Questões de Concurso
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O filósofo francês Pierre Lévy define a Internet como um "dispositivo de comunicação TODOS-TODOS". Isto porque, segundo esse autor, a Internet é o único meio que:
Devido aos custos inerentes ao processo, a pesquisa de mercado é solicitada quando o objetivo principal do estudo é:
Em meados dos anos 40, Theodor Adorno e Max Horkheimer cunharam o conceito de Indústria Cultural, segundo o qual, a produção industrial de bens culturais visava, sobretudo, à:
Dentre os desafios que as novas tecnologias propõem para a comunicação contemporânea está o que se convencionou chamar de "convergência das mídias", o que significa:
No relacionamento entre a empresa e a mídia, cada vez mais, se exigem posturas novas das assessorias de comunicação. Algumas estratégias vêm sendo adotadas para que os representantes empresariais se relacionem com a imprensa de modo competente e adequado. A esse processo dá-se o nome de:
Segundo Paul Johnson, citado por Carlos Alberto Di Franco, em Jornalismo, Ética e Qualidade (Vozes, 1996), a invasão de privacidade é o "pecado mais pernicioso da mídia de nossos tempos". A fronteira ética entre o direito à informação e o direito à privacidade é(são) o(a):
O texto jornalístico se caracteriza pelo volume de informação factual e é o resultado da apuração e tratamento dos dados. Portanto, o texto jornalístico deve:
As rápidas mudanças tecnológicas, observadas no processo de comunicação das sociedades, estão dando um novo sentido ao espaço e ao tempo do sujeito contemporâneo. Esse processo tem por base a:
Nos últimos anos, vem-se observando um movimento crescente das empresas na direção da responsabilidade social, que inclui o apoio a eventos culturais e esportivos, bem como a iniciativas filantrópicas. Neste contexto, estimulado por leis federais e estaduais, o chamado marketing cultural é bastante utilizado por grandes empresas. Assim, pode-se considerar que o emprego do marketing cultural constitui um investimento:
Entre os quatro componentes sociológicos que identificam a massa, defendidos por Herbert Blumer, tem-se que: (1) os membros podem vir de qualquer profissão ou camada social; (2) a massa é um grupo anônimo, composto de indivíduos anônimos; (3) a massa é frouxamente organizada; (4) e os membros da massa __________ .
O 4º componente se completa corretamente com:
Muitos fabricantes de bebidas alcoólicas comunicam-se por meio de propaganda e, ao final dos comerciais de TV, spots de rádio ou mesmo anúncios em mídia impressa, são dadas orientações para que o cliente não dirija após a ingestão de álcool. Esta característica específica classifica a propaganda como:
Quando uma agência de comunicação desenvolve o mix de mídia de uma determinada campanha, seus profissionais devem conciliar os interesses e necessidades do cliente com a disponibilidade orçamentária deste, de modo a atingir os objetivos da referida campanha. Para nortear o trabalho da agência, o perfil das mídias jornal, Internet, revista, outdoor e televisão, respectivamente, possuem como vantagens:
Quando uma empresa utiliza uma marca já estabelecida para lançar um novo produto, faz o que chamamos comumente de extensão de marca. Quando esta tem como alvo um novo segmento de mercado de uma categoria atualmente atendida pela marca-mãe é classificada como extensão de:
A Promoção de Vendas é um importante elemento do mix de comunicação integrada, tendo recebido atenção crescente nos últimos anos, quando da elaboração dos orçamentos de comunicação de empresas de todos os tipos e portes. Neste contexto, o merchandising no ponto de venda integra o plano de comunicação quando é o caso de:
A tabela a seguir fornece os preços médios da saca de 60kg de milho e da saca de 60kg de trigo.
Milho |
R$ 16,00 |
Trigo |
R$ 25,00 |
Em média, é possível fabricar 37L de etanol com 100kg de milho e 35L de etanol com 100kg de trigo.
De acordo com as informações fornecidas e mantidos todos os valores apresentados, assim como as proporções, pode-se concluir corretamente que:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
Assinale a opção em que o par de orações NÃO apresenta transformação da voz verbal.
