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Analisando as etapas de planejamento, execução e processamento laboratorial destas próteses, marque a resposta CORRETA a seguir.
A essência da Prótese Parcial Removível (PPR) consiste em estabelecer um planejamento biomecanicamente viável, preservando as estruturas e suporte, bem como garantindo sua eficiência funcional e conforto ao paciente. A este respeito, analise as assertivas abaixo.
I- Ao planejar um caso, deve-se considerar a confecção de desgastes específicos no modelo de trabalho e seus equivalentes guias de transferência em acrílico para o correto preparo específico em boca.
II- O apoio metálico geralmente se localiza na face dental distante do espaço protético intercalar, em uma classe III de Kennedy, confinado em um nicho que deve apresentar o assoalho formando um ângulo menor que 90 graus.
III- Considerando o uso da liga de CoCr para a obtenção da estrutura metálica, são necessários 0,75 mm de retenção horizontal nos dentes suportes para grampos com secção transversal em meia cana.
IV- Quando houver a necessidade de alteração do contorno anatômico de dente com resina composta, a obtenção de um novo modelo de estudo pode ser necessária para determinar se a alteração foi suficiente ou não, e principalmente para calibrar a nova área retentiva, finalizando o planejamento com a devida segurança.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
As relações intermaxilares compreendem todo o relacionamento estático e dinâmico entre a maxila e a mandíbula nos sentidos vertical e horizontal, lateral e anteroposterior. Nesse contexto, analise as seguintes afirmativas.
I- O plano de cera superior é ajustado e adaptado em toda sua extensão ao plano de orientação inferior, moldando-se a ele, de acordo com a dimensão vertical e a relação central determinadas.
II- A redução da dimensão vertical de oclusão corresponde à supressão ou eliminação do espaço funcional livre, e causa dificuldades mastigatórias, fonéticas e na deglutição.
III- As bases de prova precisam ser estáveis e rígidas, com superfícies externas lisas e polidas, a fim de oferecerem conforto ao paciente e adaptação efetiva no rebordo.
IV- O método métrico consiste em determinar a dimensão vertical de oclusão diretamente pela pronúncia de sons sibilantes.
É CORRETO o que se afirma em:
O sucesso dos trabalhos de Prótese Parcial Fixa (PPF) na clínica diária está diretamente associado a um correto e criterioso planejamento, que deve ser executado de modo a atender às necessidades individuais de cada paciente.
Sobre Prótese Parcial Fixa, marque a alternativa CORRETA.
O preparo de dentes é uma etapa do tratamento protético que consiste em reduzir a estrutura coronal por meio de desgastes seletivos de esmalte e dentina, na quantidade e na forma predeterminadas, com a finalidade de criar espaço para que o material restaurador possa viabilizar a reabilitação da estética, da forma e da função de uma ou mais coroas dentárias. Segundo a afirmação acima, analise as seguintes assertivas:
I- A resistência é obtida pelo contato das paredes internas da coroa com as superfícies do dente preparo, determinando uma área que propicia retenção friccional à prótese e que impede seu deslocamento no sentido gengivo-oclusal, quando é submetida à ação de forças de tração.
II- Preparar as faces axiais com uma única inclinação é um erro muito comum, que leva as paredes axiais a apresentarem ângulos maiores que 10 graus, com consequências negativas para a retenção da prótese.
III- Se o dente estiver mal posicionado, o preparo deve corrigir esta deficiência, para que a prótese apresente retenção, sem sobrecontorno, ou fora de posição em relação aos dentes vizinhos.
IV- O término cervical tipo chanfrado necessita de maior quantidade de desgaste nas faces axiais, incisais e oclusal, e pode apresentar maior dificuldade de escoamento do cimento.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
A obtenção de coroas provisórias lisas e polidas é de extrema importância para a manutenção da saúde periodontal e estética, e todos os pré-requisitos para a sua confecção devem ser respeitados. Nesse panorama, analise os itens abaixo.
I- O material odontológico mais utilizado para a confecção de coroas provisórias é a resina acrílica termopolimerizável.
II- Resinas acrílicas autopolimerizáveis apresentam maior resistência e estabilidade de cor, e são normalmente empregadas em casos extensos.
III- No reembasamento cervical do provisório, acrescenta-se a resina, na consistência cremosa, em toda a região com o pincel ou espátula de inserção.
