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Q3314078 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.

TEXTO 1


Antissemitismo e islamofobia como ideologias da guerra e da crise global A normalização da narrativa racista anti-palestina e islamofóbica de um lado assim como a normalização de uma narrativa antissemita contra israelenses e judeus de outro não são questões secundárias no que diz respeito ao conflito


Daniel Feldman


Escrito por Ben Gidley, Daniel Mang, Daniel Randall e assinado por ativistas, coletivos e intelectuais de diferentes países, entre eles talvez o mais conhecido Slavoj Žižek, o Manifesto que ora apresentamos neste artigo intitulado “Por uma esquerda consistentemente internacionalista e democrática” propõe um enfoque original e a nosso ver bastante oportuno para a reflexão, não apenas sobre os acontecimentos recentes em Israel/Palestina, mas também para uma reflexão mais de fundo sobre certos posicionamentos do campo da esquerda em meio ao caos global em que estamos atolados. Como uma primeira aproximação, retenhamos uma das suas afirmações: “A esquerda pode e deve se opor incondicionalmente ao preconceito antipalestino e anti-muçulmano sem endossar o Hamas; ela pode e deve se opor incondicionalmente ao antissemitismo sem endossar o chauvinismo israelense”.

Parte-se assim da premissa que as narrativas, as ideologias e as visões de mundo não são algo menor em relação às questões concretas e mais prementes que implicam diretamente a vida das pessoas, em especial no que tange à questão Israel/Palestina. Por certo que, dada a destruição de Gaza, a terrível crise humanitária e o assassinato de tantos milhares de civis causados pelos bombardeios e invasão de Israel, a questão mais imediata e urgente que se coloca é a do cessar-fogo imediato e uma negociação para a liberação dos reféns israelenses em troca dos prisioneiros palestinos. No entanto, justamente o problema que o Manifesto nos propõe é o seguinte: a normalização da narrativa racista anti-palestina e islamofóbica de um lado, assim como a normalização de uma narrativa antissemita contra israelenses e judeus de outro, não são questões secundárias no que diz respeito ao conflito. O combate a tais narrativas não se limita a uma questão de bons modos ou de mera correção política, mas sim uma é postura que, ao ser negligenciada, contribui para um enredo pernicioso muito real que ajuda, nos fatos, a prolongar a tragédia.

Isso nos leva ao que cremos ser a originalidade do manifesto: abordar o problema da islamofobia e do antissemitismo como fenômenos que têm sim as suas singularidades, mas que ao mesmo tempo são correlatos e logo só podem ser encarados de forma satisfatória se forem combatidos em conjunto: “A crescente polarização e divisão tem contribuído para a desumanização não apenas de israelenses e palestinos, mas de judeus, muçulmanos e árabes em todo lugar, e para o aprofundamento de uma cultura de vitimização competitiva de soma zero, em vez de solidariedade”. E aqui chegamos naquilo que os autores preconizam como uma atitude consistente no título de seu manifesto: jogar a denúncia de um tipo de ódio social contra o outro é trair a luta contra ambos, pois, sobretudo na conjuntura que se abriu após o 7 de outubro, eles estão intimamente imbricados e se reforçam mutuamente. A intenção dos que querem matar palestinos (ou árabes e muçulmanos de forma mais ampla) assim como a intenção dos que querem obliterar a nação palestina alimentam e corroboram as intenções dos que querem matar judeus e obliterar a nação israelense. E vice-versa. No entanto, para que tais intenções – que cresceram sobremaneira no mundo nesses dois meses – se transformem em ato, é preciso antes que elas estejam embebidas na demonização e na estigmatização do Outro, no caso, embebidas nas narrativas islamofóbica e antissemita. Tais narrativas, assim, deixam o plano abstrato das ideias e se encarnam na vida concreta, envenenando-a.

Calibrando aqui o argumento. Se é inegável que a antissemitismo e o racismo anti-palestino (e a islamofobia) crescem perigosamente no mundo como um todo e se alçam cada vez mais como formas degradadas de digestão ideológica da crise da sociabilidade capitalista do Ocidente ao Oriente (voltaremos a este ponto), é preciso dizer, por outro lado, que na história e no presente do conflito, o peso da violência tem recaído com intensidade muito maior do lado palestino do que no lado judeu. O conflito Israel/Palestina é, num sentido, eminentemente assimétrico e desigual, afinal Israel exerce uma ocupação militar e desse ponto de vista é o opressor inequívoco sobre palestinos, perpetuando sua despossessão e negação de direitos nacionais. Contudo, ao mesmo tempo, de outro lado, trata-se de um conflito simétrico no sentido de que há duas nacionalidades com aspirações igualmente legítimas que se defrontam na região. A ligação da maioria dos judeus do mundo para com Israel se deriva do fato deste ter se tornado a válvula de escape derradeira para muitos refugiados tanto do antissemitismo europeu como do antissemitismo do mundo muçulmano pós-1948. Encarar de frente essa relação contraditória entre aquilo que é assimétrico e o que é simétrico, a saber, entre o que é uma opressão nacional a um povo que demanda o fim da ocupação militar e uma questão nacional que demanda o entendimento real entre dois povos, não é uma mera formulação teórica, mas sim uma pré-condição sine qua non para uma saída positiva. Do contrário, são as narrativas fundamentalistas e reacionárias de politização do ódio nacional de ambos os lados que vão se impor ainda mais, tornando o impasse definitivamente insolúvel.

[...]

ANTISSEMITISMO E ISLAMOFOBIA COMO IDEOLOGIAS DA CRISE GLOBAL

A falsa crítica ao capitalismo acima remete, por fim, a outra questão do Manifesto: “Por que grande parte da esquerda tem dificuldade em identificar e resistir ao antissemitismo em suas fileiras?” Antes de retomar a pergunta, cabe aqui apontar a singularidade de cada uma das formas de ódio social. A islamofobia, se seguirmos a pista de Edward Said, fetichiza o palestino (ou o árabe e muçulmano) como alguém atrasado, violento por natureza, exótico, fanático, impermeável a argumentos racionais, irascível e intolerante. Sua atualidade como ideologia da crise contemporânea reside na estigmatização do imigrante, do refugiado ou de bárbaros inferiores que não se adequam à “civilização” moderna e para quem não há mais lugar. Já no caso do antissemitismo, a fetichização do judeu passa por outras características: conspirador, ardiloso, dotado de superpoderes ocultos e misteriosos, cosmopolita sem raízes, artificial e fantasmagórico. Isso permite, como afirma o Manifesto citando Moishe Postone, que “o antissemitismo muitas vezes atue como uma forma fetichizada de ‘anticapitalismo’. O poder misterioso do capital, que é intangível, global e que agita nações, áreas e vidas das pessoas, é atribuído aos judeus. A dominação abstrata do capitalismo é personificada nos judeus”. Ora, na crise global da sociedade da mercadoria e do valor (o abstrato e intangível por excelência), o antissemitismo se recrudesce e os judeus como tais são identificados como culpados: não como inferiores, ou incivilizados, mas como os usurpadores maléficos da civilização. 

E é neste caos da civilização, em que campeia a desorientação e uma dificuldade real de se formular alternativas efetivas diante da sociabilidade vigente, que cresce também a tendência de uma certa esquerda de buscar atalhos supostamente “antissistêmicos”, flertando em menor ou maior grau com a demagogia antissemita se pautando “não tanto na luta contra o capitalismo enquanto relação social, mas na rejeição da ‘hegemonia americana’, ‘globalização’, ‘finanças’ – ou às vezes, ‘sionismo’, visto como vanguarda de todas essas forças. Isso levou muitas pessoas que se consideram esquerdistas a simpatizar com alternativas reacionárias às atuais disposições políticas e econômicas”. E aqui reside o perigo de se cruzar o Rubicão. Num tweet recente respondido por Elon Musk, um influenciador americano de extrema-direita afirmou que os “judeus estimulam o ódio dialético contra os brancos” por apoiarem a imigração para o Ocidente de “hordas de minorias”.

Ou seja, contra o Ocidente branco, o judeu conspirador e indesejável seria o responsável por estimular a imigração de minorias, aí certamente inclusos árabes e muçulmanos indesejáveis. Eis aqui mais um exemplo do porquê a luta conjunta contra o antissemitismo e a islamofobia é tão desejável.


Fonte: https://diplomatique.org.br/antissemitismo-islamofobia-manifesto-esquerda-internacionalista/
De acordo com a leitura do texto, pode-se inferir que a tese defendida pelo autor, Daniel Feldman, é:
Alternativas
Q3314077 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.

TEXTO 1


Antissemitismo e islamofobia como ideologias da guerra e da crise global A normalização da narrativa racista anti-palestina e islamofóbica de um lado assim como a normalização de uma narrativa antissemita contra israelenses e judeus de outro não são questões secundárias no que diz respeito ao conflito


Daniel Feldman


Escrito por Ben Gidley, Daniel Mang, Daniel Randall e assinado por ativistas, coletivos e intelectuais de diferentes países, entre eles talvez o mais conhecido Slavoj Žižek, o Manifesto que ora apresentamos neste artigo intitulado “Por uma esquerda consistentemente internacionalista e democrática” propõe um enfoque original e a nosso ver bastante oportuno para a reflexão, não apenas sobre os acontecimentos recentes em Israel/Palestina, mas também para uma reflexão mais de fundo sobre certos posicionamentos do campo da esquerda em meio ao caos global em que estamos atolados. Como uma primeira aproximação, retenhamos uma das suas afirmações: “A esquerda pode e deve se opor incondicionalmente ao preconceito antipalestino e anti-muçulmano sem endossar o Hamas; ela pode e deve se opor incondicionalmente ao antissemitismo sem endossar o chauvinismo israelense”.

Parte-se assim da premissa que as narrativas, as ideologias e as visões de mundo não são algo menor em relação às questões concretas e mais prementes que implicam diretamente a vida das pessoas, em especial no que tange à questão Israel/Palestina. Por certo que, dada a destruição de Gaza, a terrível crise humanitária e o assassinato de tantos milhares de civis causados pelos bombardeios e invasão de Israel, a questão mais imediata e urgente que se coloca é a do cessar-fogo imediato e uma negociação para a liberação dos reféns israelenses em troca dos prisioneiros palestinos. No entanto, justamente o problema que o Manifesto nos propõe é o seguinte: a normalização da narrativa racista anti-palestina e islamofóbica de um lado, assim como a normalização de uma narrativa antissemita contra israelenses e judeus de outro, não são questões secundárias no que diz respeito ao conflito. O combate a tais narrativas não se limita a uma questão de bons modos ou de mera correção política, mas sim uma é postura que, ao ser negligenciada, contribui para um enredo pernicioso muito real que ajuda, nos fatos, a prolongar a tragédia.

Isso nos leva ao que cremos ser a originalidade do manifesto: abordar o problema da islamofobia e do antissemitismo como fenômenos que têm sim as suas singularidades, mas que ao mesmo tempo são correlatos e logo só podem ser encarados de forma satisfatória se forem combatidos em conjunto: “A crescente polarização e divisão tem contribuído para a desumanização não apenas de israelenses e palestinos, mas de judeus, muçulmanos e árabes em todo lugar, e para o aprofundamento de uma cultura de vitimização competitiva de soma zero, em vez de solidariedade”. E aqui chegamos naquilo que os autores preconizam como uma atitude consistente no título de seu manifesto: jogar a denúncia de um tipo de ódio social contra o outro é trair a luta contra ambos, pois, sobretudo na conjuntura que se abriu após o 7 de outubro, eles estão intimamente imbricados e se reforçam mutuamente. A intenção dos que querem matar palestinos (ou árabes e muçulmanos de forma mais ampla) assim como a intenção dos que querem obliterar a nação palestina alimentam e corroboram as intenções dos que querem matar judeus e obliterar a nação israelense. E vice-versa. No entanto, para que tais intenções – que cresceram sobremaneira no mundo nesses dois meses – se transformem em ato, é preciso antes que elas estejam embebidas na demonização e na estigmatização do Outro, no caso, embebidas nas narrativas islamofóbica e antissemita. Tais narrativas, assim, deixam o plano abstrato das ideias e se encarnam na vida concreta, envenenando-a.

Calibrando aqui o argumento. Se é inegável que a antissemitismo e o racismo anti-palestino (e a islamofobia) crescem perigosamente no mundo como um todo e se alçam cada vez mais como formas degradadas de digestão ideológica da crise da sociabilidade capitalista do Ocidente ao Oriente (voltaremos a este ponto), é preciso dizer, por outro lado, que na história e no presente do conflito, o peso da violência tem recaído com intensidade muito maior do lado palestino do que no lado judeu. O conflito Israel/Palestina é, num sentido, eminentemente assimétrico e desigual, afinal Israel exerce uma ocupação militar e desse ponto de vista é o opressor inequívoco sobre palestinos, perpetuando sua despossessão e negação de direitos nacionais. Contudo, ao mesmo tempo, de outro lado, trata-se de um conflito simétrico no sentido de que há duas nacionalidades com aspirações igualmente legítimas que se defrontam na região. A ligação da maioria dos judeus do mundo para com Israel se deriva do fato deste ter se tornado a válvula de escape derradeira para muitos refugiados tanto do antissemitismo europeu como do antissemitismo do mundo muçulmano pós-1948. Encarar de frente essa relação contraditória entre aquilo que é assimétrico e o que é simétrico, a saber, entre o que é uma opressão nacional a um povo que demanda o fim da ocupação militar e uma questão nacional que demanda o entendimento real entre dois povos, não é uma mera formulação teórica, mas sim uma pré-condição sine qua non para uma saída positiva. Do contrário, são as narrativas fundamentalistas e reacionárias de politização do ódio nacional de ambos os lados que vão se impor ainda mais, tornando o impasse definitivamente insolúvel.

[...]

ANTISSEMITISMO E ISLAMOFOBIA COMO IDEOLOGIAS DA CRISE GLOBAL

A falsa crítica ao capitalismo acima remete, por fim, a outra questão do Manifesto: “Por que grande parte da esquerda tem dificuldade em identificar e resistir ao antissemitismo em suas fileiras?” Antes de retomar a pergunta, cabe aqui apontar a singularidade de cada uma das formas de ódio social. A islamofobia, se seguirmos a pista de Edward Said, fetichiza o palestino (ou o árabe e muçulmano) como alguém atrasado, violento por natureza, exótico, fanático, impermeável a argumentos racionais, irascível e intolerante. Sua atualidade como ideologia da crise contemporânea reside na estigmatização do imigrante, do refugiado ou de bárbaros inferiores que não se adequam à “civilização” moderna e para quem não há mais lugar. Já no caso do antissemitismo, a fetichização do judeu passa por outras características: conspirador, ardiloso, dotado de superpoderes ocultos e misteriosos, cosmopolita sem raízes, artificial e fantasmagórico. Isso permite, como afirma o Manifesto citando Moishe Postone, que “o antissemitismo muitas vezes atue como uma forma fetichizada de ‘anticapitalismo’. O poder misterioso do capital, que é intangível, global e que agita nações, áreas e vidas das pessoas, é atribuído aos judeus. A dominação abstrata do capitalismo é personificada nos judeus”. Ora, na crise global da sociedade da mercadoria e do valor (o abstrato e intangível por excelência), o antissemitismo se recrudesce e os judeus como tais são identificados como culpados: não como inferiores, ou incivilizados, mas como os usurpadores maléficos da civilização. 

E é neste caos da civilização, em que campeia a desorientação e uma dificuldade real de se formular alternativas efetivas diante da sociabilidade vigente, que cresce também a tendência de uma certa esquerda de buscar atalhos supostamente “antissistêmicos”, flertando em menor ou maior grau com a demagogia antissemita se pautando “não tanto na luta contra o capitalismo enquanto relação social, mas na rejeição da ‘hegemonia americana’, ‘globalização’, ‘finanças’ – ou às vezes, ‘sionismo’, visto como vanguarda de todas essas forças. Isso levou muitas pessoas que se consideram esquerdistas a simpatizar com alternativas reacionárias às atuais disposições políticas e econômicas”. E aqui reside o perigo de se cruzar o Rubicão. Num tweet recente respondido por Elon Musk, um influenciador americano de extrema-direita afirmou que os “judeus estimulam o ódio dialético contra os brancos” por apoiarem a imigração para o Ocidente de “hordas de minorias”.

Ou seja, contra o Ocidente branco, o judeu conspirador e indesejável seria o responsável por estimular a imigração de minorias, aí certamente inclusos árabes e muçulmanos indesejáveis. Eis aqui mais um exemplo do porquê a luta conjunta contra o antissemitismo e a islamofobia é tão desejável.


Fonte: https://diplomatique.org.br/antissemitismo-islamofobia-manifesto-esquerda-internacionalista/
Para se elaborar um texto, o autor busca estruturar as ideias em torno de uma palavra ou ideia-chave para que não fuja do tema. Assinale a alternativa em que apresenta a palavra-chave do texto.
Alternativas
Q3314076 Português
Leia o Texto I a seguir para responder à questão.

TEXTO 1


Antissemitismo e islamofobia como ideologias da guerra e da crise global A normalização da narrativa racista anti-palestina e islamofóbica de um lado assim como a normalização de uma narrativa antissemita contra israelenses e judeus de outro não são questões secundárias no que diz respeito ao conflito


Daniel Feldman


Escrito por Ben Gidley, Daniel Mang, Daniel Randall e assinado por ativistas, coletivos e intelectuais de diferentes países, entre eles talvez o mais conhecido Slavoj Žižek, o Manifesto que ora apresentamos neste artigo intitulado “Por uma esquerda consistentemente internacionalista e democrática” propõe um enfoque original e a nosso ver bastante oportuno para a reflexão, não apenas sobre os acontecimentos recentes em Israel/Palestina, mas também para uma reflexão mais de fundo sobre certos posicionamentos do campo da esquerda em meio ao caos global em que estamos atolados. Como uma primeira aproximação, retenhamos uma das suas afirmações: “A esquerda pode e deve se opor incondicionalmente ao preconceito antipalestino e anti-muçulmano sem endossar o Hamas; ela pode e deve se opor incondicionalmente ao antissemitismo sem endossar o chauvinismo israelense”.

Parte-se assim da premissa que as narrativas, as ideologias e as visões de mundo não são algo menor em relação às questões concretas e mais prementes que implicam diretamente a vida das pessoas, em especial no que tange à questão Israel/Palestina. Por certo que, dada a destruição de Gaza, a terrível crise humanitária e o assassinato de tantos milhares de civis causados pelos bombardeios e invasão de Israel, a questão mais imediata e urgente que se coloca é a do cessar-fogo imediato e uma negociação para a liberação dos reféns israelenses em troca dos prisioneiros palestinos. No entanto, justamente o problema que o Manifesto nos propõe é o seguinte: a normalização da narrativa racista anti-palestina e islamofóbica de um lado, assim como a normalização de uma narrativa antissemita contra israelenses e judeus de outro, não são questões secundárias no que diz respeito ao conflito. O combate a tais narrativas não se limita a uma questão de bons modos ou de mera correção política, mas sim uma é postura que, ao ser negligenciada, contribui para um enredo pernicioso muito real que ajuda, nos fatos, a prolongar a tragédia.

Isso nos leva ao que cremos ser a originalidade do manifesto: abordar o problema da islamofobia e do antissemitismo como fenômenos que têm sim as suas singularidades, mas que ao mesmo tempo são correlatos e logo só podem ser encarados de forma satisfatória se forem combatidos em conjunto: “A crescente polarização e divisão tem contribuído para a desumanização não apenas de israelenses e palestinos, mas de judeus, muçulmanos e árabes em todo lugar, e para o aprofundamento de uma cultura de vitimização competitiva de soma zero, em vez de solidariedade”. E aqui chegamos naquilo que os autores preconizam como uma atitude consistente no título de seu manifesto: jogar a denúncia de um tipo de ódio social contra o outro é trair a luta contra ambos, pois, sobretudo na conjuntura que se abriu após o 7 de outubro, eles estão intimamente imbricados e se reforçam mutuamente. A intenção dos que querem matar palestinos (ou árabes e muçulmanos de forma mais ampla) assim como a intenção dos que querem obliterar a nação palestina alimentam e corroboram as intenções dos que querem matar judeus e obliterar a nação israelense. E vice-versa. No entanto, para que tais intenções – que cresceram sobremaneira no mundo nesses dois meses – se transformem em ato, é preciso antes que elas estejam embebidas na demonização e na estigmatização do Outro, no caso, embebidas nas narrativas islamofóbica e antissemita. Tais narrativas, assim, deixam o plano abstrato das ideias e se encarnam na vida concreta, envenenando-a.

Calibrando aqui o argumento. Se é inegável que a antissemitismo e o racismo anti-palestino (e a islamofobia) crescem perigosamente no mundo como um todo e se alçam cada vez mais como formas degradadas de digestão ideológica da crise da sociabilidade capitalista do Ocidente ao Oriente (voltaremos a este ponto), é preciso dizer, por outro lado, que na história e no presente do conflito, o peso da violência tem recaído com intensidade muito maior do lado palestino do que no lado judeu. O conflito Israel/Palestina é, num sentido, eminentemente assimétrico e desigual, afinal Israel exerce uma ocupação militar e desse ponto de vista é o opressor inequívoco sobre palestinos, perpetuando sua despossessão e negação de direitos nacionais. Contudo, ao mesmo tempo, de outro lado, trata-se de um conflito simétrico no sentido de que há duas nacionalidades com aspirações igualmente legítimas que se defrontam na região. A ligação da maioria dos judeus do mundo para com Israel se deriva do fato deste ter se tornado a válvula de escape derradeira para muitos refugiados tanto do antissemitismo europeu como do antissemitismo do mundo muçulmano pós-1948. Encarar de frente essa relação contraditória entre aquilo que é assimétrico e o que é simétrico, a saber, entre o que é uma opressão nacional a um povo que demanda o fim da ocupação militar e uma questão nacional que demanda o entendimento real entre dois povos, não é uma mera formulação teórica, mas sim uma pré-condição sine qua non para uma saída positiva. Do contrário, são as narrativas fundamentalistas e reacionárias de politização do ódio nacional de ambos os lados que vão se impor ainda mais, tornando o impasse definitivamente insolúvel.

[...]