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
Em "Afinal, Nova York também é lugar de cultura," (l. 50-51), o termo destacado introduz um novo período, atribuindo a este, em relação ao anterior, a noção de:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
O significado da expressão "tratamento tópico" (l. 62) está, no texto, em oposição a:
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
Assinale a afirmativa que se comprova no texto.
Acostumar-se a tudo?
A gente se acostuma praticamente a tudo.
Isso é bom? Isso é ruim?
A resposta – inevitável – é: isso é bom e é ruim.
Senão, vejamos. Nossa elasticidade, nossa capa-
5 cidade de adaptação, tem permitido que sobrevivamos em
condições muitas vezes bastante adversas.
Lembro-me de que o escritor francês Saint-Exupéry
contou, uma vez, sobre como o avião caiu em cima de
montanhas geladas e como o piloto conseguiu sobreviver
10 durante vários dias, enfrentando o frio, a fome, a dor e
inúmeros perigos, adaptando-se às circunstâncias para,
na medida do possível, poder dominá-las.
Nunca esquecerei o justificado orgulho com que ele
falou: “O que eu fiz, nenhum bicho jamais faria”.
15 Por outro lado, a capacidade de adaptação pode
funcionar como mola propulsora de um mecanismo
oportunista, de uma facilitação resignada à aceitação de
coisas inaceitáveis.
É um fenômeno que, infelizmente, não é raro.
20 Acontece nas melhores famílias. Pode estar acontecendo
agora mesmo, com você, que está lendo este jornal.
Quando nos acostumamos a ver o que se passa
em volta e começamos a achar que tudo é “normal”,
deixamos de enxergar as “anormalidades”, deixamos de
25 nos assustar e de nos preocupar com elas.
O poeta espanhol Federico Garcia Lorca esteve nos
Estados Unidos em 1929/1930 e ficou assustado com
Nova York. Enquanto os turistas, como nós, ficam maravilhados
com a imponência dos prédios, Lorca se referia a
30 eles como “montanhas de cimento”.
Enquanto os turistas admiram a qualidade da
comida nos magníficos restaurantes, Lorca se espantava
com o fato de ninguém se escandalizar com a matança
dos animais. (...)
35 A insensibilidade se generaliza, a indiferença em
relação aos animais se estende, inexoravelmente, aos
seres humanos. A mesma máquina que tritura os animais
esmaga as vacas e sufoca os seres humanos.
Lorca interpela os que se beneficiam com esse
40 sistema, investe contra a contabilidade deles: “Embaixo
das multiplicações / há uma gota de sangue de pato. /
Embaixo das divisões, há uma gota de sangue de
marinheiro”.
Acusa os detentores do poder e da riqueza de
45 camuflarem a dura realidade social para fazê-la aparecer
apenas como espaço de rudes entretenimentos e
vertiginoso progresso tecnológico. Furioso, brada:
“Cuspo-lhes na cara”.
É possível que alguns aspectos da reação do poeta
50 nos pareçam exagerados, unilaterais. Afinal, Nova York
também é lugar de cultura, tem museus maravilhosos,
encena peças magníficas, faz um excelente cinema,
apresenta espetáculos musicais fantásticos.
O exagero, porém, ajuda Garcia Lorca a chamar
55 a nossa atenção para o “lado noturno” dessa “face
luminosa” de Nova York. E Nova York, no caso, vale
como símbolo das contradições que estão enraizadas
em praticamente todas as grandes cidades modernas.
Os habitantes dessas cidades tendem a fixar sua
60 atenção em falhas que podem ser sanadas, em defeitos
que podem ser superados, em feridas que podem ser
curadas por um tratamento tópico.
Falta-lhes a percepção de que determinadas
questões só poderiam ser efetivamente resolvidas por
65 uma mudança radical, através de um novo modelo.
Só um modelo novo de cidade permitirá que sejam
pensadas e postas em prática soluções para os impasses
a que chegaram as nossas megalópoles.
O que é pior do que ter graves problemas? É ter
70 graves problemas e se recusar a reconhecê-los.
A condenação do poeta levanta questões para as
quais não temos, atualmente, soluções viáveis. Lorca nos
presta, contudo, o relevante serviço de nos cobrar que as
encaremos.
KONDER, Leandro. Jornal do Brasil. 26 maio 2005.
A partir do texto, interpreta-se a capacidade de adaptação, na vida da sociedade, como: