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Q3978871 Português
Texto para responder à questão.

O que a memória ama, fica eterno Somos a soma de nossos afetos e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos: somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial.

        Quando eu era pequena, não entendia o choro solto da minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro. O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.

        O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano. 

        É que a memória é contrária ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a memória traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos. Crianças têm o tempo a seu favor e a memória ainda é muito recente. Para elas, um filme é só um filme; uma melodia, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.

        Diante do tempo, envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente parte. Porém, para a memória, ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis. Nossos filhos são crianças, nossos amigos estão perto, nossos pais ainda vivem.

        Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente. Quando nos damos conta, nossos baús secretos – porque a memória é dada a segredos – estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.

        A capacidade de se emocionar vem daí, quando nossos compartimentos são escancarados de alguma maneira. Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você – foi o fundo musical de um amor, ou a trilha sonora de uma fossa – e mesmo que tenham se passado anos, sua memória afetiva não obedece a calendários, não caminha com as estações; alguma parte de você volta no tempo e lembra aquela pessoa, aquele momento, aquela época… 

        Amigos verdadeiros têm a capacidade de se eternizar dentro da gente. É comum ver amigos da juventude se reencontrando depois de anos – já adultos ou até idosos – e voltando a se comportar como adolescentes bobos e imaturos. Encontros de turma são especiais por isso, resgatam as pessoas que fomos, garotos cheios de alegria, engraçadinhos, capazes de atitudes infantis e debilóides, como éramos há 20 ,30 ou 40 anos. Descobrimos que o tempo não passa para a memória. Ela eterniza amigos, brincadeiras, apelidos… mesmo que por fora restem cabelos brancos, artroses e rugas.

        A memória não permite que sejamos adultos perto de nossos pais. Nem eles percebem que crescemos. Seremos sempre “as crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos. Para eles, a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das estórias contadas ao cair da noite… ainda são muito recentes, pois a memória amou, e aquilo se eternizou.

        Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas. Dizem que o tempo cura tudo, mas não é simples assim. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na dor. Mas aquilo que amamos tem vocação para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando. Somos a soma de nossos afetos e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos: somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial.

        Do mesmo modo, somos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex-amores, amigos, irmãos. E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram.

Referência: Adélia Prado
A expressão "baús secretos" refere-se a:
Alternativas
Q3978870 Português
Texto para responder à questão.

O que a memória ama, fica eterno Somos a soma de nossos afetos e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos: somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial.

        Quando eu era pequena, não entendia o choro solto da minha mãe ao assistir a um filme, ouvir uma música ou ler um livro. O que eu não sabia é que minha mãe não chorava pelas coisas visíveis. Ela chorava pela eternidade que vivia dentro dela e que eu, na minha meninice, era incapaz de compreender.

        O tempo passou e hoje me emociono diante das mesmas coisas, tocada por pequenos milagres do cotidiano. 

        É que a memória é contrária ao tempo. Enquanto o tempo leva a vida embora como vento, a memória traz de volta o que realmente importa, eternizando momentos. Crianças têm o tempo a seu favor e a memória ainda é muito recente. Para elas, um filme é só um filme; uma melodia, só uma melodia. Ignoram o quanto a infância é impregnada de eternidade.

        Diante do tempo, envelhecemos, nossos filhos crescem, muita gente parte. Porém, para a memória, ainda somos jovens, atletas, amantes insaciáveis. Nossos filhos são crianças, nossos amigos estão perto, nossos pais ainda vivem.

        Quanto mais vivemos, mais eternidades criamos dentro da gente. Quando nos damos conta, nossos baús secretos – porque a memória é dada a segredos – estão recheados daquilo que amamos, do que deixou saudade, do que doeu além da conta, do que permaneceu além do tempo.