ANTISSEMITISMO E ISLAMOFOBIA COMO IDEOLOGIAS DA CRISE GLOBAL

A falsa crítica ao capitalismo acima remete, por fim, a outra questão do Manifesto: “Por que grande parte da esquerda tem dificuldade em identificar e resistir ao antissemitismo em suas fileiras?” Antes de retomar a pergunta, cabe aqui apontar a singularidade de cada uma das formas de ódio social. A islamofobia, se seguirmos a pista de Edward Said, fetichiza o palestino (ou o árabe e muçulmano) como alguém atrasado, violento por natureza, exótico, fanático, impermeável a argumentos racionais, irascível e intolerante. Sua atualidade como ideologia da crise contemporânea reside na estigmatização do imigrante, do refugiado ou de bárbaros inferiores que não se adequam à “civilização” moderna e para quem não há mais lugar. Já no caso do antissemitismo, a fetichização do judeu passa por outras características: conspirador, ardiloso, dotado de superpoderes ocultos e misteriosos, cosmopolita sem raízes, artificial e fantasmagórico. Isso permite, como afirma o Manifesto citando Moishe Postone, que “o antissemitismo muitas vezes atue como uma forma fetichizada de ‘anticapitalismo’. O poder misterioso do capital, que é intangível, global e que agita nações, áreas e vidas das pessoas, é atribuído aos judeus. A dominação abstrata do capitalismo é personificada nos judeus”. Ora, na crise global da sociedade da mercadoria e do valor (o abstrato e intangível por excelência), o antissemitismo se recrudesce e os judeus como tais são identificados como culpados: não como inferiores, ou incivilizados, mas como os usurpadores maléficos da civilização. 

E é neste caos da civilização, em que campeia a desorientação e uma dificuldade real de se formular alternativas efetivas diante da sociabilidade vigente, que cresce também a tendência de uma certa esquerda de buscar atalhos supostamente “antissistêmicos”, flertando em menor ou maior grau com a demagogia antissemita se pautando “não tanto na luta contra o capitalismo enquanto relação social, mas na rejeição da ‘hegemonia americana’, ‘globalização’, ‘finanças’ – ou às vezes, ‘sionismo’, visto como vanguarda de todas essas forças. Isso levou muitas pessoas que se consideram esquerdistas a simpatizar com alternativas reacionárias às atuais disposições políticas e econômicas”. E aqui reside o perigo de se cruzar o Rubicão. Num tweet recente respondido por Elon Musk, um influenciador americano de extrema-direita afirmou que os “judeus estimulam o ódio dialético contra os brancos” por apoiarem a imigração para o Ocidente de “hordas de minorias”.

Ou seja, contra o Ocidente branco, o judeu conspirador e indesejável seria o responsável por estimular a imigração de minorias, aí certamente inclusos árabes e muçulmanos indesejáveis. Eis aqui mais um exemplo do porquê a luta conjunta contra o antissemitismo e a islamofobia é tão desejável.


Fonte: https://diplomatique.org.br/antissemitismo-islamofobia-manifesto-esquerda-internacionalista/
Pode-se dizer que, nos parágrafos iniciais do texto, o autor apresenta a intenção de:
Alternativas
Q3272941 História e Geografia de Estados e Municípios

Assinale a alternativa que apresente um dos primeiros nomes (nome primitivo) atribuídos ao arraial que deu origem ao município de Monte Alegre de Goiás:

Alternativas
Q3272940 Geografia

O Estado de Goiás está localizado na região Centro-Oeste do Brasil, segundo a divisão nacional do IBGE. Sendo assim, assinale a alternativa que apresente corretamente as siglas oficiais dos territóros que compõem essa região:

Alternativas
Q3272939 Português

Um gentílico é a palavra que indica a origem geográfica de uma pessoa, ou seja, o local onde ela nasceu ou vive. Sobre isso, qual é o gentílico atribuído a Monte Alegre de Goiás?

