns aspectos da reação do poeta

50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York

também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,

encena peças magníficas, faz um excelente cinema,

apresenta espetáculos musicais fantásticos.

O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar

55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face

luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale

como símbolo das contradições que estão enraizadas

em praticamente todas as grandes cidades modernas.

Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua

60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos

que podem ser superados, em feridas que podem ser

curadas por um tratamento tópico.

Falta-lhes a percepção de que determinadas

questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por

65 uma mudança radical, através de um novo modelo.

Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam

pensadas e postas em prática soluções para os impasses

a que chegaram as nossas megalópoles.

O que é pior do que ter graves problemas? É ter

70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.

A condenação do poeta levanta questões para as

quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos

presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as

encaremos.

KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.

Em "Afinal, Nova York também é lugar de cultura," (l. 50-51), o termo destacado introduz um novo período, atribuindo a este, em relação ao anterior, a noção de:

Alternativas
Q2949112 Português

Acostumar-se a tudo?

A gente se acostuma praticamente a tudo.

Isso é bom? Isso é ruim?

A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.

Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-

5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em

condições muitas vezes bastante adversas.

Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry

contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de

montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver

10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e

inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,

na medida do possível, poder dominá-las.

Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele

falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.

15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode

funcionar como mola propulsora de um mecanismo

oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de

coisas inaceitáveis.

É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.

20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo

agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.

Quando nos acostumamos a ver o que se passa

em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,

deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de

25 nos assustar e de nos preocupar com elas.

O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos

Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com

Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados

com a imponência dos prédios, Lorca se referia a

30 eles como “montanhas de cimento”.

Enquanto os turistas admiram a qualidade da

comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava

com o fato de ninguém se escandalizar com a matança

dos animais. (...)

35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em

relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos

seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais

esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.

Lorca interpela os que se beneficiam com esse

40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo

das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /

Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de

marinheiro”.

Acusa os detentores do poder e da riqueza de

45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer

apenas como espaço de rudes entretenimentos e

vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:

“Cuspo-lhes na cara”.

É possível que alguns aspectos da reação do poeta

50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York

também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,

encena peças magníficas, faz um excelente cinema,

apresenta espetáculos musicais fantásticos.

O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar

55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face

luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale

como símbolo das contradições que estão enraizadas

em praticamente todas as grandes cidades modernas.

Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua

60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos

que podem ser superados, em feridas que podem ser

curadas por um tratamento tópico.

Falta-lhes a percepção de que determinadas

questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por

65 uma mudança radical, através de um novo modelo.

Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam

pensadas e postas em prática soluções para os impasses

a que chegaram as nossas megalópoles.

O que é pior do que ter graves problemas? É ter

70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.

A condenação do poeta levanta questões para as

quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos

presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as

encaremos.

KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.

O significado da expressão "tratamento tópico" (l. 62) está, no texto, em oposição a:

Alternativas
Q2949110 Português

Acostumar-se a tudo?

A gente se acostuma praticamente a tudo.

Isso é bom? Isso é ruim?

A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.

Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-

5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em

condições muitas vezes bastante adversas.

Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry

contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de

montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver

10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e

inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,

na medida do possível, poder dominá-las.

Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele

falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.

15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode

funcionar como mola propulsora de um mecanismo

oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de

coisas inaceitáveis.

É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.

20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo

agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.

Quando nos acostumamos a ver o que se passa

em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,

deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de

25 nos assustar e de nos preocupar com elas.

O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos

Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com

Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados

com a imponência dos prédios, Lorca se referia a

30 eles como “montanhas de cimento”.

Enquanto os turistas admiram a qualidade da

comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava

com o fato de ninguém se escandalizar com a matança

dos animais. (...)

35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em

relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos

seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais

esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.

Lorca interpela os que se beneficiam com esse

40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo

das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /

Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de

marinheiro”.

Acusa os detentores do poder e da riqueza de

45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer

apenas como espaço de rudes entretenimentos e

vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:

“Cuspo-lhes na cara”.

É possível que alguns aspectos da reação do poeta

50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York

também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,

encena peças magníficas, faz um excelente cinema,

apresenta espetáculos musicais fantásticos.

O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar

55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face

luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale

como símbolo das contradições que estão enraizadas

em praticamente todas as grandes cidades modernas.

Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua

60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos

que podem ser superados, em feridas que podem ser

curadas por um tratamento tópico.

Falta-lhes a percepção de que determinadas

questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por

65 uma mudança radical, através de um novo modelo.

Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam

pensadas e postas em prática soluções para os impasses

a que chegaram as nossas megalópoles.

O que é pior do que ter graves problemas? É ter

70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.

A condenação do poeta levanta questões para as

quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos

presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as

encaremos.

KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.

Assinale a afirmativa que se comprova no texto.

Alternativas
Q2949108 Português

Acostumar-se a tudo?

A gente se acostuma praticamente a tudo.

Isso é bom? Isso é ruim?

A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.

Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-

5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em

condições muitas vezes bastante adversas.

Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry

contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de

montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver

10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e

inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,

na medida do possível, poder dominá-las.

Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele

falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.

15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode

funcionar como mola propulsora de um mecanismo

oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de

coisas inaceitáveis.

É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.

20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo

agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.

Quando nos acostumamos a ver o que se passa

em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,

deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de

25 nos assustar e de nos preocupar com elas.

O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos

Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com

Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados

com a imponência dos prédios, Lorca se referia a

30 eles como “montanhas de cimento”.

Enquanto os turistas admiram a qualidade da

comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava

com o fato de ninguém se escandalizar com a matança

dos animais. (...)

35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em

relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos

seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais

esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.

Lorca interpela os que se beneficiam com esse

40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo

das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /

Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de

marinheiro”.

Acusa os detentores do poder e da riqueza de

45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer

apenas como espaço de rudes entretenimentos e

vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:

“Cuspo-lhes na cara”.

É possível que alguns aspectos da reação do poeta

50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York

também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,

encena peças magníficas, faz um excelente cinema,

apresenta espetáculos musicais fantásticos.

O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar

55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face

luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale

como símbolo das contradições que estão enraizadas

em praticamente todas as grandes cidades modernas.

Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua

60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos

que podem ser superados, em feridas que podem ser

curadas por um tratamento tópico.

Falta-lhes a percepção de que determinadas

questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por

65 uma mudança radical, através de um novo modelo.

Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam

pensadas e postas em prática soluções para os impasses

a que chegaram as nossas megalópoles.

O que é pior do que ter graves problemas? É ter

70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.

A condenação do poeta levanta questões para as

quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos

presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as

encaremos.

KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.

A partir do texto, interpreta-se a capacidade de adaptação, na vida da sociedade, como:

Alternativas
Respostas
101: E
102: B
103: C
104: A
105: B
106: B
107: C
108: A
109: B
110: D
111: C
112: E
113: D
114: C
115: B
116: B
117: A
118: C
119: C
120: A