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Q3546484 Português
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”

        No ultimo mês, fiquei obcecada com o show da Madonna. Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava: Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus amigos, mas a maior parte nao acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gemêa, Estela May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo ˆ tempo, crescia em mim o sentimento de que não queria estar no ˜ show sem a minha mãe.

        Teve ate um momento em que bateu uma vontade imensa de voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe. Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no ultimo 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.

        Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar uma foto que prova que meu nome e Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá. Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era importante pra mim.

        No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que ela morreu, eu nao esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It Feels Like For A Girl, aquela musica que ela traduziu no Saia Justa e viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter] como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe quem foi, né?” A gente sempre fica procurando sinais da minha mae. Não sei se peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do ano passado nos estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a tocar Forever Young do Alphaville. Justo a musica que minha mãe sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.

        Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna, Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática. Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos. Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de cafe no serviço de quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora.” O espaço abria as 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse possível.

        Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras. Escutamos comentarios desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros. Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se incomodarem, que se mexam. Essa e a celebração da Madonna. ˜

        Fiquei eufórica quando a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então, subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Obvio que amo musicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo da carreira. A Estela elegeu os albuns atuais. Apesar de não ter Madonna no nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito especial, porque na minha memória,  éramos nós duas no carro com a minha mãe colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light. Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que essa era música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele momento no show significaria para ela.

        Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de “é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. E uma dobradinha de datas não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe? Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.

(...)

(Cecília Madonna, Revista Puau´ı, 11 maio 2024 08h59)
(CONCURSO VARZEA ALEGRE / 2024) “Mandei fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos.” 
Marque a alternativa em que a palavra esteja em desacordo com as regras ortográficas: 
Alternativas
Q3546483 Português
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”

        No ultimo mês, fiquei obcecada com o show da Madonna. Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava: Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus amigos, mas a maior parte nao acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gemêa, Estela May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo ˆ tempo, crescia em mim o sentimento de que não queria estar no ˜ show sem a minha mãe.

        Teve ate um momento em que bateu uma vontade imensa de voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe. Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no ultimo 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.

        Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar uma foto que prova que meu nome e Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá. Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era importante pra mim.

        No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que ela morreu, eu nao esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It Feels Like For A Girl, aquela musica que ela traduziu no Saia Justa e viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter] como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe quem foi, né?” A gente sempre fica procurando sinais da minha mae. Não sei se peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do ano passado nos estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a tocar Forever Young do Alphaville. Justo a musica que minha mãe sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.

        Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna, Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática. Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos. Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de cafe no serviço de quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora.” O espaço abria as 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse possível.

        Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras. Escutamos comentarios desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros. Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se incomodarem, que se mexam. Essa e a celebração da Madonna. ˜

        Fiquei eufórica quando a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então, subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Obvio que amo musicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo da carreira. A Estela elegeu os albuns atuais. Apesar de não ter Madonna no nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito especial, porque na minha memória,  éramos nós duas no carro com a minha mãe colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light. Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que essa era música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele momento no show significaria para ela.

        Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de “é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. E uma dobradinha de datas não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe? Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.

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(Cecília Madonna, Revista Puau´ı, 11 maio 2024 08h59)
(CONCURSO VARZEA ALEGRE / 2024) Observe a palavra em destaque e marque a opção em que aparece desvio ortográfico segundo a norma culta.
“Foi uma obsessão˜ tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no ultimo 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela.”
Alternativas
Q3546482 Português
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”

        No ultimo mês, fiquei obcecada com o show da Madonna. Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava: Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus amigos, mas a maior parte nao acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gemêa, Estela May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo ˆ tempo, crescia em mim o sentimento de que não queria estar no ˜ show sem a minha mãe.

        Teve ate um momento em que bateu uma vontade imensa de voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe. Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no ultimo 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.

        Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar uma foto que prova que meu nome e Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá. Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era importante pra mim.

        No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que ela morreu, eu nao esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It Feels Like For A Girl, aquela musica que ela traduziu no Saia Justa e viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter] como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe quem foi, né?” A gente sempre fica procurando sinais da minha mae. Não sei se peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do ano passado nos estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a tocar Forever Young do Alphaville. Justo a musica que minha mãe sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.

        Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna, Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática. Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos. Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de cafe no serviço de quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora.” O espaço abria as 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse possível.

        Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras. Escutamos comentarios desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros. Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se incomodarem, que se mexam. Essa e a celebração da Madonna. ˜

        Fiquei eufórica quando a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então, subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Obvio que amo musicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo da carreira. A Estela elegeu os albuns atuais. Apesar de não ter Madonna no nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito especial, porque na minha memória,  éramos nós duas no carro com a minha mãe colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light. Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que essa era música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele momento no show significaria para ela.

        Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de “é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. E uma dobradinha de datas não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe? Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.

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(Cecília Madonna, Revista Puau´ı, 11 maio 2024 08h59)
(CONCURSO VARZEA ALEGRE / 2024) O texto pode ser predominantemente compreendido como:
Alternativas
Q3546481 Português
“UM APRENDIZADO, UM ABRAÇO, UM SOCO NA CARA”

        No ultimo mês, fiquei obcecada com o show da Madonna. Pensava: preciso ir, vou de qualquer jeito. Moro em São Paulo e me questionava: Onde me hospedar no Rio de Janeiro? Com quem ir? Tentei criar um grupo com meus amigos, mas a maior parte nao acompanha o trabalho da Madonna. Ninguém estava tão animado. De toda forma, me organizei e fui com minha irmã gemêa, Estela May, para o Rio no dia 30 de abril. Ao mesmo ˆ tempo, crescia em mim o sentimento de que não queria estar no ˜ show sem a minha mãe.

        Teve ate um momento em que bateu uma vontade imensa de voltar para São Paulo na mesma hora. Não queria mais ir, não sem a minha mãe. Foi uma obsessão tão louca que só na véspera do aniversário dela [a escritora, roteirista, atriz e apresentadora Fernanda Young, que morreu em 2019 e faria 54 no ultimo 1º de maio] percebi que sentia que deveria estar no show da Madonna por ela. Estava muito sensível. Minha mãe sempre dizia que sou muito sensível.

        Desde que o evento foi anunciado, vi muitas pessoas contando histórias relacionadas a Madonna. Pensei: “Ah, quer saber? Vou tirar uma foto que prova que meu nome e Madonna como o dela.” Peguei o meu passaporte na mesa de cabeceira e tirei a foto. Foi. Achei que ia render umas cem curtidas e algumas risadas. Mas o post foi longe e as pessoas começaram a me ajudar. Aliás, sou muito grata a todo mundo que sentiu que eu deveria estar lá. Isso é uma das coisas que mais me emocionaram nesta história e fico com vontade de chorar só de falar. Achei lindo o fato de entenderem como esse show era importante pra mim.

        No dia do aniversário da minha mãe, o quinto desde que ela morreu, eu nao esperava nada. Estava no chuveiro, ouvindo What It Feels Like For A Girl, aquela musica que ela traduziu no Saia Justa e viralizou no Twitter recentemente. Logo depois entrei no X [antigo Twitter] como se não quisesse nada e estava lá a mensagem do patrocinador disponibilizando os ingressos. Na hora minha irmã virou e falou: “Você sabe quem foi, né?” A gente sempre fica procurando sinais da minha mae. Não sei se peguei isso do meu pai. Meu pai sente muito sinal por música. Em dezembro do ano passado nos estávamos em um hotel aqui do Rio para pegar o meu livro [Tudo que eu posso te contar] impresso pela primeira vez e, do nada, começou a tocar Forever Young do Alphaville. Justo a musica que minha mãe sempre falou que era a nossa família. Ela sempre escutava, era nosso hino.

        Como cheguei no Rio com antecedência, consegui curtir um tempo na cidade, mas meus dias foram realmente Madonna, Madonna, Madonna, Madonna. Não conseguia pensar em outra coisa, não conseguia fazer nada. Fui ao Copacabana Palace tentar ver a Madonna. No dia do show, eu estava monotemática. Minha irmã foi à praia e eu fiquei dando voltas no quarto do hotel. Mandei fazer uma bolsa e uma saia cheia de correntes, crucifixos e enfeitezinhos. Passei o dia inteiro pulando e reparando que a saia fazia muito barulho. Tentei mexer nela enquanto ouvia a Madonna. Normalmente com outros shows, mesmo dos artistas que conheço só três ou quatro músicas, já fico ansiosa. Mas dessa vez a sensação triplicou. Mal consegui comer. Pedi um bule de cafe no serviço de quarto, que tomei loucamente. E continuei ouvindo Madonna. “Será que já devo ir?”, “Será que já posso ir?”, era o que eu pensava a todo momento. Mandei mensagem pra minha irmã falando: “Pelo amor de Deus, volta dessa praia agora.” O espaço abria as 18h, e cheguei lá nessa hora, mas chegaria muito antes se fosse possível.