Alternativas
Q3272938 História

A independência do Brasil marca um momento decisivo na história do país, simbolizando a libertação do domínio colonial e o início da formação de uma nação soberana. Este evento é comemorado anualmente como um feriado nacional, refletindo sua importância para a identidade e o orgulho dos brasileiros. Acerca disso, assinale a alternativa que apresente a data em que esse evento ocorreu: 

Alternativas
Q3272927 Português
Marque uma alternativa em que todas as palavras são paroxítonas. 
Alternativas
Q3272926 Português
Qual opção apresenta a divisão silábica correta da palavra “paralelepípedo”?
Alternativas
Q3272925 Português
Identifique a palavra que contém um dígrafo. 
Alternativas
Q3272924 Português

Complete a frase com a preposição adequada:


Ele saiu _______ casa pela manhã.

Alternativas
Q3272923 Português
Quanto à ortografia, qual das frases está escrita corretamente?
Alternativas
Q3272922 Português

Leia o poema “Borboletas” de Vinícius de Moraes e responda à questão. 


Borboletas

Vinícius de Moraes

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam Na luz

As belas

Borboletas.


Borboletas brancas

São alegres e francas.


borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então...

Oh, que escuridão! 


Qual trecho do poema possui um advérbio de intensidade?
Alternativas
Q3272921 Português

Leia o poema “Borboletas” de Vinícius de Moraes e responda à questão. 


Borboletas

Vinícius de Moraes

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam Na luz

As belas

Borboletas.


Borboletas brancas

São alegres e francas.


borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então...

Oh, que escuridão! 


A palavra “ borboletas ” é:
Alternativas
Q3272920 Português

Leia o poema “Borboletas” de Vinícius de Moraes e responda à questão. 


Borboletas

Vinícius de Moraes

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam Na luz

As belas

Borboletas.


Borboletas brancas

São alegres e francas.


borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então...

Oh, que escuridão! 


Qual termo retirado do poema é um verbo conjugado na terceira pessoa do plural?
Alternativas
Q3272919 Português

Leia o poema “Borboletas” de Vinícius de Moraes e responda à questão. 


Borboletas

Vinícius de Moraes

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam Na luz

As belas

Borboletas.


Borboletas brancas

São alegres e francas.


borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então...

Oh, que escuridão! 


Quais são os adjetivos relacionados às borboletas brancas no poema?
Alternativas
Q3272918 Português

Leia o poema “Borboletas” de Vinícius de Moraes e responda à questão. 


Borboletas

Vinícius de Moraes

Brancas

Azuis

Amarelas

E pretas

Brincam Na luz

As belas

Borboletas.


Borboletas brancas

São alegres e francas.


borboletas azuis

Gostam muito de luz.


As amarelinhas

São tão bonitinhas!


E as pretas, então...

Oh, que escuridão! 


De acordo com o poema, o que há de comum entre todas as borboletas?
Alternativas
Q3139589 Mecânica de Autos

“A troca de ____________ é necessária, pois, com o tempo, essa substância perde sua eficiência de lubrificação. Isso pode ocorrer devido ao acúmulo de sujeiras no motor e a contaminação com resíduos do combustível.” Assinale a alternativa que completa corretamente a afirmativa anterior.

Alternativas
Q3139588 Mecânica de Autos

Sobre a regulagem das correias, analise as afirmativas a seguir.



I. Se uma correia não for tensionada corretamente, ela ficará muito solta ou muito apertada na polia.


II. As polias precisam ser alinhadas corretamente para evitar o desgaste prematuro das correias.


III. As correias nunca devem ser forçadas às polias, estando muito apertadas para colocar no sistema de acionamento, é necessário remover uma das polias para a instalação.



Está correto o que se afirma em 

Alternativas
Q3139587 Legislação de Trânsito

O objetivo da sinalização vertical de regulamentação é informar condições, proibições, obrigações ou restrições no uso das vias urbanas e rurais. Dentre as placas de sinalização, assinale a que indica: “ônibus, caminhões e veículos de grande porte mantenham-se à direita”.

Alternativas
Respostas
301: D
302: D
303: A
304: A
305: A
306: C
307: B
308: B
309: D
310: A
311: C
312: D
313: A
314: B
315: C
316: B
317: A
318: A
319: C
320: D