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Q4004665 Noções de Primeiros Socorros
Em situações de emergência, o número para o qual se deve ligar para acionar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), que é um dos componentes da Política Nacional de Atenção às Urgências do Ministério da Saúde e faz parte da Rede Assistencial Pré-Hospitalar Móvel de atendimento às urgências quando são prestadas orientações sobre as primeiras ações é:
Alternativas
Q4004663 Farmácia
Está comumente associada à alta incidência de efeitos colaterais no trato gastrointestinal, pelo fato de inibirem as ciclo-oxigenases, que são enzimas responsáveis pela síntese das prostaglandinas que normalmente inibem a secreção de ácido gástrico e que protegem a mucosa.
O enunciado acima define CORRETAMENTE:
Alternativas
Q4002185 Direito Sanitário
O Art. 7º da Lei n.º 8.080/1990, com redações e inclusões posteriores, estabelece princípios fundamentais para a organização das ações e serviços de saúde no SUS. Sobre esses princípios, é CORRETO afirmar que:
Alternativas
Q4002181 Direito Sanitário
A Lei n.º 8.142/1990 foi elaborada em complementação à Lei n.º 8.080/1990 na regulamentação do grande Sistema Único de Saúde (SUS). Dessa forma, a principal inovação trazida pela Lei n.º 8.142/1990 foi:
Alternativas
Q4002175 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE uma oração relativa.
Alternativas
Q4002174 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Em relação ao trecho “há algumas rotas claras”, é CORRETO afirmar que:
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Q4002173 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Assinale a alternativa que destaca CORRETAMENTE uma locução conjuntiva.
Alternativas
Q4002172 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Em “Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento”, o termo destacado é classificado CORRETAMENTE como:
Alternativas
Q4002171 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
No trecho “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis”, a palavra destacada introduz uma:
Alternativas
Q4002170 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
A conclusão do texto estabelece uma relação entre as decisões energéticas de países como Moçambique e: 
Alternativas
Q4002169 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
O caso do Quênia é introduzido no texto principalmente para:
Alternativas
Q4002167 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
Ao discutir o argumento de que países em desenvolvimento deveriam poder utilizar combustíveis fósseis para crescer economicamente, o texto sugere que esse argumento:
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Q4002166 Português
TEXTO

PAÍSES POBRES DEVEM APOSTAR EM CARBONO OU RENOVÁVEIS?

    Moçambique está numa encruzilhada. Na costa norte, projetos de gás offshore avaliados em bilhões de dólares podem trazer receitas significativas. Ao mesmo tempo, o país é uma potência hidrelétrica e tem enorme potencial inexplorado nas energias solar e eólica. “Esses casos são interessantes porque ainda não há custos irrecuperáveis. É possível seguir em diferentes direções”, diz o especialista Philipp Trotter, professor de gestão de sustentabilidade na Universidade de Wuppertal, na Alemanha.

    À medida que aumenta a pressão global pela drástica redução das emissões de gases de efeito estufa, o caso moçambicano reflete o dilema em muitos países pobres: eles precisam queimar combustíveis fósseis para prosperar economicamente ou podem saltar diretamente para a energia limpa? Por décadas, as nações ricas e industrializadas construíram sua riqueza queimando carvão, petróleo e gás, produzindo uma parcela desproporcional das emissões globais de gases de efeito estufa.

    Historicamente, Estados Unidos, União Europeia e China são os maiores poluidores do mundo, segundo o Orçamento Global de Carbono (Global Carbon Budget, no original em inglês), relatório anual liderado pela Universidade de Exeter, no Reino Unido, sobre as tendências nas emissões globais de carbono.

    Muitos líderes do setor energético na África e na Ásia argumentam que é injusto negar às economias em desenvolvimento de hoje a mesma rota para o crescimento. Mas, com as emissões de gases de efeito estufa em níveis recordes e o aquecimento do planeta em aceleração, cientistas do clima alertam que o planeta já não dispõe de um orçamento de carbono que permita a todos seguir esse caminho.

    Há poucas pesquisas científicas, porém, sobre qual caminho seria mais vantajoso para países diante dessa encruzilhada, como Moçambique, Senegal ou Mauritânia. “Do ponto de vista moral, faz todo sentido que, se alguém pode usar combustíveis fósseis, então que sejam os países mais pobres”, aponta Trotter. “O problema desse argumento é que ele ignora o lado econômico.”

