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Já tive muitas capas e infinitos guarda-chuvas, mas acabei me cansando de tê-los e perdê-los; há anos vivo sem nenhum desses abrigos, e também, como toda gente, sem chapéu. Tenho apanhado muita chuva, dado muita corrida, me plantado debaixo de muita marquise, mas resistido.
Ontem, porém, choveu demais, e eu precisava ir a três pontos diferentes do bairro. Pedi ao moço de recados, quando veio apanhar a crônica para o jornal, que me comprasse um chapéu-de-chuva que não fosse vagabundo demais, mas também não muito caro. Ele me comprou um de pouco mais de trezentos cruzeiros.
Depois de cumprir meus afazeres voltei para casa, pendurei o guarda-chuva a um canto e me pus a contemplá-lo. Senti então uma certa simpatia por ele; meu velho rancor contra os guarda-chuvas cedeu a um estranho carinho, e eu mesmo fiquei curioso de saber qual a origem desse carinho.
Pensando bem, ele talvez derive do fato de ser o guarda-chuva o objeto do mundo moderno mais infenso a mudanças. Sou apenas um quarentão, e praticamente nenhum objeto de minha infância existe mais em sua forma primitiva.
O guarda-chuva tem resistido. Suas irmãs, as sombrinhas, já se entregaram aos piores desregramentos futuristas e tanto abusaram que até caíram de moda. Ele permaneceu austero, negro, com seu cabo e suas invariáveis varetas.
Reparem que é um dos engenhos mais curiosos que o homem já inventou; tem ao mesmo tempo algo de ridículo e algo de fúnebre, essa pequena barraca ambulante.
Já na minha infância era um objeto de ares antiquados, que parecia vindo de épocas remotas, e uma de suas características era ser muito usado em enterros. Por outro lado, esse grande acompanhador de defuntos sempre teve, apesar de seu feitio grave, o costume leviano de se perder, de sumir, de mudar de dono. Ele na verdade só é fiel a seus amigos cem por cento, que com ele saem todo dia, faça chuva ou sol, apesar dos motejos alheios; a estes, respeita. O freguês vulgar e ocasional, este o irrita, e ele se aproveita da primeira distração para sumir.
(Adaptado de: BRAGA, Rubem. Coisas antigas. In: 200 Crônicas escolhidas. 13. ed. Rio de Janeiro: Record, 1998, p.217-9)
A morte e a morte do poeta
Ao ler o seu necrológio no jornal outro dia, o pianista Marcos Resende primeiro tratou de verificar que estava vivo, bem vivo. Em seguida gravou uma mensagem na sua secretária eletrônica: “Hoje é 27 e eu não morri. Não posso atender porque estou na outra linha dando a mesma explicação”. Quando li esta nota, me lembrei de como tudo neste mundo caminha cada vez mais depressa. Em 1862, chegou aqui a notícia da morte de Gonçalves Dias.
O poeta estava a bordo do Grand Condé havia cinquenta e cinco dias. O brigue chegou a Marselha com um morto a bordo. À falta de lazareto, o navio estava obrigado à caceteação da quarentena. Gonçalves Dias tinha ido se tratar na Europa e logo se concluiu que era ele o morto. A notícia chegou ao Instituto Histórico durante uma sessão presidida por d. Pedro II. Suspensa a sessão, começaram as homenagens ao que era tido e havido como o maior poeta do Brasil.
Suspeitar que podia ser mentira? Impossível. O imperador, em pleno Instituto Histórico, só podia ser verdade. Ofícios fúnebres solenes foram celebrados na Corte e na província. Vinte e cinco nênias saíram publicadas de estalo. Joaquim Serra, Juvenal Galeno e Bernardo Guimarães debulharam lágrimas de esguicho, quentes e sinceras. O grande poeta! O grande amigo! Que trágica perda! As comunicações se arrastavam a passo de cágado. Mal se começava a aliviar o luto fechado, dois meses depois chegou o desmentido: morreu, uma vírgula! Vivinho da silva.
A carta vinha escrita pela mão do próprio poeta: “É mentira! Não morri, nem morro, nem hei de morrer nunca mais!” Entre exclamações, citou Horácio: “Não morrerei de todo.” Todavia, morreu, claro. E morreu num naufrágio, vejam a coincidência. Em 1864, trancado na sua cabine do Ville de Boulogne, à vista da costa do Maranhão. Seu corpo não foi encontrado. Terá sido devorado pelos tubarões. Mas o poeta, este de fato não morreu.
[...]
(Adaptado de: RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. São Paulo: Cia das Letras, 2011, p.107-8)
A morte e a morte do poeta
Ao ler o seu necrológio no jornal outro dia, o pianista Marcos Resende primeiro tratou de verificar que estava vivo, bem vivo. Em seguida gravou uma mensagem na sua secretária eletrônica: “Hoje é 27 e eu não morri. Não posso atender porque estou na outra linha dando a mesma explicação”. Quando li esta nota, me lembrei de como tudo neste mundo caminha cada vez mais depressa. Em 1862, chegou aqui a notícia da morte de Gonçalves Dias.
O poeta estava a bordo do Grand Condé havia cinquenta e cinco dias. O brigue chegou a Marselha com um morto a bordo. À falta de lazareto, o navio estava obrigado à caceteação da quarentena. Gonçalves Dias tinha ido se tratar na Europa e logo se concluiu que era ele o morto. A notícia chegou ao Instituto Histórico durante uma sessão presidida por d. Pedro II. Suspensa a sessão, começaram as homenagens ao que era tido e havido como o maior poeta do Brasil.