        Antes de o show começar, já na área vip, eu e minha irmã ficamos desconfortáveis. Tinham muitas famílias tradicionais brasileiras. Escutamos comentarios desnecessários e alguns homofóbicos. Pouco antes da apresentação começar, um dos convidados da área vip me reconheceu e me chamou para ficar mais próximo do palco. Neste momento, um outro rapaz que também estava ali disse que se tivesse com uma faca mataria. A primeira coisa que pensei foi que nem mesmo no show de Madonna ficamos seguros. Fiquei preocupada e cogitei procurar outro lugar para acompanhar a apresentação. Mas, por mais que o caso tenha sido horrível, fiquei pensando que foi bom o agressor ter assistido ao show. Também me dei conta de que, afinal, é disto que a Madonna fala: de não deixar essas pessoas nos oprimirem. Decidi: vamos ficar aqui berrando e dançando, e, se eles se incomodarem, que se mexam. Essa e a celebração da Madonna. ˜

        Fiquei eufórica quando a Madonna entrou no palco. Chorei muito. Minha irmã, preocupada, perguntou se eu estava bem, se queria sentar ou beber água. Também por isso foi tão especial poder ir ao show com ela. Somos muito diferentes. A sensação que tenho é que desde pequenas fomos pegando o que cada uma gostava para si, mas com Madonna isso não ia funcionar, ninguém ia abrir mão de amar a Madonna. Então, subconscientemente, escolhemos dividir esse amor por períodos. Obvio que amo musicas de todas as fases, mas prefiro as canções da década de 1980, do começo da carreira. A Estela elegeu os albuns atuais. Apesar de não ter Madonna no nome, acho que ela é mais fã que eu. Viver esse momento com ela foi muito especial, porque na minha memória,  éramos nós duas no carro com a minha mãe colocando o CD da Madonna para ouvir. Ela sabe que a primeira coisa que fiz depois que a minha mãe faleceu foi ir ao meu quarto escutar Ray of Light. Então, quando a Madonna começou a cantar essa música, e eu desabei em choro, a minha irmã reconheceu o que isso significava para nós duas. Estela sabe que essa era música que a minha mãe mais gostava de escutar e o que aquele momento no show significaria para ela.

        Já faz quase 5 anos que a minha mãe faleceu, mas o luto demora para acontecer. Você acha que superou e do nada cai uma ficha de “é, acho que não”. Maio é sempre um mês difícil pra gente, porque começa com o aniversário da minha mãe e logo vem o dia das mães. E uma dobradinha de datas não divertidas nesse processo, ou até divertidas e de celebração, mas que doem ao mesmo tempo. E o show da Madonna, bem no meio disso, é como um abraço, sabe? Foi um aprendizado, foi um abraço, foi um soco na cara. Ficou um sentimento de amor imenso e gratidão. Escrevi no meu diário que fiz isso por mim e pela minha mãe, e que de alguma maneira serviu para fechar algumas feridas que ainda estavam abertas em relação a tudo o que aconteceu. E foi mágico.