IV- A técnica indireta para a confecção de provisórios é mais rápida e precisa; pode ser realizada utilizando-se um molde alginato ou matriz de silicone, obtidos de um enceramento diagnóstico.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
A Articulação Temporomandibular (ATM) é uma estrutura crânio-facial altamente especializada, formada pelos ossos temporal e mandibular, que está sujeita a distúrbios de origem neurológica e musculoesquelética. Em relação a isto, analise as sentenças abaixo.
I- A Disfunção Temporomandibular (DTM) é considerada um problema de etiologia multifatorial, de caráter cíclico e em muitas vezes de remissão espontânea.
II- Quando houver uma desordem intra-articular e recidiva dos sintomas do paciente à terapia conservadora, a avaliação do tecido mole, através de uma tomografia computadorizada, faz-se necessária.
III- Os aspectos da dor e disfunção psicossocial são sinais cardinais da busca dos pacientes por tratamento da DTM, pois o aspecto psicológico poderá ser considerado um fator de risco ou consequência da experiência da dor do paciente.
IV- Procedimentos odontológicos de alterações oclusais irreversíveis são indicados na prevenção e controle das DTMs.
É CORRETO o que se afirma apenas em:
Uma das etapas mais importantes na confecção de uma prótese dentária é o registro com precisão da relação entre a maxila e a mandíbula. Para que esta informação seja transferida aos modelos, faz-se necessário que eles sejam fixados em articulador semiajustável (Pegoraro et al., 2014).
Fonte: PEGORARO et al, L. F. Fundamentos de Prótese Fixa – Série ABENO.. São Paulo, Artes Médicas, 2014, 160 p.
De acordo com a afirmação acima, analise as assertivas a seguir.
I- Os articuladores tipo charneira reproduzem os movimentos da mandíbula por apresentarem dispositivos que simulam as articulações temporomandibulares e por terem dimensões próximas à média dos crânios da população.
II- O emprego do arco facial se baseia na relação que o plano oclusal (formado pelas pontas de cúspides e incisais dos dentes) tem com o plano horizontal craniano do paciente (plano de Frankfurt), que é determinado pela união das bordas superiores dos meatos acústicos externos com a borda inferior das órbitas.
III- A função do relator Nasion é determinar um terceiro ponto, necessário para formar um plano que possibilite a montagem do modelo inferior no articulador na mesma posição espacial que a maxila ocupa em relação ao crânio.
IV- Para a fixação do modelo inferior no ASA, os guias condilares devem ser travados por meio da movimentação dos guias laterais para a posição zero e o pino incisal deve ser regulado aproximadamente 2 a 3 mm acima da posição zero, para compensar a espessura do material de registro.
É CORRETO o que se afirma em:
De acordo com Fernandes Neto, Neves, Simamoto Junior (2013), a oclusão se refere ao estudo das relações estáticas (intercuspidação dentária) e dinâmicas (movimentos mandibulares) entre as superfícies oclusais e entre estas e todos os demais componentes do aparelho estomatognático.
Fonte: FERNANDES NETO, A. J.; NEVES, F. D.; SIMAMOTO JÚNIOR, P. C. Oclusão – Série ABENO.. São Paulo, Artes Médicas, 2013, 160 p.
Diante desta afirmação, marque a alternativa CORRETA.
Assinale a alternativa que apresenta CORRETAMENTE a quantidade de linhas necessárias para a construção da tabela verdade da proposição composta a seguir.

Em uma loja, são oferecidas três mercadorias: A, B e C. A seguir, no Diagrama de Venn, tem-se a quantidade de vezes que cada produto foi vendido ao longo de um mês. Assinale a alternativa CORRETA.

Após um desastre, a defesa civil levantou os seguintes dados:
· 78 pessoas tiveram suas casas alagadas;
· 49 pessoas tiveram apenas perda de móveis;
· 19 pessoas sofreram apenas com deslizamentos de terra;
· 27 pessoas tiveram suas casas alagadas e perderam móveis;
· 31 pessoas sofreram com deslizamentos de terra e tiveram suas casas alagadas;
· 20 pessoas tiveram suas casas alagadas, perderam móveis e sofreram com deslizamentos de terra.
Analise as assertivas a seguir e assinale a alternativa CORRETA.
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Observe o emprego do pronome relativo nas estruturas abaixo expostas e, em seguida, indique a função sintática assumida por cada um deles.
“Em seguida vinha o 29766, EM QUE1 se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas.”
“A senhora A QUE2 me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa.”
“[...] mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, [...] e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, QUE3 lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)
Após a leitura da crônica no TEXTO III, responda à questão.
TEXTO III
Um milagre
(Graciliano Ramos)
R28829. Anúncio miúdo publicado num jornal: “A Nossa Senhora, a quem recorri em momentos de aflição na madrugada de 11 de maio, agradeço de joelhos a graça alcançada.” Uma assinatura de mulher. Em seguida vinha o 29766, em que se ofereciam os lotes de um terreno, em prestações módicas. Esse não me causou nenhuma impressão, mas o 28829 sensibilizou-me.
A princípio achei estranho que alguém manifestasse gratidão à divindade num anúncio, que talvez Nossa Senhora nem tenha lido, mas logo me convenci de que não tinha razão. Com certeza essa alma, justamente inquieta numa noite de apuros, teria andado melhor se houvesse produzido uma Salve-Rainha, por exemplo. Infelizmente nem todos os devotos são capazes de produzir Salve Rainhas.
Afinal essas coisas só têm valor quando se publicam. A senhora a que me refiro podia ter ido à igreja e enviado ao céu uma composição redigida por outra pessoa. Isto, porém, não a satisfaria. Trata-se duma necessidade urgente de expor um sentimento forte, sentimento que, em conformidade com o intelecto do seu portador, assume a forma de oração artística ou de anúncio. Há aí uma criatura que não se submete a fórmulas e precisa meios originais de expressão. Meios bem modestos, com efeito, mas essa alma sacudida pelo espalhafato de 11 de maio reconhece a sua insuficiência e não se atreve a comunicar-se com a Virgem: fala a viventes ordinários, isto é, aos leitores dos anúncios miúdos, e confessa a eles o seu agradecimento a Nossa Senhora, que lhe concedeu um favor em hora de aperto.
Imagino o que a mulher padeceu. A metralhadora cantava na rua, o guarda da esquina tinha sido assassinado, ouviam-se gritos, apitos, correrias, buzinar de automóveis, e os vidros da janela avermelhavam-se com um clarão de incêndio. A infeliz acordou sobressaltada, tropeçou nos lençóis e bateu com a testa numa quina da mesa da cabeceira. Enrolando-se precipitadamente num roupão, foi fechar a janela, mas o ferrolho emperrou. Afuzilaria lá fora continuava intensa, as chamas do incêndio avivavam-se. A pobre ficou um instante mexendo no ferrolho, atarantada. Compreendeu vagamente o perigo e ouviu uma bala inexistente zunir-lhe perto da orelha.
Arrastando-se, quase desmaiada, foi refugiar-se no banheiro. E aí pensou no marido (ou no filho), que se achava fora de casa, na Urca ou em lugar pior. Desejou com desespero que não acontecesse uma desgraça à família. Encostou-se à pia, esmorecida, medrosa da escuridão, tencionando vagamente formular um pedido e comprimir o botão do comutador. Incapaz de pedir qualquer coisa, arriou, caiu ajoelhada e escorou-se à banheira. Depois lembrou-se de Nossa Senhora. Passou ali uma parte da noite, tremendo. Como os rumores externos diminuíssem, ergueu-se, voltou para o quarto, estabeleceu alguma ordem nas ideias confusas, endereçou à Virgem uma súplica bastante embrulhada. Não dormiu, e de manhã viu no espelho uma cara envelhecida e amarela. O filho (ou marido) entrou em casa inteiro, e não foi incomodado pela polícia.
A alma torturada roncou um suspiro de alívio, molhou o jornal com lágrimas e começou a perceber que tinha aparecido ali uma espécie de milagre. Pequeno, é certo, bem inferior aos antigos, mas enfim digno de figurar entre os anúncios do jornal que ali estava amarrotado e molhado.
Realmente muitas pessoas que dormiam e não pensaram, portanto, em Nossa Senhora deixaram de morrer na madrugada horrível de 11 de maio. Essas não receberam nenhuma graça: com certeza escaparam por outros motivos.
(Fonte: As cem melhores crônicas brasileiras/ Joaquim Ferreira dos Santos, organização e introdução. - Rio de Janeiro: Objetiva, 2007.)