Suspeitar que podia ser mentira? Impossível. O imperador, em pleno Instituto Histórico, só podia ser verdade. Ofícios fúnebres solenes foram celebrados na Corte e na província. Vinte e cinco nênias saíram publicadas de estalo. Joaquim Serra, Juvenal Galeno e Bernardo Guimarães debulharam lágrimas de esguicho, quentes e sinceras. O grande poeta! O grande amigo! Que trágica perda! As comunicações se arrastavam a passo de cágado. Mal se começava a aliviar o luto fechado, dois meses depois chegou o desmentido: morreu, uma vírgula! Vivinho da silva.
A carta vinha escrita pela mão do próprio poeta: “É mentira! Não morri, nem morro, nem hei de morrer nunca mais!” Entre exclamações, citou Horácio: “Não morrerei de todo.” Todavia, morreu, claro. E morreu num naufrágio, vejam a coincidência. Em 1864, trancado na sua cabine do Ville de Boulogne, à vista da costa do Maranhão. Seu corpo não foi encontrado. Terá sido devorado pelos tubarões. Mas o poeta, este de fato não morreu.
[...]
(Adaptado de: RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer. São Paulo: Cia das Letras, 2011, p.107-8)
Relacione os termos da coluna da esquerda com sua definição à direita:
I - Dublin Core
II - Repositório Institucional
III - DSpace
IV - Office Document Architeture
( ) Coleção digital ou em papel, que capta e preserva a memória intelectual de uma comunidade ou organização.
( ) Padrão de 15 elementos de metadados, destinado a aperfeiçoar a organização e recuperação das informações contidas em páginas WEB.
( ) Conjunto de normas utilizadas para intercâmbio eletrônico de documentos entre diferentes tipos de computadores.
( ) Sistema de repositório com funções de captação, organização, distribuição e preservação da produção intelectual em qualquer tipo de material digital.
Assinale a alternativa que corresponde à sequência correta do relacionamento das colunas:
Nas afirmações sobre Desenvolvimento de coleções abaixo, assinale as corretas:
I. Os repositórios institucionais são uma alternativa cada vez mais concreta para o armazenamento de coleções especiais e da produção acadêmica de docentes e discentes.
II. Aformalização de políticas de desenvolvimento de coleções possibilita que a coleção cresça, qualitativa e quantitativamente, e que sejam estabelecidas as diretrizes para aquisição e seleção de materiais. No entanto, não há recomendações acerca de formatos cobertos ou políticas de descarte nesse tipo de documento.
III. Os elementos estabelecidos para uma política de desenvolvimento de coleções digitais são exatamente os mesmos estabelecidos para coleções impressas.
IV. O processo de desenvolvimento de coleções tem, necessariamente, enfoque sistêmico e caráter cíclico, pois as atividades ligadas à coleção não podem ser vistas de forma isolada e nenhuma delas sobrepõe-se às outras.
V. O remanejamento é um processo de transição realizado, normalmente, antes do descarte, e seu principal objetivo é evitar o descarte prematuro de alguma obra.
Estão corretas as afirmativas:
Com base nas recomendações da AACR2 (Anglo-American Cataloging Rules, 2nd Edition), assinale com (V) as verdadeiras e com (F) as falsas, para as afirmações sobre descrição do título e indicação de responsabilidade:
( ) Se o item não tiver página de rosto e se nenhuma outra fonte fornecer um título principal, observe o conteúdo e dê um título compatível.
( ) Se o item não tiver página de rosto e se nenhuma outra fonte fornecer um título principal, transcreva como título principal tantas palavras iniciais do texto quantas forem necessárias para identificar o título de forma única.
( ) Epígrafes, citações, dedicatórias, dizeres etc., que apareçam na página de rosto e que sejam independentes do título principal não devem ser omitidos;
( ) Trate acréscimos ao título, ainda que estejam ligados a ele por preposição, conjunção, frase preposicional etc., como outras informações sobre o título, e não como parte do título principal.
( ) Não abrevie outras informações sobre o título e indicações de responsabilidade mesmo que extensas.
Assinale a alternativa que corresponde à sequência correta:
“O emprego de_____________ nas tarefas de indexação e recuperação de informações tenta resolver o problema da alocação de documentos em classes de assuntos, não só pela sua capacidade de controlar o vocabulário, mas porque é um instrumento que relaciona os descritores/termos de forma consistente, apresentando uma estrutura sintética simplificada e uma complexa rede de referência cruzadas” (Dodebey).
Assinale o termo que preenche a coluna corretamente:
O advento do livro digital como uma forma de propagar informações mudou radicalmente a realidade das bibliotecas, mas isso não significa que a biblioteca perdeu seu papel de preservar e dar acesso às publicações. Assinale com (V) para verdadeiro e (F) para falso, as afirmações sobre o acervo digital:
( ) É necessário renovar constantemente o acesso às publicações, com diversos fornecedores, visando à manutenção da oferta das obras no acervo.
( ) Há perda de autonomia da biblioteca para realizar empréstimos, com serviço controlado pelos fornecedores e seus recursos tecnológicos.
( ) O preço das publicações digitais é alto, representando investimento constante das bibliotecas para manter o acervo sem, necessariamente, ampliá-lo.
( ) Os contratos com os fornecedores de acesso ao livro digital determinam os livros que devem permanecer no acervo de acordo com a necessidade e interesse dos usuários da biblioteca.
( ) A partir do momento do contrato com os fornecedores de acesso, o livro digital passa a ser de propriedade da biblioteca.
Assinale a resposta que corresponde à sequência correta de resposta:
Assim, são mecanismos de controle bibliográfico, EXCETO.