        A capacidade de se emocionar vem daí, quando nossos compartimentos são escancarados de alguma maneira. Um dia você liga o rádio do carro e toca uma música qualquer, ninguém nota, mas aquela música já fez parte de você – foi o fundo musical de um amor, ou a trilha sonora de uma fossa – e mesmo que tenham se passado anos, sua memória afetiva não obedece a calendários, não caminha com as estações; alguma parte de você volta no tempo e lembra aquela pessoa, aquele momento, aquela época… 

        Amigos verdadeiros têm a capacidade de se eternizar dentro da gente. É comum ver amigos da juventude se reencontrando depois de anos – já adultos ou até idosos – e voltando a se comportar como adolescentes bobos e imaturos. Encontros de turma são especiais por isso, resgatam as pessoas que fomos, garotos cheios de alegria, engraçadinhos, capazes de atitudes infantis e debilóides, como éramos há 20 ,30 ou 40 anos. Descobrimos que o tempo não passa para a memória. Ela eterniza amigos, brincadeiras, apelidos… mesmo que por fora restem cabelos brancos, artroses e rugas.

        A memória não permite que sejamos adultos perto de nossos pais. Nem eles percebem que crescemos. Seremos sempre “as crianças”, não importa se já temos 30, 40 ou 50 anos. Para eles, a lembrança da casa cheia, das brigas entre irmãos, das estórias contadas ao cair da noite… ainda são muito recentes, pois a memória amou, e aquilo se eternizou.

        Por isso é tão difícil despedir-se de um amor ou alguém especial que por algum motivo deixou de fazer parte de nossas vidas. Dizem que o tempo cura tudo, mas não é simples assim. Ele acalma os sentidos, apara as arestas, coloca um band-aid na dor. Mas aquilo que amamos tem vocação para emergir das profundezas, romper os cadeados e assombrar de vez em quando. Somos a soma de nossos afetos e aquilo que amamos pode ser facilmente reativado por novos gatilhos: somos traídos pelo enredo de um filme, uma música antiga, um lugar especial.

        Do mesmo modo, somos memórias vivas na vida de nossos filhos, cônjuges, ex-amores, amigos, irmãos. E mesmo que o tempo nos leve daqui, seremos eternamente lembrados por aqueles que um dia nos amaram.

Referência: Adélia Prado
A ideia principal do texto "O que a memória ama, fica eterno" está sintetizada em:
Alternativas
Q3978221 Noções de Informática
Qual das seguintes opções NÃO é uma configuração de inicialização do sistema operacional Windows?
Alternativas
Q3978220 Redes de Computadores
Qual é a função das “regras de entrada e saída” do Firewall do Windows? 
Alternativas
Q3978219 Noções de Informática
Assinale o aplicativo que NÃO representa uma opção de ferramenta para backup:
Alternativas
Q3978218 Redes de Computadores
A conexão wireless é um avanço da tecnologia que facilita a comunicação entre dispositivos. Não é considerada uma conexão wireless:
Alternativas
Q3978211 Português
Leia o texto e responda a questão.


O pavão


   Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

   Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


Rubem Braga
No trecho destacado no fragmento “... de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar.”, há exemplo de:
Alternativas
Q3978210 Português
Leia o texto e responda a questão.


O pavão


   Eu considerei a glória de um pavão ostentando o esplendor de suas cores; é um luxo imperial. Mas andei lendo livros; e descobri que aquelas cores todas não existem na pena do pavão. Não há pigmentos. O que há são minúsculas bolhas d'água em que a luz se fragmenta, como em um prisma. O pavão é um arco-íris de plumas. Eu considerei que este é o luxo do grande artista, atingir o máximo de matizes com o mínimo de elementos. De água e luz ele faz seu esplendor; seu grande mistério é a simplicidade.

   Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.


Rubem Braga
Em “Considerei, por fim, que assim é o amor, oh! minha amada; de tudo que ele suscita e esplende e estremece e delira em mim existem apenas meus olhos recebendo a luz de teu olhar. Ele me cobre de glórias e me faz magnífico.”, os termos destacados são, respectivamente:
Alternativas
Q3978208 Português
Leia as frases:

I. Só exijo de você isso: que me apoie nesse meu novo projeto.
II.Todo alimento que é fresco, é mais nutritivo.

As orações introduzidas pela palavra QUE são, respectivamente:
Alternativas
Q3978207 Português
Dadas as frases:

I. A reivindicação aconteceu no mercado municipal da cidade.
II. Deu Ana um belo presente a seu filho.
III. Revelou o pai a verdade a todos os seus filhos.