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(Cecília Madonna, Revista Puau´ı, 11 maio 2024 08h59)
(CONCURSO VARZEA ALEGRE / 2024) Observe atentamente as proposições a seguir e depois responda o que se pede:
I. O texto apresenta um caráter intimista, expresso em linguagem bem próxima a fala e, portanto, apresenta, vez ou outra, detalhes em desacordo com a língua culta. Tais pontos servem para dar ênfase a subjetividade e aproximar os interlocutores.
II. O enredo principal do texto cede espaço para digressões que, além de familiarizar o interlocutor, servem como fio condutor que organiza e transforma sentimentos e emoções em linguagem.
III. O fato de encontrar na área várias representações das tradicionais famílias brasileiras fez com que a narradora ficasse segura para enfrentar comentários maldosos e ameaças.
IV. De acordo com o título e a história relatada, pode-se dizer que a experiência foi exitosa, não só por saciar o desejo de um fã, mas pela catarse experienciada.
Alternativas
Q3538873 Farmácia
Em uma farmácia privativa, a dispensação de Bactrim® (Sulfametoxazol + trimetoprima)
Alternativas
Q3538872 Farmácia
Na manipulação de cápsulas (cps) contendo fluconazol 200 mg e excipiente 100 mg, qual é a quantidade de fármaco a ser pesada para se preparar 180 cps medicamentosas?
Alternativas
Q3538871 Farmácia
É utilizado para corrigir a diluição de uma substância, o teor de princípio ativo, o teor elementar de um mineral ou a umidade. O enunciado refere-se
Alternativas
Q3538870 Farmácia
Qual das alternativas a seguir descreve um teste de controle de qualidade obrigatório na manipulação de uma pomada com base oleosa?
Alternativas
Q3538868 Farmácia
Forma Farmacêutica (FF) sólida que contém um ou mais princípios ativos, usualmente em uma base adocicada e com sabor agradável. É utilizada para dissolução ou desintegração lenta na boca. Pode ser preparada por moldagem ou por compressão. O conceito apresentado descreve qual FF?
Alternativas
Q3538867 Farmácia
Um técnico, em uma farmácia de manipulação, deve auxiliar o farmacêutico na manipulação de 250 ml de uma solução de clorexidina 0,12% (p/v). Sabendo que a farmácia de manipulação possui apenas o digluconato de clorexidina 20%, qual é a quantidade desse fármaco a ser pesada para se preparar a solução solicitada?
Alternativas
Q3538866 Farmácia
Preenchas as lacunas e assinale a alternativa correta.
As soluções oftálmicas são formas farmacêuticas _________ e límpidas. Podem apresentar em sua composição adjuvantes do tipo _____________, como o cloreto de sódio e conservante, como o___________. 
Alternativas
Q3538865 Farmácia
Na manipulação de formas farmacêuticas que contêm ácido glicólico ou salicílico, NÃO se pode utilizar como base/veículo o gel de
Alternativas
Q3538864 Farmácia
Acerca da biossegurança e das boas práticas em farmácia, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3538863 Farmácia
Paciente do sexo feminino, 44 anos, se dirige até uma farmácia de dispensação apresentando a seguinte receita médica: Contrave® comprimido (cpr) 8 mg + 90 mg, 01 caixa com 120 cpr, tomar 1 comprimido pela manhã; Cewin® solução oral (gotas) 200 mg/ml, 01 frasco com 20 ml, tomar 20 gotas (1,0 ml) 1 vez ao dia, durante 30 dias. A respeito dessa prescrição, assinale a alternativa correta. 
Alternativas
Q3538862 Farmácia
Fármaco, inibidor seletivo da COX-2, indicado no tratamento da artrose e da artrite reumatoide (aguda ou crônica) e no controle da dor, especialmente aquela associada a processos inflamatórios.

O enunciado refere-se ao
Alternativas
Q3538861 Gestão de Saúde e Administração Hospitalar
Compete ao Núcleo de Segurança do Paciente (NSP), EXCETO
Alternativas
Q3538860 Farmácia
Em uma farmácia de manipulação comercial, sabe-se que as matérias-primas submetidas ao processo de diluição devem estar claramente identificadas com o nome da substância + fator de diluição. São exemplos de substâncias que devem ser diluídas na farmácia magistral (antes de sua pesagem) para a obtenção de cápsulas medicamentosas:
Alternativas
Q3538859 Farmácia
Considere os seguintes medicamentos:

1. Norditropin NordiFlex®;
2. Insulina;
3. Xalacom® (Latanoprosta + Maleato de timolol);
4. Suspensão oral de cefalexina.

Um farmacêutico, ao realizar a conferência e o recebimento desses medicamentos em uma farmácia de dispensação, solicitou ao técnico que os guardasse em seus devidos lugares. Em qual local o técnico deve guardar os medicamentos apresentados? 
Alternativas
Q3538858 Farmácia
Paciente do sexo feminino, 35 anos, chega ao pronto atendimento com náusea, olhos amarelados e dor abdominal decorrente do uso abusivo de altas doses de paracetamol (10 g em menos de 24 h). A respeito desse fármaco, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3538857 Farmácia
Quanto ao gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde (RSS) do Grupo A – Subgrupo A4, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Respostas
1541: B
1542: B
1543: A
1544: C
1545: A
1546: B
1547: D
1548: E
1549: A
1550: C
1551: D
1552: B
1553: C
1554: C
1555: B
1556: E
1557: A
1558: D
1559: E
1560: D