    Permanece incerto se o gás ainda será competitivo nos mercados internacionais quando ele for produzido, daqui a vários anos. Afinal, grandes economias pretendem reduzir drasticamente suas emissões até 2050, e analistas preveem que o pico na demanda por gás, carvão e petróleo poderá ser atingido na atual década. “Então, você está investindo muito dinheiro sem uma vantagem competitiva dentro de um mercado que está encolhendo”, prossegue Trotter. “Pode dar certo, mas há um risco extremo.”

    No papel, a economia das fontes de energia renovável mudou decisivamente. Mais de 90% dos novos projetos de energia limpa no mundo produzem eletricidade a um custo menor do que novas usinas de combustíveis fósseis, segundo a Agência Internacional para as Energias Renováveis (Irena).

    Mas baixos custos operacionais não são tudo. Construir esses sistemas verdes ainda requer um investimento inicial pesado em parques eólicos e solares, redes de transmissão, armazenamento e mais. Esses custos são, não raro, mais difíceis de absorver para países mais pobres.

    No Quênia, a aposta deu certo. O país gera quase 90% da sua eletricidade a partir de fontes renováveis, principalmente de energia geotérmica, hidrelétrica e eólica. E pretende chegar a 100%, com acesso universal, até 2030. “O Quênia tem abundante energia geotérmica, que é como um ovo de ouro”, explica a especialista queniana em energia Rose M. Mutiso. “Mas, obviamente, o país se esforçou para desenvolver esses recursos ao longo do tempo.”

    O governo queniano começou a investir pesado nesse “ovo de ouro” nos anos 1990 e início dos 2000, depois que secas expuseram os riscos de depender demais da hidreletricidade. Por meio da sua empresa estatal, o país usou dinheiro público e empréstimos de bancos de desenvolvimento para cobrir as etapas iniciais e arriscadas de exploração do calor subterrâneo, antes que investidores privados entrassem. “Essa não acontece da noite para o dia. É um processo longo e sustentado”, acrescenta Mutiso.

    Mas partes desse modelo podem ser difíceis de serem replicados por países como Moçambique ou Senegal. Altamente endividados e com classificações de crédito mais baixas que as do Quênia, eles podem ter mais dificuldade para obter empréstimos ou atrair investimentos.

    Não existe uma solução única para todas as transições energéticas. Pesquisadores já constataram que o caminho que um país pode seguir depende de vários fatores: como os combustíveis fósseis estão integrados à sua economia, se eles são usados sobretudo internamente ou exportados e quão diversificada já é a economia. Isso mostra por que faz pouco sentido comparar a Etiópia, por exemplo, que se eletrificou em grande parte por meio de hidreletricidade barata graças aos seus recursos fluviais, com a Índia, que depende do carvão para a maior parte de sua eletricidade e emprega milhões de pessoas nessa cadeia.

    No caso indiano, a queda nos preços da energia eólica e solar ajudou a impulsionar um programa ambicioso de energias renováveis. O país ocupa hoje a quarta posição mundial em capacidade instalada de energia limpa. Mas o carvão ainda responde por mais de 70% da geração elétrica. Proporcionalmente à população, o setor emprega poucas pessoas em nível nacional, mas continua sendo a única atividade econômica em algumas regiões. Ao mesmo tempo, a demanda por energia cresce rapidamente, à medida que a indústria se expande e os padrões de vida aumentam.

    A dupla missão de executar uma transição verde e justa e atender a um crescente consumo de eletricidade “não é fácil num cronograma acelerado”, afirma Rahul Tongia, pesquisador sênior do Centro para Progresso Social e Econômico. Embora os países mais pobres enfrentem realidades muito diferentes entre si, há algumas rotas claras pelas quais as nações mais ricas poderiam apoiá-los para acelerar a mudança para a energia renovável. No topo da lista está enfrentar o alto custo inicial.

    “Os países desenvolvidos e os grandes emissores precisam manter o acelerador pressionado porque o desenvolvimento e implementação de novas tecnologias por eles reduz os custos para os países mais pobres”, prossegue Tongia. “Então eles que paguem o custo inicial mais alto das novas tecnologias.”