As funções sintáticas exercidas pelos termos sublinhados são, respectivamente:
Alternativas
Q3978044 Psicologia
O Transtorno de Personalidade Borderline (TPB) apresenta forte correlação etiológica com experiências adversas na infância, como negligência e abuso, refletindo a dimensão da violência e da vulnerabilidade social. O Código de Ética Profissional do Psicólogo estabelece o compromisso de promover a saúde e a qualidade de vida, e contribuir para a eliminação de quaisquer formas de violência e opressão. Sobre o TPB e os impactos do trauma e da violência na subjetividade, assinale a alternativa CORRETA.
Alternativas
Q3978043 Psicologia
O envelhecimento e a subjetividade são temas importantes na Psicologia e na Saúde Coletiva, especialmente no contexto da Atenção Básica (AB), que deve oferecer um cuidado integral em saúde. Sobre o envelhecimento e os transtornos neurocognitivos (TINCs) na população idosa, assinale a alternativa CORREТА.
Alternativas
Q3978042 Psicologia
Os Transtornos da Personalidade (TPs) são padrões de comportamento, experiências internas e respostas afetivas e volitivas que são desarmônicas, persistentes e estáveis ao longo do tempo, geralmente surgindo na adolescência ou início da vida adulta. Em relação aos TPs e suas caracteristicas, assinale a alternativa CORRETA. 
Alternativas
Q3978041 Psicologia
Na atuação em equipes multiprofissionais, o psicólogo deve zelar pela confidencialidade e pela comunicação de informações relevantes. Sobre a atuação do psicólogo no registro de documentos em equipes multiprofissionais, conforme o Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP), é CORRETO afirmar que: 
Alternativas
Q3978040 Psicologia
O Código de Ética Profissional do Psicólogo (CEPP) estabelece os deveres e as vedações do psicólogo no exercicieo da profissão. Com base no Código de Ética Profissional do Psicólogo, assinale a alternativa que apresenta um dever fundamental do psicólogo.
Alternativas
Q3978039 Psicologia
O Transtorno Bipolar (TB) caracteriza-se pelo curso fásico, com episódios de mania, hipomania e/ou depressão. Os sintomas do episódio maníaco envolvem humor e ritmo psiquico alterados.
Considerando o Episódio Maníaco, assinale a alternativa INCORRETA. 
Alternativas
Q3978038 Psicologia
A Esquizofrenia é a principal forma de psicose, caracterizada por uma combinação de sintomas que afetam múltiplas dimensões mentais e comportamentais. Karl Jaspers e Kurt Schneider trouxeram contribuições fundamentais para o diagnóstico e a conceituação deste transtorno. Assinale a alternativa CORRETA sobre as características da Esquizofrenia.
Alternativas
Q3978037 Psicologia
O Delirium, também conhecido como sindrome confusional aguda, é um Transtorno Neurocognitivo (TNC) agudo e de curta duração, sendo frequentemente encontrado na prática clínica em hospitais gerais e lares de idosos. Com base nas características de Delirium, assinale a alternativa INCORRETA.
Alternativas
Q3978036 Psicologia
Na tradição psicopatológica, os sintomas são estudados a partir de dois aspectos básicos: a forma (estrutura básica) e o conteúdo (aquilo que preenche a alteração estrutural). O psicopatólogo alemão Karl Birbaum propôs termos especificos para diferenciar esses aspectos. Assinale a alternativa quе relaciona CORRETAMENTE os conceitos de Birbaum com as dimensões dos sintormas psicopatológicos.
Alternativas
Q3978035 Psicologia
A Psicopatologia, em sua acepção mais ampla, é definida como o conjunto de conhecimentos referentes ao adoecimento mental do ser humano, buscando ser sistemático, elucidativo e desmistificante. O psiquiatra Karl Jaspers estabeleceu uma importante distinção sobre o campo da Psicopatologla, delineando seus limites. Assinale a alternativa CORRETA em relação aos fundamentos e limites da Psicopatologia, segundo Karl Jaspers. 
Alternativas
Respostas
3161: C
3162: C
3163: B
3164: D
3165: C
3166: D
3167: A
3168: A
3169: A
3170: A
3171: B
3172: A
3173: E
3174: C
3175: A
3176: B
3177: D
3178: C
3179: D
3180: E