    Países pobres e especialistas em clima também argumentam há muito tempo que é necessário muito mais financiamento climático público para destravar investimentos privados. Sem garantias e compartilhamento de riscos, muitos projetos de energia limpa continuam arriscados demais na avaliação dos bancos.

    “É preciso tornar o capital acessível, mas também oferecer garantias que reduzam o risco percebido”, diz Trotter. “É aí que os países desenvolvidos podem agir”. Em 2024, durante a conferência climática da ONU, a COP 29, os governos concordaram com uma nova meta de financiamento climático de pelo menos 300 bilhões de dólares por ano até 2035. Muitos países em desenvolvimento dizem que o valor ainda é insuficiente.

    Já na COP30, que aconteceu em Belém em 2025, o Brasil defendeu, enquanto ocupava a presidência da conferência da ONU, um plano estratégico para elevar o montante a 1,3 trilhão de dólares. Para Moçambique, essa diferença pode ser decisiva. O caminho a ser seguido – as promessas do gás ou a aposta no sol e no vento – poderá depender dos investimentos dos países ricos num futuro mais limpo.

Disponível em: <https://www.dw.com/pt-br/países-pobres-devem-apostar-em-carbono-ou-energias-renováveis/a75406332>. Adaptado. Acesso em: 27 de março de 2026.
A menção inicial à “encruzilhada” em que se encontra Moçambique cumpre, no desenvolvimento argumentativo do texto, sobretudo a função de:
Alternativas
Q3201774 Técnicas em Laboratório
Em caso de queimaduras por ácidos, deve-se proceder: 
Alternativas
Q3201773 Técnicas em Laboratório
As luvas de fio de kevlar tricotado, são Equipamentos de Proteção Individual, recomendadas para o manuseio de:
Alternativas
Q3201772 Técnicas em Laboratório
Os agentes de riscos biológicos podem ser distribuídos em classes, de acordo com a patogenicidade para o homem, virulência, modos de transmissão, disponibilidade de medidas profiláticas eficazes e disponibilidade de tratamento eficaz e endemicidade. Quando há um moderado risco individual e limitado risco para a comunidade, implica na seguinte classificação:
Alternativas
Q3201771 Técnicas em Laboratório
Considera-se manipulação de produtos químicos desde a abertura de sua embalagem, até o descarte da mesma, após todo o produto ter sido utilizado. Assinale a alternativa que se refere ao produto químicos descrito abaixo:

É um poderoso agente desidratante. Na forma concentrada, reage explosivamente com potássio e sódio metálicos, permanganatos, cloratos, álcool benzílico, além do risco de provocar queimaduras severas na pele e olhos, mesmo em soluções diluídas. Deve ser manipulado em capela, usando-se equipamento de proteção.
Alternativas
Q3201768 Técnicas em Laboratório
Considere as afirmações abaixo, e assinale a alternativa que indica as verdadeiras:

I. Uma característica importante das células eucarióticas é o fato de a cromatina, ao contrário do que ocorre com a célula bacteriana, estar envolvida por uma membrana nuclear (carioteca), destacando-se assim um núcleo diferenciado.
II. Ribossomos são estruturas onde se sintetizam proteínas. São quimicamente semelhantes aos ribossomos das células procarióticas.
III. Os vírus não contradizem a teoria celular, pois para se expressar como seres vivos eles sempre dependem de células. Sua reprodução depende do equipamento celular que ‘tomam emprestado’ de um outro ser vivo, que lhes serve de hospedeiro.
Alternativas
Q3201767 Técnicas em Laboratório
Há diversos métodos especiais de coloração que propiciam uma melhor identificação de determinados componentes teciduais. Para evidenciar Glicoproteínas neutras, utiliza-se o seguinte elemento da matriz celular:
Alternativas
Q3201766 Técnicas em Laboratório
A combinação bicrômica considerada coloração universal em histologia e histopatologia é a hematoxilina e eosina. A eosina, atraída pelos elementos básicos das proteínas citoplasmáticas, confere ao citoplasma, uma coloração:
Alternativas
Respostas
1: C
2: A
3: C
4: B
5: C
6: E
7: D
8: A
9: E
10: C
11: B
12: B
13: A
14: A
15: C
16: B
17: E
18: D
19: A